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segunda-feira, 4 de março de 2024

Éllen Faccin em cena como Macabéa


 

1163- A Hora da Estrela - (tomo VIII)

Um espetáculo que precisa ser visto e revisto.


                    Lorenzoni troca a atriz, mas mantém a vigorosa mensagem de A Hora da Estrela. Observando as dificuldades enfrentadas para o espetáculo subir ao palco, senti por um momento um certo condoimento pelos artistas de teatro. Devido as péssimas qualidades arquitetônicas dos espaços teatrais pelo interior, os espetáculos não conseguem exercer com toda a qualidade seus trabalhos, afinal de contas, tamanhos de palcos, ausência de pé direito (urdimento), pouco material de luz, tudo isso e muito mais, acabam por diminuir a qualidade da cena ofertada. A arte do artista sai prejudicada, e a mensagem não se conclui. Um exemplo disso foram as duas cadeiras, que nada tem a ver com a visão do encenador e que destoam o tempo todo.

                     Mas nos atenhamos ao que temos, sob a luz poderosa de Grotowski e seu teatro pobre, sobre os ensinamentos de que teatro é uma historia bem contada. Macabéa nos conta grandes coisas, auxiliada por um elenco forte e unido. Lorenzoni, Casagrande, Miranda, Waier, Novello, Serquevitio, Devi, Arigony e Guma, se esmeraram para preencher frestas, e assim conduzir a estreante na peça Ellen Faccin. Conduzir para o grande final que já conhecemos. 

                       Ellen Faccin já surpreendera nos ensaios e agora surpreende como mulher desprovida de vaidade,  sem poesia alguma e muito simples. Houve alguns pecados em relação à curva dramática, acarretados possivelmente pela falta de ensaios. 

                         Há em A hora da Estrela um lado bom em cada personagem, o médico que aconselha, o chefe que acaba por não demitir, a dona da pensão que oferta estadia gratuita, até as colegas de quarto têm seu lado humano. Ou seja, há esperança em vários personagens. Serquevitio substitui bem, mas fica uma pergunta, a interprete está interpretando Marilyn ou Laura Hoover dirigida por Cléber Lorenzoni.

                         Clara Devi retorna ao palco com uma deliciosa veia cômica, mas precisa interagir mais com os colegas e Raquel Arigony precisa de mais ensaios. As cores todas são muito bem escolhidas, o visual de cada lugar compõe  muito bem, e é interessante ver uma cidade que não tem o costume do teatro, assistindo um espetáculo que esbanja códigos típicos do mise en scene. Também por isso A hora da estrela é um grande espetáculo, por que carrega o lugar magistral do teatro,  irredutível, irrepetível. Alí é o corpo energizado do ator que dá formas e não um corpo torneado por phtoshop, mas formado por interpretação e reflexão. As cenas mais amargas, dolorosas do espetáculo, são lindas. Claro que senti em mim a extirpação da personagem da tia, por outro lado as pontuais personagens em status um e dois do espetáculo preencheram vazios. Cléber Lorenzoni consegue ser muito rápido em caracterização e mal deu para perceber que Olimpio e Madame Carlota eram a mesma pessoa. Kleberson, o aprendiz, por outro lado assumiu a sonoplastia praticamente em cima da hora, mas foi bem guiado por mestres. 


O Melhor: A conversa do diretor com a plateia

O Pior: A ausência da personagem da tia.


Arte é VIda                                                             A Rainha


A Hora da Estrela

Direção: Cléber Lorenzoni

Elenco: Ellen Faccin  (***)

              Renato Casagrande (**)

              Cléber Lorenzoni (**)

              Carol Guma (**)

              Antonia Serquevitio (**)

              Romeu Waier (**)

              Clara Devi (**)

              Nicolas Miranda (**)

              Raquel Arigony (**)

              Fabio Novello (**)

Contra-Regragem : Kleberson Ben Borges (**)

                                Ana Clara Kraemer (***)




                               

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

1116 - A Hora da Estrela - tomo VII

 

Uma Constelação

 

 

 

 

 

                          O melhor da dramaturgia que adapta historias, é a capacidade de embaralhar cenas e recolocar tudo sobre a mesa. Colocar um clássico sobre a mesa não é tarefa fácil, afinal de contas o público já tem muitos pontos de vista sobre o trabalho assistido. Olímpico, Gloria e Macabéa parecem ser personagens de domínio público, todos tem algo a dizer sobre eles, todos tem um ponto de vista e isso complica o trabalho do criador. Apertada em uma pensão lotada de criaturas adversas, mal tratada por um patrão severo, sem vaidades e com dificuldade de se entrosar, Macabea acaba por ser praticamente um anti-herói. Durante quase sessenta minutos, você consegue amar e odiar Macabéa. Cléber Lorenzoni brinca com nossas emoções. Nos faz amar Rodrigo S. M, depois odiá-lo, nos faz amar Olimpico, depois odiá-lo, nos faz amar Macabéa e as vezes perdermos a paciência com ela. Enfim, rimos e choramos enquanto Cléber parece nos vigiar das coxias, do fundo do teatro e até mesmo de cena.

 

                                   O visual do espetáculo tem algo de operístico, com grandes divas. Em espetáculos do Máschara dificilmente há coadjuvantes, todos ganham grandes cenas, grandes personagens, grandes espaços para todos. Alguns se destacam, outros talvez não rendam o quanto poderiam. Mas todos tem oportunidades, e sempre foi assim. Em Esconderijos do Tempo, Ele deu lugar para quatro grandes atrizes; Em Tarufo de Molière, Valério foi tão valorizado quanto qualquer outro personagem e O Pudim de O Incidente teve status semelhante ao dos outros seis mortos de Antares. Os atores do Máschara recebem oportunidade roubar a cena, de brilhar e de se tornarem grandes, mas cabe a eles buscar o apuro, o brilhantismo.

 

                                        Aristóteles dizia que o teatro deve causar a dor e a piedade da plateia. Saí do teatro com dor na alma e tomada de piedade, nem ao menos consegui observar o vaudeville no foyer, precisava correr para casa, vestir meu chambre que combina com a pantufa, precisava observar meus dois netos dormindo e sentir o quanto são lindos e dormem como anjos que apenas fecharam os olhos. Precisava do silencio, o silencio que preenche por ser tão cheio de ruídos. O maior ruído é o som do Tic Tac do relógio da vida, o mesmo relógio que pesa sobre a cabeça do doutor, sobre as decisões de Raimundo, sobre o tempo de vida da Tia de Macabéa, sobre o destino nas cartas de Dona Carlota e que Rodrigo S. M marca qual ponteiro na segunda cena do espetáculo.

 

                                          O cenário é pobre, como apreciaria  Grotowski, mas o volume de espaço usado é grande, quente, preenchido pela batuta afiada que desenha marcas e ações funcionais. Adereços e figurinos muito bem escolhidos, com uma belíssima pesquisa. A paleta de cores valorizou espaços que a luz não conseguiu. A cena final por exemplo, precisava de penumbra, no entanto tudo estava tão claro que era difícil concentrar-se.

 

                                                                       Os antagonistas estiveram perfeitos, Maldaner e Guma conquistaram a assistência com cenas divertidas e intensas. Hoover é mágica e Casagrande conduz o espetáculo com um verdadeiro primeiro ator. Ao contrário das outras vezes, consegui sentir o encontro entre a frágil moça do interior e o vendedor de pipocas. Havia algo de Chaplin e a vendedora de flores em seu encontro.

 

                                               Pavarotti da o tom da cena central e nos transporta para um lugar perfeito, que nos lembra que a vida é puro drama. Um Drama, uma tragédia sem solução. O poder absoluto, sempre presente nos espetáculos do Máschara, define o destino das personagens e ele é implacável, como é o teatro, como é a trajetória dos atores, implacável!

 

                                                                      Fui ao teatro com minha sobrinha e olha que curioso, ela está lendo Christopher Vogler, então saímos do teatro falando da jornada do herói, e consegui localizar não só os doze passos, como o triunfo ofertado pelas ninfas, as três que vestem Macabéa no final, a tia, Dona Carlota e a proprietária da pensão. A Deusa do Amor é quem narra a historia ao lado de Narciso, dessa vez sem seu fálico topete.

 

 

 

                                   O Melhor: Um bom espetáculo para divertir-se e emocionar-se na noite de domingo.

 

                                                     Não costumo nominar os Anciãos, mas preciso homenageá-los pelo requinte de suas atuações.

 

                                    O Pior: A falta de ritmo do espetáculo.

 

 

 

                                             A Rainha

 

 

 

Espetáculo A hora da Estrela

 

Produção-Grupo Máschara

 

Direção - Cléber Lorenzoni

 

 Elenco: Alessandra Souza, Renato Casagrande

 

              Douglas Maldaner (**) Carol Guma (***) Romeu Waier(***) Dulce Jorge, Cléber Lorenzoni, Raquel Arigony(**), Clara Devi(**), Ricardo Fenner, Nicolas Miranda(**), Antonia Serquevitio (**), Laura Hoover (**)

 

Técnicos -Fabio Novello  e Ellen Faccin (**)

As atrizes Alessandra Souza e Carol Guma, dando vida à Macabéa e Dona Glória - A hora da Estrela


 

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Elenco do espetáculo A Hora da Estrela


 

1073-A Hora da Estrela (tomo VI)

 Abram as cortinas para um espetáculo excelente!


O diretor Cléber Lorenzoni conta atravéz de Alessandra Souza e Renato Casagrande, co-atores em A Hora da Estrela, a curta trajetoria de Macabéa, personagem escrita por Clarisse Lispector no século passado. A trilha sonora operada por Cléber Lorenzoni e com operação de Ellen Faccin nos empurra para um universo muito semelhante ao das décadas de 1uarenta e sessenta. A iluminação de Fábio Novello sofre em partes pela capacidade do espaço onde o espetáculo foi apresentado e não cumpre sua função. Alessandra Souza fica em vários momentos na sombra, quando se aproxima do proscenio. 

Figurinos bem escolhidos, cores, nuances, e caracterizações muito detalhistas, são a marca do trabalho conjunto do casal Lorenzoni Casagrande. O elenco brilha em interpretações que beiram a perfeição. Destaque para Laura Hoover com Marilyn Monroe e Alessandra Souza no papel tema. De qualquer forma, o elenco de apoio da um Show a parte. A esteante Carol Guma, e o ator Romeu Waier, atraem e surpreendem o público. Eliani Alésio, Raquel Arigony, Clara Devi e Antonia Serquevitio com presença e dominio de palco. Talvez a cena do pipoqueiro pudesse se aprofundar um pouco mais. Quando me recordo da ultima apresentação que assisti em Cruz Alta, percebo o quanto o espetáculo cresceu em improviso e intuição. 

A curva dramática se acentua em três cenas fortes muito bem orquestradas. Ópera, com a entrada dramática da tia interpretada por Dulce Jorge. Hospital com Romeu Waier grandioso e a cartomante com Cléber Lorenzoni rompendo padrões de comédia em meio ao drama. 

As vozes são altas e compreensiveis. Mas o que me faz admirar cada dia mais essa cia. é sua capacidade de se reinventar e ter forças para nos dar mais e mais. Uma semana de Os Saltimbancos e ainda o infantil A roupa nova do rei, dividiram suas emergias. O trabalho fisico, a dança, o emprego da partitura, os ritmos físicos, falam mais alto do que dita interpretação e nos enlaçam o coração. 

Douglas Maldaner como Olimpico, exagerou em alguns momentos mas também esteve muito bem, e muito interessante o quanto se parecia com Macabéa em cena. O final foi lindo, embora o casal poderia melhorar sua pseudo-valsa. Por fim, todas as questiúnculas que eu possa mencioanr aqui, são pequenas quando comapradas ao poder avassalador do todo e por isso é preciso lembrar que cada um em cena com suas duvidas, neuras, maquiagens e figurinos, são gotas dentro de um todo. Há uma historia sendo contada e ela que importa. 


O melhor: A curva do espetáculo que funcionou e muito

O pior: A leitura da ficha técnica que entrega no festival qualquer surpresa que pdoeriamos ter.


Cléber Lorenzoni (***)

Ducle Jroge (***)

Renato Casagrande (***)

Alessandra Souza (**)

Fabio Novello (*)

Ricardo Fenner (**)

Raquel Arigony (**)

Clara Devi (**)

Douglas MAldaner (**)

Laura Hoover (**)

Romeu Waier (***)

Carol Guma (***)

Nicolas Miranda (***)

Eliani Alesio (**)

Ellen Faccin (**)

Antonia Serquevitio (**)