quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O Castelo Encantado na escola Venancio Aires tomo 103

Outra vez em uma escola...

              Depois de encerrar a temporada de O Castelo Encantado na Matinê do Máschara, o elenco ainda teve energia para incursionar pelo colégio Venancio Aires com as personagens inspiradas em Erico Verissimo. Eu particularmente ando receosa em entrar em ambientes escolares, os pais de hoje não se esmeram muito na educação dos filhos, o que se ouve e se vê em um espaço repleto de jovens não é lá muito legal. No entanto, os pequenos que aguardavam pela peça, pareciam totalmente compenetrados, sendo assim, a encenação foi uma das melhores que vi nas ultimas incursões de O Castelo. 
                  Embora tenham investido em apenas quatro atores. Cléber Lorenzoni, Renato Casagrande e Evaldo Goulart estiveram muito conectados. Volumes agradáveis. Piadas funcionais. Personagens crescentes. Um arrojo. Só indico ao terceiro, um melhor apuro da dicção.
                  A cena de Basílio foi adaptada ao elenco que se tinha, e embora o anãozinho tenha uma importancia enorme, a bandeira da necessidade de se respeitar os animaizinhos foi debatida. O Duende de O Castelo Encantado me lembra um pouco o âmago de Rapumpelsisse, e creio que por isso goste tanto da personagem. Mas o importante é sempre contar uma boa historia, não importa como o faça. 
                   O ritmo de O Castelo Encantado é intenso, as cenas curiosas e divertidas, e adaptação que o elenco faz ao espaço, dá todo um toque especial ao espetáculo. Se Lili Inventa o Mundo agrada os adultos pelo apelo sentimental, Castelo nos chega pelo ótimo desempenho das personagens. 
                    Penso que o Máschara deveria investir em um sonoplasta, e em um contra-regra. Não é vida um ator passar a vida toda tendo que descascar abacaxis e ao mesmo tempo bem atuar. 
                   Alessandra Souza alcança nessa pequena mocinha, o seu melhor, não pode no entanto, acomodar-se. Perigo para qualquer ator. Vida longa ao teatro infantil do Máschara.


Alessandra Souza (**)
Renato Casagrande (**)
Cléber Lorenzoni (**)
Evaldo Goulart (**)
Douglas Maldaner (*)



A Rainha


                   

Com a organização do evento em Nova Ramada


terça-feira, 27 de outubro de 2015

Ultimo domingo de Castelo Encantado - tomo 102

               Neste último domingo chegou ao fim a curta temporada do espetáculo O Castelo Encantado na Matinê do Máschara. Depois de seis domingos, o espetáculo agora entra em recesso até surgir nova oportunidade. O maior mérito do espetáculo, é o amadurecimento dos atores, principalmente da protagonista, Alessandra Souza. No decorrer das seis apresentações, Alessandra se tornou mais delicada, mais relaxada e portanto menos tensa. Ao menos externamente. 
                Sempre que um espetáculo se encerra, sinto-me um pouco frustrada, será que ele foi visto por todos quanto podia, ou devia? Não sei, mas a platéia do ultimo dia poderia ser contada nos dedos. Espetáculo ruim? Jamais! Falta de hábito dos Cruzaltenses? Também não creio ser o caso. Mas há certamente algo de errado com as frustradas tentativas em aplicar o teatro na mui leal cidade do divino...
                  Evaldo Goulart também evoluiu e muito, passou a se entregar mais para o teatro. Revelou seu respeito pela nobre arte. Descobriram-se talentos como Douglas Maldaner e Bruna Malheiros e finalmente vislumbrou-se Amanda Oliveira e Gabriel Araujo sobre o palco. 
                  Mesmo com público pequeno, os atores fizeram um ultimo trabalho, valorizando o público que la estava. O ritmo ainda que em determinado momento se torne constante e cansativo, faz da obra algo divertidíssimo e repleto de interação. Os acontecimentos e personagens vão surgindo de forma tão natural e interligada que parecem fazer realmente parte de uma mesma historia, historia essa que foi contada por Cléber Lorenzoni, a partir da obra de Verissimo. 
                   O que posso dizer dessa empreitada do Máschara? Todos os elementos postos em cena são bem operados, o espetáculo encanta, diverte e faz pensar, ponto. Um misto de diferentes unidades, diferentes elementos que, justapostos, constroem uma só linguagem, um só texto...Mas o Máschara tem um objetivo em oferecer teatro mediante tanto trabalho e pouco dinheiro, ao público de sua cidade. A pergunta que não silencia é: O público cruzaltense quer teatro?


Alessandra Souza (*)
Renato Casagrande (*)
Evaldo Goulart (**)
Douglas Maldaner (**)
Fabio Novelo (**)
Gabriel Araujo (**)


Arte é vida...

Elenco de O Castelo Encantado saindo para apresentação em escola Venancio Aires


domingo, 25 de outubro de 2015

Ed Mort 16 (718) - Os Saltimbancos 31 (719) - O Santo e a Porca 9 (720)

               Três espetáculos extremamente diferentes em sim, praticamente o mesmo elenco, substituições de última hora e em comum, o amor pelo palco.
                           

                           O grupo Máschara montou seu palco em um clube da cidade de Nova Ramada. No primeiro espetáculo do dia, a comédia crônica de Luis Fernando Verissimo, o humor ácido a partir de um caso investigatório na vida do detetive Ed Mort. O ponto alto do espetáculo certamente foi a estréia de Alessandra Souza no papel da vilã Bibi. Para mim, a interprete preenche as necessidades do espetáculo, a terceira Bibi da montagem de 2008, deveria triangular todo o espetáculo e Alessandra o faz, no entanto a mudança de lugar prejudica um pouco a estrutura do elenco. A cena da carrasca foi abalada e a cena das crianças. Então me pergunto, até que ponto a saída de um ator, não pede o congelamento de um espetáculo e o inicio de outro que produza algo novo a partir do elenco que se tem. 
                              Evaldo Goulart assumiu nova função, mas não abriu mão de sua função anterior, o que prejudicou totalmente a sonoplastia do espetáculo. Portanto uma má escolha da direção. E essa má escolha reflete-se em praticamente todo o espetáculo. Renato Casagrande (***) salva boa parte do espetáculo com sua veia cômica. Enquanto isso Cléber Lorenzoni corre de um lado para o outro, pede musica, entra em cena sem maquiagem e ainda consegue tirar muita graça com Edna. 
                              As 15 horas e vinte e dois minutos, inicia-se Os Saltimbancos. A escolha da encenação em arena aproxima o público, mas prejudica os atores mais rasos. A iluminação de Fabio Novello (***) não chega a criar efeitos grandiosos, mas dá o tom da arena. Algum acontecimento impediu a canção original da gata, e o operador deu ao intérprete uma musica com outro arranjo, o que visivelmente prejudicou a interpretação. Os Saltimbancos, é um espetáculo extenuante e os atores não deveriam apresentá-lo em dias em que encenarem outra peça. Ricardo Fenner fica em cena o espetáculo inteiro, ora, atores que não possuem muito tempo para treinar corpo e voz, não aguentam um esforço tão grande sem que isso repercuta em sua interpretação. Alessandra Souza esteve bárbara, e Cléber Lorenzoni certamente abocanhou as crianças na pele da gatinha enfezada. 
                              A grande espera do dia, no entanto, foram as armações de"Caroba", Evaldo Goulart (***) surpreende a equipe com sua Benona, possivelmente uma cópia do que Gabriel Wink compôs em 2012, mas que tem tudo para despontar em algo ainda maior, isso claro, se o espetáculo não ficar encaixotado na ESMATE. O Santo e a Porca teve como ponto alto o trabalho em equipe. O cansaço de um dia inteiro de trabalho felizmente não apareceu em cena. Embora Dulce e Ricardo tenham engolido algumas palavras de seus textos. Fabio Novello (***) mais uma vez se esmerou em iluminar o palco/chão e com poucos pontos de luz conseguiu ótimos efeitos.Renato Casagrande e Cléber Lorenzoni tem o espetáculo na mão, pelo conhecimento dos cortes, pela direção de palco que fazem, mas Dulce Jorge (***) da o tom em todo a metade final do espetáculo e consegue sem apelações, ser engraçada, graciosa e efusiva. Já Alessandra Souza (***) embora precise melhorar sua dicção nesse espetáculo, acerta em cheio em sua "mocinha". 
                                   Foi certamente um dia inesquecível, onde muitas coisas foram testadas e o que venceu foi a gana pelo teatro.


Arte é vida, para alguns...

A Rainha
                        

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O Ator Evaldo Goulart, a nova Benona de O Santo e a Porca


Grupo Máschara em Nova Ramada-depoimento

              Hoje vou dar esse espaço ao diretor dos espetáculos do Máschara e ficar bem comportadinha. Acredito que mais importante que minha crítica hoje, é o senso de gratidão.
                            
                            Lidar com o ser humano é como preparar-se para entrar no mar, não se sabe o que sairá dele, há a correnteza, a força das ondes, a profundidade, os bancos de areia e ainda os animais marítimos... Mas assim como entrar no mar, lidar com o ser humano tem toda uma gama de prazeres que tocam os sentidos: a temperatura da água, o vento, o calorzinho logo que se volta à areia, a sensação dos pés afundando no chão. A prazerosa sensação de quase ser levado pelas ondas e então no ultimo instante nadar e escapar de volta à terra firme. 
                            Nesses dezenove anos de Grupo Teatral Máschara, muitas foram as sensações e muitas as pessoas que passaram por mim, pessoas que trouxeram um pouco de si e levaram um pouco de mim. Com algumas aprendi a amar ainda mais o teatro, com outros tive a desprazerosa revolta de quase desistir de fazer teatro. Com algumas aprendi a realizar melhor ainda o meu sacerdócio, com outras me desacreditei da vida e da sensação de que há de se ser generoso. Quando digo e sempre digo, que ser artista é ser um ser melhor, o faço por que realmente acredito nisso. E não há como não acreditar nisso quando vejo o ator Fabio Novello vindo la de longe para fazer teatro conosco em troca de tão pouco. Ou quando vejo os sacrifícios da atriz Alessandra Souza pelo teatro. Há ainda a generosa paciência de Renato Casagrande em auxiliar a todos, ajudar cada um em suas dificuldades, em seus figurinos e maquiagens. Há a dedicação do pai de família Ricardo Fenner, que mesmo após um dia inteiro de trabalho, tem tempo e físico para dedicar a nosso sonho louco de interpretar. E Evaldo Goulartt, que tão jovenzinho, esforçou-se para orgulhar seu grupo em mais um momento de aperto. 
                            Teatro me apaixona, me enche de tesão, de paixão. O Teatro é algo louco e incrível. Ele aproxima as pessoas, (como toda a arte aliás), mas essa quinta feira eu jamais esquecerei, ocupará cinco páginas de meu diário pessoal. De ultima hora ficamos na mão, com três espetáculos para serem apresentados. E eu vi um milagre acontecer, aqueles milagres que só tenho o prazer de ver no Grupo Máschara, prazer causado pelo homem, que é criatura do universo, dessa força que alguns denominam Deus, essa força nos guiou e um espaço longe de ser chamado de teatro (prédio) com uma platéia gentilíssima (em Nova Ramada) assistiu três bons espetáculos, culminando com o revival de O Santo e a Porca. 
                             Fabio Novelo não mediu espaços, mudou e remudou as luzes de lugar, tentou solucionar problemas de sonoplastia, sofreu junto. Evaldo Goulart adentrou o palco estreando no mesmo dia com dois papéis novos. Vou explicar de um jeito melhor  para que quem estiver lendo compreenda a que me refiro. É como se uma pessoa fizesse malabarismo com três pratos enquanto limpa os pés embarrados em um tapete, faz gargarejo com flúor e ainda tenta pular corda. Não, não adianta, uma pessoa leiga não entenderia toda a confusa e árdua intensidade de se estrear dois espetáculos no mesmo dia, ser razoável, jogar com os colegas e ainda ter que operar uma sonoplastia. 
                              Gabriel Araújo também trabalhou muito, não foi explorado, mas pode presenciar as algúrias de se fazer teatro. Carregou coisas, alcançou coisas, percebeu como é o oficio: árduo e pouco valorizado. 
                               Quando você faz teatro no interior, sofre muito preconceito de quem faz teatro em cidade grande. Deve ser porque do nosso jeito meio tresloucado, somos obrigados a sermos atores, costureiros, construtores, eletricistas e por um pequeno momento do dia, atores. Em verdade tu interpretas vários personagens em um dia de turnê.  Um exercício ótimo, desgastante e estressante, que culmina no fim do dia com a espera pela satisfação do cliente.
                                  As vezes fico me analisando e tentando compreender que tipo de "carma" é esse do ator de teatro, que se dedica tanto apenas pelo "parabéns, vocês estiveram ótimos" do público. Será que é porque estamos na era da falta de gentileza, será que é por que estamos todos meio carentes nesse mundo tão louco? Será que é porque somos frustrados e psicologicamente doentios? Não sei o que dizer, mas sei que o fim desse dia só é bom por que ao nosso lado está alguém que pega junto, que luta junto, que sofre junto. E eu não sei exatamente por quanto tempo estaremos juntos, mas espero sinceramente que seja por um tempo suficiente para se ter toda a satisfação que merecemos. E ainda que quando cada um precisar se afastar, fique acesa a chama da gratidão pelas pessoas que te ajudam com teus sonhos. 
                                  Em Nova Ramada, sentados comendo torta fria, ou confraternizando após os espetáculos, lembrei de uma frase muito simples"É tão fácil ser feliz" e é! E é tão maravilhoso poder fazer aquilo que se ma fazer. 
                                   Obrigado Dulce Jorge pela intensidade com que te coloca no palco. Obrigado Fabio Novelo por mergulhar nesse mundo louco do teatro em nosso grupo. Obrigado Alessandra Souza pelos sacrifícios que faz em nome do teatro. Obrigado Evaldo Goulart por nos presentear com uma Benona tão boa,e em tão pouco tempo de ensaio. Obrigado Ricardo Fenner por mesmo com tantos compromissos em tua vida, poder nos dedicar um precioso tempo em prol de nossos sonhos. Obrigado Renato Casagrande por ser esse braço direito que auxilia todos nós. Obrigado Gabriel Araujo por gostar dessa coisa louca que nós amamos, chamada Grupo Máschara. Não foi um dia normal para se exercer a profissão, foi um dia de desafios. Um dia em que cada um foi testado minuto à  minuto, na musica da gata que decidiu não tocar, no palco mínimo onde não coube o cenário, nas lâmpadas que queimaram, na porta que nos trancou para fora... Enfim um dia normal para quem faz teatro no interior, mas um dia onde o que venceu foi a união e o trabalho em grupo.
                                       Obrigado meus queridos colegas!





                                 

O Santo e a Porca de volta aos palcos


Ed Mort em Nova Ramada


Os Saltimbancos com seu público - Nova Ramada


Animaizinhos de os saltimbancos encantando as crianças de Nova Ramada


O Santo e a Porca, sucesso em Nova Ramada


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

18ª Matinê do Máschara

                   Neste domingo, uma tarde com mais teatro... O que é teatro? é o conflito? É a historia? É a ação? Acredito cada vez mais que o teatro é a vida humana. E ela é incrivelmente atraente, por isso nunca entendo muito bem quando alguém me diz que não suporta mais viver, ou quando descubro que alguém tem caráter suicida. Ora, o teatro é praticamente uma homenagem a existência. É o homem imitando o homem. 
                    Na apresentação, a atriz Alessandra Souza (**) interpreta uma menina curiosa e ativa. E neste domingo com um visual arrebatador de franja. Alessandra recebe o público de forma meio ensossa, provavelmente por falta de direção nesse ato. Algumas atrizes carecem de direção para tudo. Já dentro do teatro, a jovem nos envolve, nos revela uma personalidade forte, Rosa Maria fala o que quer, enfrenta os personagens mais ácidos e aconselha a todos. Rosa Maria parece não gostar de injustiça. A pergunta que fica no ar é: O que realmente muda no mundinho da menina? Gosto muito dos "achos", pois parece que a menina vai descobrindo as coisas no decorrer da trama. 
                    Alessandra Souza é uma atriz que lutou muito em sua carreira teatral. Entrou no grupo fazendo pequenas participações, e em 2012 estreou em O Santo e a Porca, mas foi em A Serpente, que a atriz realmente conquistou sua posição de grande interprete. Agora Souza encarna a pequena heroína de Erico Verissimo e deixa sua marca como protagonista infantil. 
                       Evaldo Goulart (***) atua ora como um dos "vilões" da historia, ora como um dos heróis. E consegue criar muito em cena. Mas o que mais me prende o olhar a esse jovem, jovem, jovem ator, é a maneira dedicada como têm abraçado a matinê do Máschara. Ser ator não é apenas atuar bem, mas entregar-se, dedicar-se, conhecer os colegas, dar ideias, ajudar a solucionar e etc... Evaldo faz parte do futuro da Cia.. Se aprender o oficio, mostrar-se um defensor do teatro, certamente o Máschara perdurará. Renato Casagrande (**) é um ótimo ator, um dos melhores que o Máschara já teve, mas esteve agitado, e junto com a protagonista, demorou para acertar a medida. Mas Renato adentra o palco para fazer valer. Tem noção de espaço, jogo. e domínio de voz. 
                          Cléber Lorenzoni (**) esteve bem distante da interpretação forte de sempre, mas basta um olhar seu no proscênio e o público parece se entregar. Gabriel Giacomini(*) ainda é um aluno, mas já consegue produzir bons resultados em suas cenas. Precisa no entanto observar os atores veteranos, e ir somando macetes e estilos de interpretação. 
                              Douglas Maldaner(*), Fabio Novello(***) e Dulce Jorge(***), assumiram posições novas na organização dessa edição da Matinê, devido a ausência de alguns colegas. Douglas iniciou cantando e depois não apareceu mais, a não ser no final. Não entendi então por que o colocaram ali. As alegorias cantadas, não deram muito certo, os atores confundiram-se nas marcas e apesar de ter um ator a mais caracterizado, percebeu-se a dificuldade em Evaldo Goulart abrir a cortina na hora do Elefante Basílio.
                                    Foram-se cinco domingos com O Castelo Encantado, e o público ainda não é muito numeroso, no entanto a Cia. segue plantando a semente de um futuro com mais público no teatro, embora me pergunte, como o público saberá que o teatro é a resposta para algumas perguntas?A importancia do Máschara e sua capacidade são indiscutíveis, basta ver a lista de cidades percorridas, o público, a importancia desse grupo com mais de vinte anos. Mas antes que qualquer pessoa reconheça o valor desse grupo, é importante que seus atores percebam esse valor.

Arte é vida


A Rainha

                       
                        

Tietando após o espetáculo



Vem aí Ed Mort


O Senhor Mágico


Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande


O Castelo Encantado e seus atores


Dia de formação na Esmate


Mais uma da matinê do Máschara


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Ricardo Fenner e Renato Casagrande e, Os Saltimbancos


Atore do Máschara gravando comercial no estúdio da UNICRUZ


Rafael e ursinho com musica na barriga


O elefante Basílio criado por CLéber Lorenzoni e Renato Casagrande

-Quero ser uma barboleta!

Vem ai Zah Zuuu


O Castelo Encantado - tomo 100 - 716ª incursão do Máschara

O Centenário com cara de menino!

                         O que é o teatro se não uma tela em branco a pintar?  E o é tanto para os interpretes, quanto para o público. O elenco vai pintando na cena, o público no coração, na alma.Eu venho pintando na minha tela há muito tempo. O Castelo Encantado por exemplo vem sendo pintado no coração de crianças e adultos desde o ano de 2005, já são cem apresentações. Quatro jovens atrizes passaram pelo Castelo Encantado como Rosa Maria e posso dizer que a atual interprete da menina de Erico, Alessandra Souza, tem chegado ao amago da direção do espetáculo. Alessandra Souza encanta como uma menina ativa e curiosa, envolve o público e vai conduzindo muito bem a cena. Não é lá muito afinada na hora de cantar, mas isso pode ser trabalhado, com estudo, busca, esforço e "sem teimosia". O Castelo Encantado parece um espetáculo de colagem, mas tem o ritmo do devaneio infantil, as coisas se transformam rapidamente. Não possui a seriedade de Lili Inventa o Mundo, mas isso o torna mais leve. 
                            Pela manhã havia ido à romaria, adoro esses eventos com aglomerações, bons para se analisar o ser humano no pobre e sem técnica alguma, teatro da vida. Fui também por que aprecio cerimônias, símbolos, signos. E o teatro está repleto deles! Por isso fui também ao teatro. Fui feliz em ambos os ambientes. Em ambos os lugares haviam crianças, amo crianças. Elas são nosso futuro. E criança engajada me faz tão bem, criança com a família, tanto na romaria quanto no teatro. 
                             No elenco de hoje mais mudanças: Cléber Lorenzoni, a já citada Alessandra Souza, Renato Casagrande, Evaldo Goulart, Douglas Maldaner e Amanda Oliveira. Todos muito parelhos, equivalendo-se, claro os trunfos do Máschara perfeitos, logo depois os novos e alunos da ESMATE. Amanda Oliveira passeia muito firme pelo palco. Ainda está começando, mas já aponta uma interessante interprete. Algumas coisinhas em sua improvisação soam um pouco medíocres, mas ela é instintiva e isso é ótimo. Sua voz tem potência, embora ainda seja tom de menina. Mas isso passa felizmente. Seu jogo de cena é muito bom e dificilmente os leigos acreditariam que foi sua primeira vez em cena. 
                               Douglas Maldaner e Evaldo Goulart tem muita energia, Maldaner ainda parece inseguro no prólogo e no epílogo, mas seu anão roubaria a cena, não estivesse contracenando com uma figura tão grandiosa quanto a de Basílio.
                                   Agora, preciso mencionar as pernas do Elefante Basílio, ator bom atua de costas, atua vestido de árvore, atua só com os olhos, e "atua só com as pernas". Renato Casagrande da vida para o corpo do elefante, reage, tudo isso só com as pernas dele que estamos vendo. Claro que como a plateia está no mesmo plano dos atores, muita gente não percebe, mas ainda assim, não deixaria de fazê-lo não é mesmo?! Um exemplo para os colegas!
                                    O espetáculo vai te levando pela mão, após a melodia adorável de Beirut, as cores dos contadores de historia, a facilidade com que mudam de personagem, apenas com o trabalho corporal e algum adereço. Teatro! As vezes chego a me emocionar com a capacidade e esforço desses jovens atores do interior. Afinal pelo número de pessoas na plateia, provavelmente trabalharam um dia inteiro e ao final nada receberam, mas continuam ali, com um sorriso para seu público. Um exemplo, uma aula de generosidade e amor pelo que fazem. 
                                     Foi definitivamente um dia das mulheres, Alessandra Souza, Amanda Oliveira e Bruna Malheiros, todas merecem as três estrelas por esse dia. Torço que O Castelo Encantado, após sua participação na Matinê continue por ainda muito tempo, um espetáculo tão divertido deveria ser assistido sempre e por todos.


                                       A Rainha
                                  
                              

Grupo Máschara em Carlos Barbosa, um mar de crianças


Alunos do Colégio Santíssima com os personagens de Os Saltimbancos


Capitão Tormenta e Rosa Maria


Vem aí 18ª Matinê 18/10/2015


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A família da jovem aluna da ESMATE Amanda Oliveira


família do ator Renato Casagrande


Elenco de Zah zuuu


No dia da criança, clowns de presente


Zah Zuuu mais uma montagem do Grupo Máschara


Zah Zuuu, primeira incursão Ielb Cruz- 10/10/2015 - performance número 816

O PODER DA "MÁSCHARA" VERMELHA

                                                               


          "Os palhaços sempre foram parte integrante do circo, Num  
  espetáculo de  perícia física, que produz 
na assistência uma reação mental,
 -deslumbramento, espanto, admiração, e apreensão -
 é preciso haver um complemento, um conceito mental 
que produza no público uma reação física, ou seja, o riso."

           
                     
                     O CLOWN E O PALHAÇO NÃO SÃO A MESMA COISA!!!! Clow vem de clod que se liga etimologicamente ao termo inglês "camponês", e ao seu meio rústico (terra). Palhaço vem do italiano paglia (palha) material usado para revestimento de colchões, por que a primitiva roupa desse cômico era feita do mesmo pano dos colchões, um tecido grosso e listrado, afofado para proteger nas quedas do "palhaço".
                Incrivelmente as pessoas gostam em demasia da figura do palhaço. E não poderia ser diferente, em um mundo onde tantos tem medo de "serem" os "micos" da turma, Onde todos querem bancar sempre os melhores, ver outro aceitar ser o ridículo, aceitar ser o bobo da corte, só poderia realmente ser prazeroso, libertador. 
                    Quando o público ri do palhaço (clown) sobre o palco, se sente livre para exorcizar-se. O público vê o outro sentado ao seu lado rindo e pensa, "nossa, ainda bem que está acontecendo com ele e não comigo". "Estou livre!" É como se a platéia relaxasse em seu interior, respirasse e pudesse descontar sua insegurança, suas "pequeninas maldades"sobre aquele "judas em sábado de aleluia". 
                     Mas isso tudo é apenas uma pequena parcela do todo que o palhaço causa. 
                O palhaço, ou o cômico, é um herdeiro da Commedia Dell Arte. Esta porém havia sido desmantelada pelo papa Inocêncio XII em 1697 durante a Contra-Reforma. O circo como conhecemos hoje, com picadeiro, surgiu em 1768, por criação de Phillip Astley, foi ele quem descobriu que se galopasse em circulo sobre o cavalo, teria o equilibrio facilitado pelo efeito centrífuga. Após os grandes circos de cavalos percorrerem o mundo, foram somando-se as trupes, outros números, com tantos outros tipos de animais e etc...
                Não se sabe ao certo quando, mas o palhaço herdeiro dos bobos da corte, que foi se aprimorando e no século XVIII afloraram pelo mundo, metamorfoseou-se, e tinha que ser assim, os grandes circos foram se acabando, o palhaço como figura plena, o grande centro do picadeiro, foi perdendo seu espaço. Poucos palhaços sobreviveram, e a nova figura do palhaço foi moída. Surgia aí uma nova geração de palhaços em resposta ao homem contemporâneo. Por um lado o grau de exigência aumentou. Quantos de nós não se sentem culpados por rirem do palhaço? Quantos de nós não julgam ser apenas para as crianças as palhaçadas? Nesse sentido, o palhaço precisou buscar uma outra visão, mais artística, com uma estética mais avançada.
                    O clown como técnica é um conjunto de idéias relacionadas a um olhar humano delicado quanto a interpretação cômica e a postura das plateias.
                       "O clown espanta o medo, essa é sua função"
                    A máschara por alguns banalmente chamada de nariz, passa a ter um peso ainda maior. Jamais poderá ser tocada. Ela é parte do corpo do clown e há quem diga que ali é seu cérebro. Para o público ao menos, a máschara  possui um eloquente poder sedutor. Em maioria das vezes o clown não fala, mas muitas coisas estão passando por ele, sendo ditas ainda que sem palavras.
                      Duas linhas se dividem, em ambas é dito que existem dois clowns, Louis e Auguste. Ambas também pregam que o clown é um sopro interno que todos possuímos, imutável. No entanto, , uma das linhas prega que o clown de grande loquacidade, que investe como metralhadora contra o o público e contra os outros clowns é o speaker, o clown branco, o Loius. Algo como Didi em Os trapalhões. O outro clown seria Auguste, quase sempre mudo, que escuta assente, discorda com muito garbo, lança olhares, fica estupefato por qualquer coisa. O Principal, o clown preto. Há porém outra linha, onde  o Clown preto seria aquele que apronta, e o clown branco seria mais distante, o que sofre a ação, mas sempre se da bem...
                       Eu prefiro a ideia de que o clown Augusto é o bobo, ele representa a vitoria da pureza sobre a malícia, o clown representa toda a sociedade e o público se identifica com o Augusto, por ele ser o menos favorecido.
                      Segundo Luis Otávio Burnier, os tipos característicos da baixa comédia grega e romana, os bufões e os bobos da idade média, os personagens fixos da commedia dell'arte italiana, o palhaço circense e o clown , possuem uma essência: colocar em evidência a estupidez do ser humano, revitalizando normas e verdades sociais.
                         O Máschara já havia se embrenhado pelo mundo do clown em 1999, na montagem de O Conto da Carrocinha, quando Simone De Dordi e Cléber Lorenzoni muito se destacaram com seus clowns. Aliás já se via lá, em Cléber Lorenzoni a descoberta de seu clown.  Agora a trupe retorna com Zah-zuuu, Uma performance que indica o nascimento de mais um espetáculo.
                         Criado há várias mãos, mas destacando aí o trabalho de Cléber Lorenzoni, Renato Casagrande e Alessandra Souza, Zah-Zuuu parte da premissa de dois clowns, pai e filho, (ou poderiam ser dois irmãos, ou ainda tantas outras conexões), que se envolvem em várias confusões até que um resolve aninhar o outro em um momento de singela proteção. Ora um espetáculo de clown que termina com uma pietà, só pode ser algo de intenso apelo ao bom gosto. Cléber Lorenzoni é um Augusto, e move-se muito bem nesse caminho, pois sua existência é ali. Renato Casagrande vai desenhando um Louis e se sai muito bem, aliás até o dia da estréia, caso mergulhe firme nessa escolha, vai extrair dali uma grande "nova sala" em seu casarão de construção teatral.
                          O grammelot (que não é coisa apenas de clown), é gostoso e na medida certa, a ponto de a assistência já estar repetindo em menos de cinco minutos de cena. Tudo pode ser mais trabalhado e algumas conquistas são realmente impagáveis. A velha e conhecida cena do casaco deveria ter sido feita sobre o palco. Mas rende e muito. Não aprecio o figurino do filho, mas o figurino de Renato é maravilhoso. Apenas não curti a bota. Muito moderna dentro de um apelo retrô.
                          O Máschara tem esse jeito de ir compondo coisas,,, Delicadamente, despretensiosamente, a sua verdade é linda e do bem. Espero que todos abracem Zah Zuuu como novo espetáculo. Espero que alguns atores aprendam que as coisas sobre o palco possuem energias, espero que alguns aprendam que hora de trabalho é hora de trabalho, espero que alguns aprendam que  o teatro é como uma religião, uma das únicas em que o homem é o próprio Deus e por isso a meu ver, tão linda religião. Aprendam que não se brinca com o costume (figurino) alheio, espero que aprendam que lealdade, confiança e união, são os dogmas mais importantes dessa religião.


Cléber Lorenzoni (***) plus
Renato Casagrande (***) plus
Evaldo Goulart (***)
Alessandra Souza (***)
Bruna malheiros (**)
Douglas Maldaner (*)

Arte é vida -   A Rainha
                       


sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Os Saltimbancos tomos - 28/29/30 para os pequenos do Colégio Santíssima Trindade

O retorno dos animaizinhos...


Algo a ser mencionado de inicio, é a importância do teatro para as crianças, a importância do incentivo das escolas, junto ao teatro. Criança que vai ao teatro, cresce com mais criatividade, observa melhor o outro. Fica com o coração mais leve.
Os Saltimbancos foi apresentado para quase quatrocentas crianças. Todas se divertiram muito, participaram muito. E os atores estão ainda mais maduros em seu domínio cênico. A primeira encenação foi um pouco mais fraca, algo como um ensaio geral. O Jumento de Ricardo Fenner perdeu um pouco o público, mas foi auxiliado pelo ótimo trabalho de equipe. Renato Casagrande, Cléber Lorenzoni e Alessandra Souza foram preenchendo vários momentos, trocando cenas de lugar, tudo em prol de contar da melhor maneira a historia de que a união gera força.
Renato Casagrande criou muito principalmente na terceira intervenção. A segunda foi de Cléber Lorenzoni. Pena as vozes de Lorenzoni e de Fenner irem perdendo força na ultima sessão Lorenzoni devido a semana de trabalhos de palco e Fenner por que seu ritmo de ensaios e preparação vocal diminuiu muito.
Alessandra Souza esteve muito bem em todas as sessões, mas seu filhote "patinho" deu um show a parte. 
Vou enumerar aqui alguns itens básicos de noção para uma boa equipe a serem refletidos.
-Não se faz perguntas ao público quando ele está muito agitado.
-Não se grita muito, nem se aplica sustos se quer-se manter a calma entre as crianças.
-Uma boa equipe técnica não divide com o elenco suas preocupações pré espetáculo.
-Os técnicos e contra-regras precisam ter domínio sobre portas, janelas, sons, ruídos, crianças marotas, etc...
-Não grite para tentar se sobrepor ao público, vá falando cada vez mais baixo com tônus, assim eles vão automaticamente diminuindo para ouvir melhor.
-O mais importante em espetáculos infantis, são as ações... Por isso preencha seus animaizinhos com ações internas e ações físicas.
-Ao dublar, respire como o interprete musical, ou parecerá ridículo tentando enganar o público.
O jogo entre Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande não se repete entre Alessandra Souza, provavelmente por que são dois atores dependentes em cena. Falta química. Teatro é trabalho em equipe. "Na vida, sempre precisamos dos outros".
A trilha teve problemas, sei que não há como prever problemas, mas o operador precisa tentar ter domínio sobre seus aparelhos, para solucionar o mair rápido possível quaisquer situações de risco.

Cléber Lorenzoni (***)(**)(**)
Renato Casagrande (**)(**)(***)
Ricardo Fenner (*)(**)(**)
Alessandra Souza (**)(**)(**)
Evaldo Goulart (**)(**)(**)
Bruna Malheiros (**)(**)(***)

A Rainha




Os animaizinhos de Os Saltimbancos com as crianças do Colegio Santissima 08/10/2015


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Os Saltimbancos em cartaz no Colégio Santíssima Trindade


O Incidente 79 - Carlos Barbosa

O diáfano prazer do bom teatro

                      Maravilhoso assistir um bom espetáculo, sair do teatro revoltada, chocada, triste e feliz ao mesmo tempo. Teatro bom é assim, você embarca, viaja para um outro mundo. na verdade é mais ou menos o que é pregado no espetáculo infantil. Você viaja por um mundo encantado. Aqueles sete mortos adentraram a feira com tanto vigor, com tanta fé cênica, que fui tomada por uma mal estar de quem olha para um cadáver. 
                      Cléber Lorenzoni adapta o espetáculo para uma "declamação" bem feita. Os mortos se colocam na frente de micro-fones e ainda assim a magia acontece. Dos sete mortos, alguns atuam outros interpretam, mas todos convencem. Embora precise mencionar a interpretação incrível de Dulce Jorge (***) em Dona Quitéria Campolargo. 
                         A composição visual também merece louros, sem excluir ninguém. 
                       Mas o mais interessante é analisar um espetáculo como O Incidente sendo apresentado em uma cidade pequena e portanto ainda próxima em muitos sentidos, do microcosmo da Antares da década de 60. O homem evolui, se é que evolui, e se renova o preconceito, se renova a intolerância. "Para falar é preciso estar morto".
                       Em média à cada nove meses, O Incidente volta em duas ou três apresentações. Não sei se pela soma de Fabio Novello (**) ou Douglas Maldaner (**), mas essa foi uma das voltas mais positivas do espetáculo, que mantém o primeiro Pudim de Cachaça, muito bem interpretado por Cristiano Albuquerque (**).
                  Renato Casagrande (**) está mais maduro em seu Menandro Olinda embora ainda possa buscar dentro de si mais "dor" por seu personagem. Fabio Novello é bebê no espetáculo, deveria apresentar muitas vezes. O teatro começa a ficar bom, depois da décima! 
                 Douglas e Bruna (**) se esforçam para alcançar, correm atrás. Convencem. Douglas até emociona alguns, mas falta-lhes as outra mil faces, as entrelinhas, as nuances. Isso logicamente se conquista com o tempo, com trabalho. com erro e acerto.
                         Não há muito mais o que falar, quando é bom, é bom e pronto. Envolvente, seguro, intenso, com curva. Lorenzoni (***) improvisa, meche nos microfones, curva a coluna. Vocês sabem que adoro atores que mechem a coluna. Alessandra Souza (**) não esteve muito emotiva em sua Erotildes, mas compensou com outras intenções e Dulce Jorge deu como réplica a Menandro Olinda um grito perfeito. Foi em fim, uma belíssima noite de teatro.
                      A trilha de Evaldo Goulart (**) foi bem aproveitada e aprecio o gelo seco, embora num palco de feira de livros, o efeito cênico seja meio afuncional.


A Rainha


Selfie com alunos do Colégio Santíssima Trindade em Cruz Alta


Tudo pronto para a Matinê do Máschara no Grêmio de Subtenentes e Sargentos


O Castelo Encantado 99 - Feria de Livros de Carlos Barbosa

O Teatro é Matemático


Não existe certo ou errado na arte, existe o bom senso, e isso "todo mundo já sabe", mas isso não quer dizer que seja uma terra sem lei, longe disso. O Palco é como um templo, a cerimônia é um rito, e como todo ritual, possui seus dogmas, regras! 
Vou aqui mencionar alguns pontos que deveriam sempre ser levados em conta para auxiliar um pouco determinadas situações.
1º Sempre vestir-se antes de se maquiar (quando em palcos adaptados e feiras de livros) assim se o tempo acabar, o ator já estará vestido, podendo abrir mão de algum traço, mas de figurino não se pode abrir mão!
2º Tente nunca apresentar-se em feiras de livros sem microfone. Sou extremamente contra o microfone no palco, mas nesse tipo de evento é a voz que precisa impor-se e comandar a encenação. 
3º Tente compreender o público. Quando o ator está fora do teatro, no ambiente mas conhecido pelo público, deve ir pisando em ovos, até compreender o time daquele determinado grupo de pessoas.

O teatro é algo incrível, vai se transformando de acordo com as plateias. Quando você pensa que aprendeu, dominou um personagem, dominou o contato com o público, vêm uma nova inspiração, vêm um público diferente e você não se sai bem. O teatro é mutável, por isso mesmo tão grandioso. Muitos são bons comunicadores, ,as poucos são grandes atores. Uma dica para os mais antigos no palco. Quando sentir que está perdendo-se em algum papel, tire tudo! Limpe a interpretação em determinado personagem e recomece do zero, pelas noções mais pequenas daquela personagem. De um close na postura dele! 
Em cena, cinco contadores de historia, e muita tensão, que para mim vazava, escorria pelo palco. Alessandra Souza e Renato Casagrande praticamente foram engolidos pela platéia. Cléber Lorenzoni manteve seu ritmo, tentou contar suas historias com a mesma elegância e perseverança de sempre. Mas a cena dos três porquinhos foi parar na mão do público de forma problemática. 
Eu estava sentada ao lado de uma professora. Conversamos um pouco e ela me disse estar ansiosa, pois tentara fazer um "teatrinho" sobre Erico e não conseguíra. No entanto, passou o espetáculo todo dando furtivas olhadelas para seu aparelho de celular. Desconcentrou-me e irritou-me. 
Os atores atrás daquela cortina de retalhos, precisam jogar juntos, precisam estar conectados para que todo o troca troca de figurinos não recaia sobre um dou dois. Alessandra Souza tem como mérito o fato de ir dominando a pequena Rosa Maria, e eu saio do teatro com a sensação de que devo sim ser curiosa, não ter medo de nada. Uma aventureira! 
A preparação vocal de Evaldo Goulart, Bruna Malheiros e Douglas Maldaner precisa ser incentivada, trabalhada. 
Fabio Novelo assumiu a operação do som praticamente na hora do espetáculo começar e se saiu razoavelmente bem, mas uma dica, musica no teatro? Antes sussurrada do que berrada. 
Poderia ter me irritado com o atraso, Sou escorpiana, aprecio a pontualidade. Mas aprendi há muito tempo que em feira de livros, quem delimita os horários, são as aglomerações...
O Castelo Encantado encantou quem se concentrou, quem estava muito a fim, Encantou as crianças que estavam dentro do espetáculo, palpiteiras, vívidas. Mas deixou nos pretensiosos atores da Matinê do Máschara a sensação de que ainda há muito a aprender, muitos caminhos, para se seguir...


Alessandra Souza I
Bruna malheiros +
Evaldo Goulart +
Renato Casagrande I
Douglas Maldaner +
Fabio Novello +

  ps: Sempre lembrar, os "atores"  com tempo mais antigo, carreira, sempre serão os mais cobrados.


                                   Arte é vida e é coisa seria

O Castelo Encantado na escola Coperação


O homem de teatro e a Impagável. Mortos em O Incidente em Antares


O Castelo Encantado continua por vários domingos em Cruz Alta