domingo, 26 de junho de 2011

Crítica da rainha - As Balzaquianas tomo II

                                                                    Às mulheres de todas as idades

Não pude me fazer presente nesse último Cena às 7, era uma noite fria, e para uma senhora da minha idade, deslocar-me até a casa de cultura não é fácil em noites geladas, já havia assistido "As Balzacas..."no mês anterior e agora como crítica severa que sou, assisti procurando defeitos, sim tarefa árdua para os críticos a imparcialidade necessária e o olhar rápido para não perder o que acontece na cena.
Consegui o DVD para assistir em casa, e apesar de teatro em tela ser algo irritante, consegui perceber direitinho o que se estabeleceu.
A montagem trata de um dia especial na vida de uma radialista (Adelaide Fontana), é aniversário da mesma, 25 anos de carreira na rádio Esperança do Interior. o que a abala é o fato de nesse dia não ter nenhum verdadeiro amigo para consigo comemorar a data especial. Talvez por isso ela odeie tanto aquela canção "Parabéns, parabéns, saúde..." enfim, revoltada, a radialista acaba por abrir a boca em um programa especial que leva ao ar às 00:00 daquele dia fatídico. Uma de suas fãs, (Leninha) por algum motivo não explicado no texto, tem o costume de ouvir rádio a noite, e acaba por se deparar com a transloucada radialista através do programa Delírios de Amores. Ambas partem então para um abate corpo a corpo onde talvez só a mais forte resista. Alegrias, fracassos, desilusões, amores e segredos vem a tona. Helena está protegida, pois seu ouvinte é a platéia, que se identifica e torna-se cúmplice. Adelaide tem destino menos feliz, pois ao escancarar suas verdades, compra briga com uma cidade inteira. Já que as pessoas não gostam de ouvir verdades. O falso moralismo as detém. Para alguns espertinhos na platéia, o termo as Balzaquianas vem para a cena perdido já que são mulheres cinquentonas ou sessentonas e  o nome do livro de Balzac é A mulher de trinta anos, no entanto o que alguns esquecem ou não sabem é que Honore reflete sobre toda a vida das mulheres através de sua "Julia". Não é a toa que o livro seja um clássico da literatura indispensável a todos os que querem se aprofundar na compreensão do "ser mulher". Ertel e Lorenzoni estão ótimos em cena. Competem, é visível, mas tenho a impressão de que ficam orgulhosos de ver um ao outro bem em cena. Atores maduros sabem que estando ambos bem em cena o espetáculo sai  ganhando. Os figurinos são explendidos e pelo que soube causaram problemas a companhia o que foi superado rapidamente pelos diretores da Cia., Cléber Lorenzoni e Dulce Jorge, ávidos em sempre fazer do Cena às 7, um sucesso. Angélica Ertel esteve radiante, brilhante em cena, subiu muito em meu conceito como atriz. Cléber Lorenzoni usou de todos os seus artifícios e mostrou por que sempre é o carro chefe dos espetáculos. Ambos "chegaram chegando" Cenário aperfeiçoado, platéia cheia, mesa de luz adquirida, passos bem dados para quem transforma arte em sonhos.
O público de teatro parece mais voltado para a comédia, mas parece ter aprovado o estilo teatral do grupo Máschara, que se nega a render-se ao termo "comercial" teimando em espetáculos que trazem ma boa doze de reflexão através do drama.
Ver atores cantando em cena me emocionam muito, afinal os atores brasileiros as vezes são muito restritos, mas as montagens do Máschara buscam muito mais. Outra detalhe magistral é a maneira como o duo vai dirigindo a platéia, como uma orquestra. Ora riso, ora tensão, em uma triangulação perfeita. Os Deuses do teatro parecem ter abençoado As Balzaquianas.
Não foi fácil, pois estou a par de muito mais que se possa imaginar, mas o diretor Cléber Lorenzoni consegue com calma e perseverança tornar brilhante o extremos de artistas complexos. Só senti falta nos agradecimentos, de ouvir o nome de Ricardo Fenner e claro, de ver em cena outros talentos que parecem de molho. Sou fã já disse, quero ver meus pequenos Deuses do olimpo teatral cuzaltense. Angélica Ertel parece estar se despedindo do Máschara, doloroso para o teatro de Cruz Alta, se for verdade fechou com chave de ouro interpretando uma Balzaquiana, sua Helena entra para a galeria de grandes personagens do Máschara, mérito de sua historia como atriz e do olhar da direção do grupo. Soube ser uma Balzaquiana, não é toa que sua personagem se chame Helena, como a filha da personagem de Balzac: Helena D'Aiglemont.
As Balzaquianas é o 13º espetáculo assinado por Cléber Lorenzoni, e mal posso esperar por mais trabalhos seus, afinal, que opções tem uma Balzaquiana em cidades do interior.. 



                                                                                       A Rainha
                                                                                            SEMPRE

Cléber Lorenzoni e Angélica Ertel

Atrizes do Máschara na feira de livros de Veranópolis

Ricardo Fenner preparando-se para A Maldição do Vale Negro

A equipe técnica de Esconderijos do tempo

Mario Quintana

A atriz Dulce Jorge em turnê em POA