segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Conclusão de Oficina de Iniciação - Janeiro 2019


A noviça Rebelde - Adaptação por Cléber Lorenzoni



A noviça rebelde

Peça em um ato
Elenco:

 Maria
Irmã Clara
Irmã Celeste
Madre Superiora
General Von Trapp
SoPhie
Angelita
Ulric
Marcy
Louise
Greta
Brigitt
Marta
Elsa
Frau Schimidt
Baronesa Liebel
Alfred
Ralf


Dia 25 de outubro - A hora da ESTRELA

Em cena, Leonir Batista e Kauane Silva

Kauan Silva - Ascensão

No dia 13 de outubro, 39º lua de 2019, a atriz Kauane Silva foi indicada pelos anciãos, proclamada por seus colegas e aceita pelos Deuses do Teatro - Atriz Status IV

Grupo Máschara reunido para cerimônia de ascensão


A atriz Kauane Silva recebendo no Palacinho sua família para celebrar sua proclamação


quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Clara Devi e Maria Antonia Silveira Netto- Postulantes de A Noviça Rebelde


Membros do Corpo de Baile

Corpo de Baile do Máschara
Integrantes:
Cléber Lorenzoni - Coreógrafo
Renato Casagrande- Figurinista
Alessandra Souza
Vagner Nardes
Laura Hoover
Kauane Silva
Evaldo Goulart
Douglas Maldaner
Stalin Ciotti
Luis Felipe Padilha
Clara Devi

Bailarinos convidados e participações
Antonia Serquevittio
Gabriel Giacomini
Laura Heger

Corpo de baile do Máscara visitando o CIEP - cruz alta


Gabriel Giacomini (mergulho) e Cléber Lorenzoni (camaleão)


872 - Um conto de cinderela - (tomo único?)

Jogo, jogo,. jogo...

       Conseguir permissão para assistir teatro em um escolinha não é fácil, quando não se tem nenhum dos seus pequenos como membro aluno daquela instituição. Mas como deixar de assistir a primeira grande inserção de bonecos do Grupo Teatral Máschara? 
       Os fantoches, ou marionetes, ou ainda bonecos, estão presentes em ações da humanidade há pelo menos três mil anos, tudo por que o homem sempre procurou formas cênicas e lúdicas para comunicar-se com os seus. E os anos passaram, e embora muitas técnicas tenham surgido, as formas de manipulação continuam lúdicas, de certa forma muito rústicas e primitivas, que é exatamente o que mais encanta. Como um boneco sendo manuseado em nossa frente, por mãos humanas, e na maioria das vezes com a voz saindo da boca de seu manipulador frente aos nossos olhos, consegue nos envolver, emocionar, convencer? Ah! o teatro...
        O Máschara em toda a sua trajetória não havia ainda ousado construir um espetáculo de manipulação, apenas incertado detalhes que poderiam apontar para uma busca nessa área, primeiro em O Castelo Encantado (2005) depois em Os Saltimbancos (2012). Mas agora Cléber Lorenzoni teve uma daquelas inspirações em que ele lança uma ideia e toda a sua incrédula equipe se questiona: -Oh Deus, ficou louco, isso não dará certo...
               Mas dá, dá sempre muito certo!!!
               Diretores costumam ter essa sensibilidade, esse tino para a ousadia cênica. Claro que o mundo a seu redor não consegue ver o que eles vêem, por isso eles são os diretores, e não o mundo a sua volta. À Renato Casagrande coube a honra de transformar tecidos, linhas e lãs em vidas. E quatro pequenas vidas nasceram. Frederic I, Gastão, Drizella e Anastácia. cada um deles com uma personalidade própria que nasce da união entre criatividade, inspiração e sensibilidade para com a historia e aspecto do boneco. 
                    Foi um ensaio, dividido em duas partes pelo que me consta, claro que a obra passeia em cima de um conhecimento coletivo e quase que universal de um dos contos de fadas mais antigos da humanidade. Charles Perrault, Irmãos Grimm foram alguns dos que mergulharam nesse conto. Mas suas raízes são encontradas até mesmo na china pré Cristo. Sendo assim, quando Lorenzoni e Casagrande (St. I) aceitaram o desafio teriam apenas que optar por quais olhares lançariam à obra. De qualquer forma é importante pensar que não era um espetáculo teatral, era na verdade uma performance, uma contação de historia com personagens. 
                     Para o elenco, os diretores optaram por Alessandra Souza (St.II) e Laura Hoover (St.IV), boas escolhas se pensarmos na chance para essas duas atrizes abrirem seu olhar sobre o teatro. Crescerem como interpretes. O teatro nunca pode ser visto como um fardo. Ele deve ser e é, motivo de orgulho, ter a chance dos Deuses de subir no púlpito sagrado, receber carinhosamente um papel, um personagem, como se fosse um presente. Ser escolhido dentre tantos para dar voz àquilo que um dramaturgo, ou diretor ou autor escreveu, é ser especial em vários sentidos. 
                     A manipulação dos bonecos ficou nas mãos de Renato Casagrande e Cléber Lorenzoni, para que as atrizes observassem e aprendessem, o que claro não aconteceu, já que os ensaios foram restritos à um encontro. Mas manipulação é algo que exige sensibilidade, tino e muita coragem. Pois como disse mais acima, bonecos são seres perpetrados pelos dogmas do teatro. Eles possuem vida própria. No momento em que Anastácia, manipulada por Casagrande deu o primeiro berro, estava decidido, a boneca seria uma gritona. E que linda, romântica e sonhadora. Sua mãe insistia em criticá-la, em restringi-la à uma menina educada e do lar. "meninas educadas não gritam, princesas erguem o dedo para falar". Claro que essa frase castradora só poderia vir da megera. Cléber Lorenzoni nos deu uma vilã engraçada e detestável, mas o mais importante, que criou comunicação com o público. Não é a toa que ele fez animação em aniversários infantis durante anos. Renato Casagrande também tem um corredor de comunicação muito eficaz com o público infantil, herança de suas atuações como palhaço. O jogo cênico é muito funcional, as tiradas rápidas, as soluções. 
                   Alessandra Souza é uma atriz bastante técnica e isso não é um elogio, há de se buscar mais jogo, prática, sensibilidade. Em A noviça Rebelde por exemplo, Alessandra se saiu muito bem, digna de um " céu", no entanto aqui o teatro é mais de improviso, de sagacidade, de agilidade. Falta quebrar a casca, sentir o que o espetáculo precisa naquele momento. Souza é ótima atriz, mas precisa de humildade para aprender mais, aprender sempre. "Nunca tiramos férias do estudo" - (MAria, A noviça rebelde). Mas é preciso humildade para perguntar o que estudar...
                        Laura Hoover é um doce, jovem. Dois ou três anos de teatro. O que busca? O que estuda? Onde quer chegar? O louco prazer inicial do teatro, o dito talento, esfriam. Aí é hora da técnica. De onde vem a técnica? Onde você busca a técnica? Tenho certeza que a atriz quer sempre bons papéis, mas o que temos para dar em troca de grandes papéis.
                       A trilha foi muito fraca e só devemos aceitá-la por que trata-se de uma performance, feita em um ensaio. Era natural buscar canções e ações que já estavam na manga, não se cria arte sobre o palco de uma hora para outra. Os ensaios existem exatamente para ir preparando um clima de conhecimento e inspiração que vai dando aos atores e diretores saídas, signos e etc...Com um ensaio era natural que Um conto de cinderela fosse meio frio, por isso a direção optou por símbolos e códigos já existentes. Falta instrumento. Talvez alguém com um violão...
                          Estou sempre atenta, para exigir como platéia, o melhor dos atores sobre o palco. Nós, da comunidade teatral não podemos, não devemos, nos deixar levar por modismos, comercio, preguiça, mediocridade. O teatro tem cinco mil anos. O teatro é vida. O teatro é puro e verdadeiro. Deve ser sempre respeitado. 


                           Arte é Vida



Cléber Lorenzoni (***)
Renato Casagrande (***)
Alessandra Souza (**)
Laura Hoover (**)


                                           A Rainha

                        
               

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Com os alunos da rede estadual


Renato Casagrande em cena em Um conto de Cinderela


Laura Hoover Cléber Loenzoni e as graciosas Drizella e Anastacia em Um conto de Cinderela


Cléber Lorenzoni e Luisa Maicá, o casal romântico de A noviça Rebelde


Cléber Lorenzoni, Dulce Jorge e duas grandes alunas da ESMATE - Luisa Maicá e Gabriela Fischer


Hora de dormir no palacete dos Von trapp


A madre Abadessa e a noviça Maria


segunda-feira, 7 de outubro de 2019

870- A noviça Rebelde - (tomo 1)

Clássico sobre o palco

                Maria Augusta Kutschera viveu em Viena, há meio século atrás. Foi a matriarca da família de cantores Trapp e serviu de inspiração para filmes, musicais da Broadway, peças de teatro e etc... Que tipo de diretor/dramaturgo seria Cléber Lorenzoni se não estivesse sempre buscando novas historias, viajando pelo mundo atrás de motivos para nos levar ao teatro. A noviça Rebelde fala de fé, de vocação, de amor, e foi a escolha perfeita para levar ao palco tantas crianças que fazem teatro na ESMATE. A historia original é um tanto diferente, o general perde tudo com a falência do banco onde mantinha seus bens, sua mansão vira quartel general da SS, Maria tem três filhos com o general, somando dez crianças no grupo de cantores. Enfim a historia verdadeira é praticamente outra, o que se mantém é o enredo, mágico, sublime, de uma noviça que prestes a ser ordenada freira, abandona o convento e descobre que sua vocação é ser mãe de família. O que de forma alguma refere-se a abandonar a fé ou o amor a cristo, tanto que no fim de sua vida Maria torna-se missionaria ao lado de dois de seus filhos, no Pacífico Sul.
                 Lorenzoni certamente escolheu "a noviça" pela possibilidade de encontrar bons papeis para todas as crianças da esmate. Um espetáculo realista, de fácil acesso, um tanto medíocre em algumas esferas, mas capaz de agradar e muito as famílias da comunidade teatral que o Máschara envolve. O primeiro núcleo encontra-se no convento das irmãs de caridade. Ali onde a Madre Abadessa parece reger tudo com ordem e justiça, uma menina é abandonada, trata-se de Maria, para quem Cléber dá um passado. Gabriela Fischer e Clara Devi abrem o espetáculo de quase duas horas de duração. Clara Devi é um tanto nova para os papéis que a direção do grupo lhe dá, e isso a prejudica um pouco, embora a atriz tenha  se mostrado capaz de produzir a densidade que suas personagens lhe pedem. A noviça Rebelde é um texto melodramático, como Olhai os Lírios do Campo. Revelações, amores impossíveis. Fugas, vilões exagerados. Partidas e reencontros. Gabriela Fisher certamente ainda vai estudar isso nos próximos anos da ESMATE, mas é importante sempre lembrar que teatro é verdade e precisa de garra. 
                    Maria Antonia Silveira Netto abriu o quadro de números musicais, é bastante afinadinha, mas precisa lembrar que espetáculo teatral não é show musical, continua sendo teatro e como tanto precisa de expressividade, de malicia. Seu jogo em cena é ótimo, rápido. Seu tom de comedia é muito agradável e ao lado de Dulce Jorge conseguiram criar boas gags. Cléber Lorenzoni da o tom da cena, já disseram que ele faz de gato e sapato os colegas de cena e isso é ótimo. O ator/diretor tem domínio total de seu elenco, o que o torna logicamente um diretor muito capaz. Pelo menos em dois momentos eu o vi colocando no texto suas verdades: "tantas pessoas no caminho errado por que não encontraram sua verdadeira vocação" e "animais não, por que alguns animais são melhores que seres humanos".  Dulce Jorge esteve ótima como sóror idosa, pena não haver no roteiro mais tempo para ela mostrar sua Irmã Clara. A trama é longa e Cléber ousou em colocar trechos longos dentro dos muros do convento. Nossa mocinha é perfeita para o papel. Ser mocinha é algo difícil, exaustivo. Mas a noviça Maria, consegue criar algo funcional. As respostas que dá ao General Von Trapp conquistam-no rapidamente. Rápido até demais eu diria. Luísa Maicá entrou na ESMATE há pouco mais de dois meses e conquistou o papel de protagonista por méritos próprios. Claro que ainda parece um pouco insegura em cena, mas essa insegurança deu o tom exato necessário à Maria. Eis um paradoxo muito interessante no teatro, os atores dedicam-se durante anos para aprenderem técnicas que em algumas vezes os tornam tão impostados, tão colocados, que os distanciam do frescor e da verdade que alcançavam no principio de suas vidas teatrais. Esperemos que Luiza consiga encontrar o tom correto. Ainda é preciso dizer que Maria tem uma perspicácia difícil de se encontrar, uma capacidade de improvisar e se resolver cenicamente que admirou muito seus colegas de cena.
                          Gabriel Giacomini e Alessandra Souza conseguem bons efeitos como Mordomo e Governanta respectivamente, ele com tom cômico muito eficaz, ela com energia e ritmo. Dulce Jorge incorpora a vilã perfeita, em uma participação digna da atriz que é. O público a odeia e por isso a ama. Eis o mote da catarse.
              Kauane Silva continua marcante em suas participações, a Macabéa de A hora da Estrela nos deu uma atriz capaz e madura que parece conseguir cumprir com efeito o que Lorenzoni pedir. Esperemos que a atriz continue dedicada e humilde. As herdeiras Von Trapp completam-se em variadas energias e posturas. Kauane como  a madura Marcy, divide o palco de forma virtuosa com Cléber Lorenzoni, Renato Casagrande e Maria. Kauane Veloso evoluiu muito nos últimos tempos. Luísa Nicolodi pareceu também muito mais forte no palco, sua voz está mais alta e sua energia parece crescer. Maria Luisa tem uma facilidade e desenvoltura muito bonitas. Amanda que era tão tímida, conseguiu colocar até falas de ultima hora, uma pena ter deixado no palco o chambre de Maria. Anita e Sofia são as caçulas. Anita mais observadora e calma, Sofia mais espoleta, mas ambas capazes de prender a respiração da plateia. Eu fiquei apaixonada por cada uma.
                              Lorenzoni deu a cada criança algo relacionado a sua personalidade e aqui aparece mais uma vez a sagacidade da direção. Felipe e Karen como sobrinhos travessos foram uma ótima escolha. E acho muito interessante que os dois são inseridos na cena e ficamos pensando quem são, até que a Baronesa menciona os sobrinhos, eles já não estão mais em cena quando isso acontece, mas nosso cérebro já os codificou. Adoro teatro em que precisamos pensar um pouco.
                                O disfarce proposto por irmã Celeste acaba por ser a cereja do bolo. Embora o beijo apaixonado entre Von Trapp e Maria tenha erguido a platéia. As canções escolhidas são de vários lugares, Zorro, Anastacia, Fantasma da Ópera. Os Saltimbancos, enfim, apenas duas são do original A noviça Rebelde. E praticamente todos se saem muito bem, principalmente aqueles que não esquecem que é teatro com intervenções... Kauane Silva pode buscar mais afinação, praticar mais, cantar mais no chuveiro ajuda!
                                   A voz de Luisa Maicá é doce, e nos faz mergulharmos ainda mais no libreto, no entanto pode falar mais alto. Como problemas do espetáculo indicaria talvez o final muito repentino, depois de vários sub finais.
                                    Na parte técnica Stalin Ciotti e Elle Faccin estão aprendendo, é preciso um pouco mais de dedicação e entrega.
                                 A noviça Rebelde foi um grande sucesso, que deve ficar na memoria da ESMATE.                         

O melhor- O crescimento por parte de toda a equipe técnica. Evaldo Goulart, Stalin Ciotti, Kauane Silva. O apoio de amigos e alunos importantes: Ricardo Fenner, Gabriel Barboza, Ellen Faccin, Douglas MAldaner e Fábio Novello.A dedicação de Clara Devi que está sempre disposta a ajudar os colegas. A descoberta da talentosíssima Luísa Maicá.
O pior: Alguns momentos de arrogância, as faltas durante os ensaios que colocam em jogo o trabalho.,e a preguiça que as vezes aparece, as brincadeiras por parte de quem deveria dar exemplo.


Arte é vida

  A Rainha


Elenco de A noviça Rebelde


noite de sucesso- estreia de A noviça rebelde

Os sete dons que Deus deu ao General Von Trapp - Elsa (Sofia Mello) Soffie (Anita Coelho) Martha (Amanda Silva) Louise (Maria Luisa Barros) Gretta (Luisa Nicolodi) Brigite (Kauane Veloso) Marcy (Kuane Silva)

sábado, 28 de setembro de 2019

Recebendo a visita de Raquel Arigony


Elenco do Máscara, equipe Sesc, equipe da secretaría de saúde


Selfie com o público de Estrela Velha


Turma de iniciação


Infância Roubada -equipe de peso


867- Infância Roubada - 04

O jeito Máschara de se fazer as coisas...

                         Hoje vou pedir auxilio aos diretores do Máschara para escrevermos essa critica há oito mãos. Então não assino sozinha o que abaixo escrevo. Até por que desconheço alguns dos entraves e as peculiaridades do grupo.
                O teatro é o mesmo em qualquer lugar, mudam as pessoas, muda-se o teor, a intensidade, mudam-se os objetivos secundários, mas o teatro continua o mesmo. Em um bairro qualquer em Maceió, em que haja teatro, fala-se em Stanislavski. Um grupo de teatro de rua em Goiás, também estudará Brecht; a UFSM certamente dará espaço para falar-se em Eugênio Barba. O teatro é um só. Dependerá apenas do que se busca, da quantidade de patrocinadores, da garra de atores que será distinta de acordo com suas culturas, o grau de instrução ou a ótica com a qual se quer trabalhar. 
                       Dito isso, certamente o trabalho do Máschara é parecidíssimo com o "status quo" do teatro de qualquer lugar. Ou seja: com as técnicas adquiridas, as práticas de palco, o enfrentamento do público que você conhece ali, você estará apto a ser contratado por qualquer companhia. Poderá fazer teste em qualquer lugar.
                            Mas em 2000 começou a ser construída mutuamente uma cartilha, um formato de se fazer as coisas nessa companhia. Com dedicação, entrega, busca pela perfeição, respeito ao público. Somou-se aí talentos, estudo, sacrifícios. Tudo em prol do teatrão. Com esse formato o Máschara tornou-se entre 2003/2006, uma das Cias. teatrais mais importantes e respeitadas do rio grande do sul. Tournês em Porto Alegre, troféu Cultura Gaúcha, respeito da classe artística, convites para as mais variádas ações na área. Cléber Lorenzoni ainda somou aí performances, danças, criação da ESMATE, comissões de frente de agremiações carnavalescas. Hoje o Máschara é um nome. Uma marca. Que ultrapassa fronteiras e está acima de picuinhas, egoísmos, egocentrismos, Quando há uma apresentação qualquer, não é fulano ou beltrano que está se apresentando. Quem está se apresentando é a marca. E essa mesma marca é que tem poder de abrir espaços, de dar suporte, de criar opções para que cada um brilhe ao sol. 
                       É difícil? É impossível!
                       Por que? Por que as vezes, em situações assim, perde-se a personalidade própria em prol de algo maior. As vezes é preciso deixar amizades para trás, as vezes magoa-se, as vezes a necessária rapidez do trabalho passa por cima de pessoas, as vezes você se sente pequeno em meio a um turbilhão de obrigações. E no mundo atual ninguém quer ser obrigado a nada. Para completar há o pouco dinheiro que se ganha fazendo teatro. A humilhante situação de tantos atores, que entregam-se de corpo e alma, mas ao voltar para casa tem poucas opções de conforto. Difícil manter-se assim, dedicado ao teatro. No ar há uma velada competição, todos querem ser aplaudidos, reverenciados, amados. Afinal de contas se não há dinheiro, que se anime o ego. Forma-se então a fogueira das vaidades: Todos querem saber, saber mais que seu colega. Saber é poder, só não sabiam que aquele que propaga sabedoria aos quatro ventos passa por tolo mesmo sem querer. 
                              Como manter essa estrutura funcionando com tantos estopins? Nunca saberemos. Mas a cartilha segue afiada, e pessoas sobem e descem a todo instante. Será que perceberam que dentre tudo o que usam para tentar escalar, o que marca unicamente e fica é o trabalho? Esse sim, esse é reflexo de capacidade e talento. Trabalho e mais trabalho. 
                               Cada vez que alguém precisa desistir do teatro para seguir o dito sistema, cada vez que alguém se curva, sente-se fraco e corre para outro lugar, baixamos a cabeça, sentimos no fundo do peito. Será que não deveríamos fazer o mesmo? Mas seguimos, seguimos por nós e por todos aqueles que não conseguiram lutar, por todos aqueles que foram vencidos. Mas a arte precisa seguir. Se fossemos correr a cada empecilho, o teatro não teria vencido seus mais de três mil anos. 
                                   Quando o diretor escolheu Infância Roubada, precisava de um elenco capaz. Precisava de bons atores. Uma boa "equipe". Alguns arrependimentos? Alessandra Souza substituiu Raquel Arigony. Afinal nos últimos tempos essa atriz vem se tornando muito mais madura e capaz. Mas ela também se formou na cartilha antiga e está ali por que a acham capaz de fazer grandes coisas, de segurar as pontas, de erguer a "lona do circo". Souza está ali para ser braço direito. É isso que se espera dela. Por isso talvez Cléber Lorenzoni exija tanto e espere tanto da colega. O trabalho da atriz em cena tem crescido muito, no entanto não se pode satisfazer-se com o que temos, é necessário sempre buscarmos mais. Clara Devi foi convidada a ir nas viagens pois é dedicada, capacitada, um ótimo exemplo. Laura Heger foi convidada para o elenco por seu trabalho riquíssimo em O Hipocondríaco, alí ela mostrou sua dedicação e entrega. Continue assim! Eliane Aléssio está na equipe pela simpatia prazerosa que tê-la como colega de cena. Eliane é o tipo de atriz que parece entender o que é ter um diretor. E não falo sobre apagar-se ou achar que o diretor é um Deus que sabe tudo. Não, ao contrário, o ator pode certamente questionar, contrariar. Mas precisa saber que ambos são funcionários. O ator executa o trabalho de dar vida e organicidade ao que o diretor pede e propõe. A função do diretor é observar, trabalhar dentro de si a sensibilidade para compreender aquele ator e poder tirar e exigir o melhor dele. Eliane Aléssio ao lado de Kauane Silva são as atrizes que mais cresceram em 2019, por uma simples premissa, deixaram-se ser dirigidas!
                          Stalin Ciotti é um talento nato, ele abraça personagens, se bem que não abraçou muito o "pequenote", mas são coisas, há personagens que amamos, há personagens que fazemos.  Laura Hoover é daquelas atrizes difíceis pois tem dentro de si um furacão. Ela é forte, geniosa, intensa. Mas precisa ter muito cuidado, mares bravios assustam e muitas vezes afastam. Seu olhar tem luz em cena, seu gesto tem fogo, mas precisa transformar tudo isso em TRABALHO (partitura, jogo cênico, criatividade, interação, triangulação) . 
                                 Kauane Silva esparramou-se na boneca, aliás um papel cobiçado. Cada gesto funciona, cada olhar. Renato Casagrande e Cléber Lorenzoni são os alicerces principais, principalmente por terem essa capacidade de fazer quase tudo sobre o palco. Cléber Lorenzoni faz um dos papeis mais simples do espetáculo. Tirando a novidade de Cesar ter uma cena suicida, de resto é um dos seus papeis mais simples. Mas Cléber o cumpre com dignidade e profissionalismo. Renato submete-se à algo novo. Tânia está ótima, mas sinto informar ao ator que ele é sim um dos diretores da Cia. Isso muda tudo, muda a resposta dos colegas, muda seu valor no palco, muda suas obrigações. 
                                   Felipe Padilha cumpre sua função. Mas deve estudar muito, correr atrás do teatro. Abrir os olhos, Observar mais. Aprender com os "grandes". 
                                  Maria Antonia Silveira Netto e Henrique Lanes estão ali para aprender. Cléber Lorenzoni não poderia tê-los convidado por seu talento em sonoplastia ou técnica em operação de som, afinal nunca foram técnicos em sonoplastia de outro espetáculo. Estão ali para aprender. E aconselho-os a estudar sempre e nas próximas apresentações intercalarem. Para que ambos testem suas capacidades. 

                      


              O pior: Não havia um banner, não havia um indicador da grandeza da marca, sem ser o próprio trabalho. Em uma apresentação falta estojo de costura, em outra canos, em outra ferros, em outra adereços. Quem são os responsáveis? A resposta é muito clara: Os braços direitos da Cia. Uma dica: Tenham vocês também seus braços direitos. Ninguém é tão superior que não precise de ajuda, de distribuição de tarefas. Renato Casagrande pode dividir funções entre Kauane e Clara. Alessandra Souza pode dividir funções entre Stalin e Laura. Isso se chama "equipe", onde eu não fui clara? Quanto aos novos, ouçam, talento não segura ninguém no máschara. O que segura é trabalho. Gente amontoada no palacinho mexendo em celular ou jogando pode muito bem ficar em casa. 
                               
                O melhor: A disponibilidade de Eliane Aléssio e Alessandra Souza em mudar uma cena poucos minutos antes de entrar no palco. A sensibilidade de Kauane Silva em atender um pedido da direção para que o publico visse melhor sua personagem. A sensibilidade de Clara Devi em dar o lugar à Felipe Padilha na vã, a coragem de Stalin Ciotti e Laura Heger em receberem mudanças para a cena também pouco antes de entrar em cena. 



Renato Casagrande (*) Porém muito bem no palco
Alessandra Souza (*)  Porém muito bem no palco
Satlin Ciotti (**)
Eliane Aléssio(***)
Kauane Silva (**)
Laura Heger (**)
Clara Devi (***)
Felipe Padilha (**)
Laura Hoover (**)
Maria Antonia Silveira Netto (**)
Rique Artêmi (**)


Arte é Vida


                                             A Rainha

Em outubro tem Halloween CCEE


domingo, 15 de setembro de 2019

Salsa/merengue/bombom/cumbia


Corpo de Baile do Máschara


Interação na rua do laser, com a equipe do Kangoo


861/862 -Infância Roubada - 02/03

Camelot/ Camelot


                               "Existe a lenda de um lugar místico, entre florestas de fadas, magos, duendes e dragões. Lá a coroa era muito clara, todos teriam títulos de nobreza e vida farta. Todos seriam amados se cumprissem as regras da távola redonda. Uma grande mesa redonda, onde doze cavaleiros sentavam-se ao lado do rei Arthur. Ali eles decidiam o que julgavam ser o melhor para o reino, ali, na távola redonda eles pensavam o futuro e discutiam como proteger Camelot, os cavaleiros seguiam uma hierarquia ancestral, o rei era capaz de tudo por eles, e eles capazes de tudo por seu rei."

Máschara / Máschara

                                "Existe um grupo real, em uma cidade do interior, com dificuldade iguais as de todas as outras cidades; uma cidade com muitos talentos que precisam se expressar, provar que a arte é inclusiva e reflete o pensar do homem. Lá a hierarquia é muito bem organizada, todos se tornam estrelas no céu iluminado do Máschara. A direção do Cia. faz tudo o que pode para dar espaço há todos, para que todos revelem, descubram e aperfeiçoem seus talentos. Uma grande mesa redonda, onde doze atores sentam-se ao lado do diretor. Ali eles decidem o que julgam ser o melhor para o teatro em Cruz Alta. Ali planejam espetáculos, performances, e mensagens para defender a arte comunicadora do teatro e seu lindo trabalho. O palacinho é uma trincheira. Lá fora é um front, onde tudo e todos parecem se opor à arte. Por vários motivos, mas principalmente por que nosso país é incentivado à não querer o artista, a mandá-lo para o exílio. Pais preferem filhos em casa mexendo nos seus aparelhos de internet do que em uma sala de ensaios produzindo. Há ainda o medo de que no teatro o jovem fale de sexo, descubra as drogas, se descubra. Prefere-se o contrário, que o jovem não fale no sexo, afinal quando as situações complexas como bebês, homossexualidade ou doenças aparecerem finge-se que não são grandes coisas, e vai se empurrando com a barriga. Há sim uma busca louca pelo ENEM, pelo sufocamento do cidadão em detrimento de uma robotização e uma castração. Você não deve fazer o que te faz bem, mas o que eu decido que é o melhor para você. Como se alguém soubesse saber o que é melhor. Como se nossa sociedade tão capaz não tivesse feito escolhas terríveis por toda a sua historia. Há ainda a equivocada ideia de que apenas jovens e crianças devem fazer teatro, ir ao teatro. Pois bem, a ESMATE tem espaço para todos e Cléber Lorenzoni é capaz de tudo por ela, seriam também seus atores/cavaleiros capazes de tudo?
                                     Fazer teatro é para todos, deve ser incentivado desde a tenra idade, o teatro revela a capacidade do homem em analisar sobre o palco a vida, Ele emana da vida para falar da vida e ele faz homem (quando bem feito) modificar ou tentar melhorar. Uma palestra de uma hora com exemplos mencionados pelo melhor palestrante que for, poderá fazer a platéia pensar, ou até lembrar de algo que aconteceu em sua casa por exemplo. Mas somente a arte-cênica tem o poder de arrancar a plateia de seu momento em assistência e levar sua mente para a sala de uma casa onde uma criança é violada, conduzir sua lembrança para os tempos de infância. A arte cênica com duas ou três tréplicas faz o homem voar para outro país, para a época de cristo, para o dia em que Mario Quintana morreu, para a Verona de Romeu e Julieta. Há ainda a percepção de que somos capazes de sermos o que quisermos se "tivéssemos escolhido", mais corajosos, mais fortes, mais doces, mais gentis, mais tranquilos... Posso ser sensual como uma assessora de Rodrigo S.A em A Hora da Estrela. Posso ser sensual como Salomé em A Paixão de Cristo, posso ser ingênua e romântica como Marcy em A noviça Rebelde. Posso ser engraçado, posso ser severa, posso ser maldosa como Gloria em A hora da Estrela, posso ser astuta e rápida como Toninha em O Hipocondríaco, posso ser o que quiser... A pergunta que devo fazer é: O que quero ser?
                                             Todos podem fazer teatro, mas nem todos podem ser artistas do Máschara. Fazer teatro é subir no palco, estudar seu papel, pensar o mundo. Ser do Máschara é uma missão, é lutar para manter o teatro em Cruz Alta, É abrir espaço para quem vem vindo, promover a arte do teatro para que cada  vez mais gente queira PENSAR-PENSAR-PENSAR sua existência e a existência ao seu redor. Não queira ser do Máschara se não está disposto a lutar pelo teatro. Só queira ser do Máschara se você acredita que tem algo para fazer a mudança. Para fazer crescer essa Camelot! 
                                                       Na hierarquia do Máschara há nobres que sobem e descem, momentos inesquecíveis. Cléber Lorenzoni constrói mitos, deuses, heróis. Cléber Lorenzoni elenca talentos. Revela poderes, forças inesquecíveis. Como a índia poderosa de Kauane SIlva em Lendas da Mui Leal Cidade, ou a vingativa Ereda de Alessandra Souza, a inesquecível Lili de Kelem PAdilha, a eterna Lady Macduff de Simone De Dordi em Macbeth. A Mariana imbatível de MArcele Franco em Tartufo. ODr. Cícero Branco do grande Alexandre Dill em O Incidente. A princesa guerreira Antígona onde Dulce Jorge se desfigura lindamente no palco. Imortais, imortais que somam talentos que Cléber descobre, revela e une à suas criações de diretor exigente, e tão cheio de signos e códigos, as vezes difíceis de entendermos.  
                                                 No espetáculo de sexta-feira, atores intensos se revelaram, se esforçaram, foram aplaudidos com majestosa admiração. Majestoso sim, pois tornam-se nobres do teatro. A arqui-duquesa por exemplo esteve brilhante, com sua capacidade de se expor, de se permitir ser diminuída e apequenada em cena. Os tapas que levou do Visconde revelam generosidade e maturidade. As vezes essa grande atriz, precisa apenas ser mais humilde e esperar o que o outro tem à dar. Ser nobre hoje em dia, não tem a ver com o dinheiro que se possui, mas a humildade com que se ouve o outro. A noite ao lado do Grão Príncipe, conseguiram acertar o tom de uma cena que pela manhã ficara demasiado estridente, gritada. Teatro é correr atrás, é vencer-se a si mesmo procurando sempre a melhor inflexão, sempre o melhor para das ao público. Aliás é o que vejo no Grão Príncipe que se esforça muito, se dedica muito. Como alteza que é, certamente é o próximo na linha sucessória, precisa se esforçar, precisa crescer, aceitar, saber liderar, brincar nas horas certas. Dar exemplo. Gosto muito de sua criação como Tânia, é madura, e natural, deve apenas tomar cuidado para não deixar a personagem se vitimizar por demais. Pela manhã o o Grão Príncipe foi aplaudido em cena aberta, um mérito de sua capacidade de evoluir e tornar-se cada vez um ator melhor.
                                                           O espetáculo teve momentos lindos, difícil recordar-me de todos, mas certamente a maioria foram estrelados por sua Baronetesa, que sempre que entrava em cena tinha uma nova expressão, um entendimento tão grande da linguagem que o diretor queria, a ponto de não saber se sua M.R não criou a boneca ao lado da atriz. Nesse ano vimos muitos grandes momentos.  A Baronesa como Salomé, a Arquiduquesa como Cremosina, a Milady como Frosina, Lady Aléssio como Glória. Esse é sem duvida o momento da Baronetesa. 
                                                                 Lady Aléssio cresce dia após dia, deveria ser logo chamada para compor o hol de altezas do Máschara. Sua Flávia esteve melhor a cada apresentação. A noite ela estava desfigurada em frente a sua M.R. Drama intenso, realista e intenso. Mas Lady Aléssio ainda precisa estar atenta ao final das palavras, para não baixar o volume.
                                                                 Sir Ciotti está fantástico. Talvez um tanto repleto de clichês ou estereótipos. No entanto a platéia vai ao delírio com ele. O mal é quentinho, nunca nos esqueçamos! Segundo Leandro Kamal esse é o problema de nossa sociedade. Sir Ciotti deve apenas ser mais atento, seu talento o levará facilmente para um status maior no grupo, mas é preciso observar mais, saltar e ter as ideias antes que alguém lhe pergunte. Saber perceber oque vão lhe pedir antes que lhe peçam.
                                                                    Os Lordes Padilha e Artemi estão começando também uma linda caminhada. É preciso sempre perguntar-se: -O que estou fazendo aqui? - Lorde Padilha é jovem e cheio de pontos de vista, isso é ótimo, mas para estar perto de atores mais velhos, precisa saber guardar esses pontos de vista, nem todo mundo é compreensivo como S.M.R. Parece que a conversa que tiveram a tarde surtiu efeito, pois a noite Lorde Padilha esteve muito melhor em cena. Sensibilidade! Instinto! Corra sempre atrás deles meu jovem, se quiser ser um ator. E nunca esqueça, querer não serve para nada, é preciso AGIR! 
                                                 Lorde Artemi, foi convidado a juntar-se a nobreza do Máschara, para crescer, aprender, ariscar-se. Se saiu muito bem para primeira viagem. Talvez já soubesse, ali, trabalha-se muito. no sentido literal, carregar, montar, correr buscar coisas... A trilha que pela manhã ainda estava sendo operada um pouco canastrona, a noite melhorou muito, também pelos conselhos da Arquiduquesa e o apoio da Lady Silveira Netto, que embora as vezes faça um pouquinho de drama, está amadurecendo muito. Uma ótima escolha como técnica. 
                                              Nunca esqueçam, o ator que aprende a fazer bem uma trilha sonora, compor uma iluminação, operar botões, erguer uma coxia, tem certamente capacidades para ser muito mais sensível ao palco. Parabéns Lorde Artemi, as vezes damos ideia, queremos opinar, nos ouvem e não nos dão muita importância, pois talvez nossas ideias não se enquadrem ao todo. Mas isso não quer dizer que não tenhamos que sempre estar atentos e dar nossas ideias. A faixa de Rosemar's Baby acrescentou muito à Infância Roubada, foi um grande acerto perspicaz e inteligente.
                                                   A Baronesa entra em cena muito linda, e nos toca muito. Claro que o teatro é algo difícil, principalmente se nos falta um pouco das aulas do "cênico". Rafa precisa ser mais cênica a partir da segunda cena, mas isso virá certamente com o tempo. A baronesa tem olhos intensos e parece ótima de contracenas, a forma como olha dentro dos olhos do ator que interpreta seu pai nos toca muito. Lady Heger é uma principiante muito dedicada, ótima de conviver pelo que soube. Silêncio e reflexão são ótimos para se crescer em qualquer profissão. Lady Heger ainda é bastante nova, mas parece gostar muito do palco e criar, e se entregar. Foi uma explosão em O hipocondríaco e deve sempre lembrar que papeis serão fácies, outros não tanto. Em alguns acertamos, em outros erramos... Antes de tudo é nossa profissão. 
                                               Milady trabalhou muito, opinou muito. Admiro muitos talentos no Máschara e na ESMATE, embora alguns só conheça de rosto, do palco, ou por comentários. Mas uma das minhas maiores admirações respeitosas vai para essa jovem, tão jovem, tão esforçada. Certamente Sua Graça já percebeu que Milady gosta de dedicar-se ao material, a composição, a estrutura. Não se desmotive nunca minha jovem, vai ser difícil, vão te criticar, vão tentar te demover. Te sentirá sozinha e desamparada. Fraca, pequena, desvalorizada. Mas se ama, se te sentes bem, algo dentro de ti procura o palco, os camarins, a vida do teatro, não desista!
                                                 Sua Graça, M.R. parecia um tanto desconcentrado em cena. Via-se em seus olhos a preocupação com os novos, com a trilha que as vezes equivocava-se em questão de volume, via-se seus olhos preocupados com os temas do espetáculo, com as coxias, com o tapa, com os iniciantes, com o teto de gesso, com os holofotes pendurados de forma improvisada para tentar oferecer o melhor no espetáculo. Via-se ele tentando solucionar aquele pequeno pedaço de mundo que são cinquenta minutos de peça teatral, mas que parece uma vida inteira. Um forte em cena, mas líderes, poderes, forças, estão conectados diretamente a mais trabalho. Admiro muito Sua Graça, pelo que faz e propõe o tempo todo, mas guarde-se, ainda há muito pela frente nessa missão. Ainda há festival de teatro, mais atores, mais alunos, mais peças, mais público, mais performances, a construção de um teatro em Cruz Alta. Força!
                                                 Eu admiro a cada dia mais Camelot, o reino de faz de conta, de heroísmo e luta. Esse reino só é forte se cada um estiver unido ao outro. Vida longa ao teatro!


                                        O Melhor: O começo de um lindo projeto - Infância Roubada, com um elenco e uma técnica que parecem querer crescer e aprender.
                                                O pior: Os maus exemplos dados pelo Grão Principe e pela Arquiduquesa, voluntaria e involuntariamente. 



                                              Arte é VIDA
                                                                                       A Rainha



Grão Principe (**)(***)
Arquiduquesa (*)(***)
Lady Aléssio (**)(***)
Baronetesa(**)(**)
Lady Heger (***)(**)
Sir (**)(***)
Milady (**)(**)
Baronesa (**)(**)
Lorde Padilha (*)(**)
Lorde Artemi (*)(**)
Lady SIlveira Netto (*)(**)        
                    
                                                  
                            

Infância Roubada - Salto do Jacuí


sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Grupo Máscara em Infância Roubada


Analise do espetáculo A hora da Estrela por alunos da ESMATE






Quando cheguei na Casa de Cultura não sabia o que esperar. Um elenco grande, formado principalmente por atores que experimentavam o palco pela primeira vez, me encheu de memórias sobre a peça de 2018, Lendas. O que mais diferencia essas duas apresentações, acredito ser a idade dos atores. Desta forma, minha maior curiosidade era de ver homens e mulheres já adultos procurando a arte com tamanho interesse. Não são mais crianças tentando equilibrar lazer com aprendizado ou jovens experimentando tudo o que a vida lhe oferece de novo. Aquele elenco já tinha uma bagagem de vida maior, mais vivências e mais com o que se preocupar, por assim dizer. Então, a curiosidade em saber o por quê eles estavam ali e o que estavam dispostos a fazer pela arte me encheu de expectativas.


A casa estava lotada. Compartilhei com meus colegas a alegria em ver o público enorme que iria prestigiar o teatro seja por causa dos parentes, seja por amizades ou, quem sabe, por gostar de teatro. É sempre emocionante ver pessoas novas sentadas nas cadeiras e, mesmo que no fim tenham ido apenas aquela vez, talvez elas escutem e vejam o necessário para que saiam de lá com um pensamento diferente.

Outro momento que me chamou a atenção foi quando o aviso gravado de Cléber terminou e um longo silêncio se estendeu. Foi hora de pensar se algo de errado aconteceu ou se estavam preparando para nos dar um susto do nada. Apesar dessa inquietação, não se escutou nenhuma conversa na plateia. Naquela hora me perguntei se era isso que o Grupo Maschara havia modificado nas pessoas de Cruz Alta. Aquele silêncio, sem nenhuma conversa alta, com olhares atentos e ansiosos sobre o palco escurecido, nenhum movimento com pum da cadeira. Respeito, pensei. Apenas respeito.

A peça começou com energia, luz e cor. Como não conhecia nada sobre a história base, fiquei deveras confusa. Aquele radialista era uma pessoa real narrando uma rádio novela? No fim o comparei ao Corifeu em uma tragédia Grega, pelo fato dele narrar a história, interagir razoavelmente com os personagens, estar em um outro plano visual e aparentar sempre saber de toda a trama.
A tia de Macabéa, aparecendo no início da peça e retornando mais para o final, vi que emocionou uma parte do público, mas senti falta que ela mesmo se emocionasse. O nervosismo aparece se pensarmos que temos que seguir as marcações, falar alto, ficar na luz e ainda assim sentir a cena. Minha dica particular seria que ela olhasse bem nos olhos de sua colega de cena, Kauane, principalmente durante as falas. Dessa forma se estabeleceria uma conexão entre atores e personagens que resultaria em um grande achado na cena do beijo na testa.
As moças que moravam junto a Macabéa eram compostas de uma atriz com muita experiência, outra que já havia subido ao palco em outras oportunidades e uma nova que até então não conhecia. Esta por sua vez não ficou para trás e não destoou do resto, garantindo a atenção e mostrando bem a personalidade de sua figura. Alessandra Souza, com sua personagem pessimista e reclamona me lembrou de muitas pessoas e quase vi minha própria companhia se virando para mim e dizendo "Olha lá, se não é o fulano". A uma determinada altura da peça você acabava criando uma engraçada pena da personagem. Martha Medeiro, sim arrancou ótimas risadas da plateia. Com uma personalidade ao meu ver inocente e convicta. Acredito, porém que na cena quase muda dela com Macabéa, quando esta está ouvindo distraída o rádio, ter levado mais tempo falando sobre a bíblia ao invés de brigando com a garota teria sido mais proveitoso. Outro detalhe que talvez deixasse ela mais engraçada seria se não houvesse empurrões de sua parte. Ela chacoalhar Macabéa quebrava um pouco a convenção de que as duas estavam em mundos diferentes.
A dona do lugar era uma das que mais falava alto entre o elenco de novos alunos, o que ajudou muito para mim que estava sentada no fundo da Casa de Cultura. No entanto, faltou força na personagem. Não me pareceu que ela conseguiria acalmar aquelas três mulheres apenas com sua presença. O leque funcionou bem para ajudá-la a ganhar recursos, talvez tenha lhe faltado alguns ensaios apenas. O que prejudicou também o momento em que ela escolhe uma das moças para ser a sua protegida. Não entendo bem o por quê dessa atitude justamente para com ela.

Houve vários momentos de falas sobrepostas umas nas outras, um deles foi na cena do pipoqueiro, o qual falava tremendamente baixo. Sua figura passava a sensação de ser frágil, velha e lenta, mas isso escorreu para a voz. Uma pena, pois em questão de força presencial ele estava ótimo. A cena acontecia sobre a luz agitada e interessante, mas quando aquele vendedor de pipoca entrou não consegui tirar meus olhos dele, esperando para ver suas reações sobre tudo o que estava acontecendo.
Eliani e Romeu me impressionaram. Ver a mesma atriz que fez a esposa de Cézar durante a Paixão de Cristo, fazer aquela mulher tão despojada, sexy, ousada e malvada, deixou-me atônita. O mesmo digo de seu colega de cena, que exalava energia e presença, esperneando pelo palco jogando folhas para todos os lados. Um belo estereótipo de chefe. Os dois interpretaram com tanta maturidade, sem mostrar nervosismo na cena mais "ousada" ou fazendo as pressas apenas para se livrar da marcação imposta. Acredito que Teatro é doação e, na Hora da Estrela, esses dois se doaram muito.
Eliani criou gestos que deixou sua personagem sempre interessante. Utilizando de vários achados em momentos diferentes e não apenas se contentando com sua divertidíssima risada.
Douglas dá para se dizer que estava bem "Douglas". Apenas características como um modo de falar diferente o destoavam. Acredito que serviu perfeitamente para ele aquele personagem, todo o seu jeito naturalmente engraçado de ser garantiu longas e boas risadas de todo o público. Nos fazendo realmente acreditar que aquele homem era o par perfeito para Macabéa e seria sua salvação no fim. Ele fez parecer que o personagem surgiu facilmente, mas acredito que sempre quando temos essa impressão significa exatamente o contrário.
O que dizer agora daquela Marilyn Monroe interpretada por Vagner Nardes? Este ator estava tremendamente inteiro em cena, se tinha preocupações não transmitia isso. Ela dançava sobre o palco e andava feito uma ilusão da noite. Uma personagem que acredito ser muito querida por nosso ator e que ele a abraçou com vontade. Não soube dizer se ela era apenas da imaginação de Macabéa ou se seria algo maior, devido ao contato com o radialista. Renato também estava completamente mergulhado. Um personagem que poderia sim ser feito com sua própria forma de ser acabou não pendendo para esse "fácil" e deu origem a uma figura única, divertida e poderosa.

Uma das certezas que tinha era de que Kauane estaria bem em cena. Ouvi falar de seu tremendo esforço para carregar o nome de Macabéa e, após sua atuação como Musa Inspiradora em Esconderijos do Tempo, eu criei ansiedade para vê-la como protagonista.
Ela permaneceu em cena praticamente toda a peça e despertou a curiosidade em mim como plateia. Quem era essa figura a minha frente? Novamente sem nenhum conhecimento prévio sobre a obra, Kauane nos deu a sua Macabéa. Uma garota avoada, solitária, perdida e sem propósito aparente. Sua miséria tocou a muitos e me arrepiou em várias cenas, como a do batom, por exemplo. Todavia, como um protagonista não consegue brilhar sozinho, o fato de não conseguir se apoiar para com atores mais experientes e na verdade ser esse ator de apoio, deixou Macabéa um pouco mais apagada.

As cenas eram compridas e divertidas, muito diferentes uma para a outra, com ritmos e propósitos diferentes. As cenas entre Douglas e Kauane pareciam tão naturais e interessantes, mesmo com um texto comum e uma certa repetição divertida de desentendimento entre os dois. Eu sempre queria ver um pouco mais da relação dos dois e posso dizer que fiquei chocada com a traição.
Já esperava que utilizassem de efeitos de luz e som para ajudar na criação dos climas, mas isso não quer dizer que eu não tenha me encantado mesmo assim. Sobre esta perspectiva, claramente minha cena favorita foi a dos médicos.
A sensação de claustrofobia, o medo que Macabéa sentia e passava para nós, a ansiedade deixando nossos corações acelerados, a cena dos médicos robotizados mal me deixou piscar. Aquelas figuras passando de um lado para o outro no escuro, falando juntas e mexendo com nossa personagem principal me fez encolher em minha cadeira.
Ricardo interpretava o médico principal e estava ótimo com sua tensão corporal. Não estava relaxado, mas também não pareceu forçando cada parte de seu corpo para garantir uma tensão sobre-humana. Uma figura que mesmo aparecendo por poucos minutos, trouxe inúmeras críticas e se gravou em minha memória.

A cigana interpretada por Cléber fez muito bem o seu papel. Acredito que uma personagem como aquela teria poder e recursos para tomar o palco todo para si, arrancando toda a atenção de Macabéa. No fim senti que estavam ambos estavam bem balanceados.

A cena final me deixou com tantas interrogações no rosto que mal poderia citar todas. Gabriel Giacomini estava um verdadeiro "homem dos sonhos". Uma chama de esperança para o final feliz que não aconteceu.
Não entendi bem se os personagens que vinham um por um conheciam ou não a moça morta no chão. Uns interagiam com ela como se a reconhecessem, enquanto outros não. Antônio apareceu nesse final, apenas para mostrar aquele lado sujo e triste da vida. Acredito que ele aparecer exatamente naquele momento, quando toda a plateia esperava alguma explicação, alguma boa notícia, destruiu qualquer boa esperança nossa.
Um ótimo fechamento de história, completamente inesperado por minha pessoa, mas como disse não compreendi vários quesitos. Isto, no entanto, é um dos fatores que mais adoro no teatro. O caminho para casa foi cheio de questionamentos e debates para com meus acompanhantes. Cada um se emocionou em um momento, cada um tinha uma ideia sobre o radialista, sobre a Macabéa, sobre a srt. Monroe e sobre o garoto loiro de terno.

Estou deveras impressionada com todo o elenco, sem exceção de ninguém. Extremamente feliz por ter assistido a essa peça e de poder dar minha opinião particular. Agora apenas podemos esperar para a apresentação a seguir e prestigia-los também.