terça-feira, 13 de abril de 2010

Diário de Bordo VI - A Maldição do Vale Negro em Itaqui

"Se eu fosse poeta, afirmaria que o segredo da origem do teatro nos é revelado pelo fogo em torno do qual se forma o círculo silencioso da comunidade familiar. Nem todo o teatro está aí, mas a sua armadilha irresistível aí se mostra: o prestígio do ato. Esta chama que dança sem cessar, este ato puro, gratuito, sem fim reconhecível, basta para reter e cativar a atenção da criança, do homem e do velho. Um jogo colorido, misterioso e sempre em constante mutação: nada mais é preciso para que fiquemos fascinados. Eis-nos ao redor da cena do fogo, retendo a respiração, aproximando nossas poltronas, umas das outras, na obscuridade mágica e fraternal."        
                                                                                                        Pierre-Aimé Touchard


O Milagre chamado Teatro...


Parada no centro do palco, com a imponência do teatro melodramático do fim do século XIX, a jovem Rosalinda era observada pelo olhar atento de quase 500 pessoas. Os camarotes jaziam abarrotados, o público não dava um pio, queria ouvir cada gag das personagens, cada palavra de seu precioso texto escrito por Caio Fernando Abreu. O silêncio era cortado apenas pela voz potente dos três atores em cena, e pelas constantes gargalhadas de uma platéia muito satisfeita com o que via.
Mas essa platéia não fazía idéia do quão difícil fora chegar até alí. Há menos de 24 horas antes, um diretor sempre preocupado em fazer o melhor sobre o palco, inquiria os atores quanto a desistir da apresentação. Sim, o teatro é feito por pessoas, para pessoas. E havia sobre o palco do teatro Prezewodowski, no sábado à noite, oito pessoas decididas a fazer o melhor, ainda que pela última vez.
Na arte não há certo e errado, mas há o bom senso. Existem textos que foram escritos com finalidas, textos que tinham sentido e não tem mais, e ainda textos que tornaram-se clássicos por que seu apelo se presta há qualquer época.  O sonho de montar A Maldição do Vale Negro, acompanha o grupo Máschara há mais de dez anos, e somente agora com Ricardo Fenner, Cléber Lorenzoni e Gabriel Wink se pode concretizar.O Jogo em cena é brilhante, a versatilidade corporal que muitos pensam ter vindo da dança vem na verdade dos ensaios exaustivos e contínuos do grupo.
mas quem pensa que o espetáculo nasceu unicamente da vontade fazer comédia está enganado. Dar ao público a possibilidade do rkiso é algo que qualquer um pode fazer. Há no Máschara uma nescessidade de desafio, de buscar mais fundo linguagens novas, técnicas e desdobramentos que somente com muito esforço pode dar certo.
A Farsa, o Besteirol, a chanchada, e o melodrama em cena, vem de anos de pesquisa, de disposição a essa arte encantadora. Vem da imaginação de Cléber Lorenzoni, da direção de atores feita por Dulce Jorge  e ainda da assistência de Angelica Ertel. Enfim, um novo  brilhante espetáculo para rodar os palcos levando o que há de melhor em comédia.

   A Rainha