segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Olhar crítico sobre A hora da Estrela

                                   O espetáculo apresentado no dia 1° de Setembro, na casa de Cultura Justino Martins, era uma adaptação do livro da escritora brasileira Clarice Lispector, “A Hora da Estrela”, escrito e lançado em 1977. Conta à história da Jovem Macabêa, Alagoana de 19 anos, e suas desventuras. O grupo teatral Maschara carrega com ele uma história muito rica, é um grupo compromissado com o seu público, suas peças sempre nos cativam, sempre nos interessam com suas trilhas sonoras, seus figurinos, seus atores e seu diretor, este último domina sua arte! Cleber Lorenzoni foi diretor, ator, iluminador, ele domina o espetáculo. Arrisco-me a dizer que vejo em “A Hora da Estrela” um de seus melhores trabalhos como diretor. Junto a ele temos o seu braço direito: Renato Casagrande e seu domínio de cena. Casagrande nos conduz pela história, o seu radialista nos atrai e prende-nos do início ao fim. Ainda Sobre os atores da Cia, temos Alessandra Souza e Ricardo Fenner, atores do alto escalão do Maschara, mas que deixaram a desejar na noite. Ela estava ali como uma boa atriz, seu volume era bom, sua presença era boa, Mas não havia personagem construído. Ele com um personagem inseguro, sua presença é de um grande ator, mas apenas isso não basta. 
                                      Gabriel mesmo com pouco tempo de palco consegue nos passar um personagem muito bom! Agrada-me muito o ver passar à cena por varias vezes antes de começar, assim como Douglas Maldanner e seu trabalho digno de aplausos! Um dos melhores personagens da noite, seu carisma chamou a atenção, Olimpico esteve ali antes de o espetáculo começar, uma excelente construção de personagem, Maldanner está de parabéns pelo seu trabalho. No Papel da protagonista: Kauane Silva. Um dos trabalhos mais bonitos da atriz, ela nos entrega uma Macabêa doce, ingênua, vulnerável, Macabêa está exposta a todo mal que o ser humano pode causar. Sua ingenuidade fez com que a plateia se tornasse cumplice das maldades que sofrera, a rejeição do namorado, o preconceito pelas colegas de quarto, a perda da unica pessoa que se importava com ela, etc. Kauane esta viva em cena, ela é grande dentro de uma personagem tão pequena. A Noite era dos alunos da 10° turma em formação, tantos talentos no palco! Vagner Nardes é um ator que nos enche os olhos, sua figura de Marilyn é linda, encantadora. Eliane nos entrega uma das melhores construções, Gloria nos conquista com seu carisma. A energia e entrega da atriz nos enche de orgulho, Eliane assim como Olimpico, teve o público em suas mãos e é uma atriz com um grande talento. 
                                       Martha Medeiro e sua fanática Maria da Penha: Medeiro carrega em suas personagens uma sutil delicadesa, ela representa na peça um dos pilares da nossa sociedade. A hipocrisia torna a personagem mesquinha, e a jovem atriz constrói isso muito bem dentro de espetáculo. As alunas Eveline, Leonir e Schu fecham o elenco feminino, as três nos entregam bons resultados. É admirável ver a dedicação de Leonir, ver o quanto estar no palco lhe fez bem, nos passa uma boa sensação, gostaria de vê-la de novo em mais espetáculos. Aliás, o palco é sagrado, nele deve estar quem realmente gosta de estar ali! Eveline compõe Maria da graça, esteve segura. O arco de sua personagem não foi alcançado, mas Eveline nos mostra uma grande evolução em seu trabalho. E por último temos a dona da pensão, Schu com um ótimo volume, mas um pouco insegura em sua construção, ainda assim, teve uma boa presença e fez um bom trabalho. O trabalho de Romeu como seu Raimundo é bem construído, reflexo de sua dedicação ao teatro, seu jeito de andar e falar, apesar de ser caricato, encaixou muito bem na peça! Mas o mesmo deve cuidar sua voz, deve aquecer mais a garganta antes de entrar em cena. 
                          A delicadeza do Pipoqueiro construído por Henrique também nos agrada, por mais que seu volume tenha sido baixo. Seu personagem presencia uma das cenas mais triste da peça, e perante aquilo, nos passa um pouco de esperança. Antônio esteve muito bem em seu enfermeiro, embora deva levar mais a sério o seu trabalho, faltar ensaios em dias importantes não prejudicam só a si mesmo, mas sim um todo. Na parte técnica, devo confessar que fiquei muito feliz com Evaldo Goulart e sua dedicação, é muito bom ver atores colocando a mão na massa, esse é o sentido de uma equipe, todos trabalhando por um bem maior. A trilha sonora foi muito bem escolhida, méritos ao diretor. Tenho certeza que “Tunel do Amor” ficou na cabeça de muitos na plateia. A operação de Clara Devi foi nervosa, quase colocando em risco o espetáculo, sonoplastia deve ser operada com frieza. Os Figurinos estavam lindos, a composição de figurinos do grupo sempre nos encanta. “A Hora da Estrela” vai deixar saudades, foi uma noite linda de teatro. Os atores e alunos envolvidos estão de parabéns! Que mais trabalhos assim sejam apresentados, o publico merece.

Oficina de clowns - janeiro 2019


Ó mágico de Oz


Análise da obra A hora da Estrela por alunos da ESMATE

Somos comunicadores, temos a missão de plantar uma semente de conhecimento na mente do espectador, fazendo germinar questionamentos e posicionamentos, que darão frutos positivos para o futuro da arte.

A turma nove da Esmate está cheia de novos talentos, é muito bom ver o desejo de fazer teatro que emana deles. Entretanto, não podemos nos dar o luxo de esquecer a técnica, ela é o que te torna brilhante em cena.
Chegando no espectáculo, fiquei com um misto de sensações por ver a casa cheia. Sentei bem na frente, pois não queria perder nada, minhas expectativas estavam nas alturas. Logo no começo, me incomodou o fato de Renato sempre dizer as primeiras palavras de suas falas no escuro, pois demorava para ascender a luz do holofote. Casagrande estava divino, volume vocal, domínio corporal, tudo que um ator com o seu tempo de teatro deveria ter.
Porém, senti falta da entrelinha do personagem, achei um tanto raso, ainda mais nos padrões de criações dele. 
Já que queremos ser comunicadores, temos que aprender a trabalhar o volume e a clareza com que a frase é dita. Romeu Waier o tom escolhido te prejudicou, fez o público ter que se esforçar para compreender o que estava sendo dito. Quando o ator compõe um trabalho tão exato como Waier fez, se torna uma pena não conseguir entendê-lo. Martha Medeiro, tão jovem, dedicada, compôs uma personagem fora dos seus vícios corpórais e que arrancou risos da platéia.
Leonir Batista, Rick Lanes, Antonio Longue e Ana Claudia conquistaram o público de jeitos diferentes. Aproveitem mais o palco, digo isso no sentido de se jogar, "curtir como se a vida fosse acabar". Longue e Ana, faltas atrapalham os colegas.
Alessandra tem me preocupado de uns tempos pra cá. A atriz parece que sempre fica sem cartas na manga quando seus achares não dão  certo. Contudo, tento não me preocupar, pois no fim das contas Alessandra sobe no palco poderosa.

Ricardo Fener, como membro do grupo Máschara e um dos anciãos, soube ser genero em cena e carregar uma grande crítica social como sua verdade. Douglas Maldaner me surpreendeu, o ator não demonstrou dificuldades com as falas, mas sim segurança e uma grande capacidade em cena. Quero ver mais desse lado de Maldaner. 
Eveline Drescher, primeiramente, adorei seu sobrenome (sempre quis ter um nome difícil). Em segundo, eu sou amante das garotas malvadas, queria muito que sua maldade tivesse me feito levantar da platéia e ter começado a amar te odiar. Acredito que seu tempo trabalhando com jornalismo te deixou segura do que estava fazendo, você é uma ótima comunicadora e espero que continue no teatro. Eliane Aléssio é outra estrela desse espetáculo que me surpreendeu. Quando vi você em cena não consegui lembrar que foste tu que interpretou a Claudia, mas também você evoluiu tanto, nem quis me lembrar para não atrapalhar a contemplação. Aléssio descobriu uma veia cômica que deu mais vida para a personagem.
Vagner Nardes o novo garoto prodígio, sempre que vejo Nardes em cena fico me questionando - "Será talento, técnica ou uma soma dos fatores". Não entendo seus motivos para se afastar do grupo. No entanto, digo que você seria um grande achado para o Máschara. Cléber é impressionante ver o quanto o público fica nas suas mãos sempre que está em cena. Finalmente, Kauane Silva, Macabéa! Kauane eu tenho uma admiração por você, sempre me transmiti a ideia de que está ali de corpo e alma, seja para fazer o som, a atuação, ou até mesmo ambos no mesmo espetáculo (assim como nas Lendas). Você viveu o que Macabéa passou, sentiu as dores no corpo e morreu com a alma do personagem. Meus parabéns pelo protagonismo, seu diretor fez uma boa escolha.
Com o passar dos anos da Esmate, me atrevo a dizer que este é o seu momento de ouro. Que cada vez mais pessoas queiram fazer arte, precisamos de arte, o mundo está tão caótico que nesses momentos o que a Esmate e o Máschara fazem são nossas boias de salvação.


Com amor, a Arqueduquesa