quinta-feira, 27 de agosto de 2026
terça-feira, 25 de agosto de 2026
As Troianas - Eurípides
Época
da ação: idade heróica da Grécia.
Local: Tróia.
Primeira
representação: 415 a.C.
PERSONAGENS
POSEIDON, deus do
mar
ATENA, deusa também conhecida como Palas
HÉCUBA, viúva de Príamo, rei de Tróia
CORO, composto
de virgens troianas (primeiro semicoro) e de viúvas de guerreiros troianos
(segundo semicoro)
TALTÍBIO, arauto dos
gregos
CASSANDRA, filha de
Hécuba e de Príamo, profetisa e sacerdotisa de Apolo
ANDRÔMACA, viúva de
Heitor, o maior dos guerreiros troianos, nora de Hécuba e mãe de Astiânax
MENELAU, irmão de Agamêmnon, o comandante
dos gregos em Tróia
HELENA, mulher de Menelau
ASTIÂNAX, filho de
Heitor e Andrômaca, ainda criança
Os gregos são também chamados
argivos e helenos. A Grécia também é mencionada como Hélade.
Os troianos são também chamados de
frígios.
Tróia também é chamada de Ílion; sua
cidadela chamava-se Pérgamo. Frígia era a região em que ficava Tróia.
Cenário
O
acampamento dos gregos diante de Tróia. Ao longe a cidade, de onde se eleva a
fumaça de incêndios; no fundo da cena algumas tendas onde estão confinadas as
cativas troianas. Diante da porta de uma das tendas HÉCUBA chora caída
no chão. É manhã cedo. Entra POSEIDON, invisível para HÉCUBA
POSEIDON
Do salso mar
Egeu profundo, eu, Poseidon1, estou saindo lá de onde as Nereidas bailam2 em sinuosas
danças com graciosos passos. Desde que aqui em volta da antiga Tróia
|
Apolo
e eu erguemos as muralhas sólidas3 de enormes pedras em perfeito
alinhamento, jamais meu coração deixou de ser benévolo com os habitantes
desta terra e seu país. Agora restam dela apenas fumo e cinzas; a lança grega
saqueou-a, destruiu-a. Um grego, Epeio, usando um
artifício insólito inspirado por Palas, construiu enorme, fatal cavalo,
encheu-lhe os flancos de armamento4 e
introduziu esse funesto simulacro em Tróia, que lhe abriu as portas; o futuro
relembrará o monstro feito de madeira repleto de pugnazes lanças em seu bojo.
Os bosques consagrados hoje estão desertos e dos sacrários corre apenas
sangue humano. Ao pé do altar do grande Zeus Familiar tombou ferido
mortalmente o velho Príamo. Levam-se aos montes muito ouro e os despojos de
Tróia para as numerosas naus dos gregos. Esperam eles ventos fortes
favoráveis soprando certos pelas popas, pois aspiram |
segunda-feira, 24 de agosto de 2026
1349- Laços Imortais -Os filhos de Augusta (tomo 01)
Frequentei muito o centro espirita na ocasião do nascimento dos meus filhos, ainda na década de sessenta. O centro espirita era ali ao ladinho do antigo Cine Rio. O momento mais esperado era a caridosa imposição das mãos, o que me concedia energia vital e espiritual. Laços Imortais, provou a força canalizadora energética do teatro. Foi como se todos os presentes recebessem um passe, tamanha foi a comoção pelo reencontro das almas que se perderam e se perdoaram na narrativa cheia por sinal, de frases da doutrina kardecista.
O diretor declarou há alguns dias em uma entrevista pública, que pretendia encontrar uma forma de catalogar o Teatro Espirita como Gênero Teatral, o que não concordo. Um Gênero teatral tem características muito próprias e específicas, o que não é o caso aqui. Laços Imortais na verdade, assim como quaisquer montagens de cunho espirita, alimenta-se de vários gêneros e linguagens. Por outro lado, concordo quando Lorenzoni diz que muitos artistas, diretores e produtores torcem o nariz por que consideram o teatro espirita, algo menor. Talvez por ser uma arte direcionada, assim como Paixão de Cristo, Auto de Natal, etc...
O tema da reencarnação foi muito bem desenvolvido, e sempre acaba interessando muito. Hinduísmo, Jainismo e Budismo, são algumas das tantas religiões que pregam esse olhar de vida cíclica. O espiritismo no entanto baseia-se no aspecto tríplice de filosofia, religião e ciência, andando juntas. Ali não há dogmas ou rituais. Por isso mesmo é uma doutrina na qual membros de qualquer religião podem aportar.
Senti falta de no roteiro, muito bem escrito, dos princípios caritativos do Espiritismo. Para o apostolo Paulo de Tarso, a ausência de caridade, é como um sino, que faz barulho, mas está vazio por dentro... Talvez a personagem de Carol Guma, pudesse falar disso na cena, ou mesmo Irmã Joana.
A escolha de elenco foi funcional. Destacando-se Ana Clara Kraemer como a doce irmã de Bentinho. Ravi Dantas, Kleberson Ben e Kléber Lorenzoni, interpretam Bentinho Moraes, um jovem cuja vida é cercada de tristeza e sofrimento, pela forma como seu pai lhe trata. Ravi Dantas, ainda que bastante jovem, tem uma desenvoltura precisa e consegue triangular com o elenco como um ator profissional. O Máschara tem o costume de trabalhar atores para uma postura profissional. Por isso, todos na cena, parecem fazer teatro já há um bom tempo. Renato Casagrande e Kléber Lorenzoni, (Thomáz e Bento) se perdem e voltam a se encontrar na ultima cena. Ou seja, o principio cênico do trágico muito bem colocado: Primeiramente o mundo vivendo em equilíbrio com regras bem organizadas e então acontece o Húbris (desiquilibrio), um personagem comete um ator de orgulho excessivo ou rebeldia. Ele ultrapassa os limites permitidos pelos Deuses ou pelas leis da natureza. O Nêmesis (consequência), acontece o universo precisa punir essa falha. E então acontece a Catarse (reequilíbrio), a ordem do mundo é restaurada.
O Máschara deu vida à soror Joanna de Ângelis, Mártir histórica da Independência do Brasil. Ela foi perfurada por uma baioneta enquanto tentava proteger noviças e perseguidos que estavam ali. Priscila Chiesa interpreta com leveza, e ao mesmo tempo com uma docilidade que merece aplausos. Emocionantes também os encontros entre Augusta e Beatriz e mais tarde entre Bentinho e seu pai, já livre dos obsessores.
Clara Devi e Junior Lemes precisam de uma revisão em suas caracterizações. Iluminação mais pontual e cuidado para não revelar que deve ficar obscurecido. Palmas para as cenas do Umbral, deram um toque muito especial.
Enquanto assistia ao espetáculo, tentava fazer um paralelo, entre a doutrina espirita e o teatro, já que no ultimo há também um mistério: tudo aquilo que acontece em cena desaparece no instante em que termina. A cortina se fecha, as luzes se apagam, o público vai embora e aquela história, exatamente daquela maneira, nunca mais existirá. Pode haver uma segunda apresentação, mas ela já será outra. Outros silêncios, outras respirações, outros erros, outros acertos, outras emoções. Mesmo que o texto seja o mesmo, o teatro jamais se repete. Porque aquilo que transforma um ator em personagem também é passageiro. Durante alguns minutos, alguém deixa de ser quem é para emprestar o corpo, a voz, o olhar e a alma a alguém que só existe naquele espaço. Depois, o personagem desaparece. Recolhe-se para algum lugar invisível, como fazem os sonhos quando acordamos. Talvez seja justamente por isso que me incomode tanto quando vejo uma cena tratada sem respeito. Um ator que não sabe para onde caminhar. Um figurino que denuncia ser apenas uma roupa. Uma música escolhida por acaso, como se qualquer trilha pudesse traduzir uma emoção. Um grito colocado no lugar da verdade. Uma luz medíocre. Pequenos descuidos que, juntos, roubam do teatro aquilo que ele tem de mais precioso: a capacidade de fazer acreditar. Porque o teatro é feito de coisas que não podem ser explicadas inteiramente.
Direção Kléber Lorenzoni
Vencedores Melhores do Ano 2025
Troféu Mascharito - Ana Clara Kraemer
Melhor Ator -Cléber Lorenzoni
Melhor Atriz - Carol Guma
Melhor Ator Coadjuvante - Renato Casagrande
Melhor Atriz Coadjuvante - Julia Das Almas
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
1348 - O Grande Circo Mágico (tomo 19)
Se o público soubesse o que ocorre por trás das cortinas, no tal bastidor. Bastidores, aliás, são sempre tema de curiosidade de quem não é da área. Acreditam possivelmente que ali há algum tipo de perniciosidade, de regalias, de diversão. Na verdade o que há ali, em grande quantidade, é muito estresse, correria, e gente quebrando a cuca, tentando solucionar problemas de última hora. O teatro (seja qual for o espaço, e quase nunca é um teatro de verdade), que recebe o espetáculo, dificilmente está preparado apra todas as questões internas da promoção da arte cênica. Um palco liso, confortável aos pés do artista. Um banheiro com espelhos, privativo ao elenco, onde atrizes e atores possam interagir (maquiar-se, passar texto, etc...) sem serem importunados. Um espaço com urdimento, para pendurar-se maquinários, adereços, e outras tantas possibilidades imaginativas. Banheiros e chuveiros. Araras para que as camareiras do teatro possam cuidar com delicadeza de figurinos e adereços de cena.
O palco é um lugar sagrado, o ato deve ser respeitoso para com atores, atrizes e público. Todos estão ali a serviço de algo grandioso, maior do que todos nós. O teatro nasce de algo intrínseco ao ser humano. Algo que brota de uma necessidade quase inexplicável de revelar aquilo que, muitas vezes, não conseguimos dizer de outra maneira. O teatro nasce desse lugar sensível onde moram nossas inquietações, nossas memórias, nossos medos, nossos sonhos e nossas contradições. Está conectado aos Deuses, e aos que vieram antes de nós. Por isso mesmo, ele deve ser encarado com um profissionalismo, um senso de ética e de responsabilidade. A vida de todos está em jogo quando se estabelece o ato cênico: Público, atores, contra-regras, iluminadores, sonoplastas, produtores, contratantes e público.
Na década de noventa, uma Cia. de teatro paulista, da qual não me recordo o nome, estreou um espetáculo que ficou em cartaz por dois meses, sendo rapidamente tirado de temporada, pois não agradou o público. No entanto, o diretor percebeu que nos "bastidores", em meio a trocas de figurinos, e as escadarias cênicas no cenário de três andares, havia algo que poderia ser interessante. E assim remodelou o espetáculo e por mais de um ano, fez sucesso. Na cidade de Boa Vista do Cadeado, o espetáculo "circo mágico", caso fosse visto pelo outro lado, daria certamente uma adorável peça de teatro. Os dramas, teriam a ver com atrasos, esquecimento de figurinos, improvisações rápidas e perdas de adereços. Todas, situações que poderiam ser contornadas, todas situações que colocam em risco o trabalho do Máschara.
O elenco não estava afinado como nas apresentações anteriores. Palmas para Giovana Santos e Antonia Serquevitio que estiveram inteiras em suas funções. Renato Casagrande e Junior Lemes também foram responsáveis por carregar o espetáculo, no entanto o segundo precisa tomar cuidado apra que sua personagem nãos e torna uma versão semelhante ao outro palhaço. É preciso encontrar os pontos diferentes de cada um, para que haja triangulação. O restante do elenco necessita de mais ensaio, para compreender ritmos, para lembrar das cenas e para auxiliar na energia do espetáculo. O Máschara tem grandes méritos, prende a atenção, chega no público, por sua presença e por detalhes, mas em dias como o da ultima apresentação do circo, infelizmente deixa a desejar. O número árabe funciona, e Roberta Teixeira cresceu muito como Ísis. Ana Kraemer parecia tensa na cena e sua bonequinha não ficou delicada como poderia. Embora Didy FLores conduza bem a narrativa, precisa de mais ensaios para que o jogo com os palhaços cresça. Douglas Maldaner dá vida a um Carlitos que precisa de sutileza. Ou seja, ensaios.
Para encerrar, lembrar que existem três tipos de atores: O que criam, os que repetem e os que cumprem... O Grande Circo Mágico, tentou cumprir com repetições. A historia porém ficou de banda, não foi possível compreender que tratava-se da historia de um casal que se perde pelo circo. Ao final, não compreendemos se Carlitos abandonou e por que abandonou sua amiga. Foi sem dúvidas um bom ensaio.
O Melhor: A garra dos atores e atrizes tentando dar conta de cada detalhe, com poucos ensaios.
O Pior: A falta de ritmo e de uma historia sendo contada.
O Grande Circo Mágico: Autores Cléber Lorenzoni, Fabio Novello
Elenco:Didy Flores - (**)
Renato Casagrande (***)
Junior Lemes (**)
Clara Devi (*)
Douglas MAldaner (*)
Antonia Serquevitio (**)
Ana Clara Kraemer (*)
Cléber Lorenzoni - (**)
Roberta Teixeira (**)
GIovana Lopes (***)
Kleberson Ben (**)
Contra-regras: Priscila Chiesa
Valentina Lemes
Felipe Brandão
Operadora de Som: Carol Guma
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
terça-feira, 4 de agosto de 2026
COARTE O4 - Quintanares (tomo 01) -
Uma historia simples, mas bem contada, essa é a busca que admiro em grandes atores. Estreou na última quinta feira, um espetáculo simples, porém complexo, preparado em poucas semanas, o que seria de se surpreender se não fosse o fato de sua direção vir do já reconhecido diretor do Grupo Máschara. O mesmo que em 2002, dirigiu MacBeth e Shakespeare, em uma semana. O elenco no entanto, agora, é de terras longínquas. Me refiro ao doce espetáculo Quintanares, um espetáculo não de poesias, mas a partir de poesias. Um espetáculo não sobre Quintana, mas a partir dele. Há quem implique, eu sei, por que enxerga como única possibilidade, a energia de um sarau. Saraus, partem de páginas em branco, onde o ouvinte cria a narrativa para o poema. Em Quintanares, os atores trazem narrativas atreladas aos poemas. O que os torna mais claros e interessantes.
O elenco é formado por seis atores, durante toda a peça, os vemos trocando de roupas, ou fazendo uso de adereços que saem de malas espalhadas pelo fundo do palco. Embora saibamos muitas vezes o que está por vir, o espaço é tão bem delimitado, que preferimos curtir o que está acontecendo ali, quase no proscênio. A equipe muito coesa, apresenta uma sonoridade perfeita ao texto, e cria tipos e personalidades interessantes a todas as faixas etárias. Lorenzoni poderia ter feito um desfile de técnicas, visando nos surpreender, no entanto elas estão mascaradas e são usadas como escada, não como simples exibicionismo.
A historia dentro da historia, contada por uma trupe de viajantes, acaba fazendo uma homenagem a herança mambembe que tanto toca quanto instiga. Quem são, de onde vem? São perguntas que perambulam na mente da plateia durante os quase cinquenta minutos do espetáculo. Lírico e cômico caminham juntos, lado a lado. Prova disso são os risos e lágrimas advindos do público. Méritos de um trabalho delicado de preparação, que discutiu poesia e perpassou lá pelos tempos da Commedia Dell Art. Não há um só detalhe que não esteja bem acabado, que esteja fora do lugar, ou que não expresse formalmente o profundo cuidado e respeito que a jovem Cia. tem para com seu público. A maquiagem assinada por Clara Devi e o figurino de Renato Casagrande parecem se conectar perfeitamente com os adereços que levam principalmente os nomes de Tina Santos e Rosiane Morais.
Os atores da COARTE, antes ancorados por artistas do Máschara nos projetos Paixão de Cristo e Auto de Natal, começam a dar os primeiros passos independentes e produzem atuações muito criativas e funcionais. Destaque para a construção animalesca para o segundo ato do espetáculo e a forma como se pronunciaram as poesias. Algo difícil para a cena em atores ainda jovens no palco. Veja bem, eu sou eterna admiradora do trabalho do Máschara, mas fico orgulhosa de ver o espaço que o novo grupo do Alegrete vem criando. "Co-irmãos, ou afilhados", como diz Lorenzoni.
Penso que Quintanares, elevou o teatro feito no Alegrete, convidando o público a exigir mais de sua reflexão sobre o que é teatro, e até onde ele pode ir. Não há destaques já que o elenco esteve coeso, harmonioso. Palmas para as escolhas para cada papel. Aquilo que se viu em cena, foi reflexo de vários desafios vencidos. Foi a prova de que se pode fazer grandes coisas quando as pessoas se unem em um mesmo propósito.
Como mensagem aos atores e atrizes de Alegrete, quero pedir que nunca esqueçam da semiótica, que tenho certeza que lhes é instigada a todo tempo pelo diretor: na teoria de Pierce, "tudo o que há no mundo real é mundo!" e não há nada que não seja interpretante. No momento em que compro um livro e olho para ele na bolsa indo comigo para casa, ele já não é mais o mesmo livro que vi na estante da livraria. Meu olhar já o transformou, o recodificou com todos os símbolos que há em minha mente. Por isso, os atores já não são os mesmos... Os outrora papelões não são mais papelões... As malas que se tornaram malas decoradas até a quarta que antecedia o espetáculo, agora já não são mais malas, já se tornaram artefatos de uma estranha civilização que se veste com roupas codificadas por trechos de poesias e pronuncia sonetos.
Nessa mesma regra da semiótica, é preciso rever a presença cênica de Didi Araujo, embora muito talentoso, sua presença precisa conversar com o restante do espetáculo. Lully e Andrielle ainda podem aparecer mais, ousar mais. O jogo entre Pontualdo e Sonetina também pode render ainda mais.
Quintanares é um recém nascido, mas já nasceu muito grande, precisa voar e levar o propósito maior que carrega em si à todos os palcos.
Quintanares o Menino Pássaro
Direção e Dramaturgia - Kléber Lorenzoni
Texto - Renato Casagrande
Elenco: Maico Carricio (Pontualdo), Rosiane Morais (Dona
Prefácia) Paulo Amaral (Poesino) Andrielle Dallagnol (Sonetina), Fabiane Torrens (Criatividade), Luli Nicoli (Virgulina)














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