segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A Marcha dos Mortos na feira de livros de Nova Prata

Diário de Bordo XXXIV - O Incidente em Nova Prata, tomos 67 e 68.

O Público quer rir!

Essa é a sensação que tenho sempre que vou ao teatro. Eles ficam alí, anciosos que seja uma comédia, ou  que os atores errem, ou que gaguejem, enfim, por vezes da a nítida impressão de que o ator esteja frente a inimigos.
Em O Incidente de sexta feira pela manhã, me perguntei, o que o público queria, provavelmente rir, ou deixar-se levar pela historia? Eles riram sim, quando era o momento de rir, mas nos momentos mais intensos, digamos assim, eles entraram na historia mantendo-se conectados, concentrados. Afinal o público é um outro elenco que atua junto!
Para mim o teatro perdeu o público que mais devería cativar, os adolescentes. Dos onze aos dezoito não conte com eles. A adolescencia não é uma época da vda, é um estado de espírito e dos piores. Mas naquela aprsentação, alunos pareciam inebriados pelos sete  mortos de Antares. A tal ponto de aplaudirem o Pudim de Cachaça em cena aberta.  E assim Diego Pedroso teve mais esse memorável premio no inicio de sua carreira. As professoras que assistiram a incurssão da manhã me pareciam inteligentes, dispostas, conhecedoras da obra de Erico Verissimo.
Apesar dos microfones, Cléber Lorenzoni esbanjou trabalho corporal nessa encenação o que não se repetiu no espetáculo da noite.Antares é uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, da fronteira, mas poderia ser de qualquer lugar do Brasil. Pois assim como em Antares os seres humanos são todos ruins, salvas pequenas excessões. A desgraça alheia é divertida e interessante. Os mortos de Antares dominaram a feira de livros, com ousadas colocações, que surpreenderam os mais puritanos. E ainda pude ouvir o sino da matriz badalando exatamente na hora em que era perguntado à Dona Quitéria Campolargo o que ela tinha a dizer sobre a igreja... Luís Fernando Lara devería dedicar-se mais ao teatro, era prazeroso observá-lo na cena. Alessandra Souza ainda tem vícios que precisam ser trabalhados, mas melhorou muito nos últimos tempos, e improvisou muito bem quando o Cícero de Cléber Lorenzoni a desafiou. Gabriel Wink foi assaz contundente. Perdeu um pouco o domínio da cena e a voz estava fraca, reflexo da despreocupação qu tem com seu objeto de trabalho. Mas soube deixar mais compreensiva a cena de Menandro Olinda. Renato Casagrande precisa amadurecer, e quanto a sonplastia, é preciso treinar alguém que se esforçe e se dedique a parte técnica de um espetáculo. É impossivel fazer bons espetáculos com péssimos sonoplastas ou iluminadores.
O teatro não começa no palco, começa quando um esptáculo é escolhido, quando seu figurino é desenhado. O Teatro próvém de uma base muito sólida e quando o ator pula essa parte, ou não gosta de toda a base necessária para o bom trabalho, está maculando o real intuito dessa arte.
Agora uma pergunta, na platéia mais de quinhentas pessoas. Nada de iluminação, equipe de luz do local totalmente depreparada para a sonorização de um epetáculo teatral. Microfones impedindo o trabalho corporal dos atores. Carros de som passando ao lado da feira, gente comercializando livros. Crianças brincando com balões e sinos tocando. Isso ainda é fazer teatro? Quanto merecem esses atores?
É por isso que minha admiração pelo Máschara ultrapassa montanhas. O teatro que o Máschara faz, da forma como faz, é um dos pouco que restaram com a noção de querer pensar primiramente no público. É teatro com dedicação e coragem! Com anulação! A esses jovens o céu!


                                                             A Rainha