sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Nosso brilhante artista de tantas matizes, Fabio Novello


Nossa melhor atriz Mirim-2017 Vitoria Ramos


795 -Auto de Natal - ou Paixão de Nossa Senhora - (tomo 1)

                    Nas bodas de Caná, Jesus, filho de Maria, transformou a água em vinho e todos exclamaram: -Sempre se oferece o melhor vinho no inicio, para que quando se está mais embotado pelos prazeres etílicos se beba o vinho de inferior qualidade. Aqui, ocorre o contrário, guardaram para o fim da festa o melhor vinho da casa.
                             Pois bem, o Grupo Máschara nos ofereceu seu melhor nos últimos dias do ano. É verdade que 2017 já havia tido a  Roupa Nova do Rei, a remontagem de O Castelo Encantado, a encenação de A Paixão de Cristo e Bruxamentos e Encantarias. Mas foi no auto de natal que assistimos dia 22 de dezembro, que realmente me surpreendi. A Roupa Nova do Rei, e a Paixão de Cristo, são historias conhecidas. Tudo bem, contadas de formas únicas. Bruxamentos começou a ser elaborada pelos alunos da ESMATE de 2014. Mas o nascimento de Cristo que subiu a cena na praça Erico Verissimo, esse deu o que falar. 
                               Dezoito atores dividiram-se em dezenas de personagens e tipos, tirados dos escritos sagrados para os cristãos. A narrativa era simples e de fácil acesso com roteiro de Cléber Lorenzoni. Musica, dança, interpretação e até arte circense estiveram presentes. Eu fui criada na igreja católica apostólica romana. Batizada e crismada. O tema tratado sobre o palco não me surpreendeu enquanto texto, mas o que mexeu com a platéia ávida cena após cena, foi a forma como se contou cada detalhe. Deu-me muito orgulho dos jovens do Máschara. A linguagem quase infantil prendeu o interesse da platéia do começo ao fim. Claro que o visto em cena foi reflexo de um ano de muita dedicação por parte dos alunos da ESMATE, que estudaram diversas linguagens e foram organicamente se capacitando para esse gran finale. 
                                       A trama se desenrola a partir da mente de uma menina (Vitoria Ramos) que vai vendo a historia contada por seu avô. Desde a infância de Maria, (interpretada primeiramente por Maria Antonia Silveira Neto e posteriormente pela veterana Alessandra Souza) até o dia em que Jesus nasce em uma manjedoura, em uma estrebaria nos arredores de Belém.
                                         Se engana quem pensa que a arte cênica está centrada apenas no talento do ator, pelo contrário, a obra de arte nos chega através de tudo sobre o palco. Nesse quesito, figurinos, adereços, cenários, tudo trabalha e trabalhou em prol de envolver. 
                                          Não vou entrar aqui nas questões religiosas do roteiro. Talvez seja difícil para alguns comprarem as complexidades da trama, no entanto o dogma cristão deve ser respeitado, bem como os dogmas de qualquer outra religião. Cléber Lorenzoni, como diretor questionador que é, esboçou questionamentos visíveis a assistência mais concentrada. Também fez alusões a questões sociais, tudo muito sutil, sem chocar, pensando muito mais no tocante da encenação. 
                                             A mascara branca proposta pela maquiagem de Cléber Lorenzoni ajuda a imprimir uma neutralidade, que se antagoniza com o figurino marcante. Alguns personagens centralizam em si a historia, Lorenzoni, Souza, Arigony, Novello, Fenner e Ramos. Outros passeiam por várias criaturas. É preciso muita coragem para em frente a uma comunidade religiosa, criar tantos signos na forma de contar algo sagrado. A cena na pousada do casal Josafá beira ao cômico e nos ajuda a relaxar durante a trama, contrastando com a violência da morte dos inocentes. 
                                             Há uma gama de estilos na trilha sonora. Agradando gregos e troianos, e as dublagens denotam falta de ensaios. Ensaios de mesa, ao lado do som e com texto na mão. O máschara é uma companhia que ama ensaiar, que gosta da repetição, mas nos últimos tempos, devido possivelmente ao leque de projetos que vem dando vida, tem deixado a desejar nesse setor. 
                                              O espetáculo é atemporal e sem restrições espaciais. Bem a meu gosto. Maria está em Nazaré, vira-se no palco e já chegou a casa da prima Izabel em Ain Carin. Claro que esse tipo de linguagem vai causar efeitos diferentes na platéia. Há de se ter um minimo de conhecimento para compreender determinadas propostas artísticas. 
                                               Algo que me marcou muito foi o equilíbrio alcançado por toda a equipe, o ritmo das cenas. Não vou dizer que as coreografias são ousadas, já conheço as ideias do diretor. Cléber Lorenzoni sempre teve um olhar meio Broadway, ele tem dividido sua direção com Renato Casagrande nesses últimos trabalhos. Casagrande é muito criativo e também opta por momentos apoteóticos. Alguns atores podem investir mais na leveza, outros na sutileza. Raquel Arigony esteve muito bem como a prima Isabel, embora a direção pudesse garantir uma caracterização mais específica que diferencia-se as personagens Ana e a prima de Maria. Por outro lado, e eu mesma me questiono, a linguagem do espetáculo permite a transformação apenas corporal do neutro ao personagem, do personagem ao neutro e assim por diante. A voz construída pela interprete alcança uma corporeidade muito interessante. A troca de mantos, a entrada do véu, o ventre de Maria representado pela pequena manjedoura iluminada. Signos incríveis. 
                                               A cena dos reis magos se coloca de forma eficaz e Gabriel Giacomini se destaca como Baltazar. Cada personagem foi introduzido de forma muito criativa, como o "Gabriel" de Fábio Novello que chegou do meio do público e emocionou a todos ao som das Bachianas de Villa Lobos, um arrojo aos ouvidos dos transeuntes, vizinhos da praça e platéia em geral. O teatro nasce nos ensaios e muita coisa foi reflexo de improvisações positivas, ocasionadas pela segurança produzida por dedicação nos ensaios. Estudo. Entrega.
                                            O espetáculo precisa e deve ser reapresentado, Há muitos detalhes e eu em minha avançada idade, perdi muita coisa. Gostaria de rever para poder mergulhar mais fundo, bem como os atores mergulhariam também... 
                                              Parabenizo muito a criatividade e dedicação de todos, foi um lindo presente de natal para quem assistiu.

Arte é Vida.



A Rainha

Texto-Cléber Lorenzoni (**) Adaptação da obra cristã
Direção- Cléber Lorenzoni (***)
Assistência de direção - Renato Casagrande (***)
Criação- (cléber Lorenzoni e equipe)
Trilha Sonora - Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande (***)
Operação - Evaldo Goulart (*)
Maquiagem - Cléber Lorenzoni (**)
Figurinos e Adereços-Cléber Lorenzoni , Renato Casagrande e Fabio Novello (***)
Elenco- Alessandra Souza (**)
Cléber Lorenzoni (**)
Vitoria Ramos (***)
Ricardo Fenner (**)
Maria Antonia Silveira Netto (**)
Fabio Novello (**)
Raquel Arigony (***)
Renato Casagrande  (**)
Gabriel Giacomini (***)
Stalin Ciotti (***)
Douglas Maldaner (**)
Vagner NArdes (**)
Antonia Serquevittio (**)
Laura Hoover  (***)
Kauane Silva (**)
Nicholas Miranda (**)
Pedro Lucas  (**)
Maria Eduarda Jobim (**)




                          

                                  

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

794 - Ed Mort (tomo 17)

70 vezes o Cena às 7


Direção - Cléber Lorenzoni
Texto- Maikel Teixeira sobre a obra homônima de Luis Fernando Verissimo
Elenco- Cléber Lorenzoni, Dulce Jorge, Fernanda Peres, Ricardo Fenner, Renato Casagrande,                            Alessandra Souza, Vagner NArdes, Evaldo Goulart, Kauane Silva e Laura Hoover
Contra-regragem- Sandra Lazzari , Fábio Novello e Raquel Arigony
Iluminação Cléber Lorenzoni e Fabio Novello - (operador) Stalin Ciotti
Trilha Sonora-Luis Fernando Lara -  (operador) Gabriel Giacomini
Figurinos- Cléber Lorenzoni, Dulce Jorge, e Renato Casagrande
Cenário - Cléber Lorenzoni, Angelica Ertel e Luis Henrique
Recepção- Raquel Arigony e Fabio Novello
Produção- Grupo Máschara
Produtores- Cléber Lorenzoni e Ricardo Fenner
Montagem- Grupo Máschara
Maquiagem e Adereços- Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande
Camareiro- Renato Casagrande
Auxiliar de figurinos - Sandra Lazzari e Raquel Arigony


                                Uma historia de glorias não pode ser medida sem mencionar-se os números. O Máschara coleciona nesse ano vários números importantes. 25 anos, 70 edições do Cena às 7, dezessete apresentações do espetáculo ed Mort, ao mesmo tempo dez anos que o espetáculo estreou. 
Quanta admiração por tantas caminhadas. Não há como não falar nesse momento do elenco do Máschara. Vi ainda há pouco quase vinte pessoas envolvidas. Um elenco numeroso, uma equipe técnica que vem crescendo em trabalho e dedicação. 
                                No elenco o retorno de Fernanda Peres. Uma atriz que despontou lá em 2010 e entre idas e vindas fez coisas incríveis no palco. Pena que sua vontade as vezes esbarre nas convenções da vida comum. Fernanda Peres nasceste para fazer muito no palco. Fuja para lá querida! Fernanda Peres já foi a delicada e geniosa Glorinha de Esconderijos do Tempo, a  eterna Lili inventando o Mundo, a romântica e dengosa Mariana de Tartufo, a decidida Serenita de Feriadão. Foi Rita Paz em O Incidente e atualmente é nossa Irmã Isolda. La Peres entrou na cena cheia de energia e dona de si, como se estivesse cheia de fome pelo palco e isso empolga os colegas e nos interessa muito enquanto público. Não sei se a queda de Bibi foi proposital na cena das gargalhadas com Rubenci, mas de qualquer forma foi divertidíssimo, pontual, decisivo para mim amá-la em cena. (***). Gosto de atores que voltam ao palco como se nunca tivessem saído de cena. Ou como disse um dos nossos inesquecíveis atores passados por aqui G.Q, quem foi do Máschara nunca deixa de sê-lo. 
                                Dulce Jorge também adentra a cena com força de diva, estava linda em cena e mostra sua capacidade de camaleoa. Sua dicção digna de grande atriz que é, deve orgulhar os colegas de cena. Não entendi muito bem o que aconteceu na cena final, quando a atriz ficou parada no palco, ainda que inteira, pareceu-me confuso (**). 
                                    Alessandra Souza é uma das atrizes bases do Máschara. Sua historia mistura-se com a da Cia. Aliás foi em ed Mort em  2008 que ela estreou no palco. Hoje muito  mais capaz, com um vigor e uma forma de atuar muito peculiares, La Souza preencheu a cena com uma gag muito criativa e me surpreendeu em sua personagem politicamente incorreta(***).
                                    Ainda no elenco Ricardo Fenner com o marcante Rubenci que poderia estar mais concentrado. Aliás Ricardo é um dos três atores que continuam em seus papeis em Ed Mort desde a estréia(**).  Renato Casagrande é um grande ator, não há duvidas, talvez devesse ser mais comedido em alguns momentos, mas sua "Mãe Soraia" preenche a cena muito bem a cena, bem como o policial na cena final. Renato Casagrande logo alcançará a "maturidade cênica" termo usado por stanislavsky ao se referir a atores que podem fazer qualquer papel no palco. E que eu diria merecedores de Status I(***).
                                  As crianças, Evaldo Goulart(**), Kauane Silva(**), e Laura Hoover(**) estiveram ótimas. Evaldo Goualrt com uma energia forte, cheio de garra. Laura com presença e visual divertidíssimos e Kauane com uma construção interna muito sutil e eficaz. Ambas, as meninas, podem e devem trabalhar mais sua capacidade vocal. 
                                       Vagner Nardes(**) também estreou em um espetáculo do Máschara e não deixou nada a desejar. Conseguiu diferenciar-se de sua indicada bruxinha caolha e portou-se como um ator do Máschara. 
                                         O Ed Mort (**) de Cléber Lorenzoni tem vários méritos mas quero aqui elencar um no qual  acredito que atores novos devem e podem se inspirar. É o fato de que sua sexualidade, suas opções não devem interferir na capacidade criativa de um ator sobre o palco. E em Cléber Lorenzoni elas jamais interferem. Lorenzoni consegue interpretar homens, mulheres, femininos, masculinos, entregando ao público o que a personagem necessita que seja entregue. Aliás Cléber Lorenzoni alcançou uma maturidade cênica que lhe permite exigir luz em suas cenas, debochar das capacidades dos colegas de cena, usando isso como trunfo até para salvá-los ou entregá-los ao público. Ele corta, adapta, modifica cenas. E tudo isso em nossa frente. E o mais importante, respeitando os limites das convenções. Convenções essas que um bom ator precisa compreender ao entrar em um espetáculo.
                                       Na técnica do espetáculo, Stalins Ciotti (***) e Gabriel Giacomini (**) foram muito profissionais, e embora uma das lampadas tenha teimado em não acender, Stalin já se mostra um eficaz iluminador. Sandra Lazzari(**), Fabio Novello(**), Douglas MAldaner(**) e Raquel Arigony(***) não mediram esforços para auxiliar na montagem e na produção da noite. Foi um dia de sucesso, de filantropia, embora o Máschara seja quem mais precise de filantropia, caso contrário poderá logo vir a encerrar seus trabalhos. Parabéns a toda a equipe, que me fez me sentir tão bem rindo coim leveza das peculiaridades da mente humana. 

Teatro é vida...

                                           A Rainha

Renato Casagrande, Dulce Jorge e Cléber Lorenzoni em Ed Mort


Mais uma noite de Cena às 7