segunda-feira, 28 de abril de 2014

Sobre "Cordel com a corda toda"

                        O cordel provoca nas pessoas duas únicas reações, amor ou ódio, admiração ou incomodo. No entanto a poesia do cordel faz uso da arte-cênica para envolver a platéia, para criar pontes comunicativas, desenvolver links artísticos, aí não há como não se envolver. O Teatro sempre honrou as outras artes (dança, música, poesia), incluindo-as em seus dramas. Hoje no palco. O ator-comunicador Roger Castro envolveu teatro e cordel de forma substancial. A trama é simples e a escolha dos versos não chega a ser marcante. No entanto a forma com que o texto vai se costurando e se desenrolando é muito orgânica, um mérito do curto espetáculo. 
                   Roger Castro começou sua carreira como animador, aventurou-se pelo palco como ator, cursou uma faculdade de dança e agora é conhecido como um marcante comunicador nas feiras de livros e outros eventos pelo estado. Algumas pessoas dizem que atuar é como andar de bicicleta. você nunca esquece. Não é bem uma verdade. O organismo do ser humano "enferruja" em suas ações e possibilidades corpóreas, e o teatro não é somente sentimento, bem como não é apenas movimento. Teatro é um misto de ações, sentimentos, impressões e outro sem número de possibilidades. Na dança o movimento é o regente da "ação" - ação nos moldes ditos por Aristóteles- mas a dança é apenas um braço do corpo que forma o teatro e assim sendo o corpo teatral de Roger Castro tem muito à seu lado.                                              
                          No cenário um baú magico, muito bem projetado. De dentro dele vai saindo a historia contado por Zé do Cordel. Embora a narrativa pudesse envolver mais historias e versos. Mesmo por que ficamos ansiosos pela historia da Nega de um peito só e outras tantas que infelizmente são apenas mencionadas na historia. O Figurino é estilizado, criativo; Os adereços bagunçam-se as vezes, parecem atrapalhar em uma desorganização organizada. Mas não dá para dizer que Roger não tenha domínio de tudo o que toca. Tudo na cena está à seu serviço.
                            No que tange as pronuncias, Roger domina muito bem a vocalidade, podendo ainda aumentar seu acervo de entonações, e as gags criadas pelo artista ainda podem render muito, afinal assisti apenas a estréia. 
                                   Cordel coma  corda toda preenche muito as necessidades de uma performance para alunos, amantes da literatura, frequentadores de feiras de livros. Para público de teatro ainda pode desenvolver-se mais. O que não será difícil se levarmos em conta a criatividade e o prazer no que faz Roger Castro. Cléber Lorenzoni pode exigir mais do ator e "Cordel" ainda pode alcançar outros grandes méritos.



                                    Arte é Vida

                                                                    A Rainha

Grupo Máschara na Festa do Livro

Alessandra Souza, Renato Casagrande, Everlei Martins, Cléber Lorenzoni e Ricardo Fenner