quinta-feira, 30 de junho de 2016

Palco pronto em Colégio Santíssima Trindade


Selfie com o público de O santo e a Porca


Esconderijos do Tempo em Ijui na UNIJUI


O Santo e a Porca 740 (tomo 11)

Teatro na escola cumprindo sua função


                           Quando me sento para assistir um espetáculo teatral, o que mais me atrai é a pesquisa antropológica, a compreensão do homem por parte do homem. É o grau de compreensão e espelhamento de uma determinada cultura, quando não se está compondo um novo homem, por exemplo em situações em que a peça não quer retratar o ser humano em sua realidade e sim uma paradoxal visão de uma outra criatura talvez utópica. 
                         O nordestino é um ser sofrido em sua maioria, mas de certa forma, aprendeu rapidamente a luta diária, a sabedoria matuta. Ariano Suassuna em sua perspicácia compreensão do povo sofrido do nordeste, nos dá um texto longo, divertidíssimo e as vezes enrolado demasiadamente. Eu já havia assistido O Santo e a Porca do Máschara algumas vezes, no entanto essa foi a versão mais facilitada do espetáculo. Havia no texto original três linhas: O sumiço da porca, o plano de Caroba, e o relacionamento entre Pinhão e a criada. Cléber começou extirpando  a existência de Pinhão. Agora reduziu a trama do roubo da porca e ainda simplificou todo o plano em relação aos casórios. Ótimo, teatro não deve nem pode ser enrolado. Em uma época que é tão difícil segurar ou atrair as plateias, levando em conta todas as opções que as atraem para outras paragens, uma Cia. precisa saber exatamente o que quer levar ao público. 
                                 O texto teatral é a historia contada pelo dramaturgo dentro de sua visão cognitiva de mundo. Já o espetáculo é a percepção de um diretor sobre aquilo que ele quer contar ao mundo através daquele texto escolhido. 
                                  Claro que não se espera muito no quesito plastica quando um espetáculo precisa ser podado de tantas formas para caber em um espaço adaptado dentro de uma escola. Mas o Máschara consegue manter boa parte de sua intenção durante suas incursões escolares. 
                                   Cléber Lorenzoni dominou a platéia como um bom condutor que é. Abriu espaço para que os colegas se esparramassem. Seu Eurico, talvez por seu  apelo truculento e ranzinza consegue espaço entre os alunos. Diverte ver alguém tão convicto de seu poder sendo enganado por todos a sua volta, principalmente se é alguém prepotente e intransigente. 
                                  Em O Santo e a Porca, os princípios são um pouco manchados em prol de um bem maior. Ao final, no momento da catarse tu te questionas se Eurico não está certo quando diz: Por que vou morar com uma família onde todos mentem para mim? No entanto foi o próprio Eurico que levou a família a mentir. Certo? Errado! Foi Caroba quem meteu os pés pelas mãos. Foi sua ingenuidade que criou grande parte dos enganos da trama. Ao mesmo tempo, a falta de olhar para o outro, para seu próximo é que repercutiu em lição pesada contra seu Eurico. 
                                      Alessandra Souza traz a cena uma margarida muito mais interessante do que da ultima vez que vi. Margarida é uma personagem intrincada, não da para ser mocinha no meio do sertão com a mesma visão de uma mocinha em Molière por exemplo. Aliás todo o elenco esteve muito bem, tanto os altos cômicos quanto os baixos. Talvez Evaldo e Ricardo precisem de mais jogo quando estão juntos em cena. Ricardo Fenner tem surpreendido muito com seu crescimento em cena. Isso se nota em Olhai os Lírios e em O Santo ficou ainda mais nítido. Fenner apenas me confundiu quando saiu pelo lado errado após conversar com Caroba. Deveria ir para o hotel de seu Dadá para voltar mais tarde, no entanto entrou para dentro da casa...
                                      Dulce Jorge se desfigura em cena, as vezes parece um pouco confusa, mas é só impressão, pois passei com muita propriedade pela casa do velho Eurico Árabe e seu jogo com Renato Casagrande denota a intimidade dos atores que reflete uma ótima parceria em cena.
                                         A função do teatro se cumpre envolvendo os jovens e reflete-se na explosão de aplausos na boca de cena. Todo o jovem deve entrar em contato com a arte e de forma facilitada e acessível o Máschara continua oferecendo isso.

Momentos a serem lembrados: 
   - A agradável conversa entre Cléber Lorenzoni e a Irmã Wanda Fronza.
    - A visita da colega e atriz Raquel Arygoni com seus pequenos

                        

O Santo e a Porca de Ariano Suassuna
Direção : Cléber Lorenzoni
Elenco: Cléber Lorenzoni (***), Dulce Jorge(***), Renato Casagrande(**), Alessandra Souza(**), Evaldo Goulart(**) e Ricardo Fenner(**)
Trilha Sonora: Cléber Lorenzoni e Gabriel Giacomini(**)
Cenário: O Grupo
Iluminação: Cléber Lorenzoni
Figurinos: Dulce Jorge, Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande
Contra-Regragem: Renato Casagrande
Interpretes Substituídos: Gabriel Wink, Angelica Ertel e Luis Fernando Lara
Data de Estreia: 18 de Agosto de 2012


Arte é Vida


                          A Rainha






                             

Elenco de o Santo e a Porca nos bastidores de apresentação no colégio Santíssima Trindade


Platéia da IXª Edição do Complexo de elecktra


quarta-feira, 29 de junho de 2016

Em artigo, músico e escritor reflete sobre o papel e a imagem dos artistas em um momento de crise política no Brasil

A história é mais ou menos assim: Mark Twain, o escritor norte-americano, estava sentado na varanda de sua casa quando passou um vizinho e perguntou "Descansando, vizinho?", ao que ele respondeu "Não, trabalhando". Outro dia o mesmo vizinho o viu cortando a grama do jardim e perguntou "Trabalhando, vizinho?", e Twain respondeu "Não, descansando".
Lembrei dessa historinha para exemplificar a ideia de que o trabalho e o descanso do artista não se parecem com os das demais profissões. Para o senso comum, "artista" nem mesmo parece ser profissão. Para que serve o artista afinal? O sistema não tem, a priori, um lugar para ele. O pintor francês Paul Gauguin trocou uma profissão "de respeito" e rentável para se tornar um pintor destinado a viver e morrer na pobreza e sem reconhecimento. Que julgamento esperar dos contemporâneos de Gauguin senão o de que ele havia enlouquecido, que era um misantropo, um inadaptado?

A sociedade está sempre pronta para receber os engenheiros, os médicos ou os advogados, nunca os artistas. Se um médico pendurar seu diploma em uma parede, entrar e sair rotineiramente pela porta de um consultório em que estiver afixada uma placa com seu nome e especialidade, ninguém dirá que ele não é um médico, seja ele bom ou mau profissional. Para o artista, um diploma e uma porta com seu nome nunca serão o suficiente. Seu reconhecimento dependerá sempre de critérios subjetivos. O que ele faz é artístico? O que é arte afinal? O próprio artista pode passar a vida fazendo-se essas perguntas. O dilema começa cedo. Ninguém pode dizer a uma criança ou a um adolescente se ele é ou será um artista. O artista só ouve a própria voz. Nos tornamos aquilo que somos, disse outro escritor. Mas que difícil é escutar a própria voz, dizer para si mesmo: sou um artista, serei um artista.
Em minha casa estimulamos muito nossos filhos a seguirem o caminho da arte caso se sentissem vocacionados para tal. Para a nossa alegria e a deles, Ian eIsabel são hoje artistas que muito nos orgulham. Mas sei que na maioria das famílias os pais tremem diante do projeto ou da decisão dos filhos adolescentes de quererem seguir esse caminho. O medo dos pais talvez se origine da percepção de que os jovens não têm experiência de vida suficiente para medir os riscos de uma escolha profissional equivocada ou de difícil trajetória – sem falar que, para muitos, escolher a arte significa simplesmente abrir mão de ter uma profissão "de verdade".
A difícil trajetória para um artista pode ser consequência do valor intrínseco do que ele produz, mas pode também, e talvez principalmente, resultar da dificuldade de inserção num sistema em que a arte é menos necessária que supérflua – daí a importância, para todas as sociedades, da existência de instituições culturais sólidas, aquelas que ambicionam dar à arte seu devido e digno lugar no sistema. Mesmo atuando num contexto adverso, o artista pode ser tido em alta estima. Mas é mais comum que enfrente preconceitos de toda ordem. É moeda corrente que seja taxado como vagabundo, boêmio, preguiçoso e/ou desregrado, por exemplo.
Particularmente considero da maior importância a vagabundagem, a boemia, a preguiça e o desregramento para o fazer artístico. Mas sei que um só desses adjetivos poderia destruir a reputação dos profissionais "respeitáveis" das profissões, digamos, convencionais. O artista paga alto preço por levar uma vida não convencional. Além disso, como para as pessoas em geral a arte está ligada aos momentos de entretenimento, prazer ou mesmo de descanso – aos momentos em que saem da "rotina" –, impõe-se a ideia de que o artista vive só nesses, por esses e desses momentos de lazer, que sua vida é uma festa permanente. Pouco se sabe do fazer artístico, do quão difícil e complexo ele pode ser, de quanta transpiração existe para cada inspiração. Quem não conhece a fábula da cigarra e da formiga?
Por mais que pensemos em culturas diferentes, em países em que a arte seja mais ou menos valorizada, nos EUA de Twain, na França de Gauguin, no Brasil de Noel Rosa – aquele boêmio incorrigível que, tendo vivido apenas 26 anos, criou uma obra genial com potência suficiente para moldar nossa identidade nacional –, não acredito que o papel do artista na sociedade mude muito de um lugar para o outro. No caso do Brasil atual, a dita demonização dos artistas me parece pontual, diz respeito à política. As pessoas estão demonizando umas às outras de um modo que acena com a barbárie, com a falência de um projeto democrático para o país. Por que os artistas seriam poupados dessa insanidade se, em sua maioria, eles se situam no espectro político mais à esquerda, justamente o que agora está sendo julgado?
Mas estou seguro de que aqueles que hoje insultam um Chico Buarque ou um obscuro grupo de teatro de vanguarda sabem, no fundo, que o trabalho desses artistas é da maior importância; sabem que, produzindo cada um a seu modo e com liberdade, eles são fundamentais para a nossa constituição como nação. Uso a expressão "no fundo" de propósito. Talvez o foco agora devesse estar no fundo, talvez precisássemos ir fundo nisso tudo. Que tal irmos e sairmos de lá compartilhando a mais legítima alegria cidadã?

terça-feira, 28 de junho de 2016

A entrevistadora do programa Sala de Estar da Unicruz TV - Luciane Dall Soto - uma das grandes apoiadoras de nosso trabalho


Esconderijos do Tempo no Salão de Atos da UNIJUI


Grupo Máschara em performance 833 no ctg Toríbio Verisssimo


IXª edição do Complexo de Elecktra - 739

                    
Não da para exigir reações...ou da para exigir as reações...?



               Quando falamos em adaptação, muitas vezes pensamos o seguinte: determinada pessoa pegou um texto, foi extirpando trechos e o que sobrou, ou o que conseguiu manter, jogou sobre o palco. Não, definitivamente esta é uma visão equivocada do trabalho de adaptação de um dramaturgo. Sim, chamo-o assim, pois o adaptador precisa ter um extensa noção de carpintaria teatral, boas noções de direção, compreensão de curva dramática, e etc...
                  Na adaptação feita por Ivo Bender a partir  de Eurípides, o autor pretendia falar de algo, algo que não é o que o Máschara pretende falar. Em Bender faz-se alusão a grande enchente de 1941, à colônia alemã. Cléber mantém parte disso, no entanto, traz ao pico o tema do complexo e para isso, faz uso de cenas bastante fortes.  Lorenzoni, influenciado pelo contemporâneo a sua volta, faz a  obra caminhar meio como Eugene O’Neill em sua Mourning Becomes Electra. Vê-se nessa histérica Electra um olhar froidiano que felizmente não há nas tragédias gregas, logicamente. O tema universal continua presente, a justiça, no entanto o olhar sobre a vingança mudou. Os gregos de uma Atenas repleta de atos tão bárbaros, aceitavam a vingança, o que acrescia à Electra uma certa razão. O’Neill segue os passos de Eurípides, distanciando-se da religiosidade e da força do divino, enquanto Lorenzoni e Bender seguem pelo olhar de Sófocles. A grandeza é enfraquecida por O’Neill em sua Lavínia, já que ali a heroína não é mais filha de um rei. Em Sófocles todas as personagens pertencem a uma grande dinastia famosa. Agamêmnon é o rei, sua esposa Clitemnestra é a rainha, e os príncipes de direito Electra e Orestes. Isso lhes concede grandeza, nobreza de sentimentos inata e princípios morais altíssimos.  Em O’Neill, o general Mannon é prefeito, em Bender e Lorenzoni, um fazendeiro. A grandeza aqui está na plástica, no porte de cada composição cênica. Os medos impostos pela religião, tem agora, em meio ao mundo moderno, a força do biológico. “Um dia verás que somos iguais Ereda”. Mãe e filha, genética e sangue.
                   Em meio há tantos olhares, sinto falta de compreender perfeitamente qual é o olhar do Máschara. Há uma rixa interna que me faz ver muito forte o texto de Bender. Se essa for a opção não há problemas, mas é preciso assumi-la. O que de certa forma, já não é mais o caso, principalmente por que agora temos três cenas totalmente diferentes da proposta do escritor porto alegrense.  Ora, Bender escreveu um texto realista/regionalista. O Máschara conceituou-o de forma expressionista.
                E esse expressionismo é um logradouro pouco visitado pela população de uma cidade onde o costume de ir ao teatro é algo novo. Nessa tragédia não há o descanso cômico entre as cenas como em tantas outras. Pelo contrário, a tenção e de certa forma o terror, é buscado continuamente. Sendo assim a plateia não pode relaxar suas tenções. Há portanto duas saídas, manter-se tenso até o final, ou reagir a sua maneira no decorrer da ação. Claro que não se dará esse tipo de reação por exemplo em uma apresentação de musica erudita. E por que? Ora, por que no teatro o homem entra em contato com a multifacetada variante de emoções. O teatro possui uma força poderosa, perigosa. O mágico da noite de domingo é que esse poder e esse perigo mostrou-se de forma assustadora também  para os atores.  
               Por que mesmo estabeleceu-se a noção de “quarta parede”? Não serviria ela de proteção? Atores inflamados pelo ódio, colocam em risco o seu trabalho e o trabalho dos colegas. Por exemplo quando ouvi a frase: “Quem mata o amante, não sede nem mesmo ante os próprios filhos”.  Que amante? Quem matou o amante? Isso sem falar nos “vocês” e “tus” tão misturados. 
                      O ator é um profissional paradoxal. Ele inicia a manhã dizendo que faz teatro por amor, por volta das dez da manhã precisa que lhe chamem a atenção ou não produzirá o esperado. No começo da tarde diz que está ali por si mesmo e que não depende do público, já por volta das cinco reclama que os ingressos não foram vendidos e teme a ausência da plateia. Às sete da noite desentende-se com o colega que lhe da um conselho para melhorar a cena e por volta das nove curva-se humildemente sob o aplauso da plateia. Agradece feliz e parece amar há todos.  Ousa dizer ao diretor na saída que a cena é sua e que prefere fazer a seu modo e indo para casa mais tarde percebe que não tem um único tostão no bolso.
                     Humildade senhores, humildade, pois por artistas, serão a vida inteira dependentes dos outros. Leitura e conhecimento para que não sejam nunca dominados, para que sua arte seja alicerçada em uma chancela de sabedoria.

Arte é Vida



                    A Rainha


Alessandra Souza (**)
Raquel Prates (***)
Renato Casagrande (***)
Evaldo Goulart (**)
Gabriel Giacomini (***)
Douglas Maldaner (**)
Cléber Lorenzoni (***)


sexta-feira, 24 de junho de 2016

Depoimento da escritora Greice Pozzatto quanto `Sessão Maldita"


Público da 8ª Sessão de Complexo de Elecktra


Douglas Maldaner e Alessandra Souza em Complexo de Elecktra


Complexo de Elecktra - tomo 8 - 738

A CULPA TAMBÉM É DO PÚBLICO

                                 Sempre que assisto um espetáculo, atento-me à seu autor, seja ele dramaturgo ou não. Aquilo que está sendo dito sobre o palco, foi criado por alguém e merece o mesmo respeito que os atores sobre o palco, ou até mais. O Máschara já levou ao palco os grandes clássicos: Molière, Shakespeare, Lorca ou Sófocles. Já adaptou Verissimo, Quintana e Caio Fernando Abreu e agora parte para algo ainda mais complexo. Mas que obra é essa sobre o palco? Ora, para compreender cada autor/dramaturgo, é preciso compreender seu momento histórico, o panorama politico e social de sua época; pois antes de se tornarem clássicos, foram atuais em seu momento e queriam sim falar de sua então realidade.  Cléber Lorenzoni foi alimentar-se de Eurípides e de Bender para compor Complexo de Elecktra, buscou também em O’Neill e Sófocles e em outros tantos pontos para chegar ao produto. Mas o que mais pesa e aparece na atual composição do grupo é sua realidade atual. Ora, depois de vinte e quatro anos, o Máschara já se formou pelos clássicos, já apresentou suas monografias em Esconderijos e O Incidente e agora passeia pelo mundo adulto. Complexo de Elecktra, bem como A Serpente, ou Deu a Louca no Ator, são textos e posteriormente montagens que revelam uma Cia. decidida a chocar, a levar o teatro pelo seu viés mais serio, o de simplesmente fazer teatro. Isto sem querer agradar, ou sem se vender. Algumas Cias., mal  passam do ensino fundamental e médio. Vagueiam por anos naquela percepção de que teatro é colocar pessoas engraçadas sobre o palco e que no momento que o público der gargalhadas e aplaudir em pé, terão chegado ao topo do que seria fazer teatro. Ora, muitos podem ser os caminhos que levam ao espirito teatral, mas que ele nunca seja medíocre.
                        Outro fator que preciso mencionar é a responsabilidade do público. É muito comum ouvirmos em ambiente de pessoas que se proclamam interessadas pelas artes e por assuntos culturais em geral, que em nossa cidade não há apoio a arte, não há oportunidades. Os argumentos aliás, são sempre os mesmos. No entanto conversando com essas pessoas, quando perguntamos se foram ver este ou aquele espetáculo de categoria, que ficou em cartaz por determinado tempo, muitas e muitas vezes a resposta é: “Não; imagine que justamente eu esteva pensando em ir, o tempo foi passando e quando dei pela coisa já não estavam mais levando a peça”. Nessa omissão, nossa preguiça de se resolver ir ao teatro quando esse apresenta um texto digno de atenção, está o segredo de muitos fracassos injustificados, e não podemos deixar de chamar a atenção do público para sua responsabilidade perante o teatro, se é que quer se dar ao luxo de criticar a falta de opções culturais em nossa cidade.
                      O teatro, senhores, é uma arte cara. Não desejo aqui menosprezar nenhuma outra arte, e nem compará-las como mérito ou significação: Tomemos por exemplo, o caso da pintura. Para que tenhamos um quadro, é preciso o talento de um único individuo que terá como despesa de execução as telas, as tintas, os pincéis, etc..., o que tem certa monta mas não alcança cifras astronômicas. Mas o que é o mais importante no caso, uma vez que o pintor acaba de pintar seu quadro, a obra está pronta, e – desculpem dizê-lo tão prosaicamente -, uma vez vendido, o autor terá recebido a paga pelo seu trabalho. Tomemos por outro lado a realidade teatral e vejamos como a realidade da engrenagem muda:
                       A primeira etapa é a criação do texto por um dramatista ou sua adaptação por um razoável escritor. Mesmo com seu trabalho pronto, precisará de atores para leva-lo ao público, instrumentos humanos que dentro de seus respectivos campos, devem ter talentos e ser adestrados em suas respectivas artes, tanto quanto o autor. A peça para ser levada ao público, precisará do aluguel do teatro, dos faxineiros, bilheteiros, técnicos de som e de luz. O pintor que dependia apenas de si mesmo, aqui enquanto artesão do teatro, precisará de um diretor, um cenógrafo, eletricistas, encarregados do guarda-roupa, contra-regras. E tudo isso visto por alto, não inclui custos com produção. Execução de cenários e figurinos, cuja idealização já custará alguma coisa. Agora veja, para pagar todo esse montante, quantas vezes esse espetáculo precisará ser apresentado?
                      A realidade de um ator de teatro, que o público muitas vezes confunde até por maldade, com um boêmio, vadio, preguiçoso que gosta de dormir até tarde e de não trabalhar ou estudar é muito mais complexa do se pode imaginar. Muitas vezes trabalha em outros setores, e ao sair do trabalho, quando todos vão descansar, ele segue para  essa segunda etapa. Começa a ensaiar por volta de 18 horas, come alguma porcaria, por falta de opções e para não gastar o que não se tem, e então dedica-se a repetições e treinos até altas horas. Volta para casa quando a cidade praticamente já está toda silenciada. E isso repete-se por semanas até que o espetáculo estreie. Quando finalmente está pronto para subir ao palco, trabalha-se o da inteiro e quando o público chega, os atores muitas vezes estão exaustos. Após o espetáculo onde os atores se expuseram a extremos, suas verdades, suas dores, suas compreensões da vida humana, o público vai para casa, mas o elenco precisa guardar tudo, deixar tudo limpo para outra noite de espetáculos. E então tudo recomeça no outro dia. Em meio a isso, há ensaios de outros espetáculos, viagens para outras cidades com outros espetáculos em palcos adaptados, muitas vezes com um público descortês. Trabalha-se, trabalha-se muito por muito pouco. E o público muitas vezes abre mão de empregar suas noites testemunhando a apresentação de um espetáculo que pode enriquecer a cada um de nós individualmente, e a nós todos como comunidade, por apresentar, dentro da disciplina de uma arte, uma parcela do comportamento humano, sublinhá-la, iluminá-la, dar-lhe proporção, magnitude, alargando os horizontes de nossa experiência e levando-nos a considerar, ante a nova visão, a nossa própria posição.
                    Teatro pode ser “gostado”, mas muito além do ato de gostar está o ato de pensar.
Em complexo de Elecktra pensa-se muito. O suficiente para gostar...
                     Na ultima noite de “Complexo”, pensei mais em todas essas coisas do que no que realmente deveria ter pensado, mas o ato de simplesmente pensar justifica-se, afinal pensava em como era um privilégio estar ali, sorvendo o pensar que muitas vezes falta a nós que não somos artistas.
                     As intepretações da noite foram interessantíssimas. Alessandra Souza e Evaldo Goulart diminuíram o tom, o que acresceu uma sonoridade melhor ao espetáculo. Algumas cenas como o bife de Ulrica e o embate final estiveram muito afinados, enquanto que a cena de recordação entre Ulrica e Henrique, foi muito prejudicada. O produto teatral, quando alcançado e “comercializado” precisa ser mantido da melhor forma para o público. O momento de criar, descobrir é o ensaio. Não vou ao teatro para ficar a mercê de atores que querem se descobrir pondo em risco cenas nas quais preciso mergulhar e me questionar. Ou então estarei presenciando um ensaio aberto.
                   A canção interpretada por Ulrica na cena de Werner e Ereda não se faz ouvir, por que a musica eletrônica a abafa. A morte do patriarca poderia ser plasticamente construída. Algo saiu do alinhamento na cena, já que Bertold surgiu antes da mãe fazer o que se propunha. A cena de Ulrica com a velha cega é uma que precisa de ensaios para alcançar o ritmo que possui no inicio, aliás, acredito que o espetáculo todo, ainda que muito bom, esteja carecendo de ensaios. Quando se chama o teatro de trabalho é preciso encará-lo como tal.


Alessandra Souza (**)
Renato Casagrande (**)
Cléber Lorenzoni (**)
Evaldo Goulart (*)
Gabriel Giacomini (*)
Raquel Arigony (*)
Douglas Maldaner (**)


Arte é Vida


                                               A Rainha

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Matéria no Diário Serrano de 21/06/2016


Divulgando o trabalho premiado no Diario Serrano de 21-6-2016


Sessão Maldita - tomo 7 - 739

A vida no teatro


"Se não puder interpretar me suicido"

                  A vida dedicada ao palco é algo quase que uma realidade inconcebível, em um passado razoavelmente distante, ouvíamos falar de grandes atores, de Cias. que moravam no teatro, ou ainda que viviam em carroças indo de um lugar ao outro, levando suas peças em baús. Ao chegar em determinadas cidades, faziam peças nas ruas, nas praças e a noite em teatros.  Assim foi por exemplo a vida de Molière, que durante muitos anos percorreu a França com seu teatro mambembe. Para quem gostaria de conhecer de perto essa realidade basta assistir o filme Marquise (1997). Aliás a vida de Molière foi tão dedicada ao palco, que mesmo sua morte foi em cena, sob altos risos da platéia.
                    Quando vou à Complexo de Elecktra, tenho essa sensação. Ali, no prédio da Andrade neves, no coração de Cruz Alta, onde acontecem as oficinas da ESMATE e ensaios do Grupo Teatral Máschara e agora esse espetáculo, há algo mais. Quando adentras ao prédio, percebes que ali é solo sagrado, templo da arte, aquele espaço foi abençoado por Dionísio. Há um clima misterioso, um respirar diferente.  Claro, não é qualquer um que percebe esse ar diferente, é preciso ter alma sensível.    
                         Complexo de Elecktra começa com um clima sinistro, a trilha sonora vai tomando o espaço e  não se sabe ao certo de onde está vindo, eu arriscaria "terceiro piso", mas não tenho certeza.  Os cenários são vários, e o mais desconcertante é a despensa da casa, embora, a equipe ainda possa buscar mais, aprofundar mais o clima tétrico do espaço. As cenas interpretadas no sótão e no jardim de inverno da casa dos átridas, possui uma iluminação bastante instigante, as sombras projetadas criam um clima desafiador a nossos olhos. Por outro lado, há espaços em que a preocupação com a luz ficou um pouco descuidada. 
                        Tive o prazer de assistir ao espetáculo com atores descalços e posteriormente com costumes nos pés. Fiquei em dúvida, afinal qual é o conceito?
                            Outro ponto a ser pensado é a impostação vocal. Em Complexo de Elecktra grita-se muito. Por que se estão todos praticamente no colo da platéia? Alessandra Souza tende a confundir ritmo com aceleração. Conceda pausas aos colegas. Serão úteis para sua interpretação também. Cabe aqui a já conhecida frase do diretor :" O teatro está nos silêncios". 
                         Cléber Lorenzoni, Alessandra Souza e Renato Casagrande continuam ótimos em cena. Principalmente o jogo dos dois últimos com o intérprete de Ulrica. 
                             Evaldo Goulart tem um olhar muito intenso, vívido em cena e pode extrair ainda mais desse poder persuasivo que possui. Raquel Arigony pode ousar mais, ser mais assustadora. Possui uma figura muito interessante, mas parece ficar distante da platéia. 
                                Complexo de Elecktra é um trabalho para criar, para pesquisar. Complexo é uma oportunidade enorme para os atores se conhecerem, se descobrirem, principalmente por que a direção do espetáculo é generosa o suficiente para permitir a busca e a criação. Para Artaud, o teatro é o lugar privilegiado de uma germinação de formas que refazem o ato criador, formas capazes de dirigir ou derivar forças.   Que o teatro seja para os atores do Máschara tudo, qualquer coisa, menos passa tempo. 
                             Parabéns a escolha das tranças erguidas em Alessandra Souza e a entrada de Ulrica na banheira. Teatro precisa ser verdadeiro, não pode depender de meias verdades, muito menos de amornar a sopa.  Quanto à sujeira proposta por Douglas Maldaner e Raquel Arigony, acredito que ou se embarre o corpo, ou então abra mão do recurso. Nada de meias verdades... Ao mesmo tempo esse barro precisa  ser pensado em forma de não sujar os cenários ou público. Para encerrar parabenizo as duas cenas finais, nas quais a visceralidade de Alessandra Souza e as emoções de Cléber Lorenzoni e Evaldo Goualrt emocionam a platéia. 
 

       Arte é vida


                                     A Rainha



Alessandra Souza (***)
Renato Casagrande (**)
Cléber Lorenzoni (**)
Evaldo Goulart (**)
Douglas Maldaner (**)
Gabriel Giacomini (**)
Raquel Arigony (**)

                             

Texto As Criadas de Jean Genet

As Criadas
(Jean Genet - Tradução de Pontes De Paula Lima)

Personagens
Claire
Solange
Madame


(O quarto de Madame. Móveis Luiz XV. Rendas. Ao fundo, uma janela aberta, que dá
para a fachada de um prédio em frente. À direita, o eleito. À esquerda, uma porta e
uma cômoda. Flores em profusão. É noite)
CLAIRE - (De pé, de combinação, voltando as costas para a penteadeira. Seu gesto, o
braço estendido, é o tom serão de um trágico exasperado) E essas luvas! Essas luvas
eternas! Já te repeti suficientemente que as deixasses na cozinha. É com isso, por certo,
que esperas seduzir o leiteiro. Não, não, não mintas, é inútil. Pendure-as por cima da
pia. Quando compreenderás que este quarto não pode ser enxovalhado. Tudo, mas tudo
o que vem da cozinha é escarro! Sai! E leva os teus escarros! Mas para! (Durante esta
tirada, Solange brincava com um par de luvas de borracha, observando suas mãos
enluvadas; ora em buquê, ora em leque) Nada de cerimônia, faz teu bichinho. E
principalmente não te apresses, temos tempo. Sai! (Solange, de repente, muda de
atitude e sai com humildade segurando na ponta dos dedos as luvas de borracha.

Família Fontes - Cléber Lorenzoni - Raquel Arigony - Ricardo Fenner e Renato Casagrande


Platéia da VII noite de Complexo de Elecktra


segunda-feira, 20 de junho de 2016

Bailarinos do Corpo em Ação com o ator Ricardo Fenner


Premiados na categoria adulto e infantil

Cena Viva 2016
Festival de Teatro de Santa Rosa
13 a 16 de junho
Teatro do SESC


PREMIAÇÃO


CATEGORIA ADULTO

MELHOR ESPETÁCULO
Indicados:
A flor que nele habitava, do Espaço Núcleo (Limeira - SP)
Olhai os lírios do campo, do Grupo Teatral Máschara (Cruz Alta - RS)
Vencedor:
Olhai os lírios do campo, do Grupo Teatral Máschara (Cruz Alta - RS)

O Santo e a Porca no Colégio Santissima trindade


Todos os participantes do Cena ViVA


Complexo de Elecktra tomo 6

Teatro para quem o quer...

         Não adianta impor o teatro, não adianta obrigar as pessoas, esfregar na cara delas a sua arte. O teatro tem que estar ali, a disposição, a distancia de uma pernada; Para que quando precisemos dele, saibamos la chegar. Teatros são como templos, quase sempre você só lembra dele quando precisa. 
             "O teatro te alarga a alma", ouvi essa frase há muito tempo, pronunciada por uma grande mestra. E a cada apresentação, a cada espetáculo, percebo em meus colegas/alunos o quanto essa frase possui embasamento. Quando saímos do templo teatral levamos conosco algo novo, um olhar espaçoso sobre as coisas. As vezes quando chego em casa após assistir um espetáculo, sinto uma vontade louca de abraçar meus netos e ficar um tempo agradecendo por termos uma filha acolhedora e fraternal. Isso me faz valorizá-los ainda mais. As vezes, quando saio do teatro, fico mais irritada com os políticos e penso em fazer algo, mudar as coisas. As vezes quando saio do teatro, sinto um calor diferente, e me pergunto, por que pensam que somente os jovens sentem desejo sexual. Enfim, o teatro me faz questionar, me faz sorrir, me faz chorar, me faz ver coisas que sozinha não vejo. 
             Em Complexo de Elecktra há um clima de eferverscência, um impacto movido por questões fortes de maternidade, matricídio, incesto. Costumes e princípios que a sociedade há séculos organizou como melhor lhe convinha para que a dita civilização vivesse melhor. Mas e quando há um crime, quando há um rompimento nessa organização, o que penso sobre isso? Não sei, na maioria das vezes não queremos pensar... Temos preguiça de pensar. Constantemente pergunto a pessoas que me cercam, seus pontos de vista quanto à determinados assuntos, e me choca quando dizem: "Nunca pensei a respeito disso."
              O teatro trágico é interpretado por atores que em um momento assumem posturas de semideuses, conseguem fazer coisas que nosso senso moral não permite, mas que estão ainda no fundo de nossos DNAs, heranças de uma época remota em que fomos mais "animais" do que somos hoje, ou menos... Eis um novo paradoxo... O público que observa a cena sabe que nunca teria coragem de praticar as ações das personagens. No mundo helênico os deuses se levantariam contra a prática desses personagens assassinos vingativos, hoje em dia a sociedade é que os lincharia. Medeias, Creontes, Édipos, Electras, todos eles, hoje em dia quando aparecem são levados rapidamente para presídios e separados da sociedade. Mas e seus sentimentos? São inferiores aos nossos? Somos melhores apenas por que escondemos ou escamoteamos pensamentos ditos cruéis ou psicopáticos? 
                   Na cena de domingo a noite, mais uma iniciativa linda do Máschara (O TEATRO NÃO PODE SER VENCIDO). Os atroes Alessandra Souza e Cléber Lorenzoni promoveram outro embate gostoso de ver, forte, agressivo, cheio de equilíbrios e desiquilíbrios. Eu particularmente começo odiando Ereda, então assisto a cena de Ulrica com Bertold e tomo as dores da filha. Logo depois volto a odiá-la pela forma como tortura aqula mulher que apenas quis amar, e então volto a ter raiva de Ulrica quando ela e o tio levam ao pico sua frieza... Mas ao final, confesso-me prostrada, não sei o que pensar. Eis o trágico. Quando você reconhece naquelas personagens uma capacidade sobre humana de suportar as suas dores. Eu por exemplo tinha me jogado no tal riacho da ponte, muito antes da volta de Henrique. 
                     Acredito que seria ainda melhor se os interpretes nos brindassem com um pouco mais de sussurros, mais mistérios em suas falas. Entrega-se tudo muito fácil em Complexo de Elecktra. Apenas Ulrica traz consigo um olhar, um mistério... A própria Ereda pode nos dar mais duvida. Quando a platéia sobe para a cena da despensa, ainda não sabemos que a mãe ajudou Bertold no tal assassinato. Então esse ódio pode ser ainda mais direcionado apenas à Bertold, para que tenhamos maior surpresa, choque, na cena em que se revela o assassinato. 
                        O ator interprete de Werner esteve bem, com domínio de suas falas, precisa apenas ter cuidado para não machucar as cordas vocais em seus gritos na cena pós bife de Ereda.  
                      Evaldo Goulart mantém um bom ritmo, mas nessa ultima apresentação se perdeu algumas vezes, o que fez uma das cenas perder o ritmo, bem como Raquel Arigony que pode acelerar um pouco. Seu oráculo precisa ser mais assustador para Ulrica e por isso precisa falar mais rápido seus textos, com mais explosões. 
                           A entrada de Ulrica na banheira deixou a cena muito mais intensa, mas falta chegar a algo... Gabriel esteve muito inteiro e pode ainda se dedicar mais. Falta as vezes humildade em alguns atores. Ser bom em um festival ou ganhar um elogio no outro, não nos torna melhores que ninguém, nem nos caracteriza PHDs em nada. O teatro é algo feito para o outro, o outro, o outro, sempre o outro. E por isso precisamos baixar nossa cabeça e ouvirmos o outro!
                          Complexo de Elecktra é o espetáculo mais ousado do Máschara, pode também se tornar o melhor...


Arte é Vida


                    A Rainha



Alessandra Souza (**)  
Renato Casagrande (***)
Cléber Lorenzoni (***)
Douglas Maldaner (**)
Evaldo Goulart (**)
Raquel Arigony (**)
Gabriel Araújo (***)

                  

Atores do Máschara guiando a festa de encerramento do Cena Viva


Equipe recebendo troféu de melhor espetáculo por Olhai os Lírios do Campo no Cena Viva


Dulce Jorge, Fábio Novello, Cléber Lorenzoni, Evaldo Goulart, Renato Casagrande e Ricardo Fenner após premiação no Cena Viva


Corpo de Baile do Máschara no VIIº Corpo em Ação


O diretor Cléber Lorenzoni recebendo seu troféu de melhor ator


Público da VIª noite de Complexo de Elecktra


sexta-feira, 17 de junho de 2016

Grupo Máschara e juradas do Festival Cena Viva 2016


Historia das Premiações - Melhor Ator

2016

Cléber Lorenzoni como Eugênio - no 2º Cena Viva  20º Troféu


2015

Cléber Lorenzoni como Rosalinda no 1º Festival da Cidade dos Anjos (Santo Angelo) 34ª Indicação

2014

Cléber Lorenzoni como Fred em Feriadão no FESTVALE (Rolante) 33ª Indicação
2012

Cléber Lorenzoni como Ericão - no Art in Vento de Osório 19º Troféu

Cléber Lorenzoni como Gata  no Art in vento de Osório - 31ª Indicação.

2010


Cléber Lorenzoni como Rosalinda - no Art in Vento de Osório 18º Troféu

Gabriel Wink como Ágatha,`Vassili e Rafael no Art in Vento de Osório -1ª Indiação

Cléber Lorenzoni como Rosalinda e Úrsula - 11ºFestival de Itaqui- 29ª Indicação

2008

Cléber Lorenzoni por Sr. Poeta em Lili – 1º FETTEN – 28ª Indicação

Cléber Lorenzoni por Mario em Esconderijos – 1º FETTEN- 17º Troféu

Cléber Lorenzoni por Sr. Poeta em Lili – XVº Erechin – 16º Troféu

Cléber Lorenzoni por Mario em Esconderijos – XVº Erechin – 15º Troféu

Cléber Lorenzoni por Sr. Poeta em Lili – 10º DOMPA – 14º Troféu

Cléber Lorenzoni por Mario em Esconderijos – 10º DOMPA – 13º Troféu

2007

Cléber Lorenzoni por Mario em Esconderijos – 14º FERTAI – 12º Troféu

2006
Cléber Lorenzoni por Mario em Esconderijos – 5º FESTSALTO – 11º Troféu

2003

Cléber Lorenzoni por Noivo em Bodas de Sangue –Xº FERTAI – 20ª Indicação

2002

Cléber Lorenzoni por MacBeth em MacBeth – XIIIº FETARGS – final 10º Troféu

Cléber Lorenzoni por MacBeth em MacBeth – XIIIº FETARGS – 18ª Indicação

Cléber Lorenzoni por MacBeth em MacBeth- 16º CANELA – 9º Troféu

Cléber Lorenzoni por Tartufo em Tartufo- 2º FESTSALTO – 8º Troféu

Cléber Lorenzoni por MacBeth em MacBeth –9º FERTAI – 7º Troféu

2001

Cléber Lorenzoni por Tartufo em Tartufo –XIIº FETARGS final – 6º Troféu

Alexandre Dill por Orgon em Tartufo –VIº Santiago em cena- 1º Troféu

Cléber Lorenzoni por Tartufo em Tartufo – VIº Santiago em cena – 13º Indicação

Cléber Lorenzoni por Tartufo em Tartufo – XIIº FETARGS – semifinal -12º Indicação

2000

Cléber Lorenzoni por Creonte em Antígona – XIº FETARGS –Final 11ª Indicação

Cléber Lorenzoni por Creonte em Antígona – Iº FESTSALTO – 10ª Indicação

Cléber Lorenzoni por Creonte em Antígona – XIº FETARGS –Semifinal 5º Troféu

Cléber Lorenzoni por Creonte em Antígona – IVº Santiago em cena- 4º Troféu

Cléber Lorenzoni por Creonte em Antígona – 2º Uruguaiana – 3º Troféu

Cléber Lorenzoni por Creonte em Antígona – 2º Rosário sem Cena- 6ª Indicação

1999

Cléber Lorenzoni por Palhacinho em Carrocinha – 1º Uruguaiana – 2º troféu

Cléber Lorenzoni por Palhacinho em Carrocinha – 9º Guaíba – 4ª Indicação

Cléber Lorenzoni por Palhacinho em Carrocinha – VIºFERTAI - 3ª Indicação

1998

Cléber Lorenzoni por D.Flávia em Dorotéia – IXº FETARGS semifinal 2ª Indicação

1997

Alexandre Dill por Tudo Azul em Bulunga – VIIIº FETARGS semifinal 1ª Indicação

Cléber Lorenzoni por Morgana em Bulunga VIIIº FETARGS semifinal 1ª Troféu

Diulio Penna por Bulunga em Bulunga – 7º Guaíba – 5ª Indicação

Diluio Penna por Andre em Um dia a casa cai – IVº FERTAI – 4ª Indicação

Diulio Penna por Bulunga em Bulunga – IVº FERTAI -1º Troféu

1996

Diulio Penna por Bulunga em Bulunga – VIIº Fetargs semifinal- 2ª Indicação

Diulio Penna por Leônidas em Cordélia Brasil – IIIº FERTAI – 1ª Indicação

1995

Eduardo Gonçalves por Júpiter em O dia em que Júpiter encontrou Saturno – IIº FERTAI – 2ª Indicação

1994

Eduardo Gonçalves por André em Um dia a casa cai-1º FERTAI -1ª Indicação

O ator Ricardo Fenner com seu primeiro troféu de Melhor Ator Coadjuvante por Olhai Os Lírios do Campo


Historia das Premiações Atrizes

2019

Alessandra Souza como Lady Zuzu em A roupa Nova- 4º Cena Viva- Santa Rosa - 3º Troféu

Dulce Jorge como Leninha - As Balzaquianas- 4º Cena Viva - Santa Rosa- 20ª Indicação

2018

Kauane Silva como Anahy em Lendas - Melhores do Ano- 1º Troféu

2017

Dulce Jorge como Maria - Paixão de Cristo- Melhores do Ano - 8º Troféu


2016

Alessandra Souza como Olivia em Olhai -2º Cena Viva - 1º Troféu

2012

Dulce Jorge como Caroba em O Santo e a Porca - Ar tin Vento 7º Troféu


2008

Angélica Ertel como Lili em Esconderijos – 1º FETTEN – 7ª Indicação

Angélica Ertel como Glorinha em Esconderijos – 1º FETTEN – 5º Troféu

Angélica Ertel como Lili em Lili – 15º ERECHIN 4º Troféu

Angélica Ertel como Glorinha em Esconderijos – 15º ERECHIN 3º Troféu

Angélica Ertel como Lili em Lili – 10º DOMPA 2º Troféu

Angélica Ertel como Glorinha em Esconderijos- 10º DOMPA 1º Troféu


2006

Angélica Ertel como Glorinha em Esconderijos- 5º FESTSALTO 1º Indicação

2002

Dulce Jorge por Lady MacBeth em MacBeth-XIIIº FETARGS final 6º Troféu

Dulce Jorge por Lady MacBeth em MacBeth-XIIIº FETARGS semifinal 16ª Indicação

Dulce Jorge como Lady MacBeth em MacBeth- 16ºCANELA- 15ª Indicação

Dulce Jorge como Lady MacBeth em MacBeth -9º FERTAI- 14º Indicação

2001

Simone De Dordi como Dorina em Tartufo – VIº Santiago em cena- 1º Troféu

Dulce Jorge como Elmira em Tartufo- 8º FESTVALE – 13ª Indicação

Dulce Jorge como Elmira em Tartufo- 3º URUGUAIANA- 5º Troféu

Dulce Jorge como Elmira em Tartufo- VIIIº FERTAI – 12ª Indicação

2000

Dulce Jorge como Antígona em Antígona – XIº FETARGS-final 11ª Indicação

Dulce Jorge como Antígona em Antígona –Iº FESTSALTO – 10ª Indicação

Ariane Pedrotti como Coro em Antígona- XIº FETARGS-semifinal- 2ª Indicação

Dulce Jorge como Antígona em Antígona – XIº FETARGS – semifinal- 9º Indicação

Dulce Jorge como Antígona em Antígona – IVº Santiago em cena – 8ª Indicação

Dulce Jorge como Antígona em Antígona – 2º URUGUAIANA – 4º Troféu

Dulce Jorge como Antígona em Antígona – 2º ROSÀRIO EM CENA – 3º Troféu

1999

Simone De Dordi como Palhacinha em Carrocinha – 1º URUGUAIANA – 1ª Indicação

Ariane Pedrotii como Espanhola por Carrocinha -9º GUAÌBA – 1ª Indicação

1998

Dulce Jorge como Dorotéia em Dorotéia – Vº FERTAI - 5ª Indicação

1997

Dulce Jorge como Magnólia por Vulunga – VIIIº FETARGS semifinal 4ª Indicação

Carolina Monteiro como Mimi por Bulunga- 7º Guaíba – 1ª Indicação

Zenaide Perez como Mimi por Bulunga – IVº FERTAI – 1ª Indicação

Dulce Jorge como Bárbara por Um dia a casa cai- IVº FERTAI – 3ª Indicação

1996

Dulce Jorge como Cordélia por Cordélia Brasil- IIIº Fertai 2º Troféu

1994

Dulce Jorge como Bárbara em Um dia a casa cai- Vº FETARGS semifinal 1º Troféu

A morte de Doutora Olivia


Historia das premiações - Atriz Coadjuvante

2018

Clara Devi -Carolina em Lendas - Melhores do Ano - 1ª Indicação
Alessandra Souza - Serafina em Lendas- melhores do Ano - IIº Troféu
Raquel Arigony - Isabel em Auto de Natal - Melhores do Ano - 3ª Indicação

2017

Raquel Arigony - Maluc em A roupa Nova do Rei- Melhores do Ano - 2º Troféu

2016

Raquel Arigony - Velha Cega em Complexo - Melhores do Ano 1º Troféu

Dulce Jorge por Eunice Cintra em Olhai -2º Cena Viva - 8º Troféu

Fernanda Peres por Irmã Isolda em Olhai - 2º Cena Viva -1ª Indicação

2012

Alessandra Souza por Margarida  em O Santo e a Porca -Art in vento - 2ª Indicação

2009

Dulce Jorge por D. Quitéria em O Incidente 11º DOMPA 10º Indicação

Alessandra Souza por Rita em O Incidente 11º DOMPA 1º Troféu

2008

Dulce Jorge por D. Glorinha em Esconderijos 1º FETTEN 7º Troféu

Tatiana Quadros por Fada Mascarada em Lili XVº ERECHIN 1º Troféu

Dulce Jorge por D. Glorinha em Esconderijos XVº ERECHIN 6º Troféu

Tatiana Quadros por Fada Mascarada em Lili 10º DOMPA 1ª Indicação

Dulce Jorge por D. Glorinha em Esconderijos 10º DOMPA 5º Troféu

2007

Dulce Jorge por D. Glorinha em Esconderijos 11º FERTAI 4º Troféu

Angélica Ertel por Glorinha em Esconderijos 11º FERTAI 1ª Indicação

2006

Kellem Padilha por Lili em Esconderijos do Tempo 5ºFESTSALTO 1ª Indicação

2003

Lauanda Varone por Criada em Bodas de Sangue Xº FERTAI 1ª Indicação

Dulce Jorge por Mãe em Bodas de Sangue Xº FERTAI 3º Troféu

2002

Simone De Dordi por Lady Macduff em MacBeth XIIIº FETARGS Final 9ºTroféu

Simone De Dordi por Lady Macduff em MacBeth XIIIº FETARGS 13º Indicação

Simone De Dordi por Lady Macduff em Macbeth 16º CANELA 8º Troféu

Simone De Dordi por Dorina em tartufo 2º FESTSALTO 7º Troféu

Marcele Franco por Mariana em Tartufo 2º FESTSALTO 7ª Indicação

Dulce Jorge por Elmira em tartufo 2º FESTSALTO 4º Indicação

Simone De Dordi por Lady Macduff em MacBeth -9º FESTVALE 10ª Indicação

Simone De Dordi por Lady Macduff em MacBeth -9º FERTAI 6º Troféu

2001

Marcele Franco por Mariana em Tartufo – XIIº FETARGS –final Caxias 2º Troféu

Dulce Jorge por Elmira em Tartufo – VIº Santiago em cena- 2º Troféu

Marcele Franco por Mariana em Tartufo – VIº Santiago em cena – 5ª Indicação

Simone De Dordi por Dorina em Tartufo – XIIº FETARGS – semifinal -5º Troféu

Simone De Dordi por Dorina em Tartufo – 8º FESTVALE – 4º Troféu

Marcele Franco por Mariana em Tartufo – 3º Uruguaiana – 4ª Indicação

Simone De Dordi por Dorina em Tartufo – 3º Uruguaiana – 3º Troféu

Simone De Dordi por Dorina em Tartufo – VIIIº FERTAI – 5ª Indicação

Marcele Franco por Mariana em Tartufo – VIIIº FERTAI – 1º Troféu

2000

Simone De Dordi por Tirésias em Antígona – XIº FETARGS- final – 4º Indicação

Ariane Pedrotti por Coro em Antígona – XIª FETARGS- final – 3º Troféu

Ariane Pedrotti por Coro em Antígona – 1º FESTSALTO - 2º Troféu

Marcele Franco por Ismênia em Antígona – IVº Santiago em Cena- 2º Indicação

Ariane Pedrotti por Coro em Antígona – 2º Uruguaiana – 3ª Indicação

Simone De Dordi por Tirésias em Antígona – 2º Uruguaiana – 2º Troféu

Ariane Pedrotti por Coro em Antígona – 2º Rosário em cena- 2º Indicação

Simone De Dordi por Tirésias em Antígona – VIIºFERTAI – 1º Troféu

1999

Marcele Franco por Palhacinha em Carrocinha-1º Uruguaiana – 1ª Indicação

Ariane Pedrotti por Espanhola em Carrocinha – 1º Uruguaiana – 1ª Troféu

Simone De Dordi por Palhacinha em carrocinha – 3º Santiago em cena – 1º Indicação

1997

Dulce Jorge por Magnólia em Bulunga o rei azul- IVº FERTAI – 1º Troféu

1994

Dulce Jorge por Bárbara em Um Dia a casa cai – Iº FERTAI – 1º Indicação

Dr. Eugênio Fontes e Eunice Cintra


Historia das premiações - Atores coadjuvantes

2016

Douglas Maldaner por Alcebíades em Olhai -Cena Viva - 1ª Indicação


Ricardo Fenner por Angelo em Olhai - Cena Viva - 1º Troféu


Renato Casagrande por Ernesto Fontes em Olhai - Cena Viva - 3ª Indicação


Ricardo Fenner por Conde/Jezebel em A Maldição -1ºFestival da cidade dos anjos - 1ª Indicação


2012


Renato Casagrande por Cachorro em Os Saltimbancos no Art In vento - 2ª Indicação

2010

Gabriel Wink como Ágatha, Rafael, Vassili em Maldição no XIº Festival de Itaqui- 2º Troféu

2009

Gabriel Wink por Menandro em O Incidente em XIº DOMPA 3ª Indicação


2008

Renato Casagrande por Mathias em Lili em XVº ERECHIN 1º Indicação

Gabriel Wink por Gouvarinho em Esconderijos em XVº ERECHIN 1º Troféu

Gabriel Wink por Gouvarinho em Esconderijos em 1º FETTEN 1ª Indicação

Gelton Quadros por Malaquias em Lili Xº DOMPA 1º Troféu

2007

Gelton Quadros por Malaquias em Esconderijos XIº FERTAI 1ª Indicação

2006

Rafael Aranha por Gouvarinho em Esconderijos 4º FESTSALTO 1ªIndicação

2003

Luís Lara por Leonardo em Bodas em Xº FERTAI 4ª Indicação

2002

Luís Lara por Bancco em MacBeth em XIIIº FETARGS final 3ª Indicação

Jorge Pittan por Duncan em MacBeth em XIIIº FETARGS final 2º troféu

Alexandre Dill por Macduff em MacBeth em XIIIº FETARGS final 11ª Indicação

Luís Lara por Bancco em MacBeth em XIIIº FETARGS semifinal 2ª Indicação

Luís Lara por Bancco em MacBeth 16º Canela 1ª Indicação

Alexandre Dill por Macduff em MacBeth 16º Canela 5º Troféu

Jorge Pittan por Duncan em MacBeth 9ºFESTVALE 1º Troféu

Alexandre Dill por Bancco em MacBeth 9º Fertai 9º Indicação

2001

Alexandre Dill por Orgon em Tartufo XIIº FETARGS final 4º toféu

Alexandre Dill por Orgon em Tartufo XIIº FETARGS semifinal 7ªIndicação

Alexandre Dill por Orgon em Tartufo 3º Uruguaiana 6ª Indicação

2000

Alexandre Dill por Hêmon em Antígona 1º Festsalto 3º Troféu

Alexandre Dill por Hêmon em Antígona 4º Santiago em cena 4ª Indicação

Alexandre Dill por Hêmon em Antígona 2º Uruguaiana – 2º troféu

Alexandre Dill por Hêmon em Antígona 7º Rolante – 2ª Indicação

1999

Alexandre Dill por Malabarista em O Conto da carrocinha 1º Uruguaiana -1º troféu

Cléber Lorenzoni por Palhacinho em O Conto da Carrocinha 3º Santiago em Cena-4ª indicação

1998

Cléber Lorenzoni por D. Flávia em Dorotéia Vº FERTAI-2º troféu

1997

Cléber Lorenzoni por Fada Morgana em Bulunga o Rei Azul IVº FERTAI-1ºtroféu

1996

João Paulo Perez por Tudo Azul em Bulunga o Rei Azul VIIº FETARGS – 1ºtroféu

Cléber Lorenzoni por Rico em Cordelia Brasil IIIº FERTAI- 1ª indicação