sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Diário de Bordo- A Maldição do Vale Negro em Soledade

O Paradoxo da falta de estrutura.

Quando os governantes decidem fazer benfeitoriasnem seus governos construíndo espaços culturais, não se preocupam em pedir auxilio à artistas ou pessoas capacitadas que no mínimo compreendem as necessidades da arte-cênica. Conclusão: O que é oferecido são ótimos espaços para conferências e palestras, nunca teatros.
Aliás há um caso marcante sobre a inauguração do famoso TBC, Teatro Brasileiro de Comédias, fundado no Rio de Janeiro na década de 40. Na ocasião a imortal atriz Cacilda Becker, foi convidada para brindar o novo teatro com uma garrafa de champagne a ser quebrada no palco do novo espaço. No entanto a atriz foi surpreendida com uma coluna de alicerce no centro do palco. Intrigada, foi naquela coluna que Cacilda quebrou a garrafa e os atores do TBC passaram o resto dos anos fazendo espetáculos a se adaptar aquela coluna...
Enfim espaços sem urdimento, coxias, rotundas, cortinas, iluminação e pasmem, até sem sonorização, são oferecidos para que artistas que vem de longe façam seu trabalho. E os organizadores de tais eventos não tolerariam menos que o melhor. O que ocorre? Diretores extressados, atores nervosos e técnicos a beira de um ataque histérico. 
Claro que o público quer ver a interpretação, no entanto o teatro contemporâneo nos chega munido de grande recurso técnico, show de luzes, cabos de aço, alçapões... E como pedir a um diretor que extirpe membros de seu espetáculo convertendo-o em algo inferior ao que concebeu.
Domingo em Soledade, via-se o transtorno do diretor desesperado tentando ofertar seu melhor. No palco, luzes pares, canhões de Lead. Blecautes sem dimmer. Um inferno dantesco. Felizmente o elenco estava afiado e o público viu o melhor do Máschara. Um arrojo. Aliás os soledadenses já assistiram O Incidente, Esconderijos do Tempo, Ed Mort e agora o universo de Rosalinda, Maurício, e Agatha. 
Os ciganos roubaram novamente a cena com o jogo impecável de Ricardo Fenner e Gabriel Wink. À Angélica Ertel coube a sonoplastia e a iluminação, que fez com exatidão e sensibilidade.
O aplauso foi caloroso, e o Máschara sem dúvida lógo voltará àquelas paragens.


A Rainha