segunda-feira, 14 de junho de 2010

Diário de Bordo XIX - A Maldição do Vale Negro - 33º Cena às 7

O Prazer de Todos

Quando assisto à um espetáculo, costumo prestar atenção em tudo o que acontece no espaço a minha volta. O Teatro não acontece somente no palco, ele começa la na porta do teatro, no Foyer. Gosto de observar o pessoal da gabine técnica, ver se estão nervosos, anciosos, calmos... Gosto de observar as barras de luz, antes mesmo da cortina abrir. Gosto de observar a movimentação dos técnicos, se vão aos camarins, se há algum problema ou se tudo está perfeito.  No Cena às 7 por exemplo, observo quem está na portaria, se há cartazes, se houve divulgação, como organizaram mesa de som e luz, e assim depois que percebo todo o ambiente é que estou preparada para assistir ao espetáculo.  O Teatro é uma energia que se estabelece quando tudo e todos conspiram a seu favor...
Ontem à noite fui recebida pela atriz Dulce Jorge,  saudade de vê-la em cena. Já no auditório escolhi um ligar agradável, nem muito a frente, nem muito atrás. A frente deixo para os mais medíocres e as ultimas cadeiras para os que foram por outros motivos...
A Maldição do Vale Negro nunca esteve tão inteira, viva como nessa edição do Cena às 7. Havia gana (não que esse seja o único ingrediente necessário), os atores estavam inteiros, a triangulação foi perfeita.
Algumas palavras se perderam em alguns momentos pela exacerbada rapidez dos textos. Cléber Lorenzoni podia dedicar mais talento à personagem da condessa e Gabriel Wink ao seu Marquês.  Ricardo Fenner surpreendeu-me com uma ´presença" brilhante,  Ah! Como é maravilhoso ver atores em cena, prontos, preparados para o que estão fazendo.  Em um momento em que um dos atores ergueu o que seria a cortina de uma janela á esquerda do palco, eu vi la atrás, um dos contra-régras e aí pensei: Tal espetáculo tão repleto de trocas de figurinos, cheio de adereços, entradas e saídas, deve ter ótimos contra-regras.  Fiquei imaginando, que grau de humildade e disponibilidade tais criaturas devem ter, para aceitarem ficar escondidinhos, apenas alcançando coisas e trabalhando para o espetáculo ficar maravilhoso lá na frente. Aí questionei-me o quanto os atores dependem dessas figuras, para exercerem bem o seu trabalho. E raciocinei mais ainda, quantos contra-regras são realmente felizes no que fazem e o quanto são valorizados ao final de cada espetáculo. E o quanto alguns deles devem ser desvalorizados por atores estrelas. Mas com certeza isso não acontece no Máschara... 
Será que os atores são capazes de perceber o quanto um contra-regra também tem de artista?
Fiquei irritada no entanto com dois pequenos aquéns, que para mim prejudicaram a noite. Primeiro a falta de uma sinopse, ou mesmo ficha técnica no inicio. Como era de praxe em noites de Cena às 7. Em segundo, a presença de um fotógrafo que caminhou pelo teatro incansavelmente tirando minha atenção, fazendo barulho, movimentando a platéia, e ainda usando o flash da câmera, o que ocaionou em dois momentos a quebra do efeito blecaute do espetáculo. Uma pena... Mas, o teatro como eu disse é feito por muitas pessoas, e não há como ensinar todas elas.
    

    A Rainha