quinta-feira, 10 de junho de 2021
quarta-feira, 9 de junho de 2021
sexta-feira, 4 de junho de 2021
Arte é Vida VI -coluna do diretor Cléber Lorenzoni
Arte ruim / arte boa
Há poucos dias questionava
junto aos meus alunos, se haveria um conceito quanto a arte ruim ou arte boa. E
caso existisse, quem estaria a altura de julgar. Claro que podemos levantar
questionamentos quanto ao poder influenciador de algumas artes, quando
comparadas a outras. Porém, não consigo crer que algo que está inteiramente
ligado ao impalpável, ä sensações, sentimentos, reflexões, possa ser colocado
em balanças. Alguém me dirá: - Mas Cléber, e os concursos, eles não analisam
por acaso a arte bem feita, ou não? – Ao que responderia: - Um corpo de
jurados, baseia-se em seus próprios conceitos e conhecimentos técnicos,
empíricos, etc... Mas veja bem, o galardoamento dado por uma banca é
extremamente subjetivo, ele te coloca em primeiro lugar em relação ao segundo,
até que mude-se os jurados, e aí outro ponto de vista poderá ser emitido. Se
falarmos de inspiração, alma, força sensitiva, enfim, esse lugar quase
metafisico no qual o tal “talento” reside, então a situação é ainda mais
subjetiva, pois quem estava inspirado em uma apresentação hoje, pode não estar
amanhã.
A arte, é efêmera e
emana do homem como luz, golfada de ar, fuga, expressão de satisfação de um
amor correspondido ou mesmo de um rompimento, de um estado de graça, do prazer
indizível ou do desprezo doloroso. Por tanto, o que me causa sensações, pode
não causar simplesmente nada, a quem estiver ao meu lado.
Mas o que me assusta, me
choca, e até me entristece, é o julgamento ferrenho de quem não acrescenta, ao
contrário, desmotiva, enfraquece, castra! A arte, precisa ser incentivada,
motivada. Ela é solução, cura, mudança de habito. Uma musica, um poema, uma
bailarina que se entrega ao palco, ou o ator que da vida a criaturas que só
existiam na mente de uns poucos, escultores, pintores, enfim, todos eles
precisam do aplauso, da motivação e do silencio.
Mas qual silêncio? O silêncio
de quem vê ou ouve constrói ou destrói dentro de si paradigmas, mas que não deve
influenciar, pois alguns de nós ainda estão sendo lapidados, ora, todos somos
pedras brutas, desde que nascemos, e vamos nos lapidando no decorrer da
existência. É preciso deixar o outro fazer suas análises próprias.
Amai! Amai e valorizai
cada ato que constrói, que cria, que ergue e da vida, e ao criticar,
critiquemos os inócuos, acomodados, que
nada fazem, que não dão vida a nada, apenas torcem seus longos narizes repletos de orgulho
e soberba.
terça-feira, 1 de junho de 2021
sábado, 29 de maio de 2021
Arte é Vida V
Constantemente
ouço pessoas de várias faixas etárias comentando que tiveram que em outrora
abrir mão de seus sonhos e embarcar em vidas que, na maioria das vezes, elas
mesmas consideram frustrantes ou medíocres.
Essas pessoas estão se referindo à carreiras artísticas que abandonaram.
São ex-bailarinas, ex-atores ou ex-músicos,
se é que podemos chamar os artistas de “ex” já que talento, creio eu, jamais se
extingue por inteiro, o fato é que talvez,
por morarmos em um país de terceiro mundo ou ainda distantes de uma
capital, o olhar que damos para a arte enquanto profissão é sempre crítico ou
por demais exigente. Nos parece difícil aceitar, que alguém possa supor ter uma
vida confortavelmente rica, baseada apenas na arte como centro de lucro, ou
ainda na manutenção de uma família.
Alguém me disse: ”o mundo
capitalista nos exige pés no chão”. Mas abriríamos mão de Beethoven, de
Shakespeare, de Carlos Drummond de Andrade, ou de Carlos Gomes? Trocaríamos o
teto da capela Cistina, o Davi de Michelangelo ou o prazer em assistir Norma,
Copélia, ou Turandot, com seus grandes corpos de baile?
Olhai para vossos pais, tios,
vizinhos da terceira idade, e perguntai, quantos deles recusaram sonhos,
talentos, dons... Por que tristemente deviam por os tais pés no chão. Qual chão
seguro é esse de que falam? Pois mesmo
aqueles, ditos sensatos, me parecem preocupados, e cheios de contas
inalcançáveis de quitar.
A arte, oásis de prazer, respiro
em meio as atribulações da vida, formadora de opinião ou enquanto base
filosófica na evolução dos tempos, deveria ser incentivada a todos e exercida
com louvor e orgulho. Pois é através dela, que temos maior contato com o
“mistério”, com o impalpável, com o lugar comum onde todas as línguas se
encontram. Certa vez li que se fossemos nos encontrar pela primeira vez com
extraterrestres, não devíamos tentar falar nada, apenas deixar tocar a nona
sinfonia, e ali, naquele momento os visitantes do outro planeta compreenderiam
a pequena e grandiosa existência humana. Então para concluir, preciso fazer uma
pergunta, que talvez machuque nossos egos, mas: até quando vamos frustrar nossos filhos e destruir sonhos?
quinta-feira, 27 de maio de 2021
segunda-feira, 24 de maio de 2021
domingo, 23 de maio de 2021
Quarta Coluna do diretor Cléber Lorenzoni sobre Arte e Cultura
A Saga do Herói
Tropeiro
Na última semana
passei envolvido até os crespos com o tema tropeirismo. Confesso que o mesmo
sempre me atraiu, sempre apreciei história. Nos livros da sexta serie, o que
ficou para mim foi uma imagem que mais tarde descobri no livro de Rossano
Cavalari, tratar-se de uma pintura de Charles Landseer. Pois bem dia 8 de maio é o dia municipal do
tropeirismo e durante todo o mês, vários lugares do país celebram esses desbravadores.
Para mim heróis, já que a definição: “personagem
modelo, que reúne, em si, os atributos necessários para superar, de forma
excepcional, um determinado problema”, parece caber perfeitamente.
Homens que durante
dois séculos mais ou menos enfrentaram todo o tipo de intempéries e perigos,
para fazer algo crucial: Cruzar culturas. Estes homens que carregavam mais do
que canastras amarradas às mulas, carregavam historias, cantigas, tradições e
as cambiavam com povos, vilas, e cidades, mudando e evoluindo ideologias,
pensares e fazeres.
Se a globalização teve
grandes marcos, um deles certamente foi o tropeirismo. E estes homens que
passavam semanas longe de suas casas, de sua prole, foram abrindo caminhos,
criando estradas, desenhando nas patas de suas mulas os contornos que formaram
o nosso mapa.
Depois desse primeiro
raciocínio, passei a me questionar quanto a típica cultura do cruzaltense, em
mudar-se, em migrar para outros pagos e comumente retornar, não estaria aí uma
herança ancestralizada em nosso organismo? A necessidade de ir de um lugar a
outro? Eu enquanto ator, sempre senti essa necessidade mambembe de cruzar
culturas, de viajar levando minha arte, cambiando também conhecimentos e vivências
de lugares. Não andamos sobre mulas, mas meu sonho seria viajar em carroças
como nossos primos da Commedia Dell Art.
Em Cruz Alta inúmeras são as
famílias descendentes desses intrépidos pioneiros, que muitas vezes desconhecem
o valor histórico/cultural que carregam em suas raízes. Olhemos para nossas
casas com sensibilidade, para os tesouros que estão guardados nas histórias dos
anciãos, e mantenhamos viva a chama das nossas tradições, nossas próximas
gerações merecem, merecem que o passado não seja deslumbrado apenas em uma
pintura de Jean-Baptiste Debret.







