terça-feira, 29 de setembro de 2015

O Incidente - 78/79 - 708,709 colégio Santíssima trindade

Em meio aos protestos e uma cidade caótica, O Incidente.

            Quando saí de casa essa manhã para assistir O Incidente no colégio Santíssima Trindade, me peguei pensando onde os mortos de Antares falariam em Cruz Alta se hoje levantassem de suas esquifes. Caso a historia se passasse aqui. Coreto? Não há mais. Praças? cambaleantes. Se marchassem pelo centro, certamente tropeçariam nos tijolos mal colocados pelo calçadão ou na praça Erico Verissimo. Enfim, Cruz Alta jaz tão desalentada, que não se saberia por onde começar a lavar a roupa suja. 
             Na escola, não era permitido público de fora, mas consegui um indulto, não admito ser proibida de assistir teatro, sou viciada, confesso. Encaminhei-me tão feliz pelo corredor, algumas coisas mudaram, mas o clima de lugar organizado, limpo, iluminado, esse continua. Parei e fiz uma genuflexão rápida frente à capela. No átrio, três imagens que poderiam ser São Francisco, Irmã Clara e Santa Inês de Assis. Nossa, a vida é um grande teatro. 
                   Uma vez dentro do auditório, bem comportadinha em minha cadeira vermelha, não quis sentar-me muito para frente, afinal o "show" era para os estudantes. Não sei quais são as regras da escola, mas não havia nenhum aluno com celular ou quaisquer apetrechos eletrônicos pelas mãos. Um arrojo. Um digno respeito dado aos atores no palco. 
                    O Incidente na velha Antares foi uma revolução, e as revoluções continuam da década de sessenta até hoje. Há as pequenas, as médias e as grandes. as periódicas e as esporádicas, as de armas brancas e as de arma de fogo, as sensacionais e as despercebidas; na verdade elas existem em tal quantidade, que às vezes, é difícil saber, na sonolenta leitura de um matutino, em que direção se deve colocar nossa indignação politica e moral. Erico nos dá em Antares todas as direções. Antares está podre, assim como o reino da Dinamarca em Hamlet, assim como o Brasil, assim como Cruz Alta. Não sei se os jovens entre 14 e 19 anos que estavam dentro daquela sala, seriam capazes de compreender o que estava sendo dito sobre o palco em toda a sua magnitude. Mas se um ou dois se condoerem pelas réplicas das personagens e fizerem uma ponte junto a vida real, isso já terá sido a diáfana conquista do elenco. 
                    Por entre as cadeiras da assistência, surgiu a primeira personagem, uma elegante dama de azul, que nos declamava um resumo do que acontecia em Antares. A essa atriz aconselho mais calma, o público pode e deve compreender sua presença para só então ouvir seu texto. Na segunda sessão, "com dois ss" a atriz deve ter sido instruída, pois melhorou e muito sua primeira colocação. Admiro atores que querem melhorar. Essa  personagem que nunca ficamos sabendo o nome, parece ser uma narradora, algo como uma metalinguagem, não sei, apenas no quadro final compreendo que ela é um ser atemporal, e então aceito, mas ainda sem compreender muito bem. O final pode ser mais intenso, a atriz pode nos convencer de que está realmente vendo mortos vivos. Sabe-se lá o pavor que isso causaria. 
                   Os sete mortos são representados por Cléber, Dulce, Renato, Alessandra, Fábio, Cristiano e Douglas. Do elenco original três, em suas antigas posições dois. Substituindo havia cinco, estreando havia dois. Enfim, uma confusão na dança das cadeiras do Grupo Máschara, que trás ao seu elenco versatilidade. Por outro lado, espera-se que esse mesmo elenco continue junto, praticando esse texto por um tempo razoável, para só então encontrarem a verdade por trás das palavras. 
                     Cristiano e Dulce mantém a base de suas personagens embora muito tenha se perdido. Alessandra Souza estava mergulhada em sua interpretação bem como o Dr. Cícero da primeira "sessão com dois ss". Doulgas Maldaner e Fabio Novello cumpriram, mas podem trilhar longas caminhadas em busca do jovem idealista e do anarco-sindicalista. Arquétipos muito fortes. Douglas Maldaner pode inclusive melhorar o trabalho vocal, elevá-lo a níveis audíveis em um teatro ou sala sem acústica. Cristiano criou nessa apresentação algo novo para compor seu visual, que foi inclusive muito atrativo aos jovens na plateia.
                       Renato Casagrande interpreta meu papel preferido no espetáculo. Mas acredito que a composição visual deva ser revista. Está pronto para fazer uma das personagens do ainda em fase de construção "Bruxamentos e Encantarias". Falta-lhe a compreensão da velhice. O jovem e expressivo ator ganhou um personagem idoso e louco. Uma empreitada digna de uma grande ator. Se pretende alcançar o sucesso deve buscar dentro de si muita coisa, trazer as vísceras à fora. 
                         Não gosto de comparar trabalho de atores, afinal de contar aquilo que fazem é o que fazem, não existe o antes nem haverá o depois. A chance do público conhecer a historia e aquelas personagens, foi aquela. Acabou... Mesmo assim, sempre é momento de encontrar algo. O espetáculo não tem muita ação. A ação é puramente interna, e viva, intensa. Na verdade muito nos lembra a narrativa de um conto, Como em As Intermitências da Morte de José Saramago. Não aprece ter virgulas ou pontos. Uma trama encostada na outra, pois são todos um só. Os sete úteros abertos. 
                         O final foi um tanto súbito, e a cena em que os mortos são atacados pelos ditos vivos, parece não cumprir sua função. O Incidente foi trágico, e bastante visceral nas segunda"sessão com dois ss". Nos prende e choca, mas precisa ser olhado pelos atores não como uma energia sabática que a cada punhado de anos aparece para fortalecer ou trazer ganhos a Cia. O Incidente deve ser olhado sempre como um desafio estético, que ao ser cumprido engrandece o trabalho interno de cada um. Os espetáculos do Máschara que vão ficando para trás e são revisitados sempre, servem como elixires, como cursos rápidos, workshops para a montagem de novos espetáculos. 
                             

1   (**)(***)
21 (**)(**)
78 (**)(**)
76 (***)(**)
46 (**)(**)
62 (**)(**)
93 (**)(**)
87 (*)(**)
90 (**)(**)
                    
                        
                       Só a arte salva

                                                            A Rainha
        

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

15ª Matinê do Máschara - tomo 97

Sobe a cena uma nova atriz.


               Sempre que surge uma atriz eu me emociono. Me emociono em como o teatro vai escolhendo e trazendo pessoas. Vai pinçando no meio da massa, aqui e ali, um e outro que sabem escutar o vento. Geração vai e geração vem e vez ou outra surge alguém que respeita e ama o palco. Dentre esses aparecem outros que querem se deixar tocar pelo prazer de participar de um espetáculo, ou de criar algumas personagens. Bruna Malheiros apareceu nesse ano, não sei em qual das duas características ela se enquadra., o que sei é que é muito bom ter um rosto novo dando mais energia à luta. 
                        Essa foi a oitava apresentação da atriz em um espetáculo, e ela divide muito bem o palco. Malheiros joga, tem noção de espaços, de triangulação e de time. Aliás o espetáculo O castelo Encantado, como um todo, teve muito time. Dez anos depois de sua estreia em 15 de abril em Pejuçara, o espetáculo ganha um revival tremendamente vivaz. Do elenco inicial, apenas Cléber Lorenzoni. Mas isso não impede que os atores compreendam perfeitamente a base do espetáculo. 
                            Na porta, duas crianças recebem e convidam a platéia. A menina Rosa maria e um menino que poderia muito bem ser seu irmãozinho. Ela é mais contida, ele mais explosivo, intenso e atrai.                      
                            Dentro do teatro, o público adulto se diverte tanto quanto o infantil. O castelo Encantado tem muita ação, animais, super-heróis. Trabalho corporal, falsetes criativos. E o principal, elenco coeso e equilibrado. No entanto preciso elogiar as conquistas de Alessandra Souza na personagem, inclusive seu domínio com o público. Douglas Maldaner e seu prazer em entrar no mundo infantil e ainda sua operação na trilha sonora sem muito ensaio. 
                              Aconselho no entanto a revisão da cena dos brinquedos de Fernando e me pergunto o que a direção quer dizer com o cenário. Um quarto de brinquedos? As vezes é preciso apenas de uma frase para que o público consiga compreender a convenção.

Direção:  Cléber Lorenzoni St. A
Assistência e direção de palco: Dulce Jorge. St. A
Produção:   Ricardo Fenner St. A
Elenco:  Alessandra Souza  St. III (***)
               Renato Casagrande St. II (**)
               Evaldo Goulart St. IV (**)
               Bruna Malheiros  St. IV  (**)
Operação de Som: Douglas Maldaner St. IV  (***)
Contra-regragem :  Fabio Novello St. IV (**)
                



Só a Arte Salva
                              

A atriz Bruna Malheiros que vai conquistando seu espaço no Máschara


Cia. ao lado do terceirão do Colégio Santíssima Trindade- foto de Carmem Maria Coffy Lopes Bisso


sábado, 26 de setembro de 2015

O Castelo Encantado 94/96

                         Eu amo o teatro, amo o ator, essa criatura tão complexa que produz tanto em troca de tão pouco. Amo essa energia que se alimenta da energia do público, que repete a historia, mas nunca repete o vigor. Ontem fui até a Escola Cooperação porque gosto de teatro, gosto de arte, gosto da interpretação, sobretudo das peças infantis. No teatro infantil (quando bem feito), tudo é tão delicado, tão lúdico. Sentei no fundo, para não atrapalhar a visão dos pequenos sentados em suas cadeirinhas, mas me senti no palco, me senti em cena, principalmente quando Cléber Lorenzoni, um dos protagonistas trazia a narrativa para o meio da platéia. 
                                Um dos maiores méritos do Máschara é transformar qualquer espaço em um pequeno teatro, simples eu sei, basiquinho, mas fantasioso, mágico.  Da para ver uma dramaturgia simples, mas uma direção bastante pontual. Aliás as cenas em que a direção aparece, são as melhores. E o elenco, com algumas exceções, cumpre a proposta da direção.  O roteiro simples, fala de uma menina que mergulha no mundo das historias e que percebe o quanto é gostoso ler, o quanto é gostoso criar, desejar. Algo tão impalpável, tão subjetivo, que as vezes quase escorre perna abaixo, deixando uma sensação de "cuma"? Porém como pretexto para uma boa interpretação a situação se cumpre. As personagens são sólidas. Principalmente: Basílio,  Fernando  e Rafael. O espetáculo é adulto, maduro, no entanto tem ar de coisa nova.
                                  A menina Rosa Maria é empedernida, meio passiva, apática as vezes, mas instigante. Sua força está nas indagações e raciocínios rápidos. A Rosa Maria de Alessandra Souza não fica chatinha como algumas protagonistas infantis, mas precisa ficar atenta para os momentos em que se apaga nas cenas. 
                                  Lorenzoni e Casagrande passeiam com domínio pelo espetáculo como se O castelo tivesse sido escrito para eles, mas o porquinho de Renato fica meio obscurecido. Sabemos que Linguicinha é o Peralta, Sabugo é o lerdo, e Salsicha? No entanto não se pode deixar de elogiar a interpretação coberta do ator em seu "meio" Basílio. Ator bom atua coberto, atua de costas, atua na coxia, enfim, vem pra jogar...
                                  Bruna Malheiros tem muito vigor, embora ainda tenha uma longa trilha pela frente. A atriz emana talento, precisa canalizá-lo, seu energia em cena é deliciosa, mas deve aprimorar sempre a técnica. A atriz tem uma disponibilidade gostosa para o palco que nunca deve ser dispensável.  Evaldo Goulart cumpre com louvor suas cenas maiores, mas se Rafael está redondinho, o bonequinho ruivo passa longe disso. 
                                     O grande sucesso das duas apresentações foi sem duvida Linguicinha, Basílio, e o Ursinho que engoliu um pianinho. Obviamente por ser o criador da ideia, Lorenzoni se sai muito bem em todas as suas composições. No entanto seu Senhor Magico não me parece passar e uma cópia rasa do Senhor Poeta. Não que isso seja um empecilho para embarcar nessa viagem tresloucada, Mas passo todo o começo do espetáculo lembrando de Lili Inventa o Mundo e esperando que ela surja cheia de indagações de algum lugar naquela pilha de adereços. 
                                   O cenário de O Castelo Encantado foi a muito tempo uma carroça mambembe, agora ele é algo meio confuso, um quarto? Um lugar qualquer? Uma loja de brinquedos? Não sei, me pergunto, me irrito, e então surge uma cortina abençoada, cobre aquela bagunça e então posso finalmente descansada, assistir ao espetáculo. 
                                         Os pequenos conflitos se estabelecem e se solucionam rapidamente, o que não aprecio muito, mas percebo que junto as crianças isso é positivo, o raciocínio explosivo, a máschara que de repente desaparece, a capa que vira asa de borboleta... E então a trilha, gosto da musica inicial, mas acho que ela passa longe do restante das musicas. O que elas querem dizer? Alguma coisa se cria no principio, depois se perde... Não sei, para completar ela foi mal operada nas duas seções. 
                                         Mas O Castelo Encantado trás um outro angulo do Máschara. Lili me fala de finais felizes, Os Saltimbancos me fala de aceitação, e O Castelo finalmente me deixa falar do que eu quiser. De onde vem e para onde vão? Não sei, as crianças que decidam.  

Cléber Lorenzoni 
Alessandra Souza  (**)(**)
Renato Casagrande (*)(**)
Evaldo Goulart  (***)(**)
Bruna Malheiros (**)(**)

                                                  A Rainha
                                        
                              

O Castelo Encantado em cartaz na 15ª Matinê do Máschara

A arte de Renato Casagrande


Grupo Máschara protestando em frente à Prefeitura de Cruz Alta


terça-feira, 22 de setembro de 2015

Nós já perdemos um hospital, não podemos perder outro!


Em prol do hospital São Vicente


14ª Matinê - O Castelo Encantado tomo 95 - (705)

A Obra infantil de Erico Verissimo é totalmente desprovida de logicas pré-estabelecidas, o que é ótimo para as crianças...




              As boas ações ficam boas em um jardim de infância, o teatro é o lugar da gangrena...
            Esta observação de Nelson Rodrigues logicamente refere-se ao teatro adulto, e simplesmente por que o teatro infantil é na verdade um anexo do teatro adulto. O teatro infantil é vital, não tenho duvidas, mas ele é um investimento no futuro. A criança é preparada para quando adulto aceitar e compreender as convenções. A mente das crianças vai meio que se alargando, se adaptando a tantas coisas que o teatro vai propor no futuro. Adultos que não tiveram a oportunidade de entrar em contato com o teatro quando crianças, vão levar mais tempo, vão ser menos tolerantes com algumas "loucurinhas" que o teatro vai propor. 
               Quando digo que o teatro precisa da gangrena, é por que o teatro precisa chocar! Ele não surgiu com o intuito de mostrarmos ao mundo as coisas bonitinhas, sublinharmos nossa felicidade, ele tem como objetivo maior esfregar em nossa cara o que não está certo e que precisa de reequilíbrio. Por isso a tragédia grega era tão intensa, tão trágica, porque o homem antigo (idade antiga) beirava a irracionalidade. Nós avançamos um pouquinho na racionalidade desde a grecia antiga, mas continuamos cheios de podridão por baixo de nossas carnes. E o teatro precisa sacudir tudo isso.
                   Queres fazer algo bonitinho sobre o palco? Vá cantar uma musica romântica, ou vá dançar uma coreografia rasa.
                  Quando há gangrena no teatro infantil, respeitando as proporções? Quando as personagens infantis não são abobadinhas, quando os atores mergulham com fé cênica intensa nas suas ações. 
                          Claro que no Grupo Máschara, as vezes há gangrena em demasia fora do palco, não sei se tanta gangrena era necessária. Mas em cena vi um elenco disposto a pegar a platéia. Ninguém acomodado em seus acertos. De forma que a cena foi crescendo, crescendo até que a platéia ficou inteiramente mergulhada, e ainda levando em conta que a maioria era formada por público adulto. Alguns ali, aliás, que muito pouco foram ao teatro.
                           A protagonista Rosa Maria é muito bem composta, mas precisa impor-se um pouco mais, estar no mesmo patamar das outras personagens. Do contrário a esquecemos e só voltamos a percebê-la quando ela volta a fica sozinha na cena. A composição visual de Alessandra Souza merece louvores, finalmente temos uma Rosa Maria coerente com os contadores de historia. Lorenzoni constrói muito bem as figuras que usam máscharas, mas parece não ter muito prazer e satisfação na personagem do mágico. Quanto ao trabalho de máschara neutra no Ursinho com musica na barriga, precisa ser mencionado, uma aula para os colegas. Douglas tem uma participação menor no espetáculo mas diverte-se muito e isso chega na platéia. Aliás, um ator que vem descobrindo e construindo muito em suas ultimas incursões. Goulart e Casagrande são virtuosos cada um em seu patamar. Fernando estabelece o ritmo do espetáculo que foi pré estipulado pela presença do Mágico. Mas é em Fernando que a narrativa começa realmente. Já ao Apresentador do circo a narrativa se fecha e ali o espetáculo poderia cair, pois falta ao interprete um pouquinho mais de domínio.
                          A cena mais fraca poderia ser a dos três porquinhos, mas a neurótica força de "Linguicinha" segura e muito bem a ação. Embora a cena pareça ser muito curta. Apenas O Música na barriga e Basílio, tem suas tramas resolvidas. Os três porquinhos entram com o objetivo de ser algo, mas não há uma catarse. Problemas do roteiro do espetáculo.
                           Rosa Maria no Castelo pode ser vista como uma homenagem a Verissimo, onde uma menina passeia "resumidamente" pelas historias. Ou como a historia de que tudo se pode ser conquistado com a força do pensamento positivo, como no fadado livro "O Segredo" de Rhonda Byrne. 
                 Erico Verissimo é em sua obra infantil, extremamente repleto de ação, suas historias passam longe de tramas de meninas, não há fadas ou simplesmente finais felizes. Seus personagens são tresloucados, cheios de perguntas sem resposta. O que é ótimo para as crianças. Pois assim elas podem construir mundos com multi encaixes. O Castelo Encantado, tem o lúdico sem ficar caretinha.
                       Mais ainda , o elefante BASÍLIO que quer ser Barbuleta, vem de encontro a atualidade, onde prega-se descaradamente que qualquer um pode ser o que quiser ser...  Então a bandeira colorida que Basílio levanta após livrar-se de regras e imposições que o afligem, só pode ser visto como algum tipo de menção ao mundo LGBTT... Mas o Máschara não está levantando esta bandeira, está apenas dando vasão para esse pensar que é sim importante.
                       A trilha sonora está ali apenas para sublinhar coisas, poderia muito bem não estar...Não faria falta, mas a caixa de som e a sonoplasta precisam entrar em conversação com o espetáculo.
                       A Matinê continua acontecendo e deve acontecer, o teatro precisa continuar, o espaço é bom e dele muito se pode extrair. Vida longa a Matinê do Máschara.


Dulce Jorge (St. A)
Cléber Lorenzoni (St. AI)
Ricardo Fenner (St. AIII)
Renato Casagrande (St. II)  (**)
Alessandra Souza (St. III)   (**)
Evaldo Goulart (St. IV)      (**)
Fabio Novello (St. IV)        (**)
Douglas Maldaner (St. IV)    (***)
Bruna Malheiros (St. IV)     (**)




            A Rainha

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Elenco do Máschara ao lado da amiga e patrocinadora Loreci Hintz


Atores do Máschara em performance no bairro São José de Cruz Alta


Elenco de O Castelo Encantado ao lado da aluna da ESMATE Sarah Ribeiro


Cléber lorenzoni ao lado de uma jovem aprendiz


Nosso Elefante basílio passando por transformações nas mãos do ator/diretor e artista plástico, Fábio Novello


Elenco do Máschara celebrando o sucesso de O Castelo Encantado na 14ª matinê do Máschara.


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Vem aí mais uma edição de o Castelo Encantado


A Atriz Angélica Ertel no Espetáculo Maria Peregrina


Se você tiver oportunidade, não deixe de assistir a atriz Angélica Ertel no espetáculo Maria Peregrina,  de Luis Alberto de Abreu, em cartaz no Teatro Comune. Será em todos os domingos do mês de Outubro/2015, sempre ás 16 horas.



segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Esconderijos do Tempo na Ielb Cruz

Sobre o altar, "o homem"

               Durante centenas de anos, o teatro é tido como celebração pagã, as vezes ofensa a igreja, pretensão contra os políticos ou ainda reflexo da dita vida desregrada da parte mais baixa da sociedade. É claro que centenas também são, os tipos de atores, os estilos de interpretação, as linhas de espetáculos. No entanto a visão muitas vezes preconceituosas, ainda é a de que teatro e religião não se conversem. Há, por incrível que pareça, o teatro religioso, que educa, catequiza, informa ou homenageia. Mas esse vive em um lugar distante da verdadeira intensão do teatro. Do objetivo primordial, questionar o homem em sua existencia, balança-lo em sua área de conforto.
                   Sobre o altar o Máschara expôs a vida de Mario Quintana, mas muito mais que isso, suas próprias feridas, dificuldades, problemas internos de grupo, insatisfações, complexos de quem luta há anos. O Mario Quintana de Esconderijos do tempo carrega nos ombros um peso de criatura que luta para sobreviver. Muito diferente do verdadeiro Mario Quintana, o Quintana do espetáculo é amargurado pelas rasteiras que o teatro vem levando há anos. Quem tem um pouco mais de sensibilidade percebe a alma da Cia. por trás do espetáculo.
                      Durante o dia inteiro os atores foram somando-se, preparando o palco. Já não há mais aquela gana de alguns anos atrás, há ainda a preocupação em oferecer o melhor, mas há um cansaço. Vinte e três anos, sem dinheiro, com pessoas entrando e saindo e ainda com a obrigação velada de ser sempre o melhor, o teatro sofre. 
                  A encenação durou pouco mais de cinquenta minutos. Não foi das melhores apresentações do espetáculo, que tive o prazer de assistir, ao contrário. Estava um pouco sem ritmo, provavelmente devido ao palco adaptado que devido ao degraus, impossibilitava muitas ações.  Iluminação? Não havia, existe uma diferença nada sutil entre iluminação e dois ou três pontos de luz acesos. Iluminação é algo pensado, com um apelo artístico. A trilha? pessimamente executada, com resvalões terríveis. Esconderijos precisa de delicadeza. O SONOPLASTA PRECISA EXECUTAR DELICADAMENTE A TRILHA COM ZELO E POESIA. O cenário foi posicionado tentando cumprir as necessidades do espetáculo, mas acabou por prejudicar a disposição dos atores. 
                      Quem ler essa analise, irá me julgar como pessimista, afinal pareço estar pondo defeito em tudo. No entanto a culpa, se há alguma, não é da Cia. É da situação. Da opção em colocar o espetáculo em um ambiente que não tem nada de parecido com um teatro italiano. Observando por essa premissa, então  apresentação é repleta de méritos. Sim a equipe conseguiu executar Esconderijos do Tempo em uma igreja, ponto!
                   Fábio Novello esteve bastante marcante na encenação, é mensionável o fato de o ator estar a cada apresentação tornando Gouvarinho em um personagem italiano. O Soneto para o menino doente, também está muito melhor pronunciado. Bruna Malheiros também trabalhou com afinco ao lado de Renato Casagrande para que o espetáculo estivesse brilhante na cena. Logicamente um dos aspectos problemáticos quando se apresenta em locais adaptados é o cansaço a que a equipe se expõe em prol da montagem do cenário.
                        Ao final do dia o dever cumprido. Algumas cenas bem executadas tocaram o público. O teatro se cumpriu.

Alessandra Siuza (*)
Dulce Jorge (**)
Cléber Lorenzoni (**)
Renato Casagrande (**)
Fabio Novello (***)
Evaldo Goulart (*)
Fernanda Peres (**)
Bruna Malheiros (***)
Ricardo Fenner (**)
Douglas Maldaner (**)


                      A Rainha
                      
                         
                         
                   



O Castelo Encantado em mais uma matinê do Máschara


Entrevista sobre Casa de Cultura

Entrevista Cléber Lorenzoni a pedido do univeristario  Rudimar Cardias
Pauta: “Descaso com a Casa de Cultura Justino Martins de Cruz Alta”

1.      Qual a importância da Casa de Cultura Justino Martins para a comunidade de Cruz Alta? ´

Como cidadão eu digo que um prédio histórico, uma lugar para a Cultura, um ambiente que deve estar lá e sua visita ser incentivada por professores, afinal tínhamos lá espaço para aulas de dança e teatro, sala de xadrez, biblioteca, palco para eventos, espetáculos, tínhamos inclusive dois grandes pianos, para aulas de musica, etc... Sem falar no memorial a grandes artistas que também está lá. Um prédio que conta uma parte da historia do município. Algumas pessoas não frequentavam a Casa de Cultura porque a consideravam um espaço de elite. Nós do Grupo Máschara queríamos trazer a comunidade para dentro daquele espaço e estávamos conseguindo bons frutos. Tenho que mencionar também, que nós só continuamos por que fomos muito persistentes, um grupo mais fraco, menos preparado e organizado teria entregado as pontas. Cruz Alta, uma cidade com sua importância histórica, não poderia simplesmente dar as costas para sua própria cultura. Em Cruz Alta resta a coxilha e o carnaval. Mas há toda uma gama de ações que estavam engatinhando e podiam frutificar muito. A função de um bom secretário de cultura é criar politicas públicas que oportunizem os artistas da cidade, as ações culturais. Se pararmos para dividir cultura e arte, aí a cultura continua acontecendo, logicamente, os corais, as ações religiosas, a capoeira, as escolas de dança, os grafiteiros, tudo isso é cultura e continua. Mas a arte é mais especifica e mais frágil. O Artista precisa quase sepre de um local próprio. Onde penduro um quadro de um grande artista cruz-altense? Na sala de minha casa?

2.      A Casa de Cultura era utilizada como forma de promover a cultura aqui no município. Desde que a mesma foi interditada, como você considera a perca que foi para os cruz-altenses? Uma vez que a cultura- teatro- aqui não tem tanta visibilidade. 

Acredito piamente que as coisas começam a acontecer quando as pessoas empreendem, eu sempre fui empreendedor por que do contrário o teatro já teria acabado. Criamos então em 2005 o Cena às 7, e aos poucos as pessoas foram se acostumando, chegando, em 2012 fazíamos teatro todo mês na Casa de Cultura, e o público sempre se fazia presente. Quando perdemos a Casa de Cultura, esse hábito gostoso de ir ao teatro que estava sendo criado foi caindo por terra e soma-se aí a aproximação das pessoas à nossa Casa de Cultura. Nada tem muita visibilidade até que se comesse a fazer, até que se bata na mesma tecla, mas agora com tudo parado, realmente fica difícil.

3.      Você considera que é um descaso da parte do poder publico referente a esse assunto? 

Não posso acusar ninguém de nada, mas é vergonhoso que a reforma esteja parada em seu terceiro ano. O Ginásio da cidade foi reformado às pressas, por que? Por que o esporte é mais importante que a cultura? Por que o secretario de esportes é mais capaz que o de cultura? São perguntas que ficam. Há tanta historia mal contada que já estamos nos acostumando com o fim da casa de cultura.

4.      Você como diretor do grupo teatral, e também como cidadão cruz-altense, procurou informar-se ou pedir explicações do poder publico sobre a Casa de Cultura? Se sim, o que o mesmo argumenta para você?

Procuramos muitas vezes, os meios de comunicação não insistiram muito talvez por receio, em cidade pequena todos tem medo de se queimar com políticos. Mas o fato é que as historias que nos chegam são sempre confusas, mal contadas. O que nos foi dito é que uma empresa saltou fora e agora seria necessário fazer nova licitação, contratar outra empresa, no entanto uma parte foi paga para a primeira, então não há verba para terminar... Algo assim.

5.      Prestes há completar mil dias sem Casa de Cultura, é possível somar por cima quantos espetáculos de teatro o grupo deixou de fazer? 

Bom o Cena às 7 era mensal, sempre no segundo sábado e domingo do mês. Deixamos de fazer 31 edições do Cena às 7 na Casa de Cultura, ou seja muito teatro. Pessoas nos ofereceram outros espaços, o trabalho continuou, mas aquele clima legal de teatro na nossa Casa de Cultura, parou, e isso sem falar em toda uma gama de ações na área de cultura que nosso município foi perdendo, inclusive o Dança Cruz Alta.

6.      Você acredita que ainda vai demorar para o poder publico tomar alguma atitude sobre esse assunto? 

Não sei dizer, mas sei que isso não é o mais importante para eles. E o pior é reconhecer que nosso povo está carente de tanta coisa, que fica difícil levantar uma bandeira declarando a importância da cultura, afinal a saúde está carente, a educação...

7.      .Na sua opinião quando a Casa de Cultura voltar a ter seu funcionamento normal, o que a comunidade de Cruz Alta ganha com isso? O que a cultura ganha? 

Ganha dignidade, respeito para com uma cidade que está sempre perdendo tantas coisas. A oportunidade de grandes Cias. virem se apresentar em Cruz Alta. Um lugar próprio para ações culturais, dança, musica, aulas de musica, capoeira, balé, até cinema já assisti na Casa de Cultura. As vezes tenho a sensação de que estamos virando uma cidade fantasma, daquelas de faroeste, onde não se pode falar, e as praças e reformas soltam tanto pó e areia e terra, que ajuda nesse clima de faroeste. Todo mundo indo embora em busca de emprego, em busca de vida melhor... O que será de nossa Cruz Alta?