sábado, 10 de maio de 2014

Os Saltimbancos - Andre da Rocha - tomo 22

Teatro para quem o quer...

               Mais uma incursão de Os Saltimbancos no interior do Rio Grande do Sul, dessa vez em Andre da Rocha, município próximo à Nova Prata e Marau. População pequena, desconhecedora da mise en scene, e portanto mais um potencial desafio para os atores da Cia. O espetáculo já foi muito apresentado no entanto se considerássemos que uma apresentação assemelha-se a outras, estaríamos abdicando de toda a complexidade que há por trás da interpretação. 
            Era um novo dia, após uma gama de sensações e vivencias de cada um dos membros da equipe. Durante os últimos dias muitos ensaios, mas principalmente acontecimentos novos, registros humanos novos. Cada ator sofreu, ou riu, ou chorou, jamais saberemos; mas essa gama de impressões adquiridas interferem profundamente na atuação. Elas formam o talento a organicidade do artista. 
              Essas gamas todas apareceram ao menos para mim que conheço razoavelmente bem o elenco. A composição das personagens sempre me surpreende nesse espetáculo, mas nesse dia Renato Casagrande movimentava braços e pernas bailando por entre as cenas de forma brilhante. Alessandra Souza e Ricardo Fenner vem desenvolvendo muitas coisas. Um desafio para a atriz é buscar sempre a leveza. Talvez exercícios de Laban, e grandes doses de auto crítica. Ricardo Fenner cresceu muito nesses últimos intensivos, criou partituras e em cena evoluiu deveras. Cléber Lorenzoni, embora seja perfeito no que diz respeito a técnica, não parecia inteiro. Solucionou muita coisa, cortou, acelerou, trocou de microfones e tudo em perfeita ação pelo palco, no entanto não parecia inteiro. Parecia distante, parecia preocupado demais, diretor demais.
                  O cenário adaptado não atrapalhou, mas também pouco contou... pode sim continuar sendo aquele mas precisa ser incluído, ou corre o risco de tornar-se uma barriga visual. Uma barriga visual que Grotowski certamente desprezaria.
                       Atuar com microfones não é uma solução para a falta de acústica. Atuar com microfones é uma escolha, uma aposta, e exige técnica, capacidades. Não basta pegar um microfone na mão e acreditar que o milagre da comunicação teatral acontecerá...
                      A historia foi toda reduzida, beirando a não compreensão. Claro ainda se percebe o encontro dos quatro bichinhos e sua decisão em ficar na casa, mas a parte da "casa-pensão" fica pouco clara. Deve ser bem decidido o que se busca com a narrativa. O grande mérito do dia é a capacidade do Máschara em apropriar-se de um texto, desconstruí-lo e reconstruí-lo, e isso é algo que se vê em todos os seus trabalhos.
                      Parabéns a equipe de os Saltimbancos.



Os Saltimbancos
Direção - Cléber Lorenzoni e Dulce Jorge
Elenco -
Gata Cléber lorenzoni (**)
Cachorro Renato Casagrande(***)
Jumento Ricardo Fenner(***)
Galinha Alessandra Souza(**)
músicas de Chico Buarque
Contra-regragem Evaldo Goulart (**)e Evandro Amorim (**)


                                                Teatro é vida
                                                                                      A Rainha