sábado, 4 de abril de 2026

1329 -Me dê sua mão - (tomo 03) Paixão de Cristo Ano VIII

Um teatro de texto

       Teatro tem mais a ver com dramaturgia, do que com texto propriamente dito, mesmo porque muita coisa é dita através da semiótica, sem a necessidade da verbalização. No entanto, há textos que são verdadeiras poesias, e que tem como qualidade, valorizar a palavra dita, bem pronunciada. De todos os textos escritos para as oito edições de A paixão de Cristo, do Máschara, esse ultimo foi o que mais me tocou, mais me fez refletir, me fez ver realmente do que se está falando e do que se trata esse gênero teatral.
               O jogral dito por todo o elenco, cria uma força poderosa, e é interessante perceber ali, que o teatro é pleito, é grito, é revolta. É força! Todo o prólogo me faz pensar em várias questões: eu saí de casa realmente, para ver teatro, não para ver apenas uma encenação. O teatro é gangrena, como já dizia Nelson Rodrigues, é ferida aberta. Nossas feridas estão todas abertas. O Jesus de dois mil anos atrás, segue dentro de cada um de nós. ELE, que foi antes de tudo um poeta, como já dizia Oscar Wilde, deixou um tributo ao amor. O Amor! Mas nós, no mundo atual, somo incentivados, todos os dias, a sermos egoístas, a buscarmos nosso lugar, a nos defendermos, a vencermos, e muitas vezes, passarmos por cima de outros. Para amar do jeito que Jesus falava, é preciso baixar a guarda, é preciso todos os dias, trabalhar a humildade, o desprendimento... 
                A estruturação do espetáculo segue a linha perfeccionista do diretor. Prólogo (enunciado), ato I (ensinamento), ato II (queda do herói), Epílogo (gloria). A análise ativa de Stanislavsky é perfeita, visível, quase como se fosse um espetáculo cientifico. Técnica é a melhor forma de brindar o público. Na técnica não a espaço para a mediocridade, a barriga ou o fracasso. Mesmo quando é ruim, é bom! Técnica e talento aliás, são pontos muito discutidos. Os talentosos se apagam, os técnicos permanecem. Sobre o palco há o voluntário, imbuído em acertar, iniciante. Há o ator dito talentoso, que tenta sensivelmente acertar e marcar e há o ator técnico. Talento é passageiro e baseado em uma luz, uma força que com o tempo perde o viço. O ator técnico é lutador, está sempre buscando, estudando, treinando. 
                  O máschara desenhou o ato primeiro de uma forma mais lenta, morosa, para cumprir o seu golpe no segundo ato. A aparição de Jesus entre as pessoas, no lado contrário ao da encenação, foi precisa, e emocionou enquanto surpreendeu. O público derramou lágrimas, e lágrimas são luxos hoje em dia, derramar lágrimas para muitos, significa fraqueza. Chorar e ver as verdades do mundo com grandeza de sentimentos, é na verdade força.
                     No primeiro ato, o maior destaque da cena é do ator Gustavo dos Santos, que interpreta o demônio, e depois um soldado. Sua humildade em buscar, apreender conhecimento, atuar com vivacidade, merece aplausos. Margareth Medeiros é grande, única, intensa em seu "nazareno"!
                         A Magdalem de Devi, se destaca, preenche o palco, com brilhantismo. Renato Casagrande comanda o segundo ato e merece aplausos sempre. Junior Lemes é presença firme, em todo o dia de batalha, e torcemos por sua entrada ao Máschara. 
                            Parabéns a Antonia Serquevitio, que é partner, é luz na escuridão e no vazio, talvez intensa demais fora de cena e devesse puxar essa intensidade para o palco. 
                              Ao final da cena, havia uma satisfação, um clima de conexão entre público e elenco, eis o verdadeiro fenômeno dramático, como diria Augusto Boal. Talvez as crianças pudessem ter feito sua aparição no palco. Talvez Herodiaze pudesse entrar com vinhos e uvas.  Talvez o Centurião tenha colocado em risco as cenas de Pedro ao perder o capacete. Talvez a experiência final com o corpo santo, tenha se mostrado estranha. Diálogos muito altos na "gólgota" colocam em risco a veracidade da cena. 
                               Teatro é estudo, busca, apropriação, veracidade, sacrifício. A paixão de Cristo, é mais que um teatro comunitário, e menos que um teatro técnico, mas serve de treino para quem busca sua própria potencialidade cênica.   

Arte é Vida

A Rainha

ANA CAROLINA COSTA  (**)
  ANTONIA SERQUEVITIO  (**)
 CAROLINE GUMA  (**)
 CLARA DEVI DA COSTA   (***)
 DOUGLAS MALDANER  (**)
 GUSTAVO DOS SANTOSFERREIRA  
Gustavinho (***)

 GUSTAVO FERREIRA (**)
 JESMAR PEDRO FREITAS PEIXOTO  (**)
 JEZABEL NOGUEIRA DA SILVA (**)
 KLEBER LORENZONI (ancião)
 KLEBERSON BEM BORGES  (**)
 MARGARETE MEDEIROS ARAUJO (**)
 MARLI CHRIST GUMA (***)
 PEDRO HENRIQUE MORAES (***)
 PRISCILA CHIESA LEMES  (***)
 RAFAEL SOARES MULLER (**)
 RENAN QUEIROS OLIVEIRA (**)
 RENATO CASAGRANDE (ancião)
 RICARDO SANTOS FENNER  (ancião)
 ROBERTA TEIXEIRA  (***)
 ROSBER CULAU BRANDÃO (**)
 ROSIANE TEIXEIRA MORAIS (**)
 VALDIR TOLFO FLORES  (**)
 JUNIOR LEMES (***)
 ALEX MMONTEIRP PUGLIEZZI (**)
 ANA CLARA KRAEMER  (**)
 ANA LETICIA DA SILVA (**)
 AURORA SERQUEVITIO MALDANER (**)
CECILIA MORAES SEVERO  (**)
 FELIPE CHAVES BRANDÃO  (**)
 GIOVANA DA SILVA LOPES (***)
 IZABELLA CHIESA LEMES   (**)
 IZIS ROSA DA SILVA (**)
 KEVIN DIJON PADILHA  (**)
 MICHELY VICTORIA CAVINATTO DE MOURA  (***)
 RAVI DANTAS QUARESMA  (**)
 THAYLA NOGUEIRA PLAUTZ  (**)
 VALENTINA CHIESA LEMES  (**)