domingo, 15 de setembro de 2019

Salsa/merengue/bombom/cumbia


Corpo de Baile do Máschara


Interação na rua do laser, com a equipe do Kangoo


861/862 -Infância Roubada - 02/03

Camelot/ Camelot


                               "Existe a lenda de um lugar místico, entre florestas de fadas, magos, duendes e dragões. Lá a coroa era muito clara, todos teriam títulos de nobreza e vida farta. Todos seriam amados se cumprissem as regras da távola redonda. Uma grande mesa redonda, onde doze cavaleiros sentavam-se ao lado do rei Arthur. Ali eles decidiam o que julgavam ser o melhor para o reino, ali, na távola redonda eles pensavam o futuro e discutiam como proteger Camelot, os cavaleiros seguiam uma hierarquia ancestral, o rei era capaz de tudo por eles, e eles capazes de tudo por seu rei."

Máschara / Máschara

                                "Existe um grupo real, em uma cidade do interior, com dificuldade iguais as de todas as outras cidades; uma cidade com muitos talentos que precisam se expressar, provar que a arte é inclusiva e reflete o pensar do homem. Lá a hierarquia é muito bem organizada, todos se tornam estrelas no céu iluminado do Máschara. A direção do Cia. faz tudo o que pode para dar espaço há todos, para que todos revelem, descubram e aperfeiçoem seus talentos. Uma grande mesa redonda, onde doze atores sentam-se ao lado do diretor. Ali eles decidem o que julgam ser o melhor para o teatro em Cruz Alta. Ali planejam espetáculos, performances, e mensagens para defender a arte comunicadora do teatro e seu lindo trabalho. O palacinho é uma trincheira. Lá fora é um front, onde tudo e todos parecem se opor à arte. Por vários motivos, mas principalmente por que nosso país é incentivado à não querer o artista, a mandá-lo para o exílio. Pais preferem filhos em casa mexendo nos seus aparelhos de internet do que em uma sala de ensaios produzindo. Há ainda o medo de que no teatro o jovem fale de sexo, descubra as drogas, se descubra. Prefere-se o contrário, que o jovem não fale no sexo, afinal quando as situações complexas como bebês, homossexualidade ou doenças aparecerem finge-se que não são grandes coisas, e vai se empurrando com a barriga. Há sim uma busca louca pelo ENEM, pelo sufocamento do cidadão em detrimento de uma robotização e uma castração. Você não deve fazer o que te faz bem, mas o que eu decido que é o melhor para você. Como se alguém soubesse saber o que é melhor. Como se nossa sociedade tão capaz não tivesse feito escolhas terríveis por toda a sua historia. Há ainda a equivocada ideia de que apenas jovens e crianças devem fazer teatro, ir ao teatro. Pois bem, a ESMATE tem espaço para todos e Cléber Lorenzoni é capaz de tudo por ela, seriam também seus atores/cavaleiros capazes de tudo?
                                     Fazer teatro é para todos, deve ser incentivado desde a tenra idade, o teatro revela a capacidade do homem em analisar sobre o palco a vida, Ele emana da vida para falar da vida e ele faz homem (quando bem feito) modificar ou tentar melhorar. Uma palestra de uma hora com exemplos mencionados pelo melhor palestrante que for, poderá fazer a platéia pensar, ou até lembrar de algo que aconteceu em sua casa por exemplo. Mas somente a arte-cênica tem o poder de arrancar a plateia de seu momento em assistência e levar sua mente para a sala de uma casa onde uma criança é violada, conduzir sua lembrança para os tempos de infância. A arte cênica com duas ou três tréplicas faz o homem voar para outro país, para a época de cristo, para o dia em que Mario Quintana morreu, para a Verona de Romeu e Julieta. Há ainda a percepção de que somos capazes de sermos o que quisermos se "tivéssemos escolhido", mais corajosos, mais fortes, mais doces, mais gentis, mais tranquilos... Posso ser sensual como uma assessora de Rodrigo S.A em A Hora da Estrela. Posso ser sensual como Salomé em A Paixão de Cristo, posso ser ingênua e romântica como Marcy em A noviça Rebelde. Posso ser engraçado, posso ser severa, posso ser maldosa como Gloria em A hora da Estrela, posso ser astuta e rápida como Toninha em O Hipocondríaco, posso ser o que quiser... A pergunta que devo fazer é: O que quero ser?
                                             Todos podem fazer teatro, mas nem todos podem ser artistas do Máschara. Fazer teatro é subir no palco, estudar seu papel, pensar o mundo. Ser do Máschara é uma missão, é lutar para manter o teatro em Cruz Alta, É abrir espaço para quem vem vindo, promover a arte do teatro para que cada  vez mais gente queira PENSAR-PENSAR-PENSAR sua existência e a existência ao seu redor. Não queira ser do Máschara se não está disposto a lutar pelo teatro. Só queira ser do Máschara se você acredita que tem algo para fazer a mudança. Para fazer crescer essa Camelot! 
                                                       Na hierarquia do Máschara há nobres que sobem e descem, momentos inesquecíveis. Cléber Lorenzoni constrói mitos, deuses, heróis. Cléber Lorenzoni elenca talentos. Revela poderes, forças inesquecíveis. Como a índia poderosa de Kauane SIlva em Lendas da Mui Leal Cidade, ou a vingativa Ereda de Alessandra Souza, a inesquecível Lili de Kelem PAdilha, a eterna Lady Macduff de Simone De Dordi em Macbeth. A Mariana imbatível de MArcele Franco em Tartufo. ODr. Cícero Branco do grande Alexandre Dill em O Incidente. A princesa guerreira Antígona onde Dulce Jorge se desfigura lindamente no palco. Imortais, imortais que somam talentos que Cléber descobre, revela e une à suas criações de diretor exigente, e tão cheio de signos e códigos, as vezes difíceis de entendermos.  
                                                 No espetáculo de sexta-feira, atores intensos se revelaram, se esforçaram, foram aplaudidos com majestosa admiração. Majestoso sim, pois tornam-se nobres do teatro. A arqui-duquesa por exemplo esteve brilhante, com sua capacidade de se expor, de se permitir ser diminuída e apequenada em cena. Os tapas que levou do Visconde revelam generosidade e maturidade. As vezes essa grande atriz, precisa apenas ser mais humilde e esperar o que o outro tem à dar. Ser nobre hoje em dia, não tem a ver com o dinheiro que se possui, mas a humildade com que se ouve o outro. A noite ao lado do Grão Príncipe, conseguiram acertar o tom de uma cena que pela manhã ficara demasiado estridente, gritada. Teatro é correr atrás, é vencer-se a si mesmo procurando sempre a melhor inflexão, sempre o melhor para das ao público. Aliás é o que vejo no Grão Príncipe que se esforça muito, se dedica muito. Como alteza que é, certamente é o próximo na linha sucessória, precisa se esforçar, precisa crescer, aceitar, saber liderar, brincar nas horas certas. Dar exemplo. Gosto muito de sua criação como Tânia, é madura, e natural, deve apenas tomar cuidado para não deixar a personagem se vitimizar por demais. Pela manhã o o Grão Príncipe foi aplaudido em cena aberta, um mérito de sua capacidade de evoluir e tornar-se cada vez um ator melhor.
                                                           O espetáculo teve momentos lindos, difícil recordar-me de todos, mas certamente a maioria foram estrelados por sua Baronetesa, que sempre que entrava em cena tinha uma nova expressão, um entendimento tão grande da linguagem que o diretor queria, a ponto de não saber se sua M.R não criou a boneca ao lado da atriz. Nesse ano vimos muitos grandes momentos.  A Baronesa como Salomé, a Arquiduquesa como Cremosina, a Milady como Frosina, Lady Aléssio como Glória. Esse é sem duvida o momento da Baronetesa. 
                                                                 Lady Aléssio cresce dia após dia, deveria ser logo chamada para compor o hol de altezas do Máschara. Sua Flávia esteve melhor a cada apresentação. A noite ela estava desfigurada em frente a sua M.R. Drama intenso, realista e intenso. Mas Lady Aléssio ainda precisa estar atenta ao final das palavras, para não baixar o volume.
                                                                 Sir Ciotti está fantástico. Talvez um tanto repleto de clichês ou estereótipos. No entanto a platéia vai ao delírio com ele. O mal é quentinho, nunca nos esqueçamos! Segundo Leandro Kamal esse é o problema de nossa sociedade. Sir Ciotti deve apenas ser mais atento, seu talento o levará facilmente para um status maior no grupo, mas é preciso observar mais, saltar e ter as ideias antes que alguém lhe pergunte. Saber perceber oque vão lhe pedir antes que lhe peçam.
                                                                    Os Lordes Padilha e Artemi estão começando também uma linda caminhada. É preciso sempre perguntar-se: -O que estou fazendo aqui? - Lorde Padilha é jovem e cheio de pontos de vista, isso é ótimo, mas para estar perto de atores mais velhos, precisa saber guardar esses pontos de vista, nem todo mundo é compreensivo como S.M.R. Parece que a conversa que tiveram a tarde surtiu efeito, pois a noite Lorde Padilha esteve muito melhor em cena. Sensibilidade! Instinto! Corra sempre atrás deles meu jovem, se quiser ser um ator. E nunca esqueça, querer não serve para nada, é preciso AGIR! 
                                                 Lorde Artemi, foi convidado a juntar-se a nobreza do Máschara, para crescer, aprender, ariscar-se. Se saiu muito bem para primeira viagem. Talvez já soubesse, ali, trabalha-se muito. no sentido literal, carregar, montar, correr buscar coisas... A trilha que pela manhã ainda estava sendo operada um pouco canastrona, a noite melhorou muito, também pelos conselhos da Arquiduquesa e o apoio da Lady Silveira Netto, que embora as vezes faça um pouquinho de drama, está amadurecendo muito. Uma ótima escolha como técnica. 
                                              Nunca esqueçam, o ator que aprende a fazer bem uma trilha sonora, compor uma iluminação, operar botões, erguer uma coxia, tem certamente capacidades para ser muito mais sensível ao palco. Parabéns Lorde Artemi, as vezes damos ideia, queremos opinar, nos ouvem e não nos dão muita importância, pois talvez nossas ideias não se enquadrem ao todo. Mas isso não quer dizer que não tenhamos que sempre estar atentos e dar nossas ideias. A faixa de Rosemar's Baby acrescentou muito à Infância Roubada, foi um grande acerto perspicaz e inteligente.
                                                   A Baronesa entra em cena muito linda, e nos toca muito. Claro que o teatro é algo difícil, principalmente se nos falta um pouco das aulas do "cênico". Rafa precisa ser mais cênica a partir da segunda cena, mas isso virá certamente com o tempo. A baronesa tem olhos intensos e parece ótima de contracenas, a forma como olha dentro dos olhos do ator que interpreta seu pai nos toca muito. Lady Heger é uma principiante muito dedicada, ótima de conviver pelo que soube. Silêncio e reflexão são ótimos para se crescer em qualquer profissão. Lady Heger ainda é bastante nova, mas parece gostar muito do palco e criar, e se entregar. Foi uma explosão em O hipocondríaco e deve sempre lembrar que papeis serão fácies, outros não tanto. Em alguns acertamos, em outros erramos... Antes de tudo é nossa profissão. 
                                               Milady trabalhou muito, opinou muito. Admiro muitos talentos no Máschara e na ESMATE, embora alguns só conheça de rosto, do palco, ou por comentários. Mas uma das minhas maiores admirações respeitosas vai para essa jovem, tão jovem, tão esforçada. Certamente Sua Graça já percebeu que Milady gosta de dedicar-se ao material, a composição, a estrutura. Não se desmotive nunca minha jovem, vai ser difícil, vão te criticar, vão tentar te demover. Te sentirá sozinha e desamparada. Fraca, pequena, desvalorizada. Mas se ama, se te sentes bem, algo dentro de ti procura o palco, os camarins, a vida do teatro, não desista!
                                                 Sua Graça, M.R. parecia um tanto desconcentrado em cena. Via-se em seus olhos a preocupação com os novos, com a trilha que as vezes equivocava-se em questão de volume, via-se seus olhos preocupados com os temas do espetáculo, com as coxias, com o tapa, com os iniciantes, com o teto de gesso, com os holofotes pendurados de forma improvisada para tentar oferecer o melhor no espetáculo. Via-se ele tentando solucionar aquele pequeno pedaço de mundo que são cinquenta minutos de peça teatral, mas que parece uma vida inteira. Um forte em cena, mas líderes, poderes, forças, estão conectados diretamente a mais trabalho. Admiro muito Sua Graça, pelo que faz e propõe o tempo todo, mas guarde-se, ainda há muito pela frente nessa missão. Ainda há festival de teatro, mais atores, mais alunos, mais peças, mais público, mais performances, a construção de um teatro em Cruz Alta. Força!
                                                 Eu admiro a cada dia mais Camelot, o reino de faz de conta, de heroísmo e luta. Esse reino só é forte se cada um estiver unido ao outro. Vida longa ao teatro!


                                        O Melhor: O começo de um lindo projeto - Infância Roubada, com um elenco e uma técnica que parecem querer crescer e aprender.
                                                O pior: Os maus exemplos dados pelo Grão Principe e pela Arquiduquesa, voluntaria e involuntariamente. 



                                              Arte é VIDA
                                                                                       A Rainha



Grão Principe (**)(***)
Arquiduquesa (*)(***)
Lady Aléssio (**)(***)
Baronetesa(**)(**)
Lady Heger (***)(**)
Sir (**)(***)
Milady (**)(**)
Baronesa (**)(**)
Lorde Padilha (*)(**)
Lorde Artemi (*)(**)
Lady SIlveira Netto (*)(**)        
                    
                                                  
                            

Infância Roubada - Salto do Jacuí