domingo, 29 de outubro de 2017

A familia Hippie

Lavínia - Douglas Maldaner - Antonia Serquevittio - Vitoria Ramos - Nicholas Miranda  - Alessandra SOuza

A familia EMO e suas peculiaridades

Giulia - Jenifer - Gabriel Giacomini - Wagner Nardes - Raquel Arigony - Laura Hoover

Criação Cênica - Uma família de Ítalo-brasileiros debatendo seus pontos de vista políticos e sociais

Alessandro Padilha- Maria Eduarda - Renato Casagrande - Pedro Lucas  - Sandra Lazzari  -  Stalin Ciotti

Mais um pouco do Grupo Máschara na escolinha Arco Iris


Mais um Halloween com o Máschara na escola de línguas FISK


Oportunidade com uma grande atriz


quinta-feira, 26 de outubro de 2017

791 A Roupa Nova do Rei- (tomo 2)

A Arte de conseguir fazer Arte com quem não sabe para que serve a arte...

                     Há algum tempo que acompanho as atividades do Grupo Teatral Máschara, e fico muitas vezes gratamente surpresa pelo que é apresentado, pelo nível alcançado por aqueles que realmente se dedicam ao teatro com seriedade. Na verdade são poucos os atores realmente aptos a se dizerem profissionalmente atores, com capacidade, versatilidade e talento. Agora, com o amadurecimento da ESMATE escola de teatro do Máschara, talvez surjam novos atores, para aumentarem nossa galeria de estrelas. Muitos atores saem de uma oficina, ou ostentam o diploma de um curso, ou ainda participam de alguma pequena esquete performática e já se acham capazes de se dizerem atores. Realmente o teatro confere a seus frequentadores essa equivocada capacidade de com apenas um ou outro pequeno salto ao palco se dizerem atores. Não nos cabe julgá-los ou culpá-los, isso é reflexo de uma platéia pouco exigente, reflexo da falta de escolas direcionadas e a falta de frequência em assistir teatro. 
                    A Roupa Nova do Rei de Andersen, foi uma montagem ousada, não por que trate de assuntos complexos, ou por qualquer outro motivo paradoxal, ao contrário, a narrativa é simples e de certa forma fácil de ser levada ao palco. A ousadia está em o Máschara conseguir aventurar-se em montagens quando possui em seu elenco um número pequeno de grandes atores. 
                         Uma companhia que alcançou vinte cinco anos, precisava ter paralelo a essa historia o crescimento de uma situação propicia a ela. Cursos de teatro, escolas de atores, crescimento de plateias, aberturas de salas de espetáculos, etc... É difícil dar vasão a uma historia de sucesso se a luta parece ser contra o todo a sua volta. Muito pouco foi feito para auxiliar a historia do Máschara. Os atores e diretores da Cia. lutaram, esforçaram-se em criar subterfúgios, locais alternativos, projetos. No entanto isso acaba por ser muito pouco. O teatro precisa se tornar uma realidade, ou haverá sempre o fantasma da evasão humana, a falta de estimulo por parte das familias, o desinteresse, o desrespeito, etc...
                     Cléber Lorenzoni, Dulce Jorge, Ricardo Fenner, Alessandra Souza e Renato Casagrande, de certa forma a atual diretoria do Máschara, vêm há mais de cinco anos lutando em todas as frentes para manter viva a chama. Aí acrescenta-se, Evaldo Goulart, Douglas Maldaner, Fernanda Peres, Raquel Arigony, Fabio Novello e Gabriel Giacomini que pulsam a sua volta.Parece um grupo grande, e é, mas é pequeno para esses vinte e cinco anos e para o que se almeja ainda alcançar. 
                      O Máschara viajou recentemente para mais uma das tantas cidades que vez ou outra decidem consumir teatro sem antes preparar a platéia para isso. As crianças tão acostumadas a redes sociais, videos do youtube e etc, não compreendem muito bem o que é teatro, para eles é algo entre cinema e uma recreação divertida. Alguns ousam pensar que atores são como aqueles palhaços que animam festas infantis, nos quais deseducadamente dá-se beliscões e empurrões. 
                           A Roupa Nova do Rei é um espetáculo que não subestima o público infantil, ao contrário, ele percebe a capacidade da criança em compreender as coisas, em pleno século vinte um, não poderíamos tratar nossas crianças apenas com marionetes falando com vozes debiloides, estaremos assim esquecendo de prepará-las para o mundo violento e competitivo que as aguarda. 
                            O Rei de Fan Fin Fon quer roupas novas, odeia roupas velhas, reclama do que tem e praticamente enlouquece seus fiéis puxa sacos, Flabeur e Lady Zuzu. Eis a ação inicial, um pouco longa, mas belissimamente costurada por Cléber Lorenzoni. Na principal circunstancia dada o Rei anuncia que costureiros devem ser procurados em todo o mundo. Está armado o imbróglio do espetáculo. E as crianças compraram a ideia. Compreenderam os perigos pelos quais o reizinho se arriscava. Maluc e Mulec, agora com nomes respectivamente corretos conseguiram apoderar-se do dinheiro dos cofres. 
                             O teatro tem essa força poderosa que parte do homem sobre o palco, a criatura humana atuando sobre o tablado decide os rumos do espetáculo. E isso se dá por questões filosóficas, sociais e orgânicas. Bom, foi dia de Cléber Lorenzoni comandar o rumo do navio. As crianças amaram o reizinho e quase demoliram com as cenas dos vilões. Merito logicamente também de Renato Casagrande que consegue vestir o manto da vilania. No entanto, o ator pode e deve saber abrir mão textos e cenas. O ator não é escrevo do texto, o texto, a palavra, está a serviço do interprete. Deve por tanto ser bem pronunciada, e ao mesmo tempo dispensada quando desnecessária. 
                               A partir do momento em que as crianças começaram a gritar que compreenderam o que acontecia, era hora de abrir mão, de pular para a parada real pelas ruas do reino. Elas estão ansiosas por ver se cumprir a charada que elas já mataram. Aí sim entra novamente a subestimação do público. 
                             Raquel Arigony e Alessandra Souza não estavam em um bom dia como na estréia. Raquel parecia tensa, preocupada. Talvez o pequeno espaço da coxia tenha feito com que ela soltasse ZuZu antes de sair completamente do palco rumo ao calabouço. Souza não se comunica. Alcança isso gritando ou mandando as crianças ouvirem, mas isso não é comunicar-se com a platéia, isso é apelar. Gabriel Giacomini dialoga muito bem com o reizinho e tem se mostrado ótima escada, mas precisa aprender também há abrir mão de coisas, a resumir cenas, etc.
                             A Roupa Nova do Rei aconteceu, graças a uma equipe inteira. Deve ser apresentado muitas vezes, e que sirva de estimulo para seus atores desafiarem-se e vencerem muitas outras barreiras que precisam ultrapassar para se tornarem grandes atores. 
                               O espetáculo tem um doce cuidado nos figurinos, uma limpeza de cenários, uma luz muito sutil, mas peca quando deixa o volume muito alto no palco. Atores berravam ao não conseguirem ouvir a própria voz. As vezes, quando apresentado em locais sem acústica, o operador precisa ter a sensibilidade de abrir mão de momentos sonoros em prol de que o público consiga ouvir a cena. Porém nos momentos finais do espetáculo algo aconteceu que quase não se ouviam algumas faixas. 
                               
                             Para lembrar: O teatro profissional não é algo para se fazer nas horas vagas, ou quando não tenho nada melhor para fazer. O teatro é escola, é profissão, é trabalho, é auto-conhecimento, precisa de dedicação, sacrifício e estudo.
                                  Para esquecer: O momento em que alguns atores continuam dando seu texto, teimando com a platéia, mesmo não sendo mais ouvidos por ela.

Texto: Adaptação do conto de Hans Cristhian Andersen por Cléber Lorenzoni. (**)
Direção:Cléber Lorenzoni (***)
Elenco: Cléber Lorenzoni (***)
             Renato Casagrande (**)
             Raquel Arigony (**)
             Gabriel Giacomini (**)
             Alessandra Souza (**)
Trilha Sonora: Renato Casagrande  e Cléber Lorenzoni (**)
           Operação  : Stalin Ciotti(*)
Contra-regragem: Laura Hoover (**)
                             Stalin Ciotti (**)
                             Evaldo Goulart (***)
 Iluminação : Fabio Novello (***)
Figurinos: Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande (***)
Montagem de Palco: Evaldo Goulart, Fabio Novello, Laura Hoover, Cléber Lorenzoni (**)
Comercialização: Ricardo Fenner (**)
Cenário: O Grupo (**)
Produção: Grupo Máschara (**)
Condução: Pampa Turismo (***)



 Arte é vida

                                                           A Rainha


As peripécias de A Roupa Nova do Rei - A decima peça infantil do Máschara


O Aborígine de A Roupa Nova do Rei, Renato Casagrande


terça-feira, 24 de outubro de 2017

O Ator e Performer Fábio Novello e suas incríveis caracterizações


O palco pronto para o IIº Tomo de A Roupa Nova do Rei


Os super heróis do Máschara interagindo com os filhos dos funcionários da COPREL (*)


O ator Evaldo Goulart ciceroneando o público do Cena às 7 (***)


790 - o Incidente 81

               
                            Erico Verissimo foi um dos maiores romancistas brasileiros. Embora também tenha sido traduzido para várias outras línguas.  Em meio à Nelson Rodrigues, Caio Fernando Abreu, Ariano Suassuna, Gianfransesco Guarnieri, Plínio Marcos, Arthur Azevedo, Pedro Bloch, Martins Penna, Erico também tem uma grande visão da alma humana. A apesar de não ter sido jamais um dramaturgo. Erico funciona muito bem no palco. Literatura e teatro são duas artes distintas. Enquanto a literatura tem signos próprios (as palavras e suas articulações em meio a frases e textos), o teatro é feito de tornar seus os signos que são dos outros, amarrando-os em uma estrutura em que um ator interprete um personagem (ou figura) diante de alguém. Lê-se um livro sozinho, mas é raríssimo assistir sozinho a uma peça. Um livro escrito há três mil anos pode ser lido hoje. Quem mergulha no intento de adaptar uma obra de uma arte para outra não pode desconsiderar as realidades de cada uma, as dificuldades que cada uma oferece para esse processo e a forma como elas podem re-hierarquizar os elementos construindo uma nova estrutura. Cléber Lorenzoni e Dulce Jorge adaptaram o texto de O Incidente em 2005 e conseguiram transpor para o palco com exatidão o clima politico e humano da pacata Antares. Uma qualidade de Cléber Lorenzoni é sempre tentar envolver a plateia na ação. Como acontece em Um Inimigo do Povo (2007) e mais recentemente em A Roupa nova do Rei. Estamos na praça de Antares, um de nós é Professor Libindo, outro é Dr. Falkemburg, outro é o Prefeito.  
                       A discussão que se desenrola entre os mortos e a relação de revolta deles para com a plateia, fica muito verdadeira, pulsante em personagens com Barcelona, Menandro e Dr. Cícero.  Eu já assisti O Incidente dezenas de vezes. E o Máschara sempre nos presenteia com novidades, com novas versões ou por mérito ou por necessidade merituosa. Impliquei apenas com a velocidade com que o espetáculo de repente acabou, sem uma curva bem estabelecida, possivelmente devido a falta de conflito e dos personagens “vivos”.
                       Já disse que o que mais me anima, envolve, atrai, é essa capacidade do máschara, não que outros grupos não a tenha, mas essa preocupação com a plateia, esse desejo de ir criando todo o ambiente. Sentada em meio há tantos jovens, professores quase dormindo e alguns brincando com seus celulares, os professores, não os alunos. Fui me deixando encantar pelos atores da Cia. Que caracterização perfeita, embora algumas maquiagens pudessem ser aprimoradas, a pesquisa de época me toca muito. Acredito que o calçado do professor também seja um aquém dessa perfeição.
                     Sobre o palco Fabio Novello e Dulce Jorge foram magistrais. O ator de Ijuiense nunca disse seu texto contra os comunistas com tanta veemência. Desta vez eu vi vivas as suas convicções. A impagável Dulce Jorge fez escolhas, se reinventou e criou novos traços para Dona Quitéria. Detalhes que enriqueceram e trouxeram graça. Não importa há quanto tempo se faz um papel, sempre se pode criar algo novo, atuar, interpretar!
                 Erotildes também perdeu a chorosa interpretação comovente para dar espaço à chocante vivencia trágica, tão necessária na personagem, tão necessária em todo o elenco. Aliás esse clima trágico inspirou alguns colegas e pode e deve estabelecer-se ainda mais na atriz e em todo o espetáculo. A situação a que se encontram os mortos de Antares é trágica. Não é dramática.  O Pudim de Stalin pode e deve ser mais presente, os momentos quase performáticos em que o ator está ao fundo, na meia lua, mostram-no vivo, intenso, mas quando há flexões de texto, ele deve trazer mais força e ímpeto. A qualidade de sua pronuncia, a potência vocal, a força de seu olhar, tudo deve ser trabalhado pela direção.
               Arigony, Lorenzoni e Giacomini cumprem suas funções sem grandes méritos. Embora o timbre vocal da atriz rosariense tenha se elevado bastante, dando-lhe um poder muito maior em sua Shirley e não há como não homenagear o trabalho vocal que Raquel pôs em sua personagem, dando-lhe um sonoridade regionalista. Giacomini pode alcançar mais sucesso e valor com sua cena, se a direção criar um bife a partir da cena de Rita e João Paz. Queremos conhecer mais do jovem e nos falta informações que nos ajudem a construir o caráter da personagem, sua historia. Se pensarmos que o espetáculo está ali como uma mera performance para homenagear a obra, ele cumpre sua função. No entanto teatro é conflito. O Incidente é uma obra com inicio, meio e fim, devemos sair do teatro com uma ideia construída. Ou então a montagem terá cara de mera sinopse introdutiva.
              Casagrande tem nas mãos um grande bife. Supera-se e vários quesitos, mas apreciaria ver a cena mergulhada no silêncio. A Apassionata tem sua força própria e entra em conflito com a forma que o ator projeta sua cena. Acredito que se chegaria muito mais longe se a cena fosse apresentada sem a presença forte de bethovem.
            A trilha operada por Evaldo Goulart teve alguns atrasos e alguns ataques brutos, mas quase imperceptíveis. No decorrer praticamente não se percebeu sua existência, o que sinaliza uma bela operação. Apenas vou implicar com o sonoplasta, pois acho que deveria haver uma trilha para a plateia, não expondo as musicas do espetáculo antes da hora. O que tira seu brilho e força.
            Foi uma agradável manhã de Erico, para que como disse o diretor do espetáculo, não se pense que o autor é apenas o autor de Ana Terra e Dona Bibiana.


                    Para lembrar: Que não se pensa coisas ou as propaga sem ter certeza, correndo-se o risco de ser injusto ou esquecer coisas importantes em dias de apresentação.
                      Para esquecer: Que não houve almoço para os atores e nem água ou lanche nos camarins, infelizmente artistas ainda são tratados assim, não por falta de respeito com o artista, mas por falta de diálogo!


O Incidente

Texto: Adaptação de Cléber Lorenzoni e Dulce Jorge da obra homônima de Erico Verissimo (***)
Direção: Cléber Lorenzoni (***)
Elenco: Cléber Lorenzoni (**)
              Dulce Jorge (***)
              Renato Casagrande (**)
              Alessandra Souza (***)
              Fabio Novello (***)
              Gabriel Giacomini (**)
              Stalin Cioti (**)
              Raquel Arigony (**)
Trilha Sonora: Cléber Lorenzoni (***)
Operação: Evaldo Goulart (**)
Contra-Regragem: Laura Hoover (**)
                                Stalin Ciotti (**)
                                Evaldo Goulart (**)
Figurinos: Cléber Lorenzoni (***)
Camareiro: Renato Casagrande (***)
Iluminação : Fabio Novello (**)
Montagem de Palco: Alessandra SOuza e Raquel Arigony (**)
Comercialização: Ricardo Fenner (**)
Produção: Grupo Máschara (**)
Condução: Pampa Turismo (***)

                    Arte é vida / Venda e comercio de espetáculos é trabalho, profissão!

                              A Rainha

O Incidente em Nova Ramada - Sucesso de elenco e público


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Cléber Lorenzoni em performance como Arcanjo


A alegria depois de tanto trabalho


descontração após O Castelo Encantado


O castelo Encantado 787/788/789 (tomos 130-131-132)

               
                   O roteiro desse espetáculo tem assinatura de Cléber Lorenzoni e Dulce Jorge, e foi escrito em 2005. Ao mesmo tempo em que trata da importância de ler e de usar a imaginação, O Castelo Encantado conta quatro historias. Todas muito criativas e com mensagens muito interessantes. A base do espetáculo nos vem da obra infantil de Erico Verissimo, e foi escrita há mais de cinquenta anos. Em uma época em que heroísmos eram mais admirados. Por isso mesmo na peça há tantos super heróis. Super Capitão Tormenta, Super Leitão, Super Ursinho. Todos em embates entre bem e mal. 
                  As crianças de hoje, manjam muito bem o que é "certo" e errado, até por causa das redes sociais que transpiram o politicamente correto, e ninguém quer ficar de fora do que a maioria prega. Sendo assim, é fácil convencê-las sobre quem apoiar, sobre para quem torcer... 
                    Claro que a energia de Rafael por exemplo rouba a cena. Claro que a força de Renato Casagrande como ator, supera até mesmo seu "Fernando/capitão tormenta". Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande aliás dominam muito a platéia através de sua potencia vocal e do poder como a utilizam. 
                      Rosa Maria é uma menina curiosa, espevitada, que tem uma construção muito delicada por parte de sua interprete. No entanto nas três apresentações de O Castelo no colégio STS, o barco foi afundando e quem teve capacidade nadou, os outros no entanto foram levados. Rosa maria foi um exemplo disso. A atriz em alguns momentos se fechou no palco com seu volume baixo, ou ainda quando obrigava-se a dizer seu texto todo. As crianças estavam entregues. Queriam se divertir, mas estavam em seu ambiente. Isso é muito perigoso no teatro. Quando a platéia sai de sua casa e vai até o ator, ela respeita o fato de estar no ambiente dele. Mas na então situação, os mascharados é que foram até a platéia. Alessandra Souza não teve poder algum e quando pedia silencio perdia Rosa Maria, quem pedia o silencio era a interprete e não a atriz. 
                       Logo na primeira incursão uma difícil situação que para Cléber Lorenzoni²¹² não foi incontornável,  em meio há tantas incapacidades ele desceu do palco e iluminou o palco. Função que deveria ser dos contra-regras, das professoras, dos funcionários da escola, de qualquer um, mas jamais dos atores. Ali, naquele instante percebi que seria uma tarde difícil. 
                             A metalinguagem presente em O Castelo Encantado, as mascaras, as canções, tudo pareceu um tanto impreciso depois que os atores começaram a lutar para contar sua historia. 
                         Nas três apresentações Souza³²² e Casagrande³¹² escancararam a quarta parede. Claro que foram sendo mais sutis no decorrer da tarde. Raquel Arigony²³² perdeu-se em seu volume abaixo do esperado. Infelizmente a direção delegou a atriz duas personagens muito próximas quando se pensa em bem e mal. Para as crianças ambas são do mal, ponto! Claro que carregam personalidades muito especificas. 
                            O ursinho com música na barriga conseguiu ser o vencedor da tarde, sem uma única palavra e por isso muito confortável. Seu interprete esparramou-se e sua saída de cena levou todos as gargalhadas. Esse estar vivo precisa estar presente nas cenas, no teatro como um todo. Esse adaptar-se ao que "pode" acontecer.
                         Cléber Lorenzoni diminuiu nas três apresentações a cena dos porquinhos. Sabiamente, é a cena mais longa, ainda que as vezes a mais divertida. Por ser longa, pode ser um desafio perigoso em dias que o clima não se estabelece. Evaldo Goulart²²² agrega valores positivos ao trabalho nas quatro historias, mas poderia cortar um pouco suas unhas, ou pintá-las. Ao tocar as crianças pode causar uma impressão negativa.
                         Gabriel Giacomini²²² não esteve firme como em sua estréia há alguns meses, mas fez direitinho o que lhe era esperado. Gabriel improvisa bem, tem intuição, o que é muito importante em cena. Porém pode e deve criar muito mais. O Castelo Encantado é um espetáculo com mais de dez anos. Espetáculos de longa vida precisam ser sempre manuseados com cuidado. Há o risco do esticamento, a perda de objetivos, etc... 
                           Quando assisto peças com canções e todas as infantis do Máschara às possuem, meu ouvido parece se abrir para ouvir cada detalhe da sonoridade. Poucos cantam, alguns não cantam. Cléber Lorenzoni esbarrou duas vezes na letra da musica, erro imperdoável, para quem apresenta o espetáculo desde sua estreia. Quando vejo um espetáculo, olho para a rotunda, o equilíbrio das pernas, a disposição do cenário, a distribuição dos elementos da iluminação, a penumbra da sala, os costumes dos atores (se estão limpos e bem costurados). E tudo isso diz respeito a contra-regragem e equipe técnica. Os estagiários do Máschara podem se apropriar ainda mais de funções, deixando os atores livres para fazer um bom trabalho e assim todos saem ganhando.
                             Finalmente, O Castelo Encantado adapta-se, falta aos atores, adaptarem-se também. Afinal mede-se o mérito de um ator, por sua capacidade em dominar sua arte.
  
                                O Castelo Encantado
Texto _Adaptação da obra infantil de Erico Verissimo
Autor- Cléber Lorenzoni e Dulce Jorge
Direção- Cléber Lorenzoni
Elenco- Alessandra Souza, Cléber Lorenzoni, Renato Casagrande, Evaldo Goulart, Raquel Arigony, Gabriel Giacomini
Contra-Regragem - Wagner Nardes ³²²
Apoio Técnico - Laura Hoover ²²² , Stalin Cioti²²²


                                      Arte é Vida


                                                               A Rainha



                            
                             

Mais uma estréia do Máschara


A sutileza de nosso Maluc


Mulec o grande vilão de A roupa Nova do Rei


Um dos pequenos da platéia ao lado do vilão Mulec


A corte do Reizinho Mandão


O reizinho ao lado de um dos admiradores do trabalho do Máschara


Cléber Lorenzoni, Gabriel Giacomini e Alessandra Souza em A Roupa Nova do Rei


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Com as turmas do colégio Santissima


A Roupa Nova do Rei 786 (tomo 1)

                              No domingo voltei a ser criança, embora, como diz Lili de Lili Inventa o Mundo, "seremos para sempre crianças". Ou ainda: Basta desejar e os olhos fechar, como em O Castelo Encantado. Mas o Máschara teve ainda outro mérito, fazer boa comédia, sem apelação alguma, para famílias inteiras se divertirem. Meus netos não moram em minha cidade, mas quando os visito costumo ir com eles ao teatro. As vezes eles riem muito e eu apenas observo devido a linguagem muito bobinha de alguns trabalhos que subestimam a criança. Em outros eu me entrego as gargalhadas enquanto eles observam sem compreender muito bem. Mas não há nada como os ricos momentos desopilantes, em que as duas gerações tão distintas se entregam juntas.
                                 A recepção ficou a cargo de Evaldo Goulart que de forma graciosa recebeu a plateia e deu o clima. Logo que me acomodei, a trilha medieval, o cenário, a luz, me conduziram para o passado. Castelos, reis, côrtes, tramas famosas começaram a povoar minha mente. Isso tudo claro unido a imagem do cartaz que espalha-se pelas redes sociais. Ou seja, a imagem que se vai compondo prepara a platéia para algo. O Máschara sabe muito bem nos preparar. 
                        A trama de Hans Cristian Andersem iniciou com atores de duas gerações bem distintas, mas me orgulhei vendo o jovem Gabriel Giacomini abrir a cena. Parece que o futuro do teatro está em boas mãos. O arauto do Rei foi se esparramando pelo palco em uma primeira cena que confesso ser um tanto longa, mas que sublinhou bem o que nos esperava. Giacomini carrega consigo a percepção de um ator maduro, precisa é claro, investir em técnica vocal e corpo. Ao mesmo tempo triangula com Cléber Lorenzoni como poucos. 
                           A primeira cena nos dá o tom do reizinho de Cléber Lorenzoni, mandão, vaidoso, intenso, mimado. Mas ao mesmo tempo muitíssimo divertido. Como ator d velha guarda que é, Cléber Lorenzoni usou suas cartas cena após cena e foi tirando piadas e gags novas qual mágico tira coelhos de uma cartola. Alessandra Souza é outra atriz de longa data, conhecida do público por suas Olívia e Margarida. A atriz acrescenta muita força a cena, talvez a direção pudesse especificar melhor sua ideia, compreendemos pela semiótica que trata-se de um jogo de cartas, um jogo onde cada personagem representa um naipe. Suponho que Lady Zuzu seria o curinga. No entanto isso poderia ser melhor sublinhado.
                            Ora, Lady Zuzu faz as vezes do povo de Fan Fin Fon, por isso mesmo poderia investir em seu trabalho corporal, sendo mais explosiva, ágil, espoleta, aproximar-se do público.                                                                       Meus querido moradores,
desta tão bela cidade, 
peço a atenção de todos, 
com a mais pura humildade,
 para mostrar os sintomas,
 da doença que é a vaidade.
                               Talvez um aventalzinho, ou algo do tipo ajudasse as crianças a compreenderem ainda mais a função de lady zuzu, relacionada a diferença de classes. Alessandra Souza pode se divertir mais, transcender, dizer ao mundo através de seus personagens o porquê de fazer teatro. Tearo tem que ser prazeroso, bom, saudável. 
                                   A vilania trazida por Maluc e Mulec, vem como uma alegoria perfeita, com ouro e copas, dinheiro e amor, falsetas e confusões. Um prato cheio para a farsa tão conhecida pelos espetáculos do Máschara. 
                                    Renato Casagrande é perfeito em seu vilão, um dos grandes do Máschara. Até por isso ocupa o papel do antagonista. Apenas aconselharia uma pequena troca em seus confusos nomes. "Mulec"- moleque, é o sujeito marginal, que apronta, que tem sempre um "jeitinho" para resolver as situações. "Maluc" - maluco, o bufo, o desajeitado, o clown branco. Esse pequeno detalhe  tornaria ainda mais brilhante a construção das figuras. 
                                Raquel Arigony surpreende com uma composição intensa, viva, redonda. Repleta de texto interno, a atriz fala com o corpo, "e que corpo", uma construção invejável que prende as crianças e da muito do tom do espetáculo. A proposta de ambos nos aponta ao cinema de O gordo e o magro, ou ainda o desenho pink e cérebro. A direção do espetáculo como sempre, acertou profundamente na escolha de elenco. Cada ator casou perfeitamente com o papel que lhe coube. O roteiro é simples, rápido, agrade, prende. Não me agrada a trilha, que é equivocada em alguns pontos e de operação bruta em outros.´
                                        A roupa nova do rei é diferente de todos os outros espetáculos infantis do Máschara. Abocanha uma nova fase do público. É como se a Cia. dissesse, crianças agora vocês estão grandinhas, chega de Lili e Rosa Maria, venham ver o Reizinho Mandão. Politica, relações familiares, sexualidade; Tudo está envolvido no roteiro da obra e saímos do teatro satisfeitos. Aliás não dá vontade de sair. As cenas vão se sobrepondo graciosamente. A vilania precisa, as confusões, os desmandos. 
                                  A cena da montagem do tear é tão fraca quanto este, mas as cenas anterior e posterior são obras primas da criatividade do Máschara. O trono movido por Messiê Flabeuir. O banquinho mínimo de onde o grande vilão berra seu plano. A corneta incontrolável e a sabedoria de Maluc (Raquel Arigony), vão colorindo o espetáculo pericialmente. 
                                          Em meu tempo de menina, brincávamos no jardim, corríamos, fazíamos pequenas molecagens. No fim do dia mamãe aparecia, chamava-nos para jantar, nos repreendia como  rainha do lar que era, e então nos punha na cama com beijos na testa. Esse é o fim poderoso de A roupa nova. A sabedoria da grande mãe traz a pesada cortina da noite.  Tudo era uma brincadeira de crianças, o que fica claro no agradecimento e Raquel Arigony termina mimando nosso pequeno principezinho que esperemos, ainda crescerá e se tornará um grande rei. 
                                          O calabouço, o closet real, os brigadeiros, os fios de ouro, o desfile real, o fim do mundo. Tudo estava a distancia de poucos metros. Nada é melhor do que ir ao teatro, do que deixar-se tocar pela arte. Saí do teatro tocada, emocionada com tanto talento, tanta qualidade e esforço. 
                       

Para encerrar lembro-lhes que os atores de Status IV e III devem falar mais alto, a iluminação embora não tenha nos dado  grandes surpresas, foi tocante e eficaz. Laura Hoover está cada dia levantando mais comentários pela qualidade de sua dedicação. Stalin Ciotti é comprometido e esforçado, querer aprender é a melhor qualidade de uma ator. Os jovens não devem esquecer que dia de Cena às 7, ou de trabalho, não é dia de festa ou passeio. Todos estão de parabéns, mas esse é só um começo. A roupa Nova do Rei estará por muito tempo entre nós!

A roupa Nova do Rei
Direção - Cléber Lorenzoni
Consultoria - Dulce Jorge
Elenco- Cléber Lorenzoni
Renato Casagrande
Raquel Arigony
Gabriel Giacomini
Alessandra Souza

Iluminação: Fabio Novello
Trilha Sonora- Cléber Lorenzoni, Renato Casagrande
Operação- Stalin Ciotti
Figurinos: Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande 
Camareira- Laura Hoover
Contra-Regragem- Vagner NArdes e Clara Devi



Cléber Lorenzoni, Renato Casagrande, Laura Hoover, Raquel Arigony (***)
Stalin Ciotti, Alessandra Souza, Gabriel Giacomini, Evaldo Goulart, Fabio Novello, Clara Devi, Vagner Vargas, Douglas Maldaner (**)


             
                                         
                                       
        






Uma carreira repleta de sucessos

36-Lendas da Mui Leal Cidade - Direção Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande -Coletânea de lendas de Cruz Alta
35-A Paixão de Cristo - 2018 - Segunda Versão - Direção Cléber Lorenzoni
34-Auto de Natal - Direção Cléber Lorenzoni-Musical sobre o nascimento de Cristo
33-Bruxamentos e Encantarias-Direção Cléber Lorenzoni- Adaptação do Conto de MAria Clara Machado
32-A Roupa Nova do Rei - 2017 Direção Cléber Lorenzoni adaptação do conto de Hans Cristian Andersem
31-A Paixão de Cristo - 2017 - Direção Cléber Lorenzoni -
30-(ESQUETE) Quero ser Criança -2017 -Direção Cléber Lorenzoni
29-(ESQUETE) Empresa do Futuro -2016 - Direção Coletiva -Texto Ricardo Fenner
28- Complexo de Elecktra - 2016 Direção de Cléber Lorenzoni
27-Zah-Zuuu - 2015- Direção e interpretação Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande
26-Olhai os Lírios do Campo 2015 Direção Cléber Lorenzoni
25-A Serpente - 2013 Direção Cléber Lorenzoni
24-O Santo e a Porca - 2012 Direção Cléber Lorenzoni Texto de Ariano Suassuna
23-Os Saltimbancos - 2012 Direção Cléber Lorenzoni Texto de Chico Buarque
22-Deu a Louca no Ator - 2011 Direção Cléber Lorenzoni Texto de Antonio Fagundes
21-As Balzaquianas - 2011  Direção Cléber Lorenzoni e Angelica Hertel
20-A Maldição do Vale Negro -2009 Direção Cléber Lorenzoni Texto Caio Fernando Abreu
19-Ed Mort - 2008 Direção Cléber Lorenzoni Texto Luis Fernando Verissimo
18-Um Inimigo do Povo 2007 Direção Cléber Lorenzoni Texto Ibsen
17-Romeu e Julieta 2006 Direção Cleber Lorenzoni Texto Shakespeare
16-Lili Inventa o Mundo Direção Cléber Lorenzoni Texto Adaptação da obra infantil de Mario Quintana
15- Esconderijos do Tempo 2006 Direção Cléber Lorenzoni Texto Adaptação da Obra de Mário Quintana
14-O Castelo Encantado 2005 Direção Cléber Lorenzoni Texto Adaptação das obras infantis de Erico Vertissimo
13-O Incidente 2005 Direção Cléber Lorenzoni Texto Adaptação da obra Incidente em Antares
12-Bodas de Sangue 2003 Direção Cléber Lorenzoni Texto Federico Garcia Lorca
11-Macbeth 2002 Direção Cléber Lorenzoni Texto Shakespeare
10-Feriadão 2002 Direção Cléber Lorenzoni Texto HErcules Grecco
9-Tartufo 2001 Direção Cléber Lorenzoni Texto Molière
8-Antígona 2000 Direção Cléber Lorenzoni Texto Sófocl
7-O Conto da Carrocinha 1999 Direção Dulce Jorge Texto: Adaptação dos contos de Andersen
6-Dorotéia 1998 Direção Helquer Paez Texto : NElson Rodrigues
5-Bulunga O Rei Azul 1997 Direção: Dulce Jorge Texto Pedro
4-Cordélia Brasil 1995 Direção Cezar Dors Texto Antonio Bivar
3-O Dia em que Júpiter encontrou Saturno 1994
2-A Bruxinha que era boa 1993
1 -Um dia a Casa Cai 1992 Direção Giane Ries Texto Ivo Bender

Um dos momentos mais divertidos de A Roupa Nova do Rei

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Cena às 7

70) Ed Mort - 13/12/2017

69) Bruxamentos e Encantarias - 19/11/2017

68)A Roupa Nova do Rei - (estréia) 15/10/2017

67) O Santo e a Porca - 24/09/2017

66) Olhai os Lírios do Campo -20/08/2017

65) O Santo e a Porca-16/12/2015

64) O Santo e a Porca -27/07/2014

63)Feriadão - 19 de Janeiro de 2014

62) A Maldição do Vale Negro - 08 /11/ 2013

61) A Serpente - 13, 14 de Julho de 2013

60) A Serpente - 23 de Junho de 2013

59) Ed Mort -26 de Maio de 2013

58) Deu a Louca no ator - 16 e 17 de março de 2012

57) Lili  Inventa o Mundo - 16 e 17 de Fevereiro de 2012

56) As Balzaquianas - 12 e 13 de Janeiro de 2013

55) O Santo e a Porca - 15 e 16 de dezembro de 2012

54) Tartufo - 10 e 11 de Novembro de 2012


53) Os Saltimbancos - 13 e 14 de Outubro de 2012


52) O santo e a Porca - 08 e 09 de Setembro de 2012

51) O Santo e a Porca - 18 e 19 de Agosto de 2012

50) Esconderijos do Tempo- 21 e 22 de Julho de 2012

49)-Tartufo - 23 e 24 de Junho de 2012


48)Os Saltimbancos- 26 e 27 de Maio de 2012

47)A Maldição do Vale Negro - 21 e 22 de Abril de 2012

46)Deu a Louca no Ator - 18 de Março de 2012

45)As Balzaquianas - 15 de Dezembro de 2012

44)Esconderijos do Tempo - 04 de Dezembro de 2011

43) O Incidente - 06 de Novembro de 2011

42) Feriadão  - 09 de outubro de 2011

41) Ed Mort  - 18 de Setembro de 2011

40) Deu a louca no ator -21 de Agosto de 2011

39) A Maldição do Vale Negro 17 de julho de 2011

38) As Balzaquianas 19 de junho de 2011

37) As Balzaquianas -ESTRÉIA- 15 de maio de 2011

36)Lili Inventa o Mundo- 10 de outubro de 2010

35)Esconderijos do Tempo - 29 de agosto de 2010

34)Ed Mort - 18 de julho de 2010

33)A Maldição do Vale Negro - 13 de junho de 2010

32)Ed Mort - 13 de setembro de 2009

31) Esconderijos do Tempo - 12 de julho de 2009

30)A Maldição do Vale Negro - 14 de junho de 2009

29)A Maldição do Vale Negro - 3 de maio de 2009

28)Ed Mort - 14 de novembro de 2008

27)Bodas de Sangue-outubro 2008

26)Tartufo - 14 de setembro de 2008

25)Ed Mort -10 de agosto de 2008

24)Ed Mort - Estréia - 6 de julho de 2008

23)Esconderijos do Tempo - 8 de junho de 2008

22)O Incidente - 11 de maio de 2008

21)Esconderijos do Tempo - ? de dezembro de 2007

20)Lili e Tartufo - 11 de novembro de 2007

19)Um Inimigo - 14 de outubro de 2007

18)Um Inimigo do povo - ESTRÉIA-9 de setembro de 2007

17)O Incidente - 16 de agosto de 2007

16) Feriadão -15 de Julho de 2007

15) Tartufo - 10 de junho de 2007

14) Esconderijos do Tempo - 20 de maio de 2007

13) Bodas de Sangue - 21 de abril de 2007

12) Romeu e Julieta - 3 de dezembro de 2006

11) Esconderijos do Tempo

10) Esconderijos do Tempo - Maio de 2006

9) Amanajé

8) Feriadão - Fevereiro de 2006

7) Casa de Samba

6) O Castelo Encantado - 8 de Janeiro de 2006

5) Macbeth

4) Impressões

3) Bodas de Sangue

2) Amanajé

1)Tartufo - 17 de outubro de 2005

A Roupa Nova do Rei - Mais um sucesso do Máschara


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

O Castelo Encantado 785 (tomo 129)

O Lúdico e o Telúrico

                                      Quando o Máschara viaja e leva sua arte para outras paragens, está criando um fluxo, pequeno, quase imperceptível. Está trocando energias, abrindo comportas entre plateias, construindo pontes. Dando vasão a necessidade da arte que é como a água, ela vai encontrando brechas nas rochas, sulcos na terra e vai se esparramando. A arte precisa se espalhar. Claro que seus efeitos serão perceptíveis através da continuidade, da permanência de seus fundamentos entre uma mesma platéia. Por isso mesmo em Cruz Alta o programa Cena Às 7 tenta criar o hábito de se ir ao teatro. Por outro lado, algumas vezes um único contato entre público e teatro, consegue criar um diapasão, consegue despertar um novo olhar. 
                                 O Castelo Encantado pendeu nessa ultima apresentação para o Telúrico. A energia sobre o palco era explosiva. Acredito que há dois canais de contato, um é o do poético, o outro é o da energia. Havia energia, e até ritmo. Mas o poético ficou um tanto de lado. O Máschara é muito capaz e Castelo Encantado vem se reinventando. Mas falta há alguns atores o domínio da microfonia. Não basta largar um microfone nas mãos de alguém, erguer o volume máximo e esperar que os atores brilhem. 
                                         Alessandra Souza e Renato Casagrande, são dois "bons" do Máschara, mas sua energia, sua força, foram seus maiores inimigos durante a apresentação. É preciso ao lado de um microfone que irá propagar sua voz, conter-se, acalmar-se, pensar com a mente no microfone. Ele é seu contato com o público. Grande parte do que foi dito perdeu-se no ar, tornou-se incompreensível. Raquel Arigony perdeu-se em meio à tantos adereços, microfone, pau de macarrão, bengala. Sua comunicação corporal ficou prejudicada. 
                                          Por outro lado, foi uma apresentação de desafios, a entrada do elenco, o tamanho do palco, a adaptação do cenário, a construção do mise en scène, tudo exigiu trabalho em equipe. No entanto alguns pontos precisam ser mencionados. Renato Casagrande ocupa o Status II da companhia, pois na mesna não há ninguém que faça o que ele faz. Organizar o material cênico para viajar, reunir adereços, figurinos, etc... Mas seu maior mérito não pode ser visto como titulo simbólico. É preciso trabalhar com afinco para mantê-lo, do contrário deveria ocupar o Status III. Seu trabalho não é favor, é mostra de capacidade digna de aplauso, por isso mesmo quando era esquecendo apetrechos importantes, deve admitir seu erro e buscar não errar mais. 
                                       Cléber Lorenzoni, embora muito bem em cena, já passou da fase de esquecer pequenos detalhes, então é inadmissível que adentre o palco portando uma aliança nos dedos. Um espetáculo tão cuidado não pode pecar nos detalhes. 
                                       Alessandra Souza é uma atriz com méritos e fraquezas. Mas o que mais me surpreende é essa dificuldade em compreender códigos rápidos, em saber ouvir uma crítica sem dar mil explicações desnecessárias. se quer ser uma grande atriz, precisa de mais humildade. E principalmente precisa buscar ser a melhor. Buscar subir degraus. Ou ficará estagnada como vários atores que conheço que simplesmente estacionam, julgando-se razoáveis e contentando-se com isso. 
                                         A trilha de Gabriel Giacomini, a energia de Evaldo Goulart, a disponibilidade de Stalin Ciotti e Laura Hoover, foram detalhes perceptíveis e louváveis. Mas ainda assim, não foi um bom dia de teatro. 

                        Para lembrar: O trabalho em equipe, a tentativa de solucionar problemas.
                         

Arte é Vida

 A RAINHA

Alessandra Souza (**)
Renato Casagrande (*)   
Raquel Arigony (*)
Cléber Lorenzoni (*)
Evaldo Goulart (**)
Gabriel Giacomini (**)
Laura Hoover (**)
Stalin Ciotti (**)