sábado, 27 de novembro de 2010

Diário de Bordo XXXV - Esconderijos do Tempo em Três Coroas

UM ESPETÁCULO PARA A VIDA TODA


Quando um grupo de teatro do interior é convidado à encerrar um festival de teatro do estado deve sentir-se muito honrado, afinal, começou sua caminhada participando dos festivais, aprendendo com os jurados e grupos que alí estavam. Essa foi a realidade do máschara que começou sua trajetória em 1992 participando do festival de Montenegro, organizado na época pela FETARGS, a cada ano, os atores do Máschara  foram se aprofundando, anotando tudo o que os jurados falavam, debatendo os outros trabalhos que assistiam nos festivais, querendo com toda sua garra crescer, aprender, tornar-se bom no que faziam. Hoje, não por exibicionismo ou prepotência, mas por merecimento, seus trabalhos são dignos de abrir ou encerrar um festival de teatro, e alí serão vislumbrados por atores, pelo público teatral que aproveitará aquele breve momento artístico para desenvolver ainda mais seu olhar artístico.
O Grupo Máschara chegou em Três Coroas após seis horas de viagem, na bagagem um espetáculo com cinco anos de historia e a vontade de encher os olhos da assistência, sim essa deve ser a função dos artistas, querer ser bom, querer causar algo na patéia, não vejo nada de mal em artistas serem exibidos, é o que o público espera deles.
No festival velhos conhecidos: Jaqueline Pinzon, que em 2001 deu assistência ao espetáculo Tartufo do Máschara; a Cia. do Carvão, com a Mônica Pinhatti e o Luciano(não me recordo seu sobrenome) velhos amigos, da 'Pipocas de Papiro'; Paulo Rezendes, de Jó e Diário de um Louco; Paulo Mello, do festival de Uruguaiana; Pessoal de Osório, (O rocambole); Juliano Cannal, de Capão da Canoa; Alguns amigos de Santo Angelo; Mauro, Ida, Sandra, enfim, todos velhos conhecidos que fazem parte da historia do teatro gaúcho.
O teatro de Três Coroas é lindo, invejável e o festival organizado pela bela Carine Setti, sempre tão gentil e tão disposta a fazer o melhor pelo festival. Um palco maravilhoso, grande, com material de primeira, (pena o tempo ser tão curto para não poder fazer algo mehor com a iluminação), camarins espaçosos com suco e biscoitos esperando os atores. Um arrojo!
O cenário foi erguido como de costume, com discuções breves sobre a melhor disposição dos adereços e marcas. O teatro é assim, adapta-se a cada novo espaço. Everton da luz e Carcará, foram incríveis, não mediram esforços para fazer o melhor, pena o pouco número de gelatinas. Mas nada que prejudicasse o trabalho.
Casa cheia, alguns aquéns nas coxias antes do inicio do espetáculo, mas compreensível, dia de encerramento de festival, uma correria para fazer o melhor. Uma queda de luz rápida causada pelo dedinho metido de "Mario Quintana" e que a Anfitriã soube contornar com elouquência viváz.

Durante quase uma hora desenrolou-se o drama Esconderijos do Tempo, emocionando artistas e pessoas da comunidade. Cléber Lorenzoni envelhecendo sem recurso algum, apenas um óculos, uma bengala e um chapéu, manuzeados alí mesmo, frente aos olhos ávidos da platéia. Angélica Ertel mais poética, Tatiana Quadros de volta aos palcos depois de longa temporada, maravilhosa como sempre, Gabriel Wink aprofundando o humor em seu Gouvarinho, uma energia forte da platéia na hora em que Dulce Jorge entra em cena com a Glorinha idosa. Na sonoplasia alguns aquéns de Alessandra Souza quase puseram em perigo os silêncios tão necessários do espetácuo. Iluminação perfeita de Ricardo Fenner. Encontros e desencontros naquela estilizada praça no fim da rua da praia de Porto Alegre, onde Mario Quintana recebia a todos como se fossem visitantes de sua casa, de sua Porto Alegre. Malaquias e a morte despedindo Mario para entrar para a eternidade e finalmente o "se roubei, se roubei teu coração..." no proscenio, encerrando sob palmas carregadas um dos mais lindos espetáculos de poesia que já tive o prazer de assistir.
Emcionante ver os grupos "cô-irmãos" como disse Cléber Lorenzoni, aplaudindo emocionados Esconderijos do Tempo.
Após o espetáculo, a premiação, distribuição de louros, não aos melhores, mas aos mais marcantes daquela ocasião. O teatro é uma arte viva, pulsante, não existem melhores ou piores, existe o momento, e a emoção expontânea. Nenhum dia é igual ao outro! No camarim ainda estiveram Ida Celina, uma das "madrinhas" do Máschara, que não continha as lágrimas e encheu de doces elogios o elenco, Sandra Loureiro, matando a saudade e mencionando o trabalho do ator que lhe lembrava demais Mario Quintana que conhecera pessoalmente anos antes, e Juliano Canal que não podería deixar de cumprimentar os amigos de tempos.
O Máschara ainda despediu-se de Três Coroas com um agradável jantar no restaurante Esperança e depois de seis horas de viagem com mais um dia de dever cumprido para com a arte, a certeza de que Três Coroas agora faz parte da agenda do grupo para 2011. Na vida o que importa são os dons que trouxemos, a arte que amamos e os amigos que fazemos!



                                                                                         A Rainha

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Cena do documentário, Os olhos do General - Sobre o Coronel Firmino de Paula



Cléber Lorenzoni interpretando um dos coronéis mais temidos da história

As Minnies em dia de Incidente Cena às 7- 17º 16 de agosto de 2007



















Dona Quitéria, Dr. Cícero, Suzana Campolargo, Menandro Olinda

Cléber Lorenzoni e Dulce Jorge ao lado de Mauro Soares, diretor do IEACEN - Instituto Estadual de Artes Cênicas

Dulce Jorge e Cléber Lorenzoni no curta Cadê a nota?

Dulce Jorge, Melhor atriz coadjuvante em Teutônia 2008


















Dulce Jorge recebendo troféu por sua interpretação de D. Glorinha

Grupo teatral Máschara, vencedor do festival de Teutônia 2008

Premiados do festival de Teutônia 2008


















No centro abaixo grupo teatral Máschara,

As Minnies divulgando Esconderijos do Tempo


Gabriel Wink, Dulce Jorge, Cléber Lorenzoni e Angélica Ertel

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Medalha de Honra ao Mérito 2010


















Dulce Jorge e Ricardo Fenner recebendo Menção Honrosa das mãos do Prefeito de Cruz Alta

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Texto do ator Luis Fernando Lara sobre a Turnê do Máschara

Um outubro inesquecível.

Lembro-me bem da noite em que conversamos a Dulce Jorge (@dulcedudinha) e eu pelo Messenger, em que ela então comentou que haveria uma seqüência de apresentações doGrupo Teatral Máchara (@grupomaschara) na serra gaúcha, e na ocasião também me foi feito o convite para participar, bem devido ao meu trabalho isso até parecia impossível, mas nada que não se possa dar o velho jeitinho brasileiro, sabendo eu que na empresa em que trabalho estaria preparando a escala de férias, foi então que me responsabilizei por essa parte, primeiro quis saber quais os dias que eu teria que viajar com o Grupo e então arranjei tudo para que nada pudesse atrapalhar claro não foi nada fácil afinal de contas sempre há pequenos percalços no caminho. Após as datas de férias arranjadas agora só faltava confirmar tudo com o Máschara, mas o que eu não poderia imaginar, e que realmente já mais passou pela minha cabeça é que essas férias poderia se transformar num sonho, a realização de poder estar de volta aos palcos e atuar foi o máximo, lamento apenas pela minha falta de preparo e de técnica para tanto, assim como foi na cidade de Verianopolis-RS onde podemos também dizer que foi o grande regresso meu para os palcos, após sair do trabalho, isso às dez horas da manhã do dia cinco de outubro, comecei a correria para a partida que estava marcada para as dezenove horas desse mesmo dia, bastante ansiosos e apreensivo devido os poucos ensaios que tivemos antes dessa data parti em rumo a minha nova jornada. Confesso, minha primeira apresentação pareceu um fracasso, mas como ser uma estrela se desaprendemos a viver no céu, pra falar a verdade às duas apresentações que estive no palco nessa cidade não foi muito do meu agrado. 
Na segunda cidade dois dias depois da partida agora na cidade de Garibalde-RS a expectativa de melhorar em cena aumentará, mas acho que Dionísio estava a fim de testar minha paciência, lembro que estávamos todos prontos, com o figurino e maquiagem pronta, a minutos de entrar em cena quando uma das organizadoras do evento em que fomos convidados veio até nós com o seguinte problema, a platéia presente não era adequada à peça, já que íamos apresenta o Incidente, espetáculo baseado no livro do imortal conterrâneo Erico Veríssimo, O Incidente Em Antares, lógico que não ficaria muito bem crianças com idade pré-escolar e alunos de escolas especiais assistissem a um espetáculo como esse, como sempre falou o diretor do Grupo, Cleber Lorenzoni (@LorenzoniCleber) muitas vezes é necessário que o artista se adapte ao publico, decidiu-se naquela hora que seria apresentada a peça Lili Inventa o Mundo espetáculo infantil também convidado para a feira e que seria apresentado no dia seguinte, mas o que ninguém esperava é que as quatro apresentações marcadas para aquela cidade seria todas a Lili Inventa o Mundo, bom realmente foi que o publico adorou, claro não poderia de deixar de comentar o excelente trabalho do elenco dessa montagem já que foi tudo meio de pressa e nunca vi um espetáculo de palco transformar-se em de rua com tamanho profissionalismo, pena que eu não estava nesse elenco e lamentável que talvez já mais poderemos ver esse excelente trabalho outra vez.
Retornamos a Cruz Alta após cinco dias, mas ainda haveria novas viagens pela frente, minha ansiedade por estar nos palcos aumentava, e no final de semana seguinte fomos a Antonio Prado-RS, para mais duas apresentações uma Lili Inventa o Mundo e também o Feriadão espetáculo de dois mil e dois peça, essa que eu ajudei a conceber, hoje muito mudada da sua forma original, o espetáculo fala quanto aos cuidados que devemos ter no trânsito, não posso negar que houve um momento de nostalgia.
Agora abandonamos a serra gaúcha se seguimos rumo ao litoral, na verdade na cidade de Osório-RS onde havia o Art In Vento (festival de teatro amador de Osório), na verdade essa é a parte mais triste de toda a viagem, onde eu pude simplesmente acabar com o espetáculo A Maldição do Vale Negro, montagem que tem no seu elenco Ricardo Fenner (@RicardoFenner), Gabriel Wink (@gabrielwink) e Cleber Lorenzoni, eu era pra ter feito a sonoplastia do espetáculo, mas foi na verdade um fiasco a parte, quero que fique aqui os meus parabéns ao elenco que souberam conduzir com uma experiência, capacidade e domino do seu trabalho como já mais visto, eu na verdade tinha visto apenas uma vez esses espetáculo onde já bastou para que deu me surpreendesse com esses três grandes atores com uma pequena ressalva ao Ricardo Fenner que me surpreendeu a tal forma imaginável. Mas como ia dizendo, se não fosse por esses três rapazes de Cruz Alta tudo poderia estar perdido, e quem conhece o espetáculo é o ator e o diretor, o publico de nada sabe quando pára para contemplar essa arte, o Grupo Máschara firmou-se como vencedor do festival como o melhor espetáculo, claro esse não foi o único troféu trazido bem como o de melhor ator para o Cleber Lorenzoni, e figurino para Dulce Jorge, ela que apenas nessa viagem nos deu a honra de sua companhia, e era possível ver em seus olhos claros o desgosto pelo que foi feito na parte técnica, queria também agradecer a Angélica Ertel (@AngelicaErtel) pelo grande apoio que me deu e sua tentativa desesperada para salvar o que eu tinha feito, com a confiança em baixa e a alto-estima acabada pensei que agora era mais do que nunca à hora de abandonar os palcos e se possível esquecer que um dia fiz parte desse mundo, realmente pensei que tudo tinha acabado pra mim e o que eu mais queria era fugir e me esconder esquecer-se do mundo e esquecer o que eu acabara de fazer, mas isso me incomodava profundamente e eu sabia que isso não poderia acabar assim. Já de volta a cidade natal tomei de um pouco de coragem e pedi ao diretor a oportunidade de entrar em outra peça que não estava com o elenco totalmente formado, mas com a data de apresentação marcada, não sei porque mas ele decidiu me dar essa oportunidade, acredito que durante os poucos ensaios que tivemos pude mostrar um bom trabalho, e na minha estréia na peça O Castelo Encantado agora na cidade de Nova Prata-RS novamente na serra gaúcha tive alguns pequenos problemas já que os ensaios foram prejudicados de certa forma.
Mas O Castelo Encantado foi à peça do segundo dia porque no primeiro o Incidente foi o grande rei na feira onde o prefeito esteve presente e segundo informações o mesmo agradou-se muito do que ele pode ver no palco, a não ser por um pequeno comentário que poderia surgir devido ao texto da personagem Erotildes agora representada por Alessandra Souza (@aleecamila) que na sua ultima apresentação naquela cidade das quatro em que encenamos o Incidente, ela soube conduzir-se muito bem pelo seu texto já que na ocasião por decisão da maioria do grupo faríamos algumas alterações de ultima hora, bem coisa do Máschara, mas esse não foi o único motivo eu diria que o principal tratava-se do fato de que mais uma vez um espetáculo de palco italiano feito para um teatro adequado deve que ir a busca do publico e estar onde o povo estava agora não havia um teatro e sim uma lona no na frente da prefeitura sem acústica e com a mínima condição para o publico nos ouvir tivemos que improvisar com microfones que teimavam em não funcionar durante as apresentações, o que também servil de aprendizado para alguns do grupo, por falar em aprendizado penso que nessa viagem ninguém teve maior lição do que Diego Pedroso (@dieguitopedroso) ao interpretar o Pudim no Incidente e na sua estréia esteve ótimo e sem cometer erros, parabéns a você também Diego. Diego, aliás, que já lá em Antonio Prado deixou seu registro junto com Taty Quedros (@tatymeiapraia) em:http://www.youtube.com/watch?v=-WMltkXMAaY.
Pra mim ficou a sensação de missão comprida após as apresentações em Nova Prata pois acho que dei jus ao que merecia, acho que soube fechar com chave de ouro, sim  ainda tem muito mais pra contar e claro que já mais me esquecerei dessa pequena busca to passado, e como esquecer os aprazíveis momentos com os colegas de palcos, com os amigos e também apaixonados por essa arte que é capaz de nos transportar numa viagem lúdica, como se esquecer das horas que ficamos juntos, das horas de viagens desconfortáveis e cansativas, dos lugares, das brincadeiras e das piadas feitas, das alegres noites nos hotéis, os passeios juntos, o banho nas piscinas térmicas e os cafés, sem falar que pude comemorar meu aniversário em meio a pessoas que me causam tão bem e fazendo o que é uma paixão pra mim O TEATRO, até pequenos momentos de discutição ou desentendimento será guardado como grandes lembranças. E para quem quer saber alguma critica ou comentário mais aprofundado sobre as apresentações leia o blog do Grupo-http://grupoteatralmaschara.blogspot.com/

Obrigado a todos, e também a quem não foi comentado fica na certeza que também não serão esquecidos. Um super obrigado em especial ao Grupo Máschara que por todos esses anos me mostrou que a arte, e somente a arte pode nos dar algo que o mundo ainda não esperimentou.

Muito Obrigado!

As Glorinhas de Mario Quintana

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Luis Fernando Lara em O Castelo Encantado


O Ator Luís Fernando Lara

Cena de O Incidente


















A discução entre a beata e o sindicalista - Em cena Angélica Ertel e Sir. Luís Fernando

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A Marcha dos Mortos na feira de livros de Nova Prata

Diário de Bordo XXXIV - O Incidente em Nova Prata, tomos 67 e 68.

O Público quer rir!

Essa é a sensação que tenho sempre que vou ao teatro. Eles ficam alí, anciosos que seja uma comédia, ou  que os atores errem, ou que gaguejem, enfim, por vezes da a nítida impressão de que o ator esteja frente a inimigos.
Em O Incidente de sexta feira pela manhã, me perguntei, o que o público queria, provavelmente rir, ou deixar-se levar pela historia? Eles riram sim, quando era o momento de rir, mas nos momentos mais intensos, digamos assim, eles entraram na historia mantendo-se conectados, concentrados. Afinal o público é um outro elenco que atua junto!
Para mim o teatro perdeu o público que mais devería cativar, os adolescentes. Dos onze aos dezoito não conte com eles. A adolescencia não é uma época da vda, é um estado de espírito e dos piores. Mas naquela aprsentação, alunos pareciam inebriados pelos sete  mortos de Antares. A tal ponto de aplaudirem o Pudim de Cachaça em cena aberta.  E assim Diego Pedroso teve mais esse memorável premio no inicio de sua carreira. As professoras que assistiram a incurssão da manhã me pareciam inteligentes, dispostas, conhecedoras da obra de Erico Verissimo.
Apesar dos microfones, Cléber Lorenzoni esbanjou trabalho corporal nessa encenação o que não se repetiu no espetáculo da noite.Antares é uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, da fronteira, mas poderia ser de qualquer lugar do Brasil. Pois assim como em Antares os seres humanos são todos ruins, salvas pequenas excessões. A desgraça alheia é divertida e interessante. Os mortos de Antares dominaram a feira de livros, com ousadas colocações, que surpreenderam os mais puritanos. E ainda pude ouvir o sino da matriz badalando exatamente na hora em que era perguntado à Dona Quitéria Campolargo o que ela tinha a dizer sobre a igreja... Luís Fernando Lara devería dedicar-se mais ao teatro, era prazeroso observá-lo na cena. Alessandra Souza ainda tem vícios que precisam ser trabalhados, mas melhorou muito nos últimos tempos, e improvisou muito bem quando o Cícero de Cléber Lorenzoni a desafiou. Gabriel Wink foi assaz contundente. Perdeu um pouco o domínio da cena e a voz estava fraca, reflexo da despreocupação qu tem com seu objeto de trabalho. Mas soube deixar mais compreensiva a cena de Menandro Olinda. Renato Casagrande precisa amadurecer, e quanto a sonplastia, é preciso treinar alguém que se esforçe e se dedique a parte técnica de um espetáculo. É impossivel fazer bons espetáculos com péssimos sonoplastas ou iluminadores.
O teatro não começa no palco, começa quando um esptáculo é escolhido, quando seu figurino é desenhado. O Teatro próvém de uma base muito sólida e quando o ator pula essa parte, ou não gosta de toda a base necessária para o bom trabalho, está maculando o real intuito dessa arte.
Agora uma pergunta, na platéia mais de quinhentas pessoas. Nada de iluminação, equipe de luz do local totalmente depreparada para a sonorização de um epetáculo teatral. Microfones impedindo o trabalho corporal dos atores. Carros de som passando ao lado da feira, gente comercializando livros. Crianças brincando com balões e sinos tocando. Isso ainda é fazer teatro? Quanto merecem esses atores?
É por isso que minha admiração pelo Máschara ultrapassa montanhas. O teatro que o Máschara faz, da forma como faz, é um dos pouco que restaram com a noção de querer pensar primiramente no público. É teatro com dedicação e coragem! Com anulação! A esses jovens o céu!


                                                             A Rainha

sábado, 6 de novembro de 2010

O Elenco de O Incidente em pose para fans em frente ao Condall hotel Nova Prata




















Luís Fernando (Barcelona), Angélica Ertel (Dona Quitéria), Diego pedroso (Pudim de Cachaça), Cléber Lorenzoni (Dr. Cícero), Renato Casagrande João Paz, Gabriel Wink (Menandro Olinda) e Alessandra Souza (Erotildes).

Montando cenário de O Castelo Encantado em Nova Prata

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Os Três porquinhos pobres...

Diário de Bordo XXXIII- O Castelo em Nova Prata

A familia que escolhemos...

Dos espetáculos do Máschara, um que mais se destacou no ano em que foi montado foi O Castelo Encantado. E que me perdoem os admiradores da obra de Erico Verissimo, mas as obras infantis do mesmo me pareciam imontáveis, devido a sua extrema complexidade de narrativas. Com tramas frágeis, sem muitos conflitos. Afinal sua intenção era a literatura e não a cena. Mas preciso elogiar um espetáculo que nasceu humildemente e tornou-se um ótimo entretenimento infantil.
O elenco inicial era formado por Cléber, Lauanda, Alexandre, Gelton, Miriam, Cristiano e Rafael. junto eles fizeram as setenta e poucas apresentações que correram o estado em 2005. O novo elenco ainda não se apropriou da peça, e isso se deve a inesistência de ensaios. Constantemente algumas pessoas comparam Lili Inventa o Mundo a O Castelo Encantado. De certa forma concordo. Mas é preciso buscar na raíz de várias conotações a resposta...Primeiramente, Erico Verissimo e Mario Quitnana são gaúchos e foram amigos em vida. O Máschara conta atravéz do primeiro as hitorias do Elefante Basílio, Ursinho com música na barriga, Três porquinhos pobres, e Aviãosinho vermelho. São quadros que tem como elo de ligação apenas o interesse da menina Rosa Maria, que está visitando O Castelo Encantado. Em Lili Inventa o Mundo, a protagonista lê um livro de poesias, e é envolvida na trama de magia da Fada Mascarada, uma triste não bruxinha que nunca fora tratada com carinho. Ao final, após muitas lições poéticas, Lili volta para casa, prona para amar eternamente a leitura, os versos e prosas de Mario Quintana.
Enfim, situações diferentes...
Talvez Lili e Rosa sejam parecidas, mas assim também o são Alice (lá no país das maravilhas), Dorothy em O Mágico de Óz e tantas outras. Meleca e Malaquias? Senhor Mágico e Senhor Poeta, e por que não se ambos são dois contadores de historia que dividem a cena para encher os olhos das crianças. Sempre que há bom senso e boa intenção o teatro se explica.
O palco é um lugar mágico, e hoje quero falar do senso agradável de envolvimento que envolve os atores. Acho que o que úne atores "Não profissionais" no interior, nos tais grupos de teatro, é a sensação de familia, o parentesco que se cria, os laços que se contróem.
Familia é a organização social, consanguinea ou não, de seres unidos por laços parentais de afeto e necesidade social. Ora não vivem os atores cercados de elos, afetivos, passionais? Não se apoiam e buscam socorro uns nos outros? Não se odeiam as vezes e se amam em outras ocasiões? Não lutam junto alí na frente do público, não criam e concebem juntos qual casal? Não choram de alegria abraçados?Não criam siglas, girias, termos, códigos que só eles compreendem? Não aprendem a conhecer as cartadas, jogadas e dissimulações uns dos outros? Ouso dizer que o teatro é sim famlia, já dizia que era uma relijião e agora o afirmo como união familiar. ...E todos tão jovens, tão desapercebidos do Oásis que encontraram, do eco de idéia que coneguem, da sensação de especialismo, da fuga da monotonia e da monocordía da vida. Vão perdendo aos poucos o que receberam de coração! Talvez seja a coisa mais linda e em prol de outros que vão fazer em sua existência.
O Teatro é vida... Uma forma de vida. Com suas regras, suas convenções, seus códigos presunçosos e por vezes tão infantis. Não sei por que viajam durante horas em acomodações restritas e repetem dezenas de vezes ações tão elouquentes por tão pouco se não considerar o aplauso como a maior paga!  Penso ter a ver com o prazer de sentir-se especial! E o são!
O Grupo Máschara tem algo de mágico, uma benção talvez, não sei ao certo. Talvez tenha haver com a dedicação profunda de ALGUNS, mas o fato é que na hora do show acontece uma sintonia, um apoderar-se tão tocante que em determinadas vezes me leva as lágrimas.
O Castelo Encantado despede-se hoje para ficar na lembrança, recordado nesse blog. A Rosa Maria de Angélica Ertel solta pelo palco, preocupada em dar vóz aos colegas através de seu microfone; Alesandra Souza, tentando melhorar a cada dia; Renato Casagrande com seu ar avoado, as vezes sem noção do que acontece a sua volta, Gabriel Wink necessitando de ensaios, para fazer mais do que apenas mostrar seu talento; Luis Fernando Lara meio perdido, meio destoante, mas satisfeito em estar na cena; e Cléber Lorenzoni trocando letras de músicas, nervoso em salvar a todos e a sí mesmo e ainda segurar a platéia.  Mas em meio a tudo isso, o fazer, o tentar, o errar crescendo, sem vergonha de errar e sem demagogia em querer mesmo acertar. Como uma familia...que discute, se zanga, mas continua alí, cercando aquele alicerce para manter-se fluindo.
Provavelmente o Castelo que sempre irei me recordar é o de 2005, mas servirá de bagagem a um grupo de jovens que se parar um instante perceberá que tem nas mãos um tesouro, um dom, uma missão. Por Dionísio, nunca a joguem fora e nunca privam seu público de sua presença no palco!!



                                                                                                             A Rainha

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Diário de bordo XXXIII- O Incidente em Nova Prata 03/11/2010

Um novo Incidente

Incrivelmente o espetáculo O Incidente do Grupo Máschara ainda é assistido, vendido, produzido pelo mundo a fora. Não é mais o Incidente de 2005, e muito se perdeu e mudou de lá para ca. No entanto preciso dizer que esse retorno foi perspicaz. O elenco agora é formado por Cléber, Angélica, Gabriel, Luis Fernando, Diego, Renato e Alessandra. Um arrojo corajoso. Mas para que? Por que?
Ora porque sempre há um bom motivo para se retornar ao palco, por que sempre que houver um púlico em potencial com interesse em algum trabalho, deve-se satisfazê-lo. Mas porque com esses atores? Por que com tantas caras novas? Do elenco antigo só reconheço Cléber Lorenzoni e não como Menandro Olinda como em outrora. Um espetáculo pode ter várias funções para um grupo de atores, pode ser um exercício, uma incurssão divertida, uma pesquiza, uma crítica social, etc... E aí vejo várias dessas intenções.
O problema é o teatro não de rua na rua, estranho paradóxo. O Incidente é um espetáculo concebido para palcos alternativos, mas não tem técnica de teatro de rua. Os atores precisam ter noção do teatro tridimensional, da necessidade de impostação de vóz, de saber adaptar-se ao espaço, da concorrencia com ruídos e ações provindas desse ambiente sempre em movimento que é a rua, mas principalmente, que se no teatro italiano ou elisabetano é difícil segurar a platéia, na rua essa dificuldade é quadriplicada. Em determinada ocasião, assistindo um espetáculo de Antonio Fagundes, ouvi que o público tem disposição para manter-se concentrado por apenas 7 minutos. Mas e na rua, esse tempo deve cair para 3 ou 4 minutos?
O grande destaque de O Incidente está no trabalho corporal, apelo visual do espetáculo. Mas o que mais me encanta é o texto. Rebuscado, cheio da virtuosidade criativa de Erico Verissimo. Conhecedor profundo do povo gaúcho e de suas peculiaridades. Antares é um microcósmo do Brasil, e os sete mortos de Antares carregam consigo um pouquinho de cada cidadão brasileiro. Quem sái do teatro, deve correr ao livro, a peça é um convite a buscar a leitura. É como um leve adossicar nos lábios para se querer comprar o doce.
O que há com Luís Fernando Lara, o vejo tão pouco no palco, sei que é um encantador crítico teatral, sempre com alguma observação inteligente sobre o trabalho dos colegas. No entanto hoje o ví fascinante em cena. Intenso, presente, vivo, com a energia percorrendo o corpo. "Fogo nas ventas"! Mal maquiado, percebí, mas "na cena"!
Angélica Ertel é uma atriz versátil, rápida na compreensão e caracterização de novas personagens. Hoje a ví criando, melhorando seu trabalho a cada encenação de O Incidente.
Diego Pedroso é uma das caras novas e partiu rápido do período de estágio para a cena. E começou bem, aliás, embora sua composição seja muito diferente da concebida por Cristiano Albuquerque em 2005, me fez lembrar muito aquele ator. Precisa claro buscar a técnica, a compreensão vocal, a tridimensionalidade cênica, mas já tem a intuição, e isso é certamente a base de um bom profissional.
Alessandra Souza como Erotildes da Conceição foi adequado. Segundo Roger Castro ela agradávelmente lembrou-lhe Lauanda Varone. Acredito que o teatro é uma esfera de energia, provindas do organismo dos atores, do olhar dos diretores, do público, do texto, de quem ocupou aquele espaço, do conhecimento universal que perpassa pelo ambiente. A energia daqueles atores todos que tanto se dedicaram ao Incidente de Erico Verissimo certamente continua alí. Mas Alessandra Souza precisa buscar a osmoze entre fisico e sentimental, entre técnica e talento. Precisa ousar naquilo que tem espaço para ousadia, e encontrar o bom senso naquilo que já está estabelecido.
Gabriel Wink precisa de ensaio, é um ator talentoso, isso não se discuti, mas tantos antes dele já mostraram talento e acabaram não trabalhando seu talento... É uma pena. A adaptação do monólogo na segunda encenação foi ousada, pe´rdí um pouco de Menandro Olinda, mas compreendo sua intenção em ficar mais próximo da platéia.
Renato casagrande é jovem, jovem nas ações, jovem nos sentimenos, jovem em compreensão e isso é ótimo para a energia e a postura física. Devería repensar, o diretor, antes de dar-lhe determinados papéis.
Cléber Lorenzoni não teve no palco seu requinte de ator grandioso, foi claro o líder da cena, e como sempre guiou, cortou adaptou, tomou decisões em cena.
Penso que O Incidente devería ser mais ensaiado, mais trabalhado, ou abandonado.
No Máschara há três tipos de atores. Os prontos. Os honorários e os iniciantes. Há na diretoria do grupo talento para preparar todos, falta aos atores ousadia em querer aprender. O teatro não cai do céu. Só se cair direto no inferno!


OBS: Fiquei sabendo por fonte segura que o prefeito da cidade citada não tería gostado de uma mensão que a prostituta Erotildes da conceição fizera ao prefeito DE ANTARES, pois ficaría o público tirando grarça de sua postura. Eis aí a função priemeira do teatro, degladiar a sociedade, inquirí-la em relação a sua postura. Eis aí um bom momento para os atores compreenderem o que é ideologia e para onde ela pende em situação como essa.



                                                                                        A Rainha


                                                                                       

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O ator Cléber Lorenzoni recebendo troféu de melhor ator das mãos da atriz Ida Celina




















Cléber Lorenzoni galardoado melhor ator no Art In Vento de Osório

Ed Mort e Penélope


-Tinha um rato enorme e um pato maior ainda!"
-Que nojo, eu não quero nem ouvir!