quarta-feira, 25 de junho de 2014

5ª Matinê do Máschara

Os Saltimbancos

               O dia em que o teatro desaparecer da face da terra, e espero que isso não aconteça, as pessoas possivelmente nem percebam, não sintam falta, não compreendam em um primeiro momento o quão ele faz falta. E diretamente realmente ele não faz falta, assim como os museus, as orquestras, e toda uma serie de ações artísticas que parecem privilégios de elites. Não parecem fazer diferença, mas foi a arte que contou através tempos a historia do mundo, as complexidades das nações e as emoções do homem. Não foi a historia que contou a existência do homem, mas sim a arte nas paredes das cavernas, no poder dos povos antigos em suas pirâmides. Foi a arte através das telas que representaram o homem e o olhar do homem sobre si mesmo. O Teatro é o braço direito da filosofia, é versão leiga da psicologia e as vezes seu principal mote. 
                  Em Cruz Alta, vou contar mais uma vez, o teatro foi sendo emparedado, e isso revolta artistas e amantes da arte. O teatro alcançou um espaço invejável, conquistou um bom público e repentinamente perdeu quase toda a sua batalha. Agora os atores cruzaltenses se espremem em espaços que tentam adequar a arte do mise en scene. 
                   Algum desconhecedor do trabalho do Máschara deve pensar em um primeiro momento que seu trabalho é muito amador, pois caiu por terra o trabalho de luz em um local onde não há urdimento ou maquinaria. O som passou a ser simplório, e mesmo o espaço da assistência é desconfortável e sem a agradável inclinação necessária para a visualização da cena. 
                   Os atores estavam alí, inteiros? Talvez. Intensos? Alguns. Verdadeiros? Todos. 
                    Os Saltimbancos é um espetáculo difícil, gessado, comprometido. Ou você é muito ousado e modifica extremamente algo que já tem uma longa historia, uma tradição mesmo, correndo o risco de comprometê-la. Ou você segue a proposta. O Máschara teve como objetivo principal compor quatro animais, o fez, cumpriu seu objetivo. Mas o teatro impõe ao ator objetivos novos a cada representação. Do contrário seria algo repetitivo, robótico, decorado. Seria circo e este definitivamente não aprecio. Sendo assim o espetáculo parece ter cumprido sua função inicial, mas está condenado a se repetir na mente dos atores. Ainda que com pequenos improvisos vivazes. O espetáculo peca no ritmo principalmente nas primeiras cenas, onde o mesmo é vital. Com a entrada dos outros animais parece corrigir-se. A historia é bonitinha, diverte, envolve principalmente nas rixas entre cão e gata. No entanto o conflito, base do teatro ocidental, foi prejudicado. Há claro os conflitos pequenos, paralelos, mas não se bastam. Da para perceber que algo importante foi suturado, e assim Os Saltimbancos acaba-se repentinamente. Ele envolve pois é feito com o cuidado típico dos trabalhos do Máschara, mas ainda é escravo das velhas formulas. É hora do Máschara buscar novas formulas. Os atores precisam disso para se auto conhecerem melhor.              
                    Os saltimbancos foram apresentados 22 vezes, cumpriram sua função corporal, acrescentaram versatilidade aos atores e principalmente, divertiram centenas de crianças. Mas aconselho ao Máschara algo novo, algo desafiador para seu atual momento. Algo que una e aproxime "TODO" seu elenco. 
                     Sentada na primeira fila da platéia, ouvia-se apenas a voz de um dos atores, depois uma variante de hora um, hora outro. Isso em um musical é fatídico!!!
                      O teatro é o grito de alegria, de torpor, de dor ou de ódio, que grito foi os saltimbancos? Que grito os atores de Cruz Alta querem gritar?

Alessandra Souza (**)
Cléber Lorenzoni (**)
Renato Casagrande (**)
Ricardo Fenner (**)
Evandro Amorim (***)
Fernanda Peres (**)
Evaldo Goullart (***)


                                                             A Rainha

terça-feira, 24 de junho de 2014

A ROUPA NOVA DO REI


Hans Christian Andersen
Versão livre:
Alfredo Braga


Era uma vez um Rei que apreciava de tal maneira roupas novas que despendia com elas grandes fortunas. Ele não se importava com as bibliotecas, com as escolas, ou com os museus, a não ser para exibir as suas roupas. Para cada hora do dia vestia uma diferente. Em vez de o povo dizer:Ele está em seu gabinete de trabalho, dizia: Ele está em frente ao espelho no seu quarto de vestir. Mesmo assim a vida cultural era muito movimentada naquele reino que postulava ser de primeiro mundo.
Um dia foram contratados, pela Fundação Cultural do Reino, vários curadores e artistas, e entre eles dois que se apresentavam como estilistas-tecelões e que se gabavam de costurar os mais belos trajes com os mais belos tecidos do mundo. Segundo eles, não só os padrões, as tramas e as cores dos modelos eram belíssimos, mas os tecidos fabricados por eles tinham a infalível virtude de ficarem completamente invisíveis para as pessoas dissimuladas, ou as incompetentes, ou as destituídas de inteligência.
— "Essas roupas com esses tecidos serão maravilhosas." — pensou o Rei — "Usando-as poderei descobrir quais pessoas são falsas, ou que não estão em condições de ocupar cargos, e então poderei substituí-las por outras... Mandarei que fabriquem muitas peças desse tecido para mim..."
Fez um adiantamento em moedas de ouro para que começassem a trabalhar imediatamente. Os estilistas então encomendaram uma grande quantidade de bobinas e carretéis dos mais caros fios de seda e fios de ouro (que escamotearam sorrateiramente e guardaram em seus baús enquanto simulavam trabalhar nos teares vazios) e começaram a tecer, mas nada havia na urdidura ou nas lançadeiras.
Depois de alguns dias, o Rei estava ansioso e andava de um lado para o outro enquanto procurava se distrair com algum casaco ou chapéu do qual ainda não estivesse muito enjoado, ou que ainda estivesse na moda.
— Eu quero saber como vai indo o trabalho dos tecelões. — dizia o Rei, mas andava vagamente pensativo e preocupado... Ele não tinha propriamente dúvidas sobre a sua honestidade e inteligência, mas achou melhor mandar outra pessoa ver o andamento do trabalho.
Todos na cidade também já tinham ouvido falar no poder maravilhoso do tecido, e cada um estava mais ansioso para saber quem era o mais falacioso e burro entre os seus vizinhos.
— "Mandarei o Primeiro Ministro observar o trabalho dos estilistas-tecelões; ele verá o tecido, pois é inteligente e desempenha as suas funções com perfeição." — cavilou o Rei.
Mandou chamar o Primeiro Ministro e ordenou que fosse ao salão (onde os dois charlatães simulavam trabalhar nos teares vazios) saber do tecido.
— "Deus me acuda!" — pensou o Primeiro Ministro, arregalando os olhos quando lhe mostraram o tear. — "Não consigo ver nada!" — no entanto teve o cuidado de não dizer isso em voz alta.
Os tecelões o convidaram a aproximar-se para verificar como o padrão da trama estava ficando bonito e apontavam para os teares. O pobre homem apertava a vista o mais que podia, tirava e punha os óculos, mas não conseguiu ver coisa alguma.
— "Céus!" — pensou ele — "Será possível que eu seja tão fingido e incompetente? Bem, ninguém deverá saber disto e não contarei a ninguém que não vi o tecido."
— Vossa Excelência nada disse sobre o tecido... — queixou-se um dos estilistas.
— Ah, sim. É muito bonito. É encantador! — respondeu o Primeiro Ministro, limpando os óculos com um lenço de cambraia de linho —O padrão é lindo e as cores são de muito bom gosto. Direi ao Rei que me agradou muito.
— Estamos encantados com a vossa opinião, Senhor Primeiro Ministro. — responderam os dois ao mesmo tempo, e iam descrevendo as cores e a trama especial daquele pano tão caro. O Primeiro Ministro prestou muita atenção a tudo o que diziam para poder depois repetir diante do Rei.
Os estilistas pediram mais dinheiro, mais seda e mais ouro para prosseguir com o trabalho e, como das outras vezes, puseram tudo em seus baús e continuaram fingindo que teciam.
Poucos dias depois o Rei enviou o Ministro da Cultura e das Artes para olhar o trabalho e saber quando ficaria pronto. Aconteceu-lhe como ao Primeiro Ministro: Olhou, olhou, tornou a olhar, mas só via os teares vazios.
— Não é lindo o tecido? — indagavam os tecelões, e davam-lhe as mais variadas explicações sobre a trama, o padrão, os brilhos, as cores.
— "Eu penso que não sou muito desonesto..." — refletiu o Ministro da Cultura e das Artes — "e nem estúpido... Se fosse assim, não teria chegado à altura do cargo que ocupo... Que coisa estranha!..."
Pôs-se então a elogiar as cores e o desenho, e mais tarde, não só como Ministro mas como Curador de exposições de artistas e fotógrafos, comunicou ao Rei:
— É um trabalho sublime... em seus aspectos de inconcretude material... hã... uma obra-prima em sua fundamentalidade semântica... e visualidade sígnica... hã... o imagético e o invisível se fundem num todo de... hã... expectativas estético-formais... neste simulacro crítico... se percebe a função... hã... as funções, semióticas... da transcendente imaterialidade da arte...
E já completamente tomado:
— Assim, neste procedimento referencial do não-objeto... hã... em sua virtual vacuidade... o deslocamento do olhar... em sua intensa... hã... re-significação... a obscurecer ao limite extremo... toda e qualquer possibilidade de reflexão perceptiva... hã... insere-se nesta vertiginosa... pós-modernidade... hã... Mas, por outro lado... o discurso estético... das poéticas da segunda metade do século XX ... hã...
O Rei teve de o interromper:
— Está bem, já compreendi.
A cidade inteira só falava nesse deslumbrante tecido, de modo que o Rei resolveu vê-lo enquanto estava nos teares. Acompanhado por um grupo de cortesãos e cortesãs, entre os quais os Ministros que já tinham ido ver o prodigioso pano, e curadores e artistas convidados, lá foi ele visitar os ardilosos tecelões. Eles estavam trabalhando mais do que nunca nos teares vazios.
— Veja, Vossa Alteza Real, que delicadeza de desenho! Que combinação de cores! — balbuciavam os altos funcionários do Rei enquanto apontavam para os teares vazios e os curadores desenvolviam os seus discursos. — Ofuscante... Estonteante... — suspiravam as cortesãs.
O Rei, que nada via, preocupado pensou: — "Serei eu o único cretino e não estarei em condições de ser o Rei? Nada pior do que isto poderia me acontecer!" — então, em alto e bom tom, declarou:
— Muito bom! Realmente merece a minha aprovação!
Por nada deste mundo ia confessar que não tinha visto coisa alguma. Todos aqueles que o acompanhavam também não conseguiam ver o tecido, mas exclamavam em prolongados murmúrios:
— Oh! Deslumbrante... Magnífico... — e aconselharam ao Rei que usasse a roupa nova por ocasião da parada anual que ia se realizar daí a alguns dias. O Rei até concedeu a cada tecelão-estilista a famosa Comenda das Artes e o nobre título de Cavaleiro Estilista-Tecelão.
Na noite que precedeu o desfile, os charlatães tecelões fizeram serão. Iam acendendo todas as lâmpadas do atelier para que todos pensassem que estavam trabalhando à noite para aprontar os trajes do Rei. Fingiam tirar o tecido dos teares, cortavam a roupa no ar com um par de tesouras muito grandes e coseram-na com agulhas sem linha. Na manhã do dia seguinte disseram:
— Agora, a roupa do Rei está pronta.
Sua Majestade, acompanhado dos cortesãos, veio provar a roupa nova. Os estilistas embusteiros fingiam segurar alguma coisa e diziam:
— Aqui estão as calças, aqui está o casaco e aqui o manto. Estão leves como teias de aranhas; até parece que não há nada cobrindo o Rei, mas aí é que está a rara e fina qualidade deste modelo e deste tecido.
— Sim! — concordaram todos, embora nada estivessem vendo.
— Poderia Vossa Majestade despir-se? — pediram os impostores. — Assim poderemos vestir-lhe a roupa nova.
O Rei despiu-se e eles fingiram vestir-lhe peça por peça. Sua Alteza Real virava-se para lá e para cá, olhando-se ao espelho (vendo sempre a redonda imagem de seu corpo nu).
 Oh! Como lhe assentou bem o novo traje, Alteza! Que lindas cores! Que bonito padrão! — diziam todos com medo de caírem no ridículo e perderem os altos cargos se descobrissem que não viam nada. Entretanto o Mestre de Cerimônias anunciou:
— A carruagem está esperando para conduzir Vossa Majestade.
— Estou quase pronto. — respondeu o Rei.
Mais uma vez virou-se solenemente em frente ao espelho, com o rosto erguido sobre o ombro, numa atitude de quem está mesmo apreciando alguma coisa.
Os pagens que iam segurar a cauda do manto, inclinaram-se como se fossem levantá-la e foram caminhando com as mãos à frente, sem dar a perceber que não estavam vendo roupa alguma. Durante o desfile o Rei ia caminhando cheio de pompa à frente da carruagem. O povo nas calçadas e nas janelas, também não querendo passar por tolo, ou mentiroso, exclamava:
— Que caimento tem a roupa do Rei! Que manto majestoso! E que brilhante tecido!
Nenhuma roupa do Rei jamais recebera tantos elogios! Entretanto um menino que estava entre a multidão, achou aquilo tudo muito estranho e disse:
— Coitado do Rei... Está nu!
Os homens e as mulheres do povo, conhecendo que o menino não era nem falso e nem tolo, começaram a murmurar... e logo a seguir, como numa onda, em altos brados repetiam:
— O Rei está nu! O Rei está nu!
O Rei, ao ouvir aquelas vozes do povo, ficou furioso por estar tão ridículo! O desfile entretanto devia prosseguir, de modo que se manteve imperturbável e os pagens continuavam a segurar-lhe a cauda invisível.
Depois que tudo terminou ele voltou ao Castelo Real de onde nunca mais pretendia sair. Mas, como sempre acontece, uma semana depois o povo já havia esquecido o escândalo, e os funcionários do reino seguiam como se nada houvesse acontecido: Os cargos continuavam a ser distribuidos entre as mesmas duas ou três famílias e seus agregados; os impostos sonegados; o desvio de verbas continuava em alta, enfim, tudo voltou ao normal.
Quanto aos dois estilistas-tecelões, desapareceram misteriosamente levando o dinheiro, os fios de seda e o ouro. Meses depois um viajante contou que eles haviam pregado o mesmo golpe em outro pequeno reino, onde os cidadãos também andavam de nariz empinado, cheios de soberba e afeitos às pequenas e às grandes hipocrisias.
Há muito tempo, a atividade de pessoas como a desses e de outros tecelões, vem se espalhando mundo afora, como coisa natural da sensibilidade e do intelecto de uns estilistas de academias e villas kyriais; Somerset Maugham escreveu sobre essas pessoas e seus fantásticos dons que podemos ler em O impulso criativo. Aqui entre nós, recomendo a uma certa escultora e professora de grego, o nosso Lima Barreto que nos deixouO homem que sabia javanês. Outros autores tem escrito sobre a trama dessas urdiduras, e sobre a plástica ética dessas pessoas tão comuns e, principalmente, daquelas que ainda se pretendem tão importantes e sábias... Caberia agora ao leitor fazer uma lista de outros textos que, de algum modo, vêm desnudando essas inacreditáveis senhoras e esses incríveis senhores.

domingo, 15 de junho de 2014

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Elenco atual de Feriadão

Alessandra Souza, Renato Casagrande, Fernanda Peres, Evaldo Goullart e Cléber Lorenzoni

Grupo Máschara no Festivale

Quem quer teatro?


        Durante os últimos dias do mês de junho, a Cia. Máschara de teatro participou do festival de teatro de Rolante. Um festival de teatro é sempre algo memorável e gratificante para os entusiastas das artes cênicas. Eles lembram os primórdios do teatro na Grécia antiga, quando as encenações eram feitas em homenagem a Palas Atena, ou a outros deuses olímpicos. 
          Para os artistas de teatro, todas as inciativas que abonam o teatro soam como uma lufada de ar junto à uma arte tão pouco respeitada. O Grupo Máschara que iria participar com o espetáculo A Maldição do Vale Negro, decidiu participar com o espetáculo infantil "O Feriadão". Um espetáculo simples, em mutação, com texto de Hércules Grecco e que passa por constantes mudanças. Um espetáculo que sob o olhar de alguns, é um tanto comercial, facilitado até, para a compreensão da assistência. 
           O Máschara subiu ao palco no turno da manhã com Alessandra Souza, Cléber Lorenzoni, Fernanda Peres, Renato Casagrande e Evaldo Goulart no elenco, além de Evandro Amorim e Fabio Novello respectivamente como operadores de Som e Luz. 
            O espetáculo recebeu o troféu de Iluminação pela ótima criação e operação de Fabio Novello que o fez tendo assistido a peça, apenas uma vez. Cléber Lorenzoni trouxe ainda uma indicação para Melhor Ator infantil. Até aí tudo certo, o Máschara trouxe na bagagem mais do que buscava, ponderações sobre seu trabalho, críticas sobre a carpintaria teatral de O Feridão e um olhar sobre tantos trabalhos que o festival possibilitou.
             Logo depois do festival a perguntas que não cessa é: e agora? qual o próximo passo do Máschara? Continuar viajando? Trazer de volta o Cena às 7? Ressuscitar a Matinê do Máschara? Montar novos espetáculos? Quem são os atores do Máschara atualmente? O que eles querem fazer? O que é o teatro? Uma missão? O reflexo de uma sociedade? A necessidade de pronunciar-se sobre algo? 
              O máschara que nós conhecemos foi aquele que aprendeu a fazer teatro nos festivais, que sorveu cada gota da sabedoria e do bom senso do fazer teatral de 1992 à 2002, dez anos de curso, de busca, de pesquisa. Em 2005 foi sua formatura e em 2006 a consolidação dessa aprendizagem com Esconderijos do Tempo. Não estou dizendo que o Máschara tornou-se o melhor grupo de todos, não, o Máschara tornou-se o grupo que queria tornar-se. Um grupo talentoso, preparado e digno de louros e elogios. 
                A partir de então produziu: Um inimigo do povo, A Maldição do Vale Negro, As balzaquianas, O santo e a Porca e A Serpente, além dos mais fracos Os Saltimbancos (ótima trabalho de composição em um texto simples e superficial), Deu a louca no ator (uma adaptação de algo já feito, mas necessário para ser gritado sempre.  e Ed Mort (remontagem necessária para o Cena às 7 de algo já concebido antes). Esses três trabalhos não mancham de forma alguma a grandiosidade dos primeiros. Se em 2002, 2001 e 2000, havia técnica apurada, nesses últimos havia organicidade, maturidade. O mergulho profundo dos atores em A Serpente. A necessidade de falar sobre as verdades escondidas em Inimigo do Povo, A criatividade e a superação dos três atores de A maldição do Vale Negro. O talento e a intensidade no jogo de As Balzaquianas e a farsa unida à extremo trabalho vocal e compreensão de texto em O Santo e a Porca. 
                  Cléber Lorenzoni e sua Cia. escolhem a dedo, inclusive os textos que não parecem acertos em um primeiro momento e dizem muito. E o que querem dizer não provém de instinto ou de suposições em meio ao vão; mas em pesquisas de campo buscadas  em milhares de pessoas que o assistiram. De 2004 à 2014, o Máschara viajou pelos quatro cantos do estado, ouviu crianças, adultos, outros artistas, jurados, produtores, e foi construindo o que é hoje. Mas não se tornou comercial, apenas aprendeu, ou percebeu que o artista tem uma obrigação, a obrigação de formar plateias.  Não há teatro, não há público de teatro no interior do estado. Esqueceram esse público e as "ditas" grandes Cias.  vez ou outra lembram de voltar-se para o interior, onde os poucos atores tentam manter-se com migalhas, fazendo sua teimosa arte. 
                  No festival vi muitos grupos e foi realmente elogiada a capacidade de um grupo como o Máschara durar mais de 20 anos. Uma caminhada que exige apoio mútuo, sacrifícios e dedicação. Agora próximo à fazer 25 anos, vejamos o que faremos pelo "nosso grupo".
                        Não vou aqui creditar a análise da apresentação já que alguns não queriam ali estar,  é preciso deixar-se tocar pela arte, laçá-la, apropriar-se e isso é tarefa pessoal de cada um, ainda que para poucos...


                                                                   Arte é "SACRIFICIO"        
  

Os Saltimbancos na Matinê do Máschara


terça-feira, 3 de junho de 2014

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Melhor Iluminação- Fábio Novello por FERIADÃO

Obrigado ao ator e iluminador Fabio Novello pela conquista de melhor iluminação para o espetáculo Feriadão durante a XXIª Edição do Festivale