sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Duendes do Máschara - Felipe Padilha e Maria Antonia Silveira Netto


Grupo Máschara mais uma vez no Diário Serrano


Com o público











Natal no palco do calçadão em Cruz Alta


O Oficial Romano de Douglas Madaner


837 - Auto de Natal- 2017 (tomo 2)

Um conto de fadas para pensar...

              A pequena Maria está em sua casa, há mais ou menos dois mil anos atrás, quando surge no jardim uma voz, uma força poderosa lhe diz que ela está grávida. A jovem Maria diz aceitar e então sela um compromisso que irá repercutir na vida de todos pelos dois mil anos seguintes. Pessoas foram mortas e mataram, por que a jovem Maria disse sim. Templos caíram, impérios se ergueram baseados na repercussão daquele sim. 
                Para as crianças, inclusive minha neta, que estava sentada a meus pés olhando para o palco, Maria era mais uma princesa, e tinha até coroa, tão exagerada que causaria inveja a muitas rainhas de carnaval. (figurinistas, por que uma coroa tão exagerada?)Maria é colocada aqui como Cinderela, Branca, Rapunzel. Sobre as pernas de pau lhe surge uma fada, (aqui um mago) que lhe conta secretamente o futuro. 
                 Como toda a princesa, digna de uma coroa, maria jamais diz não. Mesmo quando só lhe resta uma estrebaria, ela ainda está feliz e resignada. 
                   O cajado de José brota, como que por encanto, magia, fantasia... E cá entre nós, aquele José é um príncipe. Lindo, bondoso, que aceita uma princesa não mais casta. Príncipes também jamais dizem não. E eles fogem de um rei mau, um reizinho mandão. Herodes, com sua coroazinha de papelão e sua capa lilás. Existem três tios poderosos, com presentes e um casal malvado. O casal Josafá...
                     Cléber Lorenzoni nos dá a historia de Jesus para crianças. 
                     Uma quase meta linguagem que nos enche os olhos e nos empurra para longe do olhar religioso e formal da maneira cristã de contar o nascimento de Cristo. 
                      Sobre o palco, dezoito atores dividindo-se em dezenas de personagens.  Muitos deles agora premiados e talentosíssimos. O espetáculo com tom burlesco, tem musicas e danças para agradar todos os gostos, mas infelizmente não teve em sua assistência mais de cem pessoas. No entanto me tocou muito a opção do elenco em apresentar o espetáculo ainda que com tão pouco espaço e sem iluminação alguma. Quem estava na rua no momento, percebeu o corre corre para em questão de segundos decidir se fazia-se ou não. Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande são como formigas operárias, e nessas horas sempre optam pelo trabalho. Quanta garra, quanta coragem, algumas pessoas não apreciaram a opção da equipe, mas aqui vai meu conselho: O teatro nasce para questionar e romper barreiras, nasce da revolta, nasce da falta de opção. Não tem que se curvar, ou correrá o risco de ser funcionário de alguém, e quando isso acontece artistas viram empregados do estado e não cumprem mais sua função politica e social de desconstrução das regras ditas certas por minorias. 
                   
Sobre o palco, que poderia ser a própria calçada, Alessandra Souza se esforça para segurar o lugar de protagonista, mas acaba sendo várias vezes engolida pelas dezenas de entradas e saídas de várias outras personagens. Clara Devi e Vitoria Ramos conseguem bons rendimentos. Ricardo Fenner cheio de expressões segura também momentos delicados da cena em que o palco fica vazio e que sua comunicação com Vitoria são indispensáveis. 
O elenco masculino tem uma presença muito firme. Douglas Maldaner vem se destacando muito e Cléber Lorenzoni precisa decorar melhor algumas cenas. Vagner Nardes poderia aparecer mais, o jovem ator parece ter tanto a dizer. 
Kauane Silva e Laura Hoover, embora coristas, criam tipos bem distintos, Nicholas Miranda ainda pode buscar mais seu espaço.
Gosto muito da Ana que se torna Maria, não me recordo muito bem das disposições da primeira vez que assisti, mas aqui tudo funcionou muito bem na distribuição das figuras femininas. 
                                          Maria Antonia Silveira Netto e Maria Eduarda Jobim estão muito mais vívidas em cena, mas é preciso compreender que esse é o momento perfeito de estudar e tornar-se ou não grandes atrizes. 
                                          Stalin Ciotti, Gabriel Giacomini, e Luis Felipe Padilha cumprem tudo direitinho, mas nada explica os reis magos não estarem prontos após a queda do "Feliz Natal". 
                                      Renato Casagrande também pode decorar melhor as suas falas, para tudo ficar coeso, já que tem uma presença tão grandiosa em cena. 
                                 O anjo de Fabio Novello me deixa tensa, nervosa, como pronunciar o texto e ainda equilibrar-se, arrumando espaço entre o público e triangulando com Maria. Um verdadeiro homem de teatro. 
                                       Ainda me resta elogiar a jovem Antonia Serquevittio. Que aos poucos vai desabrochando, com uma presença tão delicada e um olhar tão poderoso. 
                                          Auto de Natal emocionou, se não pela concepção meio infantil, pela ousadia e pela coragem do elenco.  Teatro deve ser assim, livre, corajoso e ousado!

                             Arte é Vida


                                            A Rainha



Hoje as nomenclaturas serão por contado trabalho, nominadas pelos anciãos Cléber e Renato

Douglas Maldaner (**)
Ricardo Fenner (**)
Maria Eduarda Jobim (**)
Luis Felipe Padilha (**)
Antonia Serquevittio (**)
Vagner Nardes (***)
Laura Hoover (**)
Clara Devi (***)
Kauane Silva (***)
Gabriel Giacomini (***)
Stalin Ciotti (**)
Vitoria Ramos (**)
Maria Antonia Silveira Netto (***)
Ellen Faccin (**)
Fabio Novello (***)
Nicholas Miranda (**)