sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Garibaldi, os mortos de Antares

                   O teatro é sempre inusitado, cada encenação tem seus códigos próprios, seu jogo, mais intenso ou mais calmo, o estado de espirito dos atores interfere diretamente em cada cena e deve ser assim, ou então não passaria de algo robótico, feito por artistas medíocres. A presença do público e sua postura interferem também no que acontece no palco. Platéia silenciosa é platéia ausente, Platéia barulhenta, agitada é platéia inexistente. Platéia interessada platéia que aproveitará o que está sendo mostrado. 
                     Os atores do Máschara entraram no clube 31 de outubro de Garibaldi às 9 e 17 da manhã da última quarta feira.Os mortos foram recebidos com uma gritaria alucinada dos jovens na platéia e demorou bastante até que Dr. Cícero Branco, auxiliado pelos outros defuntos conseguisse imperar sobre à assistência.
                      O ator é servo do público, ele decide o que quer ver, e como quer ver... O público quer rir, o público jovem quer participar e nem sempre de forma sadía. O público as vezes pode ser muito terrorista e impor aos atores limites muito árduos para que estes façam seu trabalho. 
                         O dia não foi de grandes revelações, ou surpresas. O Incidente desenrolou-se em tempo agradável, com exceção da cena de Alessandra Souza que parecia disposta a sair logo de cena, embora sua interpretação estivesse muito criativa e graciosa. Cristiano Albuquerque e Luis Fernando Lara atuaram bem e Renato Casagrande e Cléber Lorenzoni mostraram seus básicos, cada um em sua proporção.  
                              O prazer do dia foi dado por Angélica Ertel, que deu à sua Quitéria Campolargo todo um novo colorido, provavelmente inspirado no trabalho da colega Dulce Jorge, apresentado no último domingo. Quitéria Campolargo esteve muito viva ainda que morta. Havia uma graciosidade de gestos, boas nuances. Quanto à Gabriel Wink, deu-nos o básico de Menandro Olinda, e me pergunto, por que dar ao público tão pouco? Sem a frase "Até que toquei pela primeira vez as teclas de um piano..." fica dificil para o mesmo perceber o peso que a música tem para o pianista.  Um dia sem grandes revelações. De tudo o que foi feito, o mais interessante pareceu-me a conversa na beira do palco após o agradecimento.

Teatro é mais que uma encenação - teatro é gangrena!


A Rainha



Elenco:
Alessandra Souza   +
Angélica Ertel  C
Cléber Lorenzoni  +
Cristiano Albuquerque  +
Luis Fernando Lara  +
Gabriel Wink +
Renato Casagrande +