quarta-feira, 25 de abril de 2012


Próximos Espetáculos




?-Os Saltimbancos - 10/11/2012 Salto do Jacuí 
 
?-O Santo e a Porca - 08/11/2012 Feira de Livros de Garibaldi 

?-Ed Mort - 08/11/2012 Feira de Livros de Garibaldi 

?-O Castelo Encantado 08/11/2012 Feira de Livros de Garibaldi 

?- Os Saltimbancos   07/11/2012 Feira de livros de Garibaldi

549/550- TArtufo (tomo 28/29) 49º Cena às 7

547/548- Os Saltimbancos (tomo 06/07) 06/06/2012 14 e 16 horas E.E. Venâncio Aires

545/546- Os Saltimbancos (tomo 04/05)  05/06/2012 14 e 16 horas E.E Margarida Pardelhas

543/544- Os Saltimbancos (tomo 02/03) 48 º Cena às 7 dias 26 e 27 de maio


541/542- O Castelo Encantado (tomo83/84) 15/05/2012 Feira de Livros de Bento Gonçalves

540- A Maldição do Vale Negro (tomo 17) 14/05/2012 Feira de Livros de Bento Gonçalves

539 - Os Saltimbancos (tomo 01) 14/05/2012 Feira de Livros de Bento Gonçalves

537/538 -A Maldição (tomo 15/16) 21 e 22/04/2012 47ºCena às 7

536-O Incidente Frag. (tomo 74) 18/04/2012 Bento Gonçalves

535-Ed Mort (tomo 09) 04/04/2012 Capão da Canoa

534-Esconderijos do Tempo (tomo 66) 27/03/2012 Osório

533 - Deu a louca no ator (tomo 02) 18/03/2012  46º Cena às 7

530/531/532- As Balzaquianas (tomo 05-06-07) 03,04,05/02/2012 Sala Carlos Carvalho 
Porto Verão Alegre

529- As Balzaquianas (tomo 04) 15/01/2012   45º Cena às 7

528-Esconderijos do Tempo-(tomo 65)04/12/2011 44ºCena às 7

526/527- Lili Inventa o Mundo (tomos 91/92) 26/11/2011- feira de livros de Viamão

525- O Feriadão (tomo 96) -10/11/2011) Tarde Garibaldi

524-A Maldição do Vale Negro (tomo  14) - 10/11/2011 manhã - Garibaldi

523- O Incidente (tomo 73) 09/11/2011 -manhã - Garibaldi

522- Feriadão (tomo 95) 08/11/2011-tarde- Garibaldi

521-O Incidente (tomo 72) 06/11/2011 -Cruz Alta - 43°Cena às 7

520-Lili Inventa o Mundo (tomo 90) Cruz Alta - 28/10/2011

519- Feriadão (tomo 94) 21/10/2011 Cruz Alta Annes Dias

518 - O Castelo Encantado  (tomo 82) 17/10/2011 Antonio Prado

517- O Castelo Encantado  (tomo 81) 17/10/2011 Antonio Prado

516- O Incidente (tomo 71) 16/10/2011 Antonio prado

515-Feriadão (tomo93) 09/10/2011 42º Cena às 7

514 - Ed Mort -41º Cena às 7 (tomo 08) 18/09/2011

513- Deu a louca no ator (tomo 01) 21/08/2011 40º Cena às 7

512- As Balzaquianas (tomo 03) 17/11/2011 - Itaqui

511 - Lili Inventa o Mundo (tomo 89) 12/11/2011 Feira de Livros

510 - A Maldição do Vale Negro (tomo 13) 17/07/2011 39º Cena às 7

509 - As Balzaquianas (tomo 02) 19/05/2011 38º Cena às 7

508 - O Feriadão  (tomo 92) 18/05/2011 Bento Gonçalves

507 - A Maldição do Vale Negro - 19/05/2011 (tomo 12) Bento Gonçalves 

506- Lili Inventa o Mundo - 18/05/2011 (tomo 88) Bento Gonçalves 

505 - O Incidente - 18/05/2011 (tomo 70) Bento Gonçalves

504 - Feridão - 17/05/2011 - (tomo 91) Bento Gonçalves

503 - O Incidente -17/05/2011- (tomo 69) Bento Gonçalves

502 - Lili Inventa o Mundo 16/05/2011-(tomo 87) Bento Gonçalves

501 - 37º Cena às 7 - As Balzaquianas -15/05/2011  (tomo 01)

500- Esconderijos do Tempo - 20/03/2011 (tomo 64) Teatro Carlos CArvalho

499-Esconderijos do Tempo - 19/03/2011 (tomo 63) Teatro Carlos Carvalho


498 - Esconderijos do Tempo - 18/03/2011 (tomo 62) Teatro Carlos Carvalho

497- Lili Inventa o Muno - 02/11/2010 (tomo 86) Tupanciretã

  496 -Esconderijos do Tempo - 24/11/2010 (tomo 61) Três Coroas


495- O Incidente - 05/11/2010 (tomo  68 ) Nova Prata

494- O Incidente - 05/11/2010 (tomo 67 ) Nova Prata

493 - O Castelo Encantado - 04/11/2010 (tomo 80 )  Nova Prata

492- O Castelo Encantado - 04/11/2010 (tomo 79 ) Nova Prata

491 - O Incidente -03/11/2010 (tomo 66 ) Nova Prata

490 - O Incidente -03/11/2010 (tomo  65  ) Nova Prata

489-A Maldição do Vale Negro - 23/10/2010 - (tomo 11 ) Osório 

488- Lili Inventa o Mundo - 1617/10/2010 (tomo 85) Antonio Prado

487-Feriadão -16/10/2010- (tomo 90) Antonio Prado

486 - Lili Inventa o Mundo- 10/10/2010- (tomo 84) 36º Cena às 7  -infantil-

485- Lili Inventa o Mundo - 09/10/2010 (tomo 83) Garibaldi

484 - Feriadão - 09/10/2010 - (tomo 89 )  Garibaldi

483 - Lili Inventa o Mundo - 07/10/2010 - (tomo 82 )  Garibaldi

482 - Lili Inventa o Mundo - 07/10/2010 - (tomo  81 )  Garibaldi

481 - Lili Inventa o Mundo - 06/10/2010  (tomo 80) Veranópolis

480 - Lili Inventa o Mundo - 06/10/2010 - (tomo 79 )  Veranópolis

479- O Incidente- 06/10/2010 -(tomo 63) Veranópolis

478- O Incidente - 06/10/2010 - (tomo  62 )  Veranópolis

TEATRO INDEPENDENTE - Delírios de Amores e Cigarros- (02/09/2010)
Festival de Esquetes Teatrais de Gravataí

477- Esconderijos do Tempo 29/08/2010 - (tomo 60 ) 35º Cena às 7

476- Lili Inventa o Mundo 27/08/2010 - (tomo   78  ) Progresso

475- Lili Inventa o Mundo 27/08/2010 - (tomo  77  ) Progresso 

474- A Maldição do Vale Negro (tomo-09) Soledade 22/08/2010

473- Lili Inventa o Mundo  1/08/2010  (  tomo - 76  ) Tupacireta

472- Ed Mort -18/07/2010  (tomo-07)     34º Cena às 7

Oficina de Interpretação com Sandra Loureiro Projeto Semear e Colher 
2 à 18/07/2010

Teatro Independente Delírios de Amores e Cigarros, 10/07/2010 - teatro 13 de Maio Santa maria
Teatro Independente  Delírios de Amores e Cigarros, 2/07/2010 - teatro Tui Santa maria

471-A MAldição do Vale Negro  - 13/06/2010 (tomo-08)  33º Cena às 7

470- Lili Inventa o Mundo-11/06/2010 (tomo-75) Emancipar Julho  de Castilhos

   Oficina de teatro em Veranópolis, ministrada por Cléber Lorenzoni
junho/2010

469- Lili Inventa o Mundo-29/06/2010 (tomo 74 ) Emancipar Panambí

468 -Lili Inventa o Mundo-28/06/2010  (tomo 73 ) Feira de Livro Lagoa Vermelha

467 - A Maldição do Vale Negro -28/04/2010 (tomo 07 ) Horizontina

466 - Esconderijos do Tempo -24/04/2010 (tomo 59 ) Ijuí

465  -Lili Inventa o Mundo -23/04/2010 (tomo 72 ) 3 de Maio Emancipar

464-A Maldição do Vale Negro 10/04/2010 (tomo  06 ) Festival de Teatro de Itaqui

463- O Castelo Encantado 01/04/2010 (tomo 78 )  Feira de Livros de Capão da Canoa

462- O Incidente- 31/03-2010 (tomo 61 )  Feira de Livros de Capão da Canoa

461- O Castelo Encantado-31/03/2010 (tomo  77 ) Feira de Livros Capão da Canoa
460-  Lili Inventa o Mundo 24/03/2010 (tomo 71 ) Emancipar Tapera

459- Lili Inventa o Mundo  24/03/2010 (tomo 70 ) Emancipar Tapera 

458- Esconderijos do Tempo 11/03/2010 (tomo 58 ) Emancipar Sano Angelo

457- Lili Inventa o Mundo 23/11/2009 (tomo 69 ) Feira de Livros Nova Ramada

456- Esconderijos do Tempo 23/11/2009 (tomo 57  ) Feria de Livros Nova Ramada

455- Lili Inventa o Mundo 13/10/2009 (tomo 68 ) Annes Dias

454 -Lili Inventa o Mundo 09/10/2009 (tomo  67 ) Veranópolis

453 - Lili Inventa o Mundo 09/10/2009 (tomo 66 ) Veranópolis

452 - Esconderijos do Tempo 09/10/2009 (tomo 56 ) Veranópolis

451 - Feriadão 08/10/2009 (tomo 88 )Veranópolis

450 - Lili Inventa o Mundo 07/09/2009 (tomo 65 )Emancipar São Luís Gonzaga

449- Ed Mort - 13/09/2009 (tomo 04 ) 32º Cena às 7

448- O Incidente - 25/08/2010 (tomo-60) Festival de Dom Pedrito

Cena às 7 A Maldição do Vale Negro em 22 de abril de 2012


Se eu perguntasse a um ator o que é teatro, para que serve, o que responderia-me? Sem enrolação sem titubear, sem devaneios e circunlóquios, para que serve afinal o teatro? Para divertir, entreter, fazer rir, emocionar, indagar, criticar... Não sei qual resposta dariam. Hoje enquanto assistia o espetáculo A Maldição do Vale Negro, ficava observando as pessoas rindo a minha volta e a conclusão que chegava: Fazer rir, certamente. Mas então por que diria que esse espetáculo é tão bem feito, tão profissional, se outros tantos que vi nesse mesmo mês em Cruz Alta também faziam rir? Eis a resposta: A Maldição do Vale negro é um texto de três atos, escrito pelo queridíssimo Caio Fernando Abreu, na década de oitenta. Um texto extenso com sete personagens e de dificílima construção, auxiliado por Luis Artur Nunes, Caio escreveu um melodrama, no entanto o fez em forma de sátira. Ora se melodrama já é algo difícil para atores interpretarem, imagine então uma sátira em cima do próprio. Assisti nesses anos todos de teatro muitas versões, inclusive a mais recente com a atriz Camila Pitanga, e digo que não apreciei realmente nenhuma, pois sempre esbarrava na duvida quanto a qual era o verdadeiro objetivo do diretor.
                 Em A Maldição do Vale Negro de Cléber Lorenzonipercebe-se totalmente os objetivos. Uma comédia besteirol. Mas besteirol com a técnica necessária para admirar-se esse estilo de teatro surgido no seio dos anos 90. Em cena três atores esparramam-se em sete personagens, cada um com personalidade extremamente estanque dos outros. Ricardo Fenner, Cléber Lorenzoni e Gabriel Wink suam no palco correndo de um lado para o outro, trocando de roupas, mudando trejeitos, subindo e descendo, com ótima técnica vocal e trabalho corporal impecáveis. Os figurinos fazem uma alusão a época sem caírem nas obrigações bregas da forma e o cenário embora simples consegue nos  guiar por uma época já perdida no tempo. Embora ainda pudesse esmerar-se mais nas cenas da cripta e da floresta.
                 No palco atores com 16, 10 e 6 anos de carreira. Mesclando talento e técnica. Partituração e Improviso.  A Maldição do Vale negro perambula pelo Máschara desde 2002 e várias foram as tentativas de montá-la. No entanto não saiu do papel em nenhuma das outras tentativas, talvez por que os elencos não tivessem a maturidade precisa que o texto pede. E isso nos leva a outro raciocínio: No teatro não basta você querer algo, é necessário que o universo, os Deuses do teatro colaborem para que algo acontecesse. As vezes você tem um elenco maravilhoso, o número certo de atores e atrizes para determinada obra, dinheiro(pasmem) e até a criatividade necessárias. No entanto algo atrapalha tudo e tal espetáculo não acontece, em outro momento, mesmo sem todo o elenco, com a sensação de que nada dará certo, nasce um espetáculo. Esse é o caso de vários trabalhos do Máschara e de tantos outros grupos conhecidos.           
                Não há muito o que se falar dessa segunda incursão ao A Maldição..., apenas que foi um Cena às 7 de sucesso, que o sábado serviu de ensaio geral para o domingo e que torço para que continuem na empreitada árdua de fazer duas vezes por mês o projeto de teatro. Mas algo que ainda quero mencionar é que nesses últimos dias faleceu o querido ator gaúcho Paulo Rezendes. Conhecido por mim e pelo Grupo Máschara nos idos de 1997. Paulo lutou pelo teatro e fez espetáculos maravilhoso que ficarão por muito na lembrança de colegas e do público em geral, dentre eles: Jó, fiel toda a vida e ainda o recente Dois perdidos numa noite suja, onde contracena com Jadson....Fica aqui minha homenagem a esse ator e o desejo de que jovens atores não esqueçam o quanto é difícil construir uma carreira, o quanto queremos, nós atores, sermos inesquecíveis e o quanto há de se trilhar em prol da arte. Principalmente quem faz teatro no interior. Por isso menciono aqui alguns outros jovens artistas que passaram pelo Máschara e que deixaram saudades. Dentre eles: A querida Altiva Soares (DIVA) que em Bulunga O Rei Azul interpretava uma das gatinhas cantoras. Hoje em dia Altiva já não se encontra mais entre nós, mas certamente deixou saudades. Ariane Pedrotti, que hoje mora em Erechim e não mais faz teatro, fez o inesquecível Corifeu em Antígona(2000) ganhando o troféu de melhor atriz pela FETARGS em Caxias do Sul no mesmo ano. Com Diulio Odacir Penna também se fez uma parte da historia do Máschara em Bulunga o Rei Azul. Da época de Cordélia Brasil, temos Jeferson Dill e Eduardo Gonçalves que participaram da fundação desse grupo. Vera Porto que hoje mora em Ibirubá e não é mais atriz infelizmente. Lembramos com carinho também de Daiane Albuquerque e do professor Jorge Pittan, outros dois que durante algum tempo se deixaram tocar pela vida nos palcos. Não sei por quais questões esses artistas se afastaram do palco, mas desejo que os atores atuais lutem sempre pelo que amam, seja o teatro ou não. Que não percam a coragem pois a melhor razão para se viver ainda é fazer aquilo que se ama e não há melhor compensação que emocionar as pessoas com seu talento e técnica.
Teatro é a vida...


Cléber Lorenzon e Gabriel Wink ***
Ricardo Fenner, Alessandra Souza, Gabriela Varone,Luis Fernando Lara e Renato Casagrande **


                                                                                                          A Rainha

domingo, 22 de abril de 2012

Tournê A Maldição do Vale Negro no Cena às 7


São nove horas da manhã, e estou ansiosa, hoje tem teatro... Amo teatro e a mim agradaria que houvesse espetáculos todos os dias, mas compreendo que aqui no interior isso é algo utópico. No entanto não posso negar que as coisas vão muito bem, afinal esse mês Cruz Alta foi presenteada com muitas inserções cênicas: Homens de Perto, Hospício Pop Rock, Maldição do Vale Negro e ainda Teatro Biriba. À parte pontos de vistas, méritos e talentos, quem ganha é a cidade, o público! Quem disser que Cruz Alta não oferece divertimentos e opções de lazer é deveras impertinente.
De todas essas opções vou me ater àquela que me cabe nesse espaço. O Cena às 7. Primeiro por que conheço profundamente o trabalho desse grupo, segundo por que de todos os citados são os únicos naturalmente “crias” da cidade. O Cena às 7 agora passa a ser em dois dias por mês, mais uma opção para o público de teatro de nossa cidade, público esse que vem crescendo a cada dia. A historia do Cena às 7 é a historia de um sonho, por isso não se sabe bem quando começou. Cléber Lorenzoni e Thiago Amorim (Abambaé) viveram esse sonho, idealizaram-no em 2005. Desse momento em diante o sonho passou a ser de várias pessoas que amam o público, amam as artes, amam o que fazem sem saber por que, sem demagogias pode-se dizer que apenas por um ideal. Se na verdade não são sete como diante de Tebas, nem por isso deixam de ter uma historia. É um pouco da historia desse ideal que é contada nesse texto. Historia essa que possui os ingredientes de esperança e os atos de coragem sem os quais qualquer ideal fica comprometido.
Embora Cléber Lorenzoni algumas vezes tenha se embrenhado pelo mundo da dança e Thiago Amorim tenha se enveredado pelo mundo do teatro, ambos nasceram provavelmente o primeiro para o teatro e o segundo para a dança, suas versatilidades no campo um do outro, provêm obviamente de suas sensibilidades extremas e capazes. Foi em uma conversa de cafezinho, essas que os artistas e os boêmios costumam ter que para leigos parece não levar a lugar nenhum, mas nas quais certamente os atristas criam loucamente, que tiveram a ideia de fazer algo no palco da casa de cultura, algo para a plateia da cidade, algo que viesse para ficar. Na conversa estavam presentes a baliranina Jaciara Jorge e o ator Rafael Aranha, e se não me engano o também bailarino Igor Pretto. No final da conversa estava rascunhado o Cena às 7.
Em 04 de outubro de 2005 era lançado oficialmente o Cena às 7, na presença de várias presenças ilustres de nossa sociedade, além dos bailarinos do Abambaé e atores do Máschara. Em 9 de outubro subiu ao palco o primeiro Cena às 7 com o espetáculo Tartufo prelúdio artístico apresentado por jovens bailarinas. Nesse primeiro ano foram três espetáculos teatrais e dois espetáculos de dança.
2006 iniciou com mais dois espetáculos teatrais e três de dança. Logo depois, infelizmente a dança retirou-se do Cena às 7, o motivo era simples, criar e produzir espetáculos no interior não é tarefa fácil. O Máschara forçou-se a continuar mas as coisas não foram fáceis, sem apoio e somente com o dinheiro dos ingressos o projeto parecia com os dias contados.
Em 2007 nascia a produtora Script produções e começavam a surgir os primeiros patrocinadores e apoiadores. Ponto do Livro, Vencal Calçados, Lojas Becker, Espaço do Corpo, Cooplantio, Linke Supermercados, Sultec Celulares, Grafit, Café de Minas, Postos 2001, Lorena e Alcides Cabeleireiros, Clube Um, Viapex, Ópticas Orion, Xôck’s, Tejedor, Pampa Turismo e Casa das Linhas.  Durante os sete anos de Cenas às 7, foram apresentados treze espetáculos teatrais e três espetáculos de dança e um de dança e teatro(Romeu e Julieta) em 46 edições de cena ás 7. Envolvendo mais de oitenta artistas, entre bailarinos, atores, técnicos, cenógrafos e etc...
Ontem, dia 21 de abril de 2012, Cléber Lorenzoni, Dulce Jorge e Ricardo Fenner ousaram dar mais um paço em direção as melhorias do teatro na cidade, aumentado o programa de teatro para dois dias no mês. Talvez por isso mesmo a  noite tinha cara de estreia. No palco A Maldição do Vale Negro, já apresentada no Cena às 7 em maio e junho de 2009, em junho de 2010, em julho de 2011 e agora. 
Sob direção de Cléber Lorenzoni com direção de elenco de Dulce Jorge e direção de palco de Angélica Ertel, tendo como técnicos de som e luz, a novata Gabriela Varone(**) e o já conhecido Luis Fernando Lara(*). No palco Cléber Lorenzoni (**), Gabriel Wink(**) e Ricardo Fenner(***), e contra-regragem afiadíssima de Alessandra Souza(*) e Renato Casagrande(**).
A Maldição do Vale Negro é um dos cinco espetáculos mais importantes da Cia. Um exercício perfeito para os atores em cena, uma comédia divertidíssima que envolve crianças e adultos. Na noite de sábado embora não estivesse totalmente afiada, a peça arrancou boas risadas da plateia que no final aplaudiu em pé os quase noventa minutos de espetáculo. Ricardo Fenner deu um show de interpretação com O velho conde Mauricio de Belmont e a cigana Jezebel, pode ainda controlar um pouco mais sua energia, lembrando sempre que energia não quer dizer gritaria e ritmo não quer dizer velocidade.  Gabriel Wink jogou impecavelmente nas cenas de Vassili, um de seus melhores personagens certamente. A governanta Ágatha que para mim é o segundo papel do espetáculo poderia estar mais afinada, cortante, bem acabada. Faltou provavelmente ensaio. Aconselho ao ator não esquecer que apesar de ser uma bela estrela do palco, ainda é um ser humano, com corpo, e que o corpo é uma máquina que precisa de treino, de exercícios e de cuidados. Cléber Lorenzoni como protagonista pontua todas as cenas, ergue várias bolas e ajuda a marcar gols, como ator generoso que é, mas poderia deleitar-se mais em sua condessa, que aliás, é um divertimento a parte para as crianças.
A noite definitivamente não foi da equipe de apoio. Algumas pessoas não compreendem que iluminadores e sonoplastas são figuras de extrema importância e que eles dão o tom do espetáculo com sonoplastia e iluminação apuradas.  Nesse tipo de espetáculo boa parte das impressões cômicas são dadas através de pequenas e rápidas inserções sonoras que se não entrarem no momento exato podem destruir a sequencia da narrativa. A Maldição do Vale Negro tem, pontuando a historia, um narrador, e quando partes da narração não são bem ouvidas, o público pode perder o interesse e em um espetáculo tudo tem que correr para prender o interesse do público e não o contrário. A iluminação confere beleza aos olhos, arte a mente e sinaliza cenas, narrações e piadas, como então deleitar-se quando blecautes confundem a compreensão dos códigos visuais?
Um espetáculo como A Maldição do Vale Negro tem que ser cuidado para que depois de anos ainda possa render lucros, aplausos e prazeres. Então nada de relaxamento, nada de atores esticando cenas, acrescentando piadas que formam barrigas, contra-regras relaxando em suas funções, palcos cheios de adereços e pedaços de figurinos, ou vozes baixas.
A Dulce Jorge um último elogio nessa página, não sei se as pessoas tem essa compreensão, mas graças a essa jovem outrora tímida que tanto quis criar um grupo de teatro há vinte anos atrás, temos agora o Máschara e o Cena às 7. Que essa jovem atriz não esqueça nunca que seu nome está para sempre marcado nas pedras da historia da nossa terra e nas linhas maravilhosas da arte.
Agora vou descansar pois hoje a noite tem teatro na terra da panelinha. Parabéns a todos os que fazem o Cena às 7 e coragem, dias difíceis virão! 


                                                                                                                     
                                                                      A Rainha

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Elenco do Máschara em 7 de setembro de 1997


Na foto Elenco de Bulunga o Rei Azul no dia dos desfiles de 7 de setembro. Com Altiva Soares. Carolina e Bibiana Monteiro, Alexandre Dill e muitos outros!

O Incidente em Bento Gonçalves 18/04/2012

 Pequenas surpresas...

Quem assistiu ao espetáculo O Incidente em Bento Gonçalves, nesta quarta feira 18 de abril de 2012, durante o lançamento da feira de livros da cidade, admirou-se positivamente com o trabalho honesto, dedicado e sensível da esquipe do Máschara. Foram dez horas de viagem ao todo entre ida e volta para levar ao bento gonçalvenses uma das mais críticas visões da sociedade que Erico Verissimo legou à literatura.
Empurrado pra lá e pra ca até finalmente acomodar-se há um espaço do evento, o fragmento do espetáculo pareceu adaptar-se perfeitamente ao espaço e em poucos minutos arrancava risos e bons silêncios do grandioso público presente na casa das artes. Lugar, infelizmente pouco conhecido pelos moradores da cidade. 
Não foi nem de longe a melhor inserção de O Incidente, mas surpreendeu-me por agradáveis surpresas, Cristiano Albuquerque do elenco inicial, a impagável Dulce Jorge, que parece aprisionar seu talento e tão poucas vezes nos presenteia com sua presença. Ambos carregando mesmo que involuntariamente o âmago inicial de O Incidente em suas atuações. Isto é, com o passar do tempo e as substituições, muito do que foi concebido vai se perdendo. Atores em substituição nunca compreendem ao certo o que o elenco inicial pretendia.
Luis Fernando Lara também é um ator que sobe ao palco raríssimas vezes, mas sempre demonstra dedicação ao fazer teatral. Na apresentação de ontem caracterizou-se esmeradamente, algumas atrizes ou atores em diversas ocasiões negam-se a cortar ou pintar cabelos para determinadas situações que o teatro ou os diretores pedem. Alegando que ganham muito pouco para fazê-lo ou ainda que não gostariam de mudar seu visual. Ora Luis Fernando Lara que também interpreta muito bem seu “Barcelona” voluntariamente dispôs-se a passar por uma pequena transformação capilar em prol do palco.
Renato Casagrande também está mais maduro, com compreensão maior de sua existência cênica. Seu texto foi dito com muito mais profundidade. Gabriel Wink e Cléber Lorenzoni estavam diferentes do que costumo ver, fiquei mesmo na duvida se estavam ou profundamente centrados em suas atuações ou se estavam com a cabeça em qualquer lugar distante do palco.  A cena do primeiro foi agitada demais, arriscada, cenas tão intensas como a de “Menandro Olinda” pedem a medida certa de espasmos corpóreos e técnica vocal. Cléber Lorenzoni, embora cheio de presença e totalmente dono do seu momento cênico, parecia estar testando a plateia. Sua volúpia cênica as vezes me desconcentra, tem sempre um olhar, uma acusação, uma carta na manga que de alguma forma vinga o teatro perante o público.
Alessandra Souza é uma jovem atriz, há em suas atuações um misto de paixão e confusão. Típicos em atrizes dedicadas e que ainda estão aprendendo a desenvolver suas técnicas. Aconselho-a a concentrar-se em separar as partituras corpóreas de suas personagens. Um dia será uma grande atriz levando-se em conta sua força e os macetes que está aprendendo a desenvolver. A prostituta Erotildes é um dos maiores papéis que atualmente faz, pergunto-me se a atriz tem consciência disso.
A maior tristeza que sinto é quando um ator tem dezenas de oportunidade para fazer o melhor em determinado personagem, ou peça, e um dia acaba-se a tournê e o ator /atriz descobre que nunca mais terá a oportunidade de acertar naquele. A vida como o palco, não tem segunda chance, quem viu, viu!
A técnica do espetáculo, contra-regragem, iluminação e sonoplastia, não apareceram ou surtiram pouco efeito, afinal não era noite de teatro, era noite de evento, o teatro apenas foi inserido e não sei se gosto disso! Mas uma dica fica... Há de se conhecer musica, sonoridade e trilha de um espetáculo, um som, as notas de uma musica soando em momento errado tem o poder de desconcentrar atores e público, poder de fazer fracassar o decorrer de uma encenação perfeita. A arte chega ao público por vários sentidos, e sonoplastia gaguejada significa sentido da audição prejudicado.
Parabéns ao Máschara pela ...  encenação em palco e por continuarem apresentando esse trabalho ao público do estado, O Incidente é uma obre magnifica, cheia de significados, extremamente atual e que seria criminal ter um lindo espetáculo desses e impedí-lo de ser assistido, em tempos de hospícios, palhaçadas e galhofas, temo a cada dia pelo destino do olhar artístico do nosso país. O instinto humano caminha sempre para o lugar comum das necessidades e simplicidades carnais, a alma é infelizmente relegada. Obrigado por trabalharem em prol da alma
 Aos atores Dulce Jorge, Luis Fernando Lara e Renato Casagrande ***
Alessandra Souza, Gabriel Wink, Cléber Lorenzoni e Cristiano Albuquerque **
Gabriela Varone *

                                                  A Rainha

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Analise de Ed Mort

Ed Mort vai à praia...

                      Luis Fernando Verissimo criou um detetive muito peculiar, muito distante de James Bond, bem a maneira do mundinho a baixo da linha do Equador. Um detetive com jeitinho brasileiro. Maikel Teixeira, ator de Caçapava do Sul adaptou o texto para o palco e uma das montagens coube ao Grupo Máschara. São sete atores em cena interpretando vilões, crianças, e outras criaturas que somente o mago das crônicas poderia ter criado. Ed Mort tem trama simples, boa de acompanhar, agradando adultos e crianças. Os figurinos assinados por Dulce Jorge e Cléber Lorenzoni, são vivazes, no entanto mal cuidados pela camareira Gabriela Varone, que deve dedicar-se em cuidados com os costumes dos atores, o público paga para ver roupas bem aprumadas, sem manchas e sem descosturas... O cenário não se resolve muito bem, até agora não sei se era algo inacabado, ou se foi colocado ali propositalmente. 
                        O trabalho vocal, a sonoridade, as réplicas bem pontuadas, tudo colabora para que o espetáculo evolua demasiadamente bem. Dulce Jorge muito diferente de tudo o que faz em outros espetáculos. Se estava nervosa não aparentava. Ricardo Fenner esteve na medida, mas poderia ter se soltado mais, Angélica Ertel parecia distante, sem o brilhantismo que tanto marcou sua carreira no sul, sem os cuidados que costumava apresentar, unhas marrons e descascadas? Gabriel Wink também foi econômico, seu assaltante enrolou algumas falas e seu delegadinho não deu o show que costuma dar. Alessandra Souza preencheu bem o papel de sua antecessora, mas o grande brilho da noite ficou a cargo de Renato Casagrande que preencheu muito bem as necessidades da direção do espetáculo, interpretando "MÃE SORAYA". Cléber Lorenzoni guiou a cena muito bem, a curva dramática foi acentuada, perfeita. Ed Mort é um espetáculo pra morrer de rir. Já assisti em dias ruins, o teatro tem dessas coisas. 
                               A trilha sonora é criativa e executada por Luis Fernando Lara, e a luz por Luca Padilha.
                               Preciso elogiar ainda a forma como o Máschara chega nos lugares em que se apresenta e o transforma. Talvez tenham aprendido esse macete com as peripécias do Cena às 7. Algumas Cias. que tive a oportunidade de assistir em ação, chegam nos locais e apresentam seus espetáculos pouco se importando se no palco há um piano, ou se as cadeiras estão viradas para outro lado. Isso pode sim ser apenas um detalhe, mas engrandece o trabalho do Máschara.

Dulce Jorge, Renato Casagrande e Cléber Lorenzoni ***
Angelica Ertel, Luis Fernando LAra, Lucas PAdilha, Alessandra Souza, Ricardo Fenner **
Gabriela Varone, Gabriel Wink  *



                                                                                    A Rainha

                                  Não se surpreendam com o status recebido, ensaiem mais e façam por merecer, dediquem-se, é isso que eu e o público esperamos de vocês!