terça-feira, 20 de agosto de 2019

Elenco ao lado da.diretora.Dulce Jorge


Com o público de Tem chorume no quintal


Momento de descontração minutos antes de entrar em cena


855/856-Tem chorume no quintal (tomos 04/05)

A importância da figura do diretor


             Quando grandes clássicos do teatro subiram ao palco, durante séculos e séculos, o encenador resumia-se a explicar as rubricas. Dividia o elenco à direita ou à esquerda do palco. O encenador não tinha o intuito de criar algo, mas de organizar algo à contento do dramaturgo. O encenador podia ser as vezes um funcionário do teatro, um assessor do dramaturgo. O Teatro teve durante muitos anos a função de colocar sobre o palco a ideia escrita por um dramaturgo, uma ideia ligada ao momento, á época em que a historia foi escrita. Olhava-se para o palco com a intenção de conseguir interpretar os grandes papeis, reprisar as historias escritas pelos grandes homens de teatro.
             Finalmente o raiar do século XIX concedeu ao mundo ocidental a possibilidade de perceber o texto teatral como algo atemporal, algo que precisa de conexão com o momento. Por exemplo, eu não quero ver um Otello  na Veneza medieva, quero ver um homem negro que se apaixona por uma jovem mulher e que sofre com seu ciúme doentio, quero ver uma ideia inédita, que me faça refletir minha vida atual, ou a vida do mundo ao meu redor. O Hamlet de Shakespeare é um jovem que tem seu pai morto por um tio ambicioso, pouco ou nada me importa a riqueza da Dinamarca de um ou dois séculos atras, mas me importa o drama, o conflito, o que isso pode me provocar. Surge daí, a figura do diretor, um homem que vai contar uma historia. Uma historia nova e atual. A historia sobre o palco está sendo contada sob a batuta do diretor. Ele é o maestro de uma trama, de uma ideia. 
            Tem chorume no quintal é uma obra fechada, escrita por um dramaturgo/diretor. Se ela for dirigida por outro diretor, terá figurinos de outras cores, terá marcas diferentes, outros cenários. As cenas tangencias serão outras, as cenas pulsarão em outro momento, e principalmente a ideia final da obra artística me tocará em outros cearas. 
            Cléber Lorenzoni coloca no palco três atores do primeiro escalão do Máschara em um processo matemático muito inteligente. 1,1-2, 2,3,3-1,3-1-2. No segundo escalão temos Evaldo Goulart, que não brilha em uma grande criação como na estreia de O Hipocondríaco, mas que cumpre bem seu papel. Logo depois o terceiro escalão onde está protagonista, uma escolha ousada. Ali também encontram-se Stalin Ciotti e Vagner Nardes. Ciotti é desses atores com quem vale a pena trabalhar. Em questão de minutos ele te da uma partitura, uma construção. Vagner tem garra em cena, precisa claro de muita técnica ainda, mas equilibra-se perfeitamente com o restante da equipe. Seu jogo é ótimo, as vezes pode ter mais personalidade, mas isso virá aos poucos. Ciotti é uma ótima escolha para o menino Júnior, na segunda apresentação esteve muito vigoroso, mas ainda pode chegar em algum lugar em comum com Clara Devi, são um casal romântico. 
                   Clara Devi deve buscar a calma, intercalar ou preencher silêncios com presença física. Clara Devi detém o papel mais importante sobre o palco, no entanto Alice ainda não se apropriou do espetáculo. Torçamos que isso aconteça no restante da temporada. 
                        O prologo novo acrescentou graça e frescor ao espetáculo e a expressividade suave de La Devi convence e muito. Pode-se aproveitar mais as pausas, os tempo, as densidades. Sentir os anciãos com suas técnicas. O que cada um tem para acrescentar. Cléber Lorenzoni com seu poder atrativo de Leopardo, Renato Casagrande com sua grandiosidade de urso, Alessandra Souza com seu olhar clínico de coruja. Todos repletos de sons, gestos, forças, historias pelas quais os atores jovens devem ansiar. Correr atrás. Há nessa continuidade cíclica o mesmo processo pelo qual escoteiros ou ainda o menino Mogli passou.
                          A quarta apresentação de "Chorume" é madura e orgulha os atores pela dignidade com que se fala de algo educativo sem parecer enfadonho. Aliás a cena de Dona Cremosina pode ser mais balanceada por informações técnicas que Clara Devi e Evaldo Goulart podem buscar, como fonte de pesquisa e de crescimento. 
                          Alessandra Souza foi muito bem na apresentação da manhã, mas precisa cuidar para não atuar apenas para o público. Falta jogo com os atores jovens da cena. Dominar uma cena é processo difícil e maravilhoso, mas não pode ser prejudicado por atuações orgulhosas ou egoístas. Alessandra Souza arrancou gargalhadas do público, uma grande! 
                          Renato Casagrande adquire à cada papel, maior sabedoria, maturidade cênica. Atua em outro patamar, o patamar dos grandes atores do Máschara. Mas precisa ter muito cuidado com suas improvisações. Para mim que passei anos vendo Cléber Lorenzoni encerrar os espetáculos e falar coma platéia, é muito digno ver outro ator ocupar esse mesmo espaço sem egos inflamados, ou invejas egocêntricas. 
                            A contra-regragem de Kauane Silva e Laura Hoover foi bem executada e deve ser sempre, como qualquer outra contra-regragem, ambiciosa, artística e profissional. Os contra-regras são tão importantes quanto os atores. Saber o que são gelatinas, pontos de luz, espaços do palco, botões, extensões. Montar coxias, erguer escadas, organizar adereços... 
                              Vamos ao teatro, aprender, debater, inspirar...
                               Teatro é arte pura, arte é vida...

                                           O melhor: A maturidade com que se compreende a não necessidade de todo o elenco do Máschara em dia de espetáculo.
                                                O pior: A ausência de gente de teatro em dia de teatro!

                                                       A Rainha


Cléber Lorenzoni (***)(**)
Renato Casagrande (***)(**)
Alessandra Souza (***)(**)
Stalin Ciotti (**)(***)
VAgner NArdes(**)(**)
Clara Devi (*)(**)
Evaldo Goulart (**)(**)
Kauane Silva (***)(**)
Laura Hoover (**)(**)
                         
                        
             
              

Pode especial com o público de Tem chorume no quintal


terça-feira, 13 de agosto de 2019

Debate sobre teatro


Nosso diretor Cléber Lorenzoni ministrando workshop de iniciação


Analise critica do espetáculo O Hipocondríaco por alunos da ESMATE

Esperando o espetáculo começar, vi no centro do palco um cubo cheio de símbolos, entradas e saídas... Logo comecei a pensar: o que será proposto? E indaguei-me pela luz, música e cenário, contudo, a coxia que se mexia como que estivesse sendo balançada me voltava sempre para a realidade crua do ambiente. A minha realidade... Quando se iniciou a farsa, estavam em minha frente: Laura Heger, Renato Casagrande e M. Antônia Silveira Neto, ambos os atores com quem já contracenei e admirei em trabalhos anteriores. Renato tem a presença de ator ancião, a qualidade da voz, corpo, e entrega são características inquestionáveis e já esperadas. Laura Heger pareceu-me mais madura e entregue, comparando-a com ela mesma quando fizera: “lendas da mui leal cidade” é perceptível sua maior dedicação ao tetro. Sua voz aguda ainda precisa ser mais bem ouvida, falta-lhe volume e clareza em alguns momentos. Não é um problema apenas dela. E eu que sentei-me na primeira fileira fiquei pensando nos mais afastados do palco... M. Antônia é uma atriz que admiro, mas achei-a fraca nesta peça, faltou corpo, voz, objetivo e certa transformação, acredito que deve ter tido dificuldades em encontrar a personagem, o que é totalmente normal, e penso que deve continuar trabalhando e dedicando-se ao teatro. Ellen Faccin, atriz preocupada. A doutora do SUS fala com nitidez e encena de forma bem natural, vi alguns vícios corpóreos que me remeteu a uma versão farsesca de Anita (lendas), mas, a atriz arrancou-me boas risadas junto de Evaldo G. que estava magnifico, sem duvidas um dos melhores em cena. Alessandra Souza e Clara Devi me fizeram dar gargalhadas com o seu jogo em cena. Ambas com o trabalho corporal muito bem construído. Mas nada se compara a Nicolas Miranda, o ator construiu um personagem que roubava a atenção e nunca perdia a graça, não perdeu o ritmo em nenhum momento. Deixou-me de boca aberta! Conseguira triangular, jogar e me arrisco a igualar sua qualidade à atores como Cleber e Renato, nesta peça. Em Stalin Ciotti e Laura Hoover é visível a dedicação de ambos, a voz falada com nitidez e clareza, a entrega, a fé cênica e o trabalho corporal... Tudo de boa qualidade. A composição de Laura fez-me acha-la estranhamente fofa e junto de Ciotti e Cleber L. a cena deu um gás maravilhoso a peça. Stalin apesar do nome de forte e histórico mostrou-se muito delicado e romântico. É inegável, ótimos atores. Tudo que está no palco está ali com algum proposito. As roupas, a escolha do cenário, as músicas, luz, maquiagem... Tudo está ali com a intenção de nos fazer pensar sobre alguma coisa. O teatro tem essa função transformadora, fazer pensar! A peça “o Hipocondríaco” tem tudo para ser uma grande peça, e com certeza, para primeira apresentação, arrancou boas risadas e divertiu o público. Penso que muitos personagens devem ser melhores aprofundados. Confesso que as primeiras cenas me cansaram, faltou ritmo e volume. Os batimentos cardíacos de um ser humano variam entre o acelerar e o alentecer, dependendo da situação em que esse ser se encontra. Dando assim transformações rítmicas à vida, ao corpo e, para quem acredita, à alma. Quando se encerram as batidas, esse ritmo constante, encerra-se a vida, o corpo e alma vai-se embora. Dessa mesma maneira as artes cênicas dependem do ritmo para sua sobrevivência, sem ele não há nada que aprisione os olhares do público para dentro do universo teatral ali proposto. Essa reflexão, talvez um pouco “viajada”, proponho aos atores do hipocondríaco. Concluo-me aqui, ansiosa para a próxima peça e agradecida aos Deuses do teatro por esse espetáculo incrível. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Com a turminha de teatro da escola Soares de Barros


A morte

Domingo foi dia de aplaudir a nova musa inspiradora do espetáculo Esconderijos do Tempo. Depois de outras grandes intérpretes terem vivido a morte de Quintana, essa é a vez de Kauane Silva. A atriz que entrou no grupo em 2019, já vai construindo uma linda caminhada. Para lembrar antes dela viveram essa personagem a talentosíssima Kelem Padilha, além de  Tatiana quadros, Roberta Corrêa e Alessandra Souza

Noite de poesia


853- Esconderijos do Tempo (tomo 90)

Sobre Deuses e Heróis


                     Sempre me atenho ao talento, a alma dos atores, do seu potencial divino quando escrevo uma crítica. Todavia, hoje, voltarei minha análise para o lado técnico, o profissionalismo dos heróis do Máschara. Heróis, pois é intento heroico suportar as auguras de se fazer arte no interior. Profissionalismo é principal característica de um bom funcionário em qualquer emprego, em qualquer instituição. Profissionalismo em ser pontual, ser um bom colega, agradável e disposto a ajudar. Profissional em cumprir o que se lhe é esperado, casando técnica e genialidade, estudo e sensibilidade. Winston Churchil, premier Britanico, costumava falar do Edificante e do Eficiente, o edificante é exemplo, digno e respeitável, o eficiente é o que trabalha, que conquista, soluciona. Entre os atores do Máschara percebemos membros que representam os dois fatores, membros que representam um dos fatores, e finalmente membros que infelizmente precisam rapidamente assumir quaisquer um desses fatores. 
                     Eu conheço esse grupo há muito tempo, e compreendo a luta para se manter irradiando luz. Mas é preciso pensar, as pessoas passam, as instituições ficam e nas paredes das instituições ficam marcadas, imortalizadas as pessoas que fizeram a diferença. 
                       Clara Devi por exemplo tem se mostrado um grande exemplo, trabalhando sem questionar, correndo de um lado para o outro silenciosamente, ajudando as coisas a acontecer. Claro que a jovem ainda é muito menina, falta amadurecimento, instinto, compreensão. Coisas que virão com o tempo se ela continuar se dedicando. Alessandra Souza, Kauane Silva, Dulce Jorge, Laura Hoover, todas se arrumaram praticamente sozinhas, dão exemplo do que se espera de uma atriz. Alessandra foi um pouco monocórdia do meio para o fim de sua cena, talvez tenha se desconcentrado com ruídos da platéia, de qualquer forma, Lili esteve lindíssima, composição excelente, afinação e triangulação dignas de uma grande atriz. Laura parecia um pouco tensa, embora sua Glorinha seja formidável. Dulce Jorge deu todo o tom da cena final, com ritmo e delicadeza. Finalmente Kauane Silva mostra-se madura e grandiosa como o espectro de musa que o espetáculo pede, Kauane Silva tems e mostrado também dedicada, disposta e não há problema nenhum em ter humildade e colaborar pelo bem do grupo, um dia quem hoje é status cinco, será status quatro e outros iniciantes estarão trabalhando e você, status 4, será o mestre, o que terá que ensinar.  Kauane Silva começou sua carreira com muita calma, não entrou no Máschara de cara no primeiro ano, recebeu pequenas pontas, substituições. E aos poucos vai galgando seu espacinho. Desconfio de quem sobe muito depressa. Os sutis detalhes em suas construções e as responsabilidades que assume com entrega e responsabilidade tem levantando bons comentários entre a turma mais antiga da Cia.
                             A noite foi das mulheres, cabelos e maquiagens lindíssimos, Laura Hoover talvez precise de ajuda na sobrancelha da próxima vez, anular a sobrancelha para uma platéia que senta-se tão próxima, não é tarefa fácil. A plateia também foi bastante feminina, parece que muito pouco há de atraente aos homens no teatro.
                                Os homens do Máschara são também fatores eficientes. Cléber Lorenzoni é um faz tudo. Não sei como consegue atuar bem, e ainda ter os olhos atentos à tudo. nunca saberei. Mario Quintana cumpriu sua função envelhecendo lentamente. Escolha honrosa e demasiado triste para um espaço tão pequeno. As dores multiplicam-se em espaço claustrofóbico. Espaço caloroso, charmoso e de bom gosto para com a arte cênica.
                                  A partitura de Renato Casagrande, ator muito grande e digno na pequena ponta que executa. Talvez seu maior mérito seja o trabalho por traz da cena. Outra medida correta do Máschara, saber mostrar aos jovens atores que a dignidade não está no tamanho do papel que recebem, mas no valor que lhe empregam.
                                  Fábio Novello esteve fraquinho na cena, seu Gouvarinho já está presente no grupo há tempos. Quero ver mais, quero me emocionar mais... Palmas à quem vem de longe atuar, sempre disposto e gentil. Um artista. Um herói.
                                   Ainda na contra-regragem, Evaldo Goulart, que precisa de mais ouvido para executar a sonoplastia. Fazer a sonoplastia não é apertar botões, fazer a sonoplastia é dar voz aos silêncios. Fazer a sonoplastia também é pintar quadros de cena. Um espetáculo tão magnífico precisa de uma grande execução em sua parte técnica.
                                       Enfim, uma noite de bons acertos e alguns erros. Uma noite de bom teatro. Fazer teatro no palacinho requer prática e conhecimento do espaço em suas mãos.


                                       Arte é Vida

                                             O melhor: O trabalho técnico dos atores, principalmente dos status um e dois. A linda estréia de KAuane Silva no espetáculo.
                                                O pior: A execução tão desajustada da parte técnica do espetáculo.



                                                                                     A Rainha
                     

Teatro no palacinho


quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Análise do espetáculo O Hipocondríaco sob a ótica de um aluno da ESMATE




                               Sendo um espetáculo que oferece em sua premissa o Gênero Farsa poderíamos dizer que se cumpriu com sucesso, muitos absurdos tratados com naturalidade foram capazes de tirar gargalhadas da plateia. O Ritmo em cena como um todo mostra também como alguns atores estavam dentro da ideia do Gênero. Não irei fazer uma critica fazendo comparativos entre as obras de Moliere ‘’o doente imaginario’’ e o Hipocondriaco a adaptação de Cleber Lorenzoni. Até porque seria totalmente medíocre a minha opnião, já que eu mesmo não estava la quando apresentaram a obra de Moliere. Mas posso dizer com convicção que estava presente nessa adaptação do Doente Imaginário de Cleber Lorenzoni. Cleber Lorenzoni diretor e ator responsável pela direção da peça que tem como inspiração a obra de Moliére de 1673, em conjunto com seus alunos e atores do grupo trazem uma obra que trata de um problema muito atual. Entrando mais intrinsecamente na obra podemos ver seu protagonista, Argan, como um homem ingênuo e narcisista. 
                               Criando a cada segundo motivos para tomar seus remédios não consegue ficar sem estar no centro das atenções, nem que para isso precise fazer cinco lavagens intestinais e casar sua filha com um médico. Dando um zoom ainda maior nessa história podemos ver que Argan não é o único responsável pela suas doenças imaginárias, mas sim todo o conjunto de pessoas que o cercam, alguns tem motivos para isso, como sua esposa que não o suporta e quer sua herança ( Belinha). Sua filha alimenta ainda mais sua ideia de estar doente (Angelica) através da dramática preocupação com uma doença que não existe. 
                                   Poderia dizer que as únicas personagens que tem um pouco de sobriedade nessa história é a criada ( Nieta) que constantemente tenta trazer razão para a cabeça do Chefe e das pessoas que o cercam, e também a Enfermeira ( Flipota ). Acredito que podemos ver essa ingenuidade em Argan tanto no seu exame que não é capaz de perceber a burrice de seu médico, quanto na hora que sua filha mais nova finge a própria morte. Muitos códigos foram passados para o público. O Hipocondríaco traz em sua essência o medo da solidão, o narcisismo alimentado pela sua família e a sua tentativa de salvar a atenção que tinha de sua filha, fazendo ela não se casar com Cleanto. É o reflexo de uma sociedade vitima de suas próprias carencias. As referencias da Commedia Dell’Arte tambem ficaram nítidas apesar de não muito obvias para o público Leigo. As roupas deveriam fazer o papel de mostrar sobre qual cada grupo os personagens pertencem, sendo Rosa do Argan, Azul de Cleanto e verde dos médicos e cores sozinhas para as personagens que estão’’ sozinhas’’ Porem acredito que algumas coisas não ficaram tão claras para a maioria, como por exemplo esse detalhe das roupas ou da Commedia Dell’arte. 
                                           Também através da minha interpretação que não é a verdade absoluta acabei percebendo algumas coisas que talvez poderiam ter sido melhoradas. Por começar que todos esses aspectos que a peça me comunicou não foi de forma tão profunda e não se fixou tanto na minha mente. Por tanto logo na saida do espetáculo ja não lembrava muito do que se tratava o assunto da peça e a mensagem ‘’ Filosófica’’ em si. Não sei dizer com convicção o'que no meu gosto e na mente foram os motivos dessa causa, mas poderia chutar que seja pelas diversas informações de tentativas de fazer a comédia acontecer. De fato sendo um espetáculo destinado a comédia deveria haver a técnica destinada a esse fim. Esses inúmeros códigos de comicidade foram o suficiente para afogar quase que completamente a mensagem da peça e tambem deixar levemente cansativo o olhar do público. Além de que juntando esse fator com o tempo da peça, deu a impressão que dobrou de tamanho fazendo ter uma sensação de monotonia algumas vezes, justamente porque o publico ja tinha se acostumado com o ritmo e o fator principal da comedia que é a surpresa, juntamente o contraste estava se perdendo. O fator da rapidez da Farsa existe, e deve ser respeitado, mas acredito que as cenas de contraste com esse ritmo poderiam ter sido mais intercaladas. 

Em Agosto a volta de Madame Rafaela espalhando Chorume pelo quintal


A jovem pupila e o ancião


quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Análise do espetáculo por alunos da Turma 9 da ESMATE


Estava ansiosa para chegar em minha casa e redigir está crítica, lembrando que não estou aqui para criticar somente pois o que vi hoje me encheu os olhos. Como é bonito de se ver novos atores cheios de vida e até mesmo de prepotência, sim o palco é mágico, sagrado esconde tudo e todos, esconde medo, nervosismo, insegurança, timidez, mas tem algo que exala, transparece, a presença cênica e segurança dos atores mais velhos.

Renato Casagrande está incrível, não me lembro de outra peça que ele tenha protagonizado sozinho, pois sempre vejo Cléber Lorenzoni comandando a marcha. Renato devido a sua grandeza e tempo de teatro deixa alguns atores tão pequenininhos, problema será? Não sei, os atores que aprendam a nadar no seu ritmo com certeza melhorarão como atores. Adorei o trabalho corporal do elenco principalmente de Renato, Nicolas Miranda, Evaldo Goulart, Clara Devi e Laura Hoover, está última uma dama do palco cruz-altense me lembra muito uma de suas personagens louquinhas do espetáculo querido Ed Mort, que adoro, sim acompanho o Máschara há muitos anos já participei até de algumas peças infelizmente hoje não posso mais devido a um problema físico, mas estou sempre atenta inclusive a algumas referências de algumas peças do grupo presentes em o hipocondríaco, alguém lembra da fala “Esse sim é o médico que deveria ter vindo ao mundo há muito tempo” ou fala do Doutor boa morte que diz “Não faz mal, não faz mal” adoro Esconderijos do tempo, vou estar presente no próximo domingo no Palacinho não perco por nada. 

Mas onde estávamos, voltamos a Laura sua personagem deu um ar cômico característico da atriz, incrível, brilhante mesmo com poucas falas. Não pense que me esqueci de você Clara Devi enfrentou cenas com Alessandra Souza não deixou a desejar nada, suas entonações levaram eu e o público todo a risos seguidamente, Alessandra como boa atriz comandou a cena, dona de si sabe o que faz, acredito que o dia foi mesmo dos alunos. Nicolas deu um show de expressões faciais e corporais o público estava em suas mãos, Laura Heger comandou, liderou me lembrou quase eu disse quase a incrível Caroba de Dulce Jorge, Dulce minha querida você nos encanta o teatro deve tanto a você e a seus fundadores, chegou para dar um acabamento final, fechar com chave de ouro. Gostei de Stalin Ciotti está mais amadurecido em cena, sua confiança exala um grande ator, merece estar ali. Quero falar da pequena Luiza, querida obtinha falas importantes te indico um pouco de trabalho vocal lhe ajudará bastante, eu estava um pouco distante não a escutei muito, entendo as dificuldades de cada um, entendo o tempo também, mas tomem cuidado as pessoas são atentas, achei algumas cenas longuíssimas, como por exemplo, a de Alessandra e Clara, uma pessoa do meu lado bocejava aahhhhh!!! Fiquei assustada, mas foi só no começo acho que depois o espetáculo decolou e fez a sua curva. Maria Antônia e Ellen fazem a sua parte, uma dica para Maria ter mais intenções, Ellen estava bem segura de si, arrancou muitas risadas. Levo comigo a cena em câmera lenta, que achado, ficou incrível, o público foi ao delírio. Quanto à sonoplastia e a luz estavam bem pontuais fizeram seu papel na ludicidade das cenas.
Confesso que demorei um pouco para deglutir e entender tudo o que vi e fiquei maravilhada, que figurinos mais lindos, cênicos, com unidade, o espetáculo me lembra muito a Commedia Dell Art, Renato me lembra gestos corporais de Cléber não vejo problema, Cleber é uma fonte de inspiração que todos bebem, mas cuidado bebam com moderação, se inspirem ele é ele. E para o fim, mas não menos importante Cléber Lorenzoni resumi o que é jogo, triangulação, técnica, entonações, expressão corporal, facial, resumindo a esfera do ator inteira em poucas cenas, tu és brilhante. Hoje vim para casa satisfeita, com orgulho, o Máschara está mais vivo do que nunca, vida longa aos atores, vida longa ao Teatro, cuidem de sua saúde, fiquem com os Deuses e até a próxima.









                       Com carinho “Irmã Bernadete”.



Ellen Faccin e Evaldo Goulart -doutores de O Hipocondríaco


terça-feira, 6 de agosto de 2019

Espetáculo para alunos de cruz alta


Prólogo der O Hipocondríaco


O Hipocondríaco - 852 (tomo 1)

Mais sucesso na ESMATE
                         
                               Sempre que há uma nova edição do Cena às 7, la estou, curiosa, excitada, embora tenha meus informantes e já saiba muito do que virá na apresentação. A comédia que assisti nesse cena às 7, não é nem de Molière, nem de Cervantes, ou mesmo de Martins Penna, todos eles grandes escritores de Farsas, mas do novo dramaturgo que a ESMATE foi criando, Cléber Lorenzoni. Embora Lorenzoni use de inspiração: nomes e vieses da obra do pai da comédia, percebe-se que há em Hipocondríaco o estilo Lorenzoni, que não deixa de ser o estilo atual do Máschara. Frosina, Belinha, Toninha, Sr. Argan, fazem parte do imaginário da comédia Clássica. Onde o mais curioso é o fato de que a comédia extremamente popular de Molière é considerada obra clássica. O que mais uma vez realça que clássico nem sempre signifique  elite ou erudito.  A ESMATE (espaço Máschara de Teatro) tem contribuído muito para o teatro, em 2017 com Bruxamentos e 2018 com Lendas. Nesse ano seus integrantes mergulharam em uma grande empreitada com O Hipocondríaco. A ideia havia sido mentalizada em 2001, quando Cléber Lorenzoni lera pela primeira vez O Avarento, O doente imaginário e Tartufo. Na ocasião acabara optando pela obra maior do autor, Le Tartufe. A comédia é algo difícil, que exige intensidade, jogo, dedicação, estudo da alma humana, senso de humor, preparo físico e principalmente respeito. Tudo tem sua ótica cômica, mas nem tudo merece ser jogado sob os holofotes.
                                          A auto medicação é assunto preocupante, pessoas indicam e aceitam indicações de receituário o tempo todo, esquecendo-se que medicina é fruto de estudo, preocupado em fazer bem e nunca fazer mal ao corpo humano. Senhor Argan parece afogado em lavagens intestinais que certamente não lhe farão bem, e tira daí boas risadas. Os méritos desse primeiro grande protagonista do ator, ultrapassa as expectativas. Cléber Lorenzoni inclui-se sempre como aluno e por isso talvez, trate seus atores sempre como estudantes de teatro." Todos estão sempre sendo testados". É o que me diz sempre que conversamos. Casagrande evolui à passos largos, talvez ele mesmo não tenha se dado conta, mas é um grande ator. As gags de Casagrande são divertidíssimas. Acredito que ainda deva aprender sobre ritmo, mas são percepções que nascem da prática e levando-se em conta que esse é apenas o começo de uma carreira como protagonista, certamente ainda o veremos muito mais ritmado em cena. A caracterização do senhor Argan Avar Eza (apreciei muito o trocadilho proposto pelo autor) é profissional, bonita e funcional.
                                             Renato Casagrande consegue ser generoso em várias cenas, mas a qual  ficou clara tal generosidade, foi a da pequena Luisa Nicolodi. A generosidade cênica é típica dos grandes atores, algo que vi em alguns dos grandes atores do passado do Máschara.  Saber dividir a piada, saber colocar-se como escada, saber apoiar, erguer ou impulsionar o colega é algo lindíssimo.                                                  O espetáculo de mote tão simples vai envolvendo a platéia a ponto de ficarmos relaxados nas poltronas. Espetáculo longo para ser interpretado por alunos, mas uma característica de Lorenzoni é que ele não subestima ninguém, ele expões mesmo, lança desafios e tem fé, muita fé. Thalia certamente puxou pelas mãos o elenco, abençoou a noite. Do palco emanava-se energia, prazer, e por que não dizer uma certa tensão positiva. Os figurinos assinados por Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande, criaram peças lindíssima. O chinelinho do velho hipocondríaco, o Tutu de Angelica, o visual de Belinha, ou o uniforme da neurótica Flipota são peças de um bom guarda-roupa teatral. A unidade ficou por conta dos padrões e cores. O azul do varão Cleanto em contra-partida ao rosa da virginal Angelica, o vermelho da maniqueísta Frosina, enfim grandes achados, que infelizmente me pareceram prejudicados pela proposta confusa do praticável. Muitas cores, muitos ideias. Percebam, a ideia é extremamente útil, um jogo, uma farsa, uma  brincadeira de adultos, uma caixa de segredos de onde salta a leveza, a intriga, e o quase triunfo do dolo e da mentira. Mas reveja-se suas cores. 
                                          Ri muito, ri da graça e do gracejo. E sempre que recordava-me que era um espetáculo de alunos, que provaram o gostinho do jogo profissional ficava bastante satisfeita. Ora, montar um texto teatral e apresentar em qualquer lugar é certamente empreitada fácil. No entanto montar um espetáculo dentro da linha de atuação do Máschara, enfrentar seu público, acostumado com grandes trabalhos e com olhar crítico é no mínimo assustador. Fiquei me pondo no lugar daqueles jovens, e um frio me percorreu a espinha. Há ainda  o alto grau de exigência de Cléber Lorenzoni, que para alguns deve soar como tirano, para outros como perfeccionista. Sem esquecer do corpo de anciãos, que nos bastidores vão analisando e dissecando cada aluno da ESMATE com potencial para ser ator da Cia.
                                           No elenco além de Casagrande, Cléber Lorenzoni, Dulce Jorge, Alessandra Souza, Evaldo Goulart, Laura Hoover, Clara Devi e Stalin Ciotti, todos com estilos próprios. Os quatro últimos, claro, ainda precisam aprimorar muito suas técnicas, descobrir suas "cartas na manga". Sem desfazer dos pequenos iniciantes, é lindo ver o poder dos atores maduros. Quando adentram o palco há um silencioso respeito por eles. Tem a ver com carreira, com dedicação e entrega. Isso vem com o tempo. Cléber Lorenzoni tem o público na mão. Dulce Jorge, como em toda a comédia de época traz a solução exagerada de todo o drama, e estava tão linda na cena. Alessandra Souza roubou a cena, com eloquência, aproveitou cada piada e acresceu ritmo adequado às cenas. 
                                          Devemos ser agradecidos aos atores mais maduros que passeiam pelo palco auxiliando os mais jovens. Fabio Novello ao que me consta, deu de presente uma galharufa À Laura Hoover, poucos minutos antes de entrar em cena. Um palhaço adulto (no sentido mais rico da palavra) que dá carinhosamente uma piada funcional à jovem atriz. E aquela pequena piada somada ao talento da atriz arrancou gargalhadas. 
                                   Evaldo Goulart foi muito divertido, sofreu, lutou para chegar a essa composição, mas seu Boa Morte foi engraçadíssimo. Ele é um ator que tem historia própria, e as vezes parece se negar a mergulhar da forma que a velha guarda do Máschara precisa, se souber aceitar conselhos e se deixar dirigir vai ser cada vez mais poderoso sobre o palco. Ele me pareceu um pouco responsável pelo bom trabalho da iniciante Ellen Faccin, que em Lendas(2018) não se destacava tanto entre outras lavadeiras, aqui sim ela destacou-se e de forma tão graciosa. Ambos jogaram muito, dividiram muito. Os membros superiores poderiam talvez fluir de forma mais orgânica. Ela e Stalin Ciotti  na verdade podiam fluir mais, fisicamente, já que sua atuação, voz e energia eram incríveis. Eu demorei para reconhecer a jovem Laura Heger, como não há programas, recorri ao aparelho telefônico ainda durante o prólogo, para reler os nomes do elenco. Sim, a criada, o papel mais importante da alta comédia foi dado à essa jovem promissora. A garota fez coisas incríveis no palco e conseguiu igualar-se à outras duas grandes do Máschara, Dulce Jorge e Simoni De Dordi, respectivamente Caroba e Dorina. O jogo, o ritmo, o domínio do palco. Obrigado Laura Heger por nos divertir tanto. 
                                               O Senhor Argan tinha ao seu redor, Beraldo, Toninha e Angelica praticamente o tempo todo, o que causava um equilíbrio de luxo. Era a maturidade cênica com a profusão de ritmo e corpo. Nicholas Miranda roubou a cena. Sua potencia vocal, sua leveza, que jovem atore é esse? Parece que a direção encontrou um bom lugar para ele, o que não apareceu em Lendas(2018). Clara Devi é outra potencia. Foi se espalhando, se esparramando aos poucos no Máschara. As cenas de Frosina são as mais ricas em armações e vilanias, a atriz faz um bom trabalho, mas afobou-se um pouco e pôs em risco muitas de suas piadas. O palco é poderoso, forma deuses e derruba poderosos. Há dias e dias. Dias de sucesso e dias de fracassos. O mais bonito de ver é a luta. Clara Devi lutou em cena. Pelo brilho, pelo poder. Pelo seu lugar ao sol. Eu daria uma dica, diria a ela para curtir mais, relaxar mais. No conjunto de filhas, Maria Antonia Silveira Netto e Luisa Nicolodi estavam lindas. Eu adoro crianças então acho que me deixei levar pelo olhar mimoso de Elisa. Maria Antonia nasceu para o palco, ela se esparrama perante a platéia e tem uma simpatia cênica incrível. Algumas propostas da personagem não chegaram. Me perguntei: Seria ela uma bailarina? Para encerrar ela poderia ter chorado muito, de felicidade talvez. Enfim, gosto de atores que sabem o que fazem, que recebem desafios da direção e  tentam descobri-lo, vencê-lo. De toda a forma, Maria Antonia lutou também para construir algo que ficou muito bonito e funcional. Luísa é jovem,me parece que sua primeira vez no palco, ainda tem muito que percorrer, mas está no caminho certo, precisa sempre lembrar que teatro é coisa seria. Que teatro exige sacrifícios. Mas certamente essas percepções virão com o tempo.
                                                 Gabriel Giacomini e Kauane Silva cuidaram da parte técnica e não desejo à ninguém manusear luz e trilha posicionado ao lado da cena. São coisas do palco. São entraves que pdoem colocar tudo em risco, mas ambos se solucionaram. Apenas não gostei de enxerga-los durante todo o espetáculo.
                                                        Teatro é vida, pois emana de nós para nós. Teatro é vida, nossa vida, nós mesmos vencendo os nossos desafios. E nossos sucessos e fracassos são reflexos das pessoas que somos, da criação que tivemos, do ambiente em que vivemos. O sucesso no palco somos nós vencendo a nós mesmos. Evoluindo. Crescendo. Florescendo. Alguns de nós não nascemos para dedicar uma vida ao palco. Mas todos devemos respeitá-lo já que o teatro coloca sobre o palco um espelho da plateia. Mentira, amor, dissimulação, ódio, honradez, sabedoria, desejo, volúpia, frustração... Tudo está no palco. Tudo está na vida.
                                                         Um degrau a mais foi vencido no domingo. Alguns vieram para ficar, outros estão de passagem. Uns acertaram, outros nem tanto. Haverá outros dias para acertar. Sigamos com a arte. 


                                                  o Melhor: o lindo trabalho de equipe que criou um inesquecível trabalho técnico de Farsa e a dedicação de Clara Devi que tem se dedicado tanto em todos os setores. (vide cadeira)
                                                        o pior: o nervosismo que atrapalhou alguns atores e o cenário um tanto atrapalhado.


                         A RAINHA
                                                
                                                 
                                               

                                                 


                               

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Teatro também é união familiar...

O Palacinho do Máscara foi palco do churrasco em homenagem a chegada da pequena Aurora, a princesa prestes a nascer é fruto de um dos tantos amores que brotam no teatro. Os papais Douglas Maldaner e Antônia Serquevittio, conheceram-se nos ensaios de A Paixão de Cristo, aos poucos constroem sua família em meio à sua trajetória na arte. Teatro é vida, teatro é esperança, teatro é acontecimento familiar..

Renato Casagrande , talentoso ator Status I do Máschara


Não basta se maquiar, é preciso interpretar

Clara Devi como a fada Primavera