segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Sobre Lili Inventa o Mundo em Viamão

                           Toda vez que assisto um espetáculo que já assisti, faço um exercício profundo de libertação. Isto é, tento esquecer tudo o que vi anteriormente e me colocar aberto para as coisas novas que a então apresentação vai me oferecer. Nos espetáculos do Máschara por exemplo, há sempre algo novo. Algo que me lança para uma situação ímpar. Cléber Lorenzoni você me surpreende sempre com seus admiráveis atores. Em um mesmo dia assisti duas incursões ao mundo infantil de Mario Quintana. Na primeira, poesia e jogo, na segunda, ritmo confuso e agonia. Na primeira, Cléber Lorenzoni e Gabriel Wink renderam o público. O que mais esses atores ainda conseguem fazer em cena? O virtuosismo, as entradas e saídas, uma surpresa nova a cada instante. Certamente três estrelas para ambos.  Alessandra Souza esteve soberba. Sua Rainha das Rainhas finalmente é um personagem a mais em Lili Inventa o Mundo. Seu corpo e voz. Tudo trabalhou em prol da ação e não poderia voltar para casa sem as três estrelas que mereceu. Angélica Ertel esteve bem, mas sua voz baixa prejudicaram o espetáculo. Onde está a atriz tão completa de técnica vocal? Não era um espaço tão grande. Mereceu duas estrelas pela interpretação bonita e continuada. Renato Casagrande esteve bem, sem grandes vigores. As vezes o ator divide-se seu talento em energia e nuance, andas devem andar juntas! Duas estrelas.
                                     Lili Inventa o Mundo esteve na feira substituindo um espetáculo de outra Cia. e que bom que o fez, quem esteve na praça da prefeitura não se arrependeu e divertiu-se a valer. O palco era pequeno, mas o elenco correu, explorou o espaço, subiu e desceu do palco. Foi sem dúvida uma das melhores apresentações do Máschara. 
                                       Na versão da tarde, Lili Inventa o Mundo surpreendeu pelo ritmo diferenciado. Quem assistiu aos dois espetáculos deve ter percebido a discrepância. Havia microfones o que causou um verdadeiro pandemônio pelo palco. Cléber Lorenzoni pareceu desesperado em segurar cenas que pertenciam à Lili, que por sua vez adentrava o palco com seu figurino aberto, o que não chegava a prejudicar a cena, mas chamava a atenção pelo descuido. Já que o sutiã da atriz teimava em aparecer. Foi um espetáculo confuso, e que pelo número de problemas poderia ter oferecido mais comoção ao público. no entanto faltou o jogo para que a comoção se estabelecesse; Angélica Ertel poderia ter segurado a interpretação e Renato Casagrande esqueceu-se do que era trabalho em equipe. Ambos ganham uma estrela. Alessandra Souza recebe duas pelo seu trabalho continuado da manhã ao lado de Gabriel Wink que a tarde não trazia toda a alma da manhã;;; Cléber Lorenzoni começou fraco, talvez. Mas no decorrer, motivado talvez pelos percalços da encenação, cumpriu seu trabalho, segurando a platéia e arrancando boas gargalhadas. Mais três estrelas para esse admirável ator...
                                                A sonoplastia de Newton Morais foi muito bem trabalhada e o jovem merece três estrelas no mínimo em uma das apresentações. Gabriela Varone traalhou bem mas poderia ter impedido a organização sonora da feira, de ficar atrapalhando a cena e ainda, poderia ter ficado ao lado dos atores no momento de aprontá-los para a cena.
                                            Foi em fim um dia como outro qualquer de bom teatro e de revelações!!!!



                                                A Rainha

Texto para leitura dramática II


A MAIS FORTE
De August Strindberg
Tradução de Thais A. Balloni
Cenário: uma casa de chá, duas mesas de canto, uma sofá forrado de veludo vermelho, várias cadeiras.
Miss Y sentada no canto do café à sua frente uma garrafa vazia ale (espécie de cerveja). Ela lê uma revista, que mais tarde troca por outras. Mrs. X entra vestida com roupas de inverno, chapéu, capote, carregando uma sacola de compras, de desenho estranho.

Ensaios de Um Inimigo do Povo - 2007

Lili tentando inventar seu mundo para Mario Quintana