sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Os Três porquinhos pobres...

Diário de Bordo XXXIII- O Castelo em Nova Prata

A familia que escolhemos...

Dos espetáculos do Máschara, um que mais se destacou no ano em que foi montado foi O Castelo Encantado. E que me perdoem os admiradores da obra de Erico Verissimo, mas as obras infantis do mesmo me pareciam imontáveis, devido a sua extrema complexidade de narrativas. Com tramas frágeis, sem muitos conflitos. Afinal sua intenção era a literatura e não a cena. Mas preciso elogiar um espetáculo que nasceu humildemente e tornou-se um ótimo entretenimento infantil.
O elenco inicial era formado por Cléber, Lauanda, Alexandre, Gelton, Miriam, Cristiano e Rafael. junto eles fizeram as setenta e poucas apresentações que correram o estado em 2005. O novo elenco ainda não se apropriou da peça, e isso se deve a inesistência de ensaios. Constantemente algumas pessoas comparam Lili Inventa o Mundo a O Castelo Encantado. De certa forma concordo. Mas é preciso buscar na raíz de várias conotações a resposta...Primeiramente, Erico Verissimo e Mario Quitnana são gaúchos e foram amigos em vida. O Máschara conta atravéz do primeiro as hitorias do Elefante Basílio, Ursinho com música na barriga, Três porquinhos pobres, e Aviãosinho vermelho. São quadros que tem como elo de ligação apenas o interesse da menina Rosa Maria, que está visitando O Castelo Encantado. Em Lili Inventa o Mundo, a protagonista lê um livro de poesias, e é envolvida na trama de magia da Fada Mascarada, uma triste não bruxinha que nunca fora tratada com carinho. Ao final, após muitas lições poéticas, Lili volta para casa, prona para amar eternamente a leitura, os versos e prosas de Mario Quintana.
Enfim, situações diferentes...
Talvez Lili e Rosa sejam parecidas, mas assim também o são Alice (lá no país das maravilhas), Dorothy em O Mágico de Óz e tantas outras. Meleca e Malaquias? Senhor Mágico e Senhor Poeta, e por que não se ambos são dois contadores de historia que dividem a cena para encher os olhos das crianças. Sempre que há bom senso e boa intenção o teatro se explica.
O palco é um lugar mágico, e hoje quero falar do senso agradável de envolvimento que envolve os atores. Acho que o que úne atores "Não profissionais" no interior, nos tais grupos de teatro, é a sensação de familia, o parentesco que se cria, os laços que se contróem.
Familia é a organização social, consanguinea ou não, de seres unidos por laços parentais de afeto e necesidade social. Ora não vivem os atores cercados de elos, afetivos, passionais? Não se apoiam e buscam socorro uns nos outros? Não se odeiam as vezes e se amam em outras ocasiões? Não lutam junto alí na frente do público, não criam e concebem juntos qual casal? Não choram de alegria abraçados?Não criam siglas, girias, termos, códigos que só eles compreendem? Não aprendem a conhecer as cartadas, jogadas e dissimulações uns dos outros? Ouso dizer que o teatro é sim famlia, já dizia que era uma relijião e agora o afirmo como união familiar. ...E todos tão jovens, tão desapercebidos do Oásis que encontraram, do eco de idéia que coneguem, da sensação de especialismo, da fuga da monotonia e da monocordía da vida. Vão perdendo aos poucos o que receberam de coração! Talvez seja a coisa mais linda e em prol de outros que vão fazer em sua existência.
O Teatro é vida... Uma forma de vida. Com suas regras, suas convenções, seus códigos presunçosos e por vezes tão infantis. Não sei por que viajam durante horas em acomodações restritas e repetem dezenas de vezes ações tão elouquentes por tão pouco se não considerar o aplauso como a maior paga!  Penso ter a ver com o prazer de sentir-se especial! E o são!
O Grupo Máschara tem algo de mágico, uma benção talvez, não sei ao certo. Talvez tenha haver com a dedicação profunda de ALGUNS, mas o fato é que na hora do show acontece uma sintonia, um apoderar-se tão tocante que em determinadas vezes me leva as lágrimas.
O Castelo Encantado despede-se hoje para ficar na lembrança, recordado nesse blog. A Rosa Maria de Angélica Ertel solta pelo palco, preocupada em dar vóz aos colegas através de seu microfone; Alesandra Souza, tentando melhorar a cada dia; Renato Casagrande com seu ar avoado, as vezes sem noção do que acontece a sua volta, Gabriel Wink necessitando de ensaios, para fazer mais do que apenas mostrar seu talento; Luis Fernando Lara meio perdido, meio destoante, mas satisfeito em estar na cena; e Cléber Lorenzoni trocando letras de músicas, nervoso em salvar a todos e a sí mesmo e ainda segurar a platéia.  Mas em meio a tudo isso, o fazer, o tentar, o errar crescendo, sem vergonha de errar e sem demagogia em querer mesmo acertar. Como uma familia...que discute, se zanga, mas continua alí, cercando aquele alicerce para manter-se fluindo.
Provavelmente o Castelo que sempre irei me recordar é o de 2005, mas servirá de bagagem a um grupo de jovens que se parar um instante perceberá que tem nas mãos um tesouro, um dom, uma missão. Por Dionísio, nunca a joguem fora e nunca privam seu público de sua presença no palco!!



                                                                                                             A Rainha