domingo, 29 de novembro de 2015

O Santo e a Porca (tomo 10) 727

                          O teatro é um lugar sagrado, um templo. As pessoas vão ao teatro buscar algo, assim como vão a igreja, mas as pessoas tem ido pouco a igreja... O teatro não é como o cinema, o cinema quer divertir, o teatro deve questionar, chocar! O teatro não é como ir ao futebol, o futebol é para relaxar, berrar, torcer, far tapinhas nos ombros dos amigos, e beber e esquecer a vida... O teatro é para provocar impressões. É para se assistir concentrado. Mas muita gente inda não sabe o que é teatro, muita gente não quer ir ao teatro.
                             Os atores não devem se afligir tanto, se o público não quer teatro, o azar é deles.  Mas o teatro precisa ser feito e precisa estar de acordo com o mundo ao seu redor. Deem um tempo, reflitam, esperem o universo dar o caminho. Apoiem-se. Mas não desistam. O trabalho que assisti ontem estava repleto de falhas técnicas, no entanto o jogo, o "timing", estava soberbo. Foi delicioso ver cada cena, mesmo as que caíram um pouco. 
                               Cléber Lorenzoni fechou a curva de forma perfeita. e os coadjuvantes colaboraram e muito para tanto. Deveria haver mais ensaios. Entre algumas réplicas, percebeu-se uma dispersão do atores, uma certa insegurança. 
                                Evaldo Goulart estava muito desconcentrado e Ricardo Fenner podia estar mais triangular. Dulce Jorge trouxe sua divertida Caroba, mas em alguns momentos também parecia dispersa. Alessandra Souza pode mergulhar ainda mais fundo em sua Margarida, esparramar-se na trama. Falta algumas vezes, mais embrolhos, mais gente espionando, mais confusão. Aquele ritmo que o Máschara conseguia dar à Tartufo (2001). Renato Casagrande se adapta rápido e soluciona pequenos problemas com muita tarimba. 
                                    Mas de que realmente fala O Santo e a Porca? Fé? Sinto falta de fé em cena. Fé no público, fé no teatro. E ainda fé em cena. O Santo em cena não é utilizado quase nunca. Será que Tia Benona não se ajoelharia para pedir ao Santo um bom casamento? Será que a menina Margarida não estaria sempre rezando. Será que Caroba não falaria mais com o Santo? O próprio Euricão Árabe deveria realçar mais essa fé. Caso contrário quem sai ganhando é a porca que da uma lição em Eurico, mas quem deve dar essa lição é sua própria fé ligada ao Santo. 
                                          A trilha sonora pode ser melhor executada e ouvi silêncios onde deveria ter ouvido musicas... Gabriel Giacomini pode se dedicar mais. 
                                        O interessante é o quanto a historia vai nos envolvendo. As maquinações de Caroba e das personagens mais ativas da casa. Caroba, Margarida e Dodó são a força motriz que representa de certa forma o bem. Benona é estagnada demais para fazer qualquer coisa. Eudoro é truculento e pensa apenas em si próprio. A historia realmente toma jeito apenas quando Caroba desafia os princípios éticos e pega para si algo que não lhe pertence. Mas Eurico não é um vilão, É uma vitima da estranha organização da natureza representada pelo Santo. Talvez a divindade tenha se ofendido pelo amor maior de Eurico pela porca. Mas talvez cada um de nós seja um pouco da divindade e aí Eurico seja traído por si mesmo, pelo seu lado bom que tenta pregar-lhe uma lição e assim melhorá-lo. Eurico termina sozinho e mereço, é o preço que se paga por ter passado a vida inteira dando mais valor aos bens materiais. 
                                       O Santo e a Porca está cheio de lições, mas a maior lição a ser dada é a de que o teatro vai continuar, ainda que haja uma única pessoa interessada. 
                                      Para a próxima incursão, aconselho a realçarem que Eurico é sonâmbulo, dar mais importância a fé no espetáculo e principalmente não haver álcool nos camarins. 


Dulce  Jorge (*)
Cléber Lorenzoni (***)
Alessandra Souza (**)
Renato Casagrande (***)
Ricardo Fenner (**)
Gabriel Giacomini (*)
Evaldo Goulart (*)
Fernanda Peres (**)
Fabio Novello (**)


                                                                        A Rainha
                                   
                             

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Zah Zuuu - Ultima inserção na Matinê do Máschara

                      As coisas acontecem quando as pessoas remangam as mangas e fazem algo juntas. Zah Zuuu não lotou a sala de espetáculos adaptada, e nem mesmo parece ter agradado muito. Mas satisfez o elenco e isso em uma luta tão árdua pelo teatro, é luz dentro de uma casa. Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande desafiaram-se e criaram um libelo ao prazer em fazer teatro. O ator deve ter prazer naquilo que faz. Mas nunca deve parar ou estagnar. Faltou a Zah Zuuu a perfeição técnica, a entrega desmedida, o desafio de equipe.
                        Renato Casagrande precisa de mais ensaios, até para formalizar cada marca e cada improviso. Mas não precisa ficar tão nervoso, pois possui um talento nato para o contato com o público. Cléber consegue salvar várias piadas e isso é muito importante. O Ator não pode se deixar desmotivar se uma cena ou piada não funciona. Precisa pelo contrário, respirar fundo e estar pronto para com o apoio do elan, salvar uma cena, recomeçar no parâmetro da energia. 
                         Zah Zuuu passa voando, sinal de que não possui barrigas, é rápido, ágil e leve. A mensagem passada é principalmente a da diversão e ainda a da paciência, não leve a vida tão estressadamente. 
                            Os balões na cena final de Zah Zuuu surpreendem, causam definitivamente um agradável efeito. É engraçado que sempre tive um pé atrás com palhaços, Durante a encenação no entanto, vai ficando clara a tênue linha entre palhaço e clown. O clown possui uma existência muito própria, muito vivaz e sarcástica no bom sentido.  A gag da almofada é a da porta, funcionam muito bem. A cena da mamadeira precisa ser melhor resolvida. E o final não foi preciso como deveria. Mas a humildade e a delicadeza do tema tocam a adultos e crianças. 
                                Ser bons atores, essa é a busca, penso eu, de um grupo tão tradicional. As vezes tradicional demais. Mas nessa caminhada, humildade e generosidade devem ser constantes. Pendurar um holofote, ou instalar um aparelho de som não torna ninguém melhor que ninguém. É útil, necessário e valorizado, mas é apenas trabalho. As vezes alguns artistas se enchem de orgulho por aquilo que sabem fazer, mas esquecem que desde que o mundo é mundo, as pessoas são substituíveis. 
                                 O Grupo Máschara vem fazendo teatro bom há 23 anos, não foi o orgulho, a prepotência e a arrogância que o trouxeram até aqui.


A Rainha


Cléber Lorenzoni (**)
Renato Casagrande (*)
Alessandra Souza (**)
Evaldo Goulart (**)
Ricardo Fenner (**)
Douglas Maldaner (**)
Gabriel Araujo (*)

                          

O Incidente em Carlos Barbosa


Papai Noel e seus ajudantes do Máschara


terça-feira, 17 de novembro de 2015

Zah Zuuu (tomo 3) -725

             Constantemente me questiono quanto à importância da versatilidade de um ator. Surgem logicamente muitos atores que facilmente interpretam um bom papel, mas que nunca mais são vistos em nada. Não conseguem vestir outra roupagem. Possivelmente só tinham um pequeno punhado de coisas a serem ditas ao mundo, e essas coisas foram ditas nesse único papel. Constantemente artistas se afastam das companhias , deixando um vazio em seus ex-colegas e parecem ter exagerado em seu dito apego ao teatro. Para alguns o teatro é a solução para uma sede, um vazio imediato. Para outros o teatro é acompanhante para a vida inteira.
                   No Máschara dois grandes momentos me emocionaram muito, um deles foi a construção do espetáculo As Balzaquianas, o outro é a concepção de Zah Zuuu. Existem certamente várias formas de se conceber um espetáculo, mas prefiro os que surgem de verdades próprias,  os que em um primeiro momento parecem ideias descabidas. Esses não surgem com planos de agradar ninguém, eles refletem a vontade do artista comunicar-se, nascem do mais profundo do ser humano. Natural portanto terem surgido dos atores de status mais alto. Por que? Por que o teatro é uma caminhada. Uma caminhada de amadurecimento, de convívio, de compreensão ética e estética. 
                      Atualmente no Grupo Máschara, o elenco está se dividindo em dois grupos, o primeiro formado por um grupo que possui um conhecimento razoável, outro por um grupo que tem bastante dificuldade e parece esperar que o conhecimento caia do céu. O problema causado por isso é óbvio e prejudicialíssimo; os atores que detém o conhecimento não possuem muita paciência para passá-lo a diante, os que estão no segundo grupo, não sabem como adquiri-lo. Assim sendo, cada um continua em seu mundinho e o grande prazer do teatro, que é a troca, não acontece. 
                         Em Zah Zuuu, percebe-se a pouca evolução, e o pouco interesse em evoluir, por parte da equipe técnica. A trilha sonora depois de três domingos continua problemática. A contra-regragem deveria ser mais precisa, perfeita, pois um jovem ator que executa com perfeição uma contra-regragem será logicamente um ator melhor, adiante em sua carreira. Zah Zuuu não possui iluminador certo e aliás o Máschara possui pessoas demais "quebrando galhos". Isso gera incerteza, e desorganização. E a equipe não cresce. Meu conselho? Encerrar 2015 com todos os espetáculos e escolher para 2016 dois grandes trabalhos unicamente. Com equipes fechada. Se durante esse período alguém desistir, acabar com o projeto e recomeçar com novo projeto. 
                           Outro ponto a ser comentado é a importância da Matinê do Máschara, ela é como um curso, uma profissionalização que se faz durante um mês. Lili Inventa o Mundo por exemplo (apresentada no mês de julho), foi evoluindo de tal forma que na sua ultima apresentação alcançou uma deliciosa plenitude interpretativa. Na sequencia ocorreu o mesmo com os outros espetáculos. Zah Zuuu tem evoluído a cada domingo e que sucesso não alcançaria por exemplo Olhai os Lírios do Campo se tivesse quatro oportunidades de ser apresentado em um mesmo mês. Por isso a Matinê do Máschara não pode acabar. 
                        Zah Zuuu é uma das melhora ideias do Máschara, só não é um dos melhores espetáculos do Máschara, por que a equipe tem levado Zah Zuuu sem a seriedade merecida.


Cléber Lorenzoni (**)
Renato Casagrande (**)
Alessandra Souza (*)
Evaldo Goulart (*)
Douglas Maldaner (**)
Gabriel Giacomini (**)

                                      A Rainha
                           
                           

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Zah Zuuu, a construção que deu certo

                     Para o público leigo, um palhaço é só um palhaço, e realmente algumas crianças e adultos vão para casa pensando: "Nossa, que monte de bobagens". Afinal de contas o âmago da técnica é exatamente a extrema e genuína busca do que há de mais simples e puro no interior de cada interprete. Aliás, eu diria que clown não é interpretação, clown é vivência. Algumas noções de triangulação, ou até bases advindas de Stanislavski, estão presentes, mas não são elas que comandam a ação. O Clown surge do despojo e da aceitação em ser ridículo, em permitir-se cair, soltar pum, tropeçar e etc... Quantos atores permitem-se a isso? Principalmente no inicio de sua carreira.
                           Fazer clown é um exercício que todo ator deveria vivenciar. O ator é um antes e outro depois, do clown. Mas não confunda, não será qualquer ator que conseguirá fazer um clown.  Cada um de nós é um universo em si próprio. E no palco ao ver os dois atores que carregam Rahri e Babah -3-, sinto uma certa melancolia, o que aconteceu? Onde estão todos os outros talentosos atores do Máschara? Renato e Cléber contam uma historia simples, mal acabada, mas bem bolada. Os detalhes são muitos e o riso ainda pode crescer muito. Mas esse clown está sendo posto a serviço da Cia.? Como se chegou a eles? 
                               Acredito muito em fases, em momentos. Cada espetáculo de um grupo não surge ao acaso, mas para preencher determinadas lacunas, ele é reflexo de um estado de espirito que em efeito dominó toma conta de toda a equipe. Energias. Climas. 
                               Zah Zuuu fala de convívio, convívio humano que se torna cênico. Não é a toa que Renato Casagrande é ator de primeiro escalão do Máschara, sua criatividade e jogo com o partner da vez, é perfeito. Em cena pai e filho, ou irmãos? Ou um casal? Essa pergunta tendenciosa me assombra durante todo o espetáculo, e a resposta? Bom, o espetáculo fala de convivência. Fala de amor. Apesar de tudo, ao fim do dia, alguém estará lá para te dar um colo. 
                             Em cena um quarto de menino, sexista ao extremo, o que me incomoda, mas ajuda de forma "tendenciosa", a acreditarmos que se trata de um menino. Ou um "bebê", como disse uma criança da platéia.  As gags pai e filho funcionam e muito, e poderiam ir mais longe, o espetáculo passa voando, poderia ter mais cenas, mais acontecimentos que certamente vão surgir com o tempo, é preciso portanto estar sempre coma  mente aberta. Não se permitir o gessamento.
                             Renato Casagrande tem uma máschara maravilhosa, que lembra muito a bufanaria, claro que o clown é uma versão evoluída do bufo, por isso mesmo o ator pode trazer muito mais para a cena. O Clown é a pedra lapidada, o bufo é seu estado bruto. Tanto o Clown quanto o bufo, tem uma forma peculiar de ver o mundo e essa forma está muito presente em Lorenzoni-3-, que a leva para o palco. Isso aparece muito em seu físico e também no colega de cena, ambos tem uma pequena curvatura espinhal, o que se dá por que o clown tem suas reações e posicionamentos afetivos e emotivos, corporificados em partes precisas do corpo. 
                            A iluminação de Zah Zuuu é muito mais pontual que a de qualquer outro espetáculo infantil apresentado na "Matinê do Máschara", no entanto é triste ver a criatividade castrada pela ausência de um espaço apropriado. A trilha Sonora-1- é pessimamente operada, muito alta, com ruídos confusos que apenas sublinham. Um espetáculo tão singelo deveria ter uma trilha exclusiva e os sons todos pesquisados em instrumentos de percussão, a serem operados por um bom contra-regra-2-. Enfim, Zah Zuuu é uma pérola, não deve ser escamoteada pela falta de boa vontade de uma equipe, onde as vezes os orgulhos se sobressaem, onde as vezes parece haver uma tentativa de concorrência, quando o que deveria haver deveria ser um companheirismo. Uma boa companhia teatral se constrói com entrega, com união, tolerância e apoio. Ou o teatro ficará em segundo plano.
                              


A Rainha


                                    
                                 

sábado, 7 de novembro de 2015

Zah Zuuu


Atores do Máschara em feira das profissões


elenco de thriller


Cléber Lorenzoni como Mario Quintana


Grupo Máschara na Feira das profissões


O Casal direto do passado


Mais quatro domingos


Babah e Rahri com uma das pequenas fãs do Máschara


Performance do grupo Máschara na visitação dos prédios históricos de Cruz ALta/RS


terça-feira, 3 de novembro de 2015

O Santo e a Porca, um dos grandes sucessos do Máschara


Fiasco em Cruz Alta


Zah Zuuu - mais uma estréia do Máschara

                 Um espetáculo pode surgir de uma poesia, de um livro, de um sonho, de uma coreografia, de uma reportagem de jornal, e logicamente de um texto teatral. Afinal um espetáculo é acima de tudo uma historia sendo contada. As vezes uma historia parece ter sido bem contada, mas o público vai embora e não leva nada. As vezes os atores se equivocam em cena, mas sem querer contam uma historia. O importante é o ator sempre saber que está contando uma historia e acima de tudo, promovendo uma reflexão.
                  O Máschara segue com dois desafios, fazer teatro e despertar no público o interesse pelo palco. Em meio a esse desafio surge Zah Zuuu, oitava montagem infantil do Máschara. Em cena os já conhecidos Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande vivem Rahri e Babah respectivamente. Um espetáculo delicioso e delicado. Zah Zuuu tem tudo para dar errado, mas não dá. Tudo para dar errado por que o local não é próprio para fazer o espetáculo, o cenário da porta está desnivelado, são muitos adereços, os pontos de luz não são o suficiente, etc... Mas você ri, se diverte com as confusões impostas pelos dois personagens.
                     Zah Zuuu narra a historia de Rahri, um clown que não consegue ir a escola por causa da chuva, quando Babah (suponho ser seu pai), chega em casa, ambos brincam com coisas do cotidiano e a relação pai e filho se  mostra extremamente singela.
                       Em cena o pai irritado que não quer brincar, o filho que não quer limpar o quarto, o pai que se deixa virar gato e sapato para agradar o filho pequeno e assim por diante. Como em todos os espetáculos que levam assinatura de Cléber Lorenzoni, há no final uma cena extremamente simbólica e que nos propõe um clima avesso ao do restante o espetáculo e funciona, embora possa ser melhor reproduzida. Funciona por que o clima de união entre Pai/Babah e filho/Rahri se estabelece de forma que a solidão do filho no final nos incomoda.
                         Um espetáculo de clown é algo que me toca muito, pois você não consegue fingir, forjar uma interpretação em clown, ou você é ou você não é. Cléber Lorenzoni traz consigo uma vivencia de 20 anos no palco e Renato Casagrande traz a vivência das animações que fez em lojas e festas. Juntos compõe duas ótimas criaturas. Vestir a máschara do clown com a dignidade merecida, significa ter vivenciado um processo particular, difícil e doloroso. Um Clown não é simplesmente um palhaço. Um clown possui uma identidade única, em qualquer espetáculo de clown que esses dois atores fizerem no futuro, encontraremos traços de Babah e Rahri. O Clown passa a fazer parte de uma familia. Quando olha nos olhos de outro, o clown encontra algo que também lhe pertence, que os une, que constitui uma cultura comum entre eles e que somente outro clown sabe o que é. Segundo Otávio Burnier, é como se fosse uma família. Esses Clowns que nascem em um grupo, em uma mesma iniciação, são primos, sobrinhos, tios de outros que vem de outras companhias, etc... Irmãos nesse olhar diferenciado da vida, repleto de ingenuidade.
                            O cenário de Zah Zuuu também assinado por Renato Casagrande e Cléber Lorenzoni traz um quarto de menino estilizado. E a unidade perpassa todo o espetáculo, aconselho apenas a solucionarem a porta desnivelada que quase mete os atores em apuros. Mas também é importante mencionar que um espetáculo de clown é algo tão vivo que pode começar com uma proposta e virar outra coisa...Aconselharia também a optarem pela sonoplastia viva, a trilha eletronica fica gessada e força os atores a trilharem caminhos que fogem da proposta.
                           Renato Casagrande possui um instinto para clown muito cheio de time, e isso preenche vazios que Cléber Lorenzoni pode buscar mais. No entanto a intimidade dos atores em cena quase nos convence de um vínculo parental na vida real.
                                Zah Zuuu chega depois de três anos desde a ultima montagem do Máschara e revela uma triste realidade. Quando o Máschara montou em 1997, Bulunga o Rei Azul, havia no elenco dez atores e ainda um pequeno coral. Em 1999, quando estreou a peça O Conto da Carrocinha, em cena, elencou sete atores. Feriadão de 2002 contou com dez outra vez; 2005 trouxe Lili Inventa o Mundo com seis, e O Castelo Encantado 2006, com seis outra vez. Os Saltimbancos de 2012 tinha quatro atores no elenco e agora Zah Zuuu conta com dois. Isso significa que o interesse pelo teatro diminuiu, que a escassez de atores aumentou. Mas o Máschara continua lutando e importante é que o teatro não pare.
                           Uma pergunta que continua me intrigando. Zah Zuuu com dois atores é uma escolha ou uma necessidade?
                           


Cléber Lorenzoni (**)
Renato Casagrande (***)
Evaldo Goulart (**)
Douglas Maldaner (*)
Alessandra Souza (**)
Fabio Novello (**)


                                      A Rainha







segunda-feira, 2 de novembro de 2015