segunda-feira, 22 de abril de 2013

Lirismo em Cena - Esconderijos do Tempo 69



             Depois de um mês sem Cena às 7, o Máschara voltou ao palco com Esconderijos do tempo, um espetáculo característico da transição de um grupo formado dentro do teatro amador para o ambiente do teatro profissional.  Um espetáculo com tão pouca preocupação comercial e ao mesmo tempo tão disposto a ousar, só poderia ser feito por um grupo repleto do idealismo do teatro amador, um pouco longe das considerações econômicas que logicamente regem a escolha de um repertório profissional  (Isso em questões de custos, não de qualidade).
            O espetáculo escrito por Dulce Jorge e Cléber Lorenzoni, inspirados na obra de Mario Quintana, é de um talento plástico ímpar e de estremo bom gosto. A direção e a concepção de Esconderijos do Tempo são extremamente felizes. Mesmo após 68 encenações, ainda há no espetáculo um cheirinho de coisa nova, recém-saída do forno. O elenco não parece cansado, robotizado pela repetição, pelo contrário, adentra a cena com um calor todo novo, uma inspiração motivadora.
            O espaço cedido por Marcos Gruhum, a meu ver não é adequado para o teatro, claro que algumas pessoas dizem que o teatro pode acontecer em qualquer lugar. Isso é ignorância certamente, pois logicamente cada espetáculo se presta ao espaço adequado para  aquilo que foi pré-concebido.  A equipe do Máschara consegue rapidamente transformar o espaço, no entanto a proximidade da rua, a falta de acústica, o espaço demasiado grande, são enfim, coisas que atrapalham o espetáculo.  No entanto tudo ocorreu bem, o que é reflexo de uma equipe organizada e  de um planejamento rigoroso.
              Um dos grandes problemas do teatro no interior, é a falta de atores tecnicamente preparados. São raros os casos em que a direção, pura e simples, é suficiente para a realização de um espetáculo.  Via de regra, torna-se necessário que o diretor seja, na realidade, um preparador de atores, quase um professor. Isso valoriza ainda mais o trabalha da direção do Máschara principalmente pelo fato de que com a constante partida de atores, já que a profissão é tão incerta, precisa estar sempre preparando novos atores.  Um desses casos é Fernanda Peres, que as pressas, com nove ensaios, subiu ao palco como “Glorinha”. (**) A atriz já nos é conhecida por outras substituições, mas o trabalho que conseguiu fazer dessa vez é no mínimo surpreendente. Esteve ótima, entregue, e nos convenceu muito bem como a geniosa namoradinha do poeta. Precisa apenas apresentar mais vezes o espetáculo para que a organização flua melhor. Alessandra Souza  esteve plena, a cena do “peixinho” foi delicada e singela. (***)A afinação melhorou muito, os tempos, a noção de espaço e o senso cênico.
              O Mario Quintana que nos foi dado nessa apresentação trouxe um colorido novo, mais cômico e menos depressivo, muito mais interessante, com um senso de humor perspicaz e inteligente. Para os atores do Máschara sempre é um bom momento para descobrir novas nuances em uma interpretação. (**) O volume de voz desse ator deve servir de exemplo e inspiração para os mais jovens. Roberta Queiroz esteve afastada do palco por muito tempo, vejo nela menos de composição, mas muito de postura. Sua passagem pelo palco foi simples mas intensa. Isto sem falar no senso organizacional que essa atriz tem nos bastidores. (***). É preciso estar atento a influência do amadorismo. Não falamos do amadorismo em tom de menosprezo, pois acreditamos que o teatro amador alcança muitas vezes, níveis surpreendentes; mas o que esperamos realmente de um teatro profissional  é uma sistematização, uma segurança, um acabamento técnico de ator e equipe técnica, que nos dê a certeza de que noite após noite, meses a fio, o espetáculo será o mesmo. O ator não pode se dar ao luxo de um dia não estar bem e por isso fazer incompetentemente sua parte, seu trabalho. Principalmente se está comercializando ingresso, cobrando entradas. Luis Fernando Lara não conseguiu grandes proezas em cena, fez sim sua parte, mas poderia ter marcado mais, a figura que compunha era coerente e preenchia as necessidades da personagem, mas ultrapassando a questão física, poderia estar mais dentro do papel. Ora seu Gouvarinho é um ótimo personagem, cômico, marcante. Nando Lara já fez parte do espetáculo no passado e deveria ter trazido mais saudosismo, mais nostalgia para a cena. O longo texto sobre "Bilú" passou mal compreendido e aseu soneto foi um tour de force.(**) Renato Casagrande é um grande ator, em continua ascensão, vem compreendendo melhor o oficio, se dedicando e logo estará preparado para qualquer papel. O anjo Malaquias tem força, presença, mas há algo de equivocado por parte da direção, em sua primeira aparição em cena. (**) 
                          Uma das últimas cenas do espetáculo cabe a Dulce Jorge, uma atriz sutil que sempre alcança o esperado em suas atuações, Dona Glorinha é graciosa e toca sublime o expectador. (**) Essa compreensão vem de sua maturidade cênica, de quem dedica mais de vinte anos ao fazer teatral. Na parte técnica Gabriela Oliveira (**) e Ricardo Fenner (**) não alcançaram grandes picos com luz e som, provavelmente por que também acumulem as funções de Camareira e Empresário. O grupo Máschara tem essa lacuna, um iluminador que assuma a responsabilidade inteira da iluminação, que crie, atue com a luz, cause climas. A sonoplastia agradável com Albinone, Massanet e outros, deveria ser mais sutil,  delicada. Entrar com alma, a alma com a qual Alessandra Souza fazia em outrora, a sonoplastia.
                              Esconderijos do Tempo foi, é e sempre será um grande espetáculo, e jamais deve ser abandonado, é o legado que um grande grupo deixa em prol da poesia.

                              A Rainha

            

Atrizes preparando-se para entrar em cena


Feriadão em Tupã


segunda-feira, 15 de abril de 2013

Atores do Castelo Encantado


IIª Matinê do Máschara


619 - 86 O Castelo Encantado

“Existem duas tragédias, uma é não conseguir, a outra conseguir”.  Oscar Wilde

               O teatro é sem dúvida a arte do inesperado, não é matemático como a dança ou como a própria música. Claro que ambas tem alma, mas o teatro é inesperado, tanto para o público quanto para o próprio ator.
                Cruz Alta continua sem salas para  espetáculos, por isso ontem fui ao clube internacional assistir a 2ª Matinê do Máschara. Tudo ajeitadinho , como é típico da Cia., coxias, fundo escuro, cenário bem acabado, embora aqueles pés dos pedestais aparecendo me incomodem profundamente.  Colchonetes no chão para as crianças (gentileza do SESC) e público de 67 pessoas. Bom público para o teatro, bom público para o teatro em Cruz Alta, bom público para a matinê.
             A plateia era plana, o que prejudicava um pouco a assistência, mas felizmente não havia muitas cenas em plano  baixo. O texto da vez era O castelo Encantado, uma pequena homenagem a obra infantil de Erico Verissimo, escritor imortalizado por sua obra adulta e menos conhecido pelo seu passeio pelo universo dos pequenos.
               Em cena um elenco dividido em dois grupos. O primeiro carregava o espetáculo, ao menos era o que se pretendia. O primeiro grupo aparecia, destacava-se, se não por talento,  então pela própria narrativa. Esses três atores já são conhecidos de longa vivência em espetáculos infantis. A protagonista estava direitinha, mas não carregava o espetáculo. O destaque mesmo foi para o versátil ator que arrancou rizadas com o “comissário de bordo” e o elefante Basílio.  Uma dica para o outro ator desse primeiro grupo:  No teatro quando se pensa que se sabe tudo em determinado mote, é hora de traçar caminhada em novo mote...
           O segundo elenco  era disposto em: Porquinho amarelo, apresentadora do circo e Rafael. Três jovens atores que não reconheci de outros espetáculo, mas que precisam de mais ensaio e segurança.
O espetáculo foi curto, rápido demais, as vezes gritado e por muitas vezes confundi-me na trama. Senti falta de um personagem  que me conduzisse. Calma Rosa Maria, calma, pausa, silêncio, triangulação e tempo.
O cenário funciona bem, os retalhinhos saem dos figurinos e penduram-se nas cortinas. Os figurinos são um primor e as mascaras compõe bem, embora alguns atores não saibam carrega-las. Não basta por uma mascara no rosto, é preciso extrair vida delas...
             A equipe técnica e a produção deram tudo de si e seria errôneo de minha parte não dar três estrelas a Luis Fernando Lara. A execução da trilha beirou o fracasso, as musicas não apareceram no espetáculo, nem as eletrônicas, nem as humanas.  Eu realmente não compreendi a musica final, não entendi o objetivo pela primeira vez no Máschara, havia uma musica vindo do rádio e outra da boca dos atores. Por favor o que foi aquilo? Só não direi que a situação acabou com o espetáculo  por que isso já havia acontecido a partir da terceira cena.
           O Castelo Encantado é sem duvida um rascunho de Lili Inventa o Mundo e há duas sugestões : Arrumem-no, consagrem-no ou então enterrem-no logo. Dessa apresentação ficou comigo além do belíssimo visual, a falta de ritmo, a discrepância nas atuações e a patada da morte.

“Não da para ser o melhor sempre...”
Dá sim, basta desejar e os olhos fechar!


A rainha


Renato Casagrande **
Alessandra Souza *
Cléber Lorenzoni**
Roberta Corrêa *
Fernanda Peres *
Evaldo Goullart **
Luis Fernando Lara ***
Gabriela Oliveira *
Dulce Jorge **

sábado, 6 de abril de 2013

Texto da peça "O Cavalinho Azul" de Maria Clara Machado




“O CAVALINHO AZUL” foi levado, pela primeira vez, pelo TABLADO, no Rio de Janeiro, em maio de 1960, com cenário de Anna Letycia; música de Reginaldo de Carvalho; figurinos de Kalma Murtinho; bichos de Marie Louise e Dirceu Nery; luz de Fernando Pamplona; assistente de direção, Heloisa Guimarães; piano, Martha Rosman; baixo, Livolsi Bartolomeo; flauta, Carlos Guimarães; maquiagem de Fredy Amaral; execução de cenário, Wagner dos Santos; eletricistas, Anthero de Oliveira e Diaci de Alencar; direção de Maria Clara Machado. Personagens: Cesar Tozzi, Caire Isabella, José de Freitas, Anna Maria Magnus, Carlos Augusto Nem, Delson de Almeida, Anthero de Oliveira, Yan Michaslki, Luiz de Affonseca, Ivan Junqueira, Celina Whately, Diaci de Alencar, Núvio Pereira, Geisa Virgílio, Lejzor Bronz, Afonso Veiga, Reynaldo Pereira, Virginia Valli e Paulo Mathias da Costa.

O CAVALINHO AZUL
1 ato e 9 cenas
Música de Reginaldo de Carvalho
PERSONAGENS

Venda de Ingressos


Matinê do Máschara, mudança de datas


sexta-feira, 5 de abril de 2013

A Maldição do Vale Negro na 7ª Feira de Livros de Capão da Canoa


A Agenda


Próximos espetáculos



638/639-Feriadão (tomos 102/103) Vila Nova do Sul com Cléber Lorenzoni e Fernanda Peres - 19/11/2013

637-62ºCena às 7 A Maldição do Vale Negro- Annes Dias- (tomo 19) com Cléber Lorenzoni, Ricardo Fenner e Renato Casagrande - 8/11/2013

636- Performance com Personagens de Os Saltimbancos (tomo 19) com Alessandra Souza e Ricardo Fenner -Festival do Guaraná- 12/10/2013

635- O Incidente em Vacaria/RS (tomo 76) com Gelton Quadros e Cristiano Albuquerque -05/10/2013

633/634 - Feriadão (tomos 100 e 101) Vacaria -05/10/2013 comCléber Lorenzoni e Fernanda Peres

632- Performance de danças dos anos 60 no clube Arranca com os Atores Alessandra Souza e Fernanda Peres em 28 de Setembro de 2013

631- Ed Mort -(tomo 13) UNICRUZ 08/08/2013

629/630- A Serpente - 61º Cena às 7 (tomo 02/03) 13 e 14/07/2013

628-A Serpente - 60º Cena às 7 (estréia) 23/06/2013

627- Lili Inventa o Mundo - 4º Matinê do Máschara 08/06/2013 (tomo 96)

626 - Ed Mort - 07/06/2013 (tomo 12)

625 - Esconderijos do Tempo - 07/06/2013 (tomo 70)

624 - ´Lili Inventa o Mundo - 07/06/2013 (tomo 95 )

623 - Ed Mort - 59º Cena às 7 26/05/2013 (tomo 11)


622 - Os Saltimbancos -11/05/2013 (tomo 18) 3ª Matinê do Máschara

621 - O Incidente - 01/05/2013 (tomo 75)  RBS - Tupanciretã


620 - Esconderijos do Tempo-21/04/2013 (tomo 69) 58º Cena às 7-C.E.E.V


619 - O Castelo Encantado-14/04/2013 (tomo 86) 2º Matinê do Máschara


618 - A Maldição do Vale Negro -02/04/2013 (tomo 19) 7ª Feira de livros de Capão da Canoa


617 - Feriadão - 09/03/2013 (tomo 99) 1ª Matinê do Máschara



615/616 - LILI Inventa o Mundo 16-17/02/2013 (tomo 93/94) 57º Cena às 7

613/614 -As Balzaquianas-12-13/01/2013  (tomo 08/09) 56 Cena às 7 -Cruz Alta

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A Maldição do Vale Negro (618)


             Estou sentada assistindo um dos últimos capítulos de uma das tantas reapresentações da novela A Usurpadora escrita por Inés Rodena e Carlos Romero e não posso deixar de ver nela  tantos códigos universais do melodrama, que me fazem lembrar profundamente a apresentação do espetáculo A Maldição do Vale Negro por ocasião da 7ª Feira de Livros Infantis de Capão da Canoa. O âmago do folhetim mexicano, as reviravoltas, os climas chocantes, as surpreendentes reações dos vilões e mocinhos, tudo retratado no texto inteligentíssimo e engraçadíssimo de Caio Fernando Abreu e Luís Arthur Nunes.
                     O espetáculo do Máschara é antes de tudo um divertido exercício, três atores interpretam as sete personagens. O espetáculo é ágil, vivo, envolvente, moderno e sem aquelas "barrigas" que costumam deixar espetáculos adaptados arrastados. Cléber lorenzoni passeia pelo palco levemente e nos faz recordar de todas as mocinhas, de romances de cavalaria à novelas das oito. Sua interpretação é firme e inesquecível.   A ponto de ao final do espetáculo pessoas da platéia não saberem se era um ator ou uma atriz interpretando. Embora o espaço não tivesse acústica alguma, o domínio de voz do ator tocava todos os ouvidos atentos. No entanto a personagem Úrsula me parecia sem força, um tanto atrapalhada. Ainda que com a preocupação do ator em sem coerente e seu talento incrível, faltava o acabamento que lhe é típico.
                        Ricardo Fenner, não é um ator cômico, mas é um ator formal e talvez por isso precise de muita precisão em suas cenas, algumas adaptações e improvisos, podem colocar em risco suas cenas. O ator parecia inseguro em algumas cenas, não foi seu melhor dia como Conde, no entanto a cigana Jezebel entrou arrasando como sempre. A revelação da noite foi o ator Renato Casagrande que teve sua estréia no espetáculo interpretando três das sete personagens. Poderia ficar comparando com o ator que está sendo substituído, o que é natural, no entanto prefiro analisar o que vi. Vi um ator bastante jovem, esforçado, que preenche muito bem as necessidades do espetáculo e  que parece ter dado finalmente vida ao Marquês Rafael D'Allençon. A falta de uma iluminação apropriada e de um equipamento de som adequado prejudicou e muito o espetáculo, mesmo que se diga que o espetáculo é maravilhoso, ou que os atores são profissionais, é preciso ver um espetáculo como um todo, recordando que luz, som, figurinos, cenários, ou mesmo a ausência deles, forma a complexa concepção de um espetáculo, e que quando um desses não pode cumprir sua função o todo sai perdendo, a platéia perde, o elenco perde, a ideia não é expressada. Boa parte das narrações que o público precisava ouvir, não puderam ser ouvidas na íntegra, o que não foi culpa da operadora, afinal o material do som precisa estar a disposição da equipe com no mínimo uma hora de antecedência, o que não aconteceu.
                              A contra-regragem  não foi exercida com louvor, já que perucas tortas e figurinos abertos adentraram o palco, não sei quem faz as trocas, mas seja quem for deveria ter ensaiado mais. A Maldição do Vale Negro, é um espetáculo grandioso, que precisa de toda uma maquinaria correta para que o espetáculo aconteça em sua grandeza. Isso sem falar que necessita sempre ser ensaiado, ou sua formalidade pode ir se perdendo. À Evaldo Goulart indico mais humildade e observação para aprender, mas aprender o "bom", e a Luís Fernando Lara que a cada dia melhora como Cenógrafo, aconselho a sempre assistir os espetáculos e participar sempre de mais ensaios. Quanto a escolha do banco não sei de quem foi, mas a guarda certamente prejudicou muitas marcas.
                                   Ainda assim A Maldição do Vale Negro cumpre sua função, trabalho corporal, muita coluna, desenho sonoro nas vozes dos atores, narrativa ágil, e muito a ser descoberto. 


A Rainha



Cléber Lorenzoni (***)
Ricardo Fenner (**)
Renato Casagrande (***)
Alessandra Souza (*)
Gabriela Oliveira (*)
Roberta Corrêa (**)
Luis Fernando Lara (**)
Evaldo Goullart (*)