domingo, 25 de outubro de 2015

Ed Mort 16 (718) - Os Saltimbancos 31 (719) - O Santo e a Porca 9 (720)

               Três espetáculos extremamente diferentes em sim, praticamente o mesmo elenco, substituições de última hora e em comum, o amor pelo palco.
                           

                           O grupo Máschara montou seu palco em um clube da cidade de Nova Ramada. No primeiro espetáculo do dia, a comédia crônica de Luis Fernando Verissimo, o humor ácido a partir de um caso investigatório na vida do detetive Ed Mort. O ponto alto do espetáculo certamente foi a estréia de Alessandra Souza no papel da vilã Bibi. Para mim, a interprete preenche as necessidades do espetáculo, a terceira Bibi da montagem de 2008, deveria triangular todo o espetáculo e Alessandra o faz, no entanto a mudança de lugar prejudica um pouco a estrutura do elenco. A cena da carrasca foi abalada e a cena das crianças. Então me pergunto, até que ponto a saída de um ator, não pede o congelamento de um espetáculo e o inicio de outro que produza algo novo a partir do elenco que se tem. 
                              Evaldo Goulart assumiu nova função, mas não abriu mão de sua função anterior, o que prejudicou totalmente a sonoplastia do espetáculo. Portanto uma má escolha da direção. E essa má escolha reflete-se em praticamente todo o espetáculo. Renato Casagrande (***) salva boa parte do espetáculo com sua veia cômica. Enquanto isso Cléber Lorenzoni corre de um lado para o outro, pede musica, entra em cena sem maquiagem e ainda consegue tirar muita graça com Edna. 
                              As 15 horas e vinte e dois minutos, inicia-se Os Saltimbancos. A escolha da encenação em arena aproxima o público, mas prejudica os atores mais rasos. A iluminação de Fabio Novello (***) não chega a criar efeitos grandiosos, mas dá o tom da arena. Algum acontecimento impediu a canção original da gata, e o operador deu ao intérprete uma musica com outro arranjo, o que visivelmente prejudicou a interpretação. Os Saltimbancos, é um espetáculo extenuante e os atores não deveriam apresentá-lo em dias em que encenarem outra peça. Ricardo Fenner fica em cena o espetáculo inteiro, ora, atores que não possuem muito tempo para treinar corpo e voz, não aguentam um esforço tão grande sem que isso repercuta em sua interpretação. Alessandra Souza esteve bárbara, e Cléber Lorenzoni certamente abocanhou as crianças na pele da gatinha enfezada. 
                              A grande espera do dia, no entanto, foram as armações de"Caroba", Evaldo Goulart (***) surpreende a equipe com sua Benona, possivelmente uma cópia do que Gabriel Wink compôs em 2012, mas que tem tudo para despontar em algo ainda maior, isso claro, se o espetáculo não ficar encaixotado na ESMATE. O Santo e a Porca teve como ponto alto o trabalho em equipe. O cansaço de um dia inteiro de trabalho felizmente não apareceu em cena. Embora Dulce e Ricardo tenham engolido algumas palavras de seus textos. Fabio Novello (***) mais uma vez se esmerou em iluminar o palco/chão e com poucos pontos de luz conseguiu ótimos efeitos.Renato Casagrande e Cléber Lorenzoni tem o espetáculo na mão, pelo conhecimento dos cortes, pela direção de palco que fazem, mas Dulce Jorge (***) da o tom em todo a metade final do espetáculo e consegue sem apelações, ser engraçada, graciosa e efusiva. Já Alessandra Souza (***) embora precise melhorar sua dicção nesse espetáculo, acerta em cheio em sua "mocinha". 
                                   Foi certamente um dia inesquecível, onde muitas coisas foram testadas e o que venceu foi a gana pelo teatro.


Arte é vida, para alguns...

A Rainha