domingo, 12 de maio de 2013

O que nos move são os desafios... Matinê do Máschara IIIª Edição

               Desafios são para os fortes...
          

              Já sabemos que o teatro no interior é deveras complicado, que os espetáculos são montados com pouco tempo, e por isso as vezes a pesquisa é burilada. No interior os atores abandonam os trabalhos com maior regularidade. Isso torna o mesmo incerto, e por tanto o trabalho acaba tendo sempre aparência de amador. Essa realidade complexa persegue o Grupo Máschara, que embora cheio de dificuldades tenta sempre manter sua fidelidade com o público e ainda um bom trabalho.
A Matinê do Máschara que começou em março desse ano o espetáculo Feriadão, é uma iniciativa que tenta aproximar as crianças do teatro. O que é um intento louvável. As maiores dificuldades são a falta de patrocínio, os espaços alternativos, as dificuldades em se divulgar um trabalho a altura da quantidade de divulgação que o público precisa. Em meio a tudo isso, atores indecisos abandonando papéis, a dança da cadeira na fogueira das vaidades que é o teatro, e a imaturidade cênica de alguns jovens. 
No espetáculo desse sábado, 11/05/2013 Os Saltimbancos, tendo no elenco Cléber Lorenzoni, Renato Casagrande, Alessandra Souza e a revelação no teatro infantil Ricardo Fenner. Em um espetáculo de 47 minutos, canto, dança e interpretação. Diversão para os pequenos, mensagens positivas sobre amizade, união, proteção aos animais, respeito as diferenças... Renato, Alessandra e Cléber nos envolvem com grande intimidade, domínio do espetáculo, há muita improvisação, não apenas para salvar algum resbalão no texto, mas mesmo por diversão. Cléber Lorenzoni brinca com o texto da forma que mais admiro, apropriando-se do texto, esparramando-se pelo palco. Alessandra Souza é uma atriz mais madura atualmente, com mais profundidade, noção espacial, falta-lhe o domínio da dança e da música. Renato Casagrande compõe maravilhosamente seu cãozinho, provavelmente a melhor composição animal do espetáculo. E certamente seu melhor papel teatral até hoje. Ricardo Fenner é uma agradável revelação. Já om conhecemos da cigana Jezebel em A Maldição do Vale Negro e do Coronel Tibério Vacariano em O Incidente. Mas não o imaginávamos compondo um animal em um espetáculo infantil. Ricardo traz para a cena grande parte da partitura criada pelo intérprete que substitui, mas com um tempo diferente, seu tempo, sua verdade e isso colabora muito para um espetáculo mais calmo, onde por muitas vezes as cosias podem ser melhor digeridas. Percebe-se um pouco de insegurança, nervosismo, mas sempre gostei dessas emoções em cena, elas mostram o respeito do ator pelo seu público. Dava para perceber a equipe toda entrosada, e isso chega no público em forma de união, de talento. Ricardo precisa melhorar muito o trabalho, precisa de repetições, a técnica nasce da aprimoração que vem com o  tempo. Espero que essa nova equipe aprofunde seu trabalho, e que o espetáculo Os Saltimbancos conclua uma longa jornada de apresentações. 
Na contra-regragem, Dulce Jorge, Fernanda Peres, Luis Fernando Lara e Diego Pedroso, que exerceram bom trabalho devido ao pouco tempo para por o espetáculo no palco. 
Atores, teatro é coletividade, teatro é alma, devido aos problemas enfrentados pelo teatro cruzaltense, não havia iluminação adequada, pouco público, a sonoplasta do espetáculo estava ausente, foram apenas três ensaios e ainda assim "Aconteceu".

Alessandra Souza  e Ricardo Fenner +
Cléber lorenzoni e Renato Casagrande C
Equipe Técnica +




Com Jane Machado, em Os Saltimbancos