sexta-feira, 13 de setembro de 2019
Analise do espetáculo A hora da Estrela por alunos da ESMATE
Quando cheguei na Casa de Cultura não sabia o que esperar. Um elenco
grande, formado principalmente por atores que experimentavam o palco pela
primeira vez, me encheu de memórias sobre a peça de 2018, Lendas. O que mais
diferencia essas duas apresentações, acredito ser a idade dos atores. Desta
forma, minha maior curiosidade era de ver homens e mulheres já adultos
procurando a arte com tamanho interesse. Não são mais crianças tentando equilibrar
lazer com aprendizado ou jovens experimentando tudo o que a vida lhe oferece de
novo. Aquele elenco já tinha uma bagagem de vida maior, mais vivências e mais
com o que se preocupar, por assim dizer. Então, a curiosidade em saber o por
quê eles estavam ali e o que estavam dispostos a fazer pela arte me encheu de
expectativas.
A
casa estava lotada. Compartilhei com meus colegas a alegria em ver o público
enorme que iria prestigiar o teatro seja por causa dos parentes, seja por
amizades ou, quem sabe, por gostar de teatro. É sempre emocionante ver pessoas
novas sentadas nas cadeiras e, mesmo que no fim tenham ido apenas aquela vez,
talvez elas escutem e vejam o necessário para que saiam de lá com um pensamento
diferente.
Outro
momento que me chamou a atenção foi quando o aviso gravado de Cléber terminou e
um longo silêncio se estendeu. Foi hora de pensar se algo de errado aconteceu
ou se estavam preparando para nos dar um susto do nada. Apesar dessa
inquietação, não se escutou nenhuma conversa na plateia. Naquela hora me
perguntei se era isso que o Grupo Maschara havia modificado nas pessoas de Cruz
Alta. Aquele silêncio, sem nenhuma conversa alta, com olhares atentos e
ansiosos sobre o palco escurecido, nenhum movimento com pum da cadeira.
Respeito, pensei. Apenas respeito.
A
peça começou com energia, luz e cor. Como não conhecia nada sobre a história
base, fiquei deveras confusa. Aquele radialista era uma pessoa real narrando
uma rádio novela? No fim o comparei ao Corifeu em uma tragédia Grega, pelo fato
dele narrar a história, interagir razoavelmente com os personagens, estar em um
outro plano visual e aparentar sempre saber de toda a trama.
A
tia de Macabéa, aparecendo no início da peça e retornando mais para o final, vi
que emocionou uma parte do público, mas senti falta que ela mesmo se emocionasse.
O nervosismo aparece se pensarmos que temos que seguir as marcações, falar
alto, ficar na luz e ainda assim sentir a cena. Minha dica particular seria que
ela olhasse bem nos olhos de sua colega de cena, Kauane, principalmente durante
as falas. Dessa forma se estabeleceria uma conexão entre atores e personagens
que resultaria em um grande achado na cena do beijo na testa.
As
moças que moravam junto a Macabéa eram compostas de uma atriz com muita experiência,
outra que já havia subido ao palco em outras oportunidades e uma nova que até
então não conhecia. Esta por sua vez não ficou para trás e não destoou do
resto, garantindo a atenção e mostrando bem a personalidade de sua figura.
Alessandra Souza, com sua personagem pessimista e reclamona me lembrou de
muitas pessoas e quase vi minha própria companhia se virando para mim e dizendo
"Olha lá, se não é o fulano". A uma determinada altura da peça você
acabava criando uma engraçada pena da personagem. Martha Medeiro, sim arrancou
ótimas risadas da plateia. Com uma personalidade ao meu ver inocente e
convicta. Acredito, porém que na cena quase muda dela com Macabéa, quando esta
está ouvindo distraída o rádio, ter levado mais tempo falando sobre a bíblia ao
invés de brigando com a garota teria sido mais proveitoso. Outro detalhe que
talvez deixasse ela mais engraçada seria se não houvesse empurrões de sua
parte. Ela chacoalhar Macabéa quebrava um pouco a convenção de que as duas
estavam em mundos diferentes.
A
dona do lugar era uma das que mais falava alto entre o elenco de novos alunos,
o que ajudou muito para mim que estava sentada no fundo da Casa de Cultura. No
entanto, faltou força na personagem. Não me pareceu que ela conseguiria acalmar
aquelas três mulheres apenas com sua presença. O leque funcionou bem para ajudá-la
a ganhar recursos, talvez tenha lhe faltado alguns ensaios apenas. O que
prejudicou também o momento em que ela escolhe uma das moças para ser a sua
protegida. Não entendo bem o por quê dessa atitude justamente para com ela.
Houve
vários momentos de falas sobrepostas umas nas outras, um deles foi na cena do
pipoqueiro, o qual falava tremendamente baixo. Sua figura passava a sensação de
ser frágil, velha e lenta, mas isso escorreu para a voz. Uma pena, pois em
questão de força presencial ele estava ótimo. A cena acontecia sobre a luz
agitada e interessante, mas quando aquele vendedor de pipoca entrou não
consegui tirar meus olhos dele, esperando para ver suas reações sobre tudo o
que estava acontecendo.
Eliani
e Romeu me impressionaram. Ver a mesma atriz que fez a esposa de Cézar durante
a Paixão de Cristo, fazer aquela mulher tão despojada, sexy, ousada e malvada,
deixou-me atônita. O mesmo digo de seu colega de cena, que exalava energia e
presença, esperneando pelo palco jogando folhas para todos os lados. Um belo estereótipo
de chefe. Os dois interpretaram com tanta maturidade, sem mostrar nervosismo na
cena mais "ousada" ou fazendo as pressas apenas para se livrar da
marcação imposta. Acredito que Teatro é doação e, na Hora da Estrela, esses
dois se doaram muito.
Eliani
criou gestos que deixou sua personagem sempre interessante. Utilizando de
vários achados em momentos diferentes e não apenas se contentando com sua
divertidíssima risada.
Douglas
dá para se dizer que estava bem "Douglas". Apenas características
como um modo de falar diferente o destoavam. Acredito que serviu perfeitamente
para ele aquele personagem, todo o seu jeito naturalmente engraçado de ser
garantiu longas e boas risadas de todo o público. Nos fazendo realmente acreditar
que aquele homem era o par perfeito para Macabéa e seria sua salvação no fim.
Ele fez parecer que o personagem surgiu facilmente, mas acredito que sempre
quando temos essa impressão significa exatamente o contrário.
O
que dizer agora daquela Marilyn Monroe interpretada por Vagner Nardes? Este
ator estava tremendamente inteiro em cena, se tinha preocupações não transmitia
isso. Ela dançava sobre o palco e andava feito uma ilusão da noite. Uma
personagem que acredito ser muito querida por nosso ator e que ele a abraçou
com vontade. Não soube dizer se ela era apenas da imaginação de Macabéa ou se
seria algo maior, devido ao contato com o radialista. Renato também estava
completamente mergulhado. Um personagem que poderia sim ser feito com sua própria
forma de ser acabou não pendendo para esse "fácil" e deu origem a uma
figura única, divertida e poderosa.
Uma
das certezas que tinha era de que Kauane estaria bem em cena. Ouvi falar de seu
tremendo esforço para carregar o nome de Macabéa e, após sua atuação como Musa
Inspiradora em Esconderijos do Tempo, eu criei ansiedade para vê-la como
protagonista.
Ela
permaneceu em cena praticamente toda a peça e despertou a curiosidade em mim
como plateia. Quem era essa figura a minha frente? Novamente sem nenhum
conhecimento prévio sobre a obra, Kauane nos deu a sua Macabéa. Uma garota
avoada, solitária, perdida e sem propósito aparente. Sua miséria tocou a muitos
e me arrepiou em várias cenas, como a do batom, por exemplo. Todavia, como um
protagonista não consegue brilhar sozinho, o fato de não conseguir se apoiar
para com atores mais experientes e na verdade ser esse ator de apoio, deixou
Macabéa um pouco mais apagada.
As
cenas eram compridas e divertidas, muito diferentes uma para a outra, com
ritmos e propósitos diferentes. As cenas entre Douglas e Kauane pareciam tão
naturais e interessantes, mesmo com um texto comum e uma certa repetição
divertida de desentendimento entre os dois. Eu sempre queria ver um pouco mais
da relação dos dois e posso dizer que fiquei chocada com a traição.
Já
esperava que utilizassem de efeitos de luz e som para ajudar na criação dos
climas, mas isso não quer dizer que eu não tenha me encantado mesmo assim.
Sobre esta perspectiva, claramente minha cena favorita foi a dos médicos.
A
sensação de claustrofobia, o medo que Macabéa sentia e passava para nós, a
ansiedade deixando nossos corações acelerados, a cena dos médicos robotizados
mal me deixou piscar. Aquelas figuras passando de um lado para o outro no
escuro, falando juntas e mexendo com nossa personagem principal me fez encolher
em minha cadeira.
Ricardo
interpretava o médico principal e estava ótimo com sua tensão corporal. Não
estava relaxado, mas também não pareceu forçando cada parte de seu corpo para
garantir uma tensão sobre-humana. Uma figura que mesmo aparecendo por poucos
minutos, trouxe inúmeras críticas e se gravou em minha memória.
A
cigana interpretada por Cléber fez muito bem o seu papel. Acredito que uma
personagem como aquela teria poder e recursos para tomar o palco todo para si,
arrancando toda a atenção de Macabéa. No fim senti que estavam ambos estavam
bem balanceados.
A
cena final me deixou com tantas interrogações no rosto que mal poderia citar
todas. Gabriel Giacomini estava um verdadeiro "homem dos sonhos". Uma
chama de esperança para o final feliz que não aconteceu.
Não
entendi bem se os personagens que vinham um por um conheciam ou não a moça
morta no chão. Uns interagiam com ela como se a reconhecessem, enquanto outros
não. Antônio apareceu nesse final, apenas para mostrar aquele lado sujo e
triste da vida. Acredito que ele aparecer exatamente naquele momento, quando
toda a plateia esperava alguma explicação, alguma boa notícia, destruiu
qualquer boa esperança nossa.
Um
ótimo fechamento de história, completamente inesperado por minha pessoa, mas
como disse não compreendi vários quesitos. Isto, no entanto, é um dos fatores
que mais adoro no teatro. O caminho para casa foi cheio de questionamentos e
debates para com meus acompanhantes. Cada um se emocionou em um momento, cada
um tinha uma ideia sobre o radialista, sobre a Macabéa, sobre a srt. Monroe e
sobre o garoto loiro de terno.
Estou
deveras impressionada com todo o elenco, sem exceção de ninguém. Extremamente
feliz por ter assistido a essa peça e de poder dar minha opinião particular.
Agora apenas podemos esperar para a apresentação a seguir e prestigia-los
também.
quinta-feira, 12 de setembro de 2019
860 -Infância Roubada - (tomo 01)-Pré-estreia no Palacinho
Grandes Atores
"As boas ações ficam bonitas no jardim de infância. O teatro é o lugar da gangrena"
"As boas ações ficam bonitas no jardim de infância. O teatro é o lugar da gangrena"
Haviam boas exposições gangrenosas sobre o pequeno palco da ESMATE nessa quarta-feira a noite (11/09). Um espetáculo não irá realmente mudar o mundo, mas ele precisa gerar ondas no lago, ele precisa despertar pensares que podem ser estopins para coisas grandes começarem. A direção de Infância Roubada vem construindo essa obra há mais de dois anos, um espetáculo que em primeiro momento parece muito simples. Não há cenários, grandes iluminações, há um minimo de adereços, e uma premissa cristalina: Dor! A dor humana que parte do desentendimento, do vazio, da solidão. Trabalho de ator, e para isso Cléber Lorenzoni elencou uma equipe imensurável, que nos deu interpretações quentes, realistas, dolorosas, corretas. Renato Casagrande e Alessandra Souza atores hercúleos do Máschara, que ao lado de Cléber tem vasto conhecimento na faina teatral. Os três divididos em núcleos, onde desdobram-se ou agregam-se três aprendizes: Stalin Ciotti (ator de criação delicada, sutil e detalhista), Kauane Silva (com seus estonteantes olhos de ressaca, uma força atrativa à nós meros mortais) e ainda Laura Hoover (forte, intensa, dramática). Os três juntos apontam caminhos e dão significado ao futuro do teatro do Máschara. Para completar o rol de forças humanas sobre o palco, três atores convidados: A deliciosa Eliane Aléssio, que vem se destacando comumente desde o Auto de Natal II (dez/2018), Laura Heger, que deu sua mordida de talentosa atriz ao interpretar Toninha em O Hipocondríaco (agos/2019) e Felipe Padilha, que está a espera de seu grande momento que certamente virá em breve.
Nove forças sobre o palco, nove vidas, que se entrelaçam e sofrem influencias indiretas umas das outras. O palco é o cosmos inteiro e dentro dele habitam Nice, Tânia, Rafa, Flávia, Cesar, Cão, Teco, Emily e o espectro de uma boneca que pode muito bem ser a infância perdida ou roubada de todas aquelas pessoas.
Logo na primeira percepção, a boneca que entra no palco dançando nos toca pela semelhança com o brinquedo no chão, Kauane está perfeita e pode brincar ainda mais com a leveza versus rigidez da personagem. Não compreendi o fato da personagem do Cão atacar a menina e depois a boneca, a direção precisa optar por apenas um signo. As cenas são bastante curtas, podem ter mais silêncios, pausas. Alessandra Souza por exemplo pode ser mais cricri, faladeira, a ponto de Dona Flávia não suportar ouvi-la; Laura Hoover precisa cuidar para ser mais dengosa com Nice do que malvada. É uma barreira bem tênue. Felipe Padilha precisa parecer um menino de rua, mais revoltado, mais marrento. Na verdade ele tende a crescer e se tornar um cão, esse é o ciclo sem fim.
Eliane Aléssio compõe muito bem a esposa que está presa em um casamento infeliz. Penso que na cena com Nice possa ser ainda mais perua, falando de planos e sonhos enquanto a empregada passa mal. Cléber Lorenzoni na cena da rua pode sentir mais repulsa com a travesti, peitá-la mais, talvez até mostrar a arma que carrega. Isso seria chocante e levantaria a questão do armamento.
Laura Heger tem uma leveza linda na cena, e deve buscar dentro de si as memórias para compor a dor da menina. Na cena da travesti compreendo que Renato Casagrande queira mostrar a destruição interna de Tânia, mas não fica legal tirar os sapatos. Tudo está no rosto! Alessandra Souza compõe muito bem a cena final ao lado de Stalin e das outras personagens da família. Na hora do tapa, o terror precisa percorrer todas as personagens. Heger e Padilha precisam sofrer muito, talvez gritar, Felipe poder se avançar e Stalin segurá-lo pela blusa. Enfim, coisas da direção.
O crescendo do pai e da mãe nas cenas com Rafa precisam ser maiores para que essa ultima possa construir as reações mais fidedignas, Laura usou muito de sua emoção, agora pode trabalhar o cênico. Usar mais a musica. Outro detalhe importante é não esquecer que há um bebê dentro de seu ventre. Valorize isso! A discussão com Cão na rua me comoveu muito, usuários de drogas não são vagabundos ou marginais, são doentes, que precisam de ajuda.
Encantadora a cena em que Lólli dança com Flávia. Ali o lúdico se estabelece. A infância que ficou para traz... Outro momento muito lindo é a empregada abraçada em Flávia. Nice precisa ficar bem alta para Dona Flávia apoiar-se em seu braço. Acalentar-se. A maquiagem de Stalin Ciotti é interessante, provavelmente em um lugar maior surtirá também um efeito melhor.
Amo teatro intenso, Almodóvar, a dama Irlandesa, ou mesmo o melodrama., amo atores que entram no palco pelo tudo ou nada. A equipe técnica que muitas vezes são os próprios atores, precisa ter mais cuidado com entradas e saídas da linda trilha. Calma. O público não pode perceber que uma musica está entrando. As vezes mais sensibilidade na percepção das emoções sobre o palco. Por exemplo, quando Laura entrou em cena para impedir o suicídio do pai, a musica foi retirada tão de súbito que eu me desconcentrei. A musica precisava embalar a cena, permanecer e ir sumindo em meio a discussão.
Emocionada também com o instinto da atriz que interpreta a boneca. Sua queda quando Rafa cortou o braço foi tão linda como se uma boneca de porcelana estivesse caindo e se quebrando. Parabéns às sutilezas do espetáculo.
Uma pena as Lauras, Ciotti e Padilha terem pisado na palavra Esperança no agradecimento. O elenco posicionado atrás da palavra é tocante, pisando nela não.
O melhor: As emoções intensas que um espetáculo como esse podem provocar.
O pior: O espaço apertado atrapalhando a grandeza de alguns atores.
Alessandra Souza (***)
Kauane Silva (***)
Eliane Aléssio (**)
Stalin Ciotti (***)
Laura Hoover (**)
Laura Heger (**)
Felipe Padilha (**)
Gabriel Giacomini (**)
Maria Antonia Silveira Netto (**)
Henrique Lanes (**)
Clara Devi (***)
Kauane Silva (***)
Eliane Aléssio (**)
Stalin Ciotti (***)
Laura Hoover (**)
Laura Heger (**)
Felipe Padilha (**)
Gabriel Giacomini (**)
Maria Antonia Silveira Netto (**)
Henrique Lanes (**)
Clara Devi (***)
A Rainha
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
Olhar crítico sobre A hora da Estrela
O espetáculo apresentado no dia 1° de Setembro, na casa de Cultura
Justino Martins, era uma adaptação do livro da escritora brasileira Clarice
Lispector, “A Hora da Estrela”, escrito e lançado em 1977. Conta à história da
Jovem Macabêa, Alagoana de 19 anos, e suas desventuras.
O grupo teatral Maschara carrega com ele uma história muito rica, é um
grupo compromissado com o seu público, suas peças sempre nos cativam,
sempre nos interessam com suas trilhas sonoras, seus figurinos, seus atores e
seu diretor, este último domina sua arte! Cleber Lorenzoni foi diretor, ator,
iluminador, ele domina o espetáculo. Arrisco-me a dizer que vejo em “A Hora
da Estrela” um de seus melhores trabalhos como diretor. Junto a ele temos o
seu braço direito: Renato Casagrande e seu domínio de cena. Casagrande nos
conduz pela história, o seu radialista nos atrai e prende-nos do início ao fim.
Ainda Sobre os atores da Cia, temos Alessandra Souza e Ricardo
Fenner, atores do alto escalão do Maschara, mas que deixaram a desejar na
noite. Ela estava ali como uma boa atriz, seu volume era bom, sua presença
era boa, Mas não havia personagem construído. Ele com um personagem
inseguro, sua presença é de um grande ator, mas apenas isso não basta.
Gabriel mesmo com pouco tempo de palco consegue nos passar um
personagem muito bom! Agrada-me muito o ver passar à cena por varias vezes
antes de começar, assim como Douglas Maldanner e seu trabalho digno de
aplausos! Um dos melhores personagens da noite, seu carisma chamou a
atenção, Olimpico esteve ali antes de o espetáculo começar, uma excelente
construção de personagem, Maldanner está de parabéns pelo seu trabalho.
No Papel da protagonista: Kauane Silva. Um dos trabalhos mais bonitos
da atriz, ela nos entrega uma Macabêa doce, ingênua, vulnerável, Macabêa
está exposta a todo mal que o ser humano pode causar. Sua ingenuidade fez
com que a plateia se tornasse cumplice das maldades que sofrera, a rejeição
do namorado, o preconceito pelas colegas de quarto, a perda da unica pessoa
que se importava com ela, etc. Kauane esta viva em cena, ela é grande dentro
de uma personagem tão pequena.
A Noite era dos alunos da 10° turma em formação, tantos talentos no
palco! Vagner Nardes é um ator que nos enche os olhos, sua figura de Marilyn
é linda, encantadora. Eliane nos entrega uma das melhores construções, Gloria
nos conquista com seu carisma. A energia e entrega da atriz nos enche de
orgulho, Eliane assim como Olimpico, teve o público em suas mãos e é uma
atriz com um grande talento.
Martha Medeiro e sua fanática Maria da Penha:
Medeiro carrega em suas personagens uma sutil delicadesa, ela representa na
peça um dos pilares da nossa sociedade. A hipocrisia torna a personagem
mesquinha, e a jovem atriz constrói isso muito bem dentro de espetáculo.
As alunas Eveline, Leonir e Schu fecham o elenco feminino, as três nos
entregam bons resultados. É admirável ver a dedicação de Leonir, ver o quanto
estar no palco lhe fez bem, nos passa uma boa sensação, gostaria de vê-la de
novo em mais espetáculos. Aliás, o palco é sagrado, nele deve estar quem
realmente gosta de estar ali! Eveline compõe Maria da graça, esteve segura. O
arco de sua personagem não foi alcançado, mas Eveline nos mostra uma
grande evolução em seu trabalho. E por último temos a dona da pensão, Schu
com um ótimo volume, mas um pouco insegura em sua construção, ainda
assim, teve uma boa presença e fez um bom trabalho.
O trabalho de Romeu como seu Raimundo é bem construído, reflexo de
sua dedicação ao teatro, seu jeito de andar e falar, apesar de ser caricato,
encaixou muito bem na peça! Mas o mesmo deve cuidar sua voz, deve aquecer
mais a garganta antes de entrar em cena.
A delicadeza do Pipoqueiro
construído por Henrique também nos agrada, por mais que seu volume tenha
sido baixo. Seu personagem presencia uma das cenas mais triste da peça, e
perante aquilo, nos passa um pouco de esperança. Antônio esteve muito bem
em seu enfermeiro, embora deva levar mais a sério o seu trabalho, faltar
ensaios em dias importantes não prejudicam só a si mesmo, mas sim um todo.
Na parte técnica, devo confessar que fiquei muito feliz com Evaldo
Goulart e sua dedicação, é muito bom ver atores colocando a mão na massa,
esse é o sentido de uma equipe, todos trabalhando por um bem maior. A trilha
sonora foi muito bem escolhida, méritos ao diretor. Tenho certeza que “Tunel
do Amor” ficou na cabeça de muitos na plateia. A operação de Clara Devi foi
nervosa, quase colocando em risco o espetáculo, sonoplastia deve ser operada
com frieza. Os Figurinos estavam lindos, a composição de figurinos do grupo
sempre nos encanta. “A Hora da Estrela” vai deixar saudades, foi uma noite
linda de teatro. Os atores e alunos envolvidos estão de parabéns! Que mais
trabalhos assim sejam apresentados, o publico merece.
Análise da obra A hora da Estrela por alunos da ESMATE
Somos comunicadores, temos a missão de plantar uma semente de conhecimento na mente do espectador, fazendo germinar questionamentos e posicionamentos, que darão frutos positivos para o futuro da arte.
A turma nove da Esmate está cheia de novos talentos, é muito bom ver o desejo de fazer teatro que emana deles. Entretanto, não podemos nos dar o luxo de esquecer a técnica, ela é o que te torna brilhante em cena.
Chegando no espectáculo, fiquei com um misto de sensações por ver a casa cheia. Sentei bem na frente, pois não queria perder nada, minhas expectativas estavam nas alturas. Logo no começo, me incomodou o fato de Renato sempre dizer as primeiras palavras de suas falas no escuro, pois demorava para ascender a luz do holofote. Casagrande estava divino, volume vocal, domínio corporal, tudo que um ator com o seu tempo de teatro deveria ter.
Porém, senti falta da entrelinha do personagem, achei um tanto raso, ainda mais nos padrões de criações dele.
Já que queremos ser comunicadores, temos que aprender a trabalhar o volume e a clareza com que a frase é dita. Romeu Waier o tom escolhido te prejudicou, fez o público ter que se esforçar para compreender o que estava sendo dito. Quando o ator compõe um trabalho tão exato como Waier fez, se torna uma pena não conseguir entendê-lo. Martha Medeiro, tão jovem, dedicada, compôs uma personagem fora dos seus vícios corpórais e que arrancou risos da platéia.
Leonir Batista, Rick Lanes, Antonio Longue e Ana Claudia conquistaram o público de jeitos diferentes. Aproveitem mais o palco, digo isso no sentido de se jogar, "curtir como se a vida fosse acabar". Longue e Ana, faltas atrapalham os colegas.
Alessandra tem me preocupado de uns tempos pra cá. A atriz parece que sempre fica sem cartas na manga quando seus achares não dão certo. Contudo, tento não me preocupar, pois no fim das contas Alessandra sobe no palco poderosa.
Ricardo Fener, como membro do grupo Máschara e um dos anciãos, soube ser genero em cena e carregar uma grande crítica social como sua verdade. Douglas Maldaner me surpreendeu, o ator não demonstrou dificuldades com as falas, mas sim segurança e uma grande capacidade em cena. Quero ver mais desse lado de Maldaner.
Eveline Drescher, primeiramente, adorei seu sobrenome (sempre quis ter um nome difícil). Em segundo, eu sou amante das garotas malvadas, queria muito que sua maldade tivesse me feito levantar da platéia e ter começado a amar te odiar. Acredito que seu tempo trabalhando com jornalismo te deixou segura do que estava fazendo, você é uma ótima comunicadora e espero que continue no teatro. Eliane Aléssio é outra estrela desse espetáculo que me surpreendeu. Quando vi você em cena não consegui lembrar que foste tu que interpretou a Claudia, mas também você evoluiu tanto, nem quis me lembrar para não atrapalhar a contemplação. Aléssio descobriu uma veia cômica que deu mais vida para a personagem.
Vagner Nardes o novo garoto prodígio, sempre que vejo Nardes em cena fico me questionando - "Será talento, técnica ou uma soma dos fatores". Não entendo seus motivos para se afastar do grupo. No entanto, digo que você seria um grande achado para o Máschara. Cléber é impressionante ver o quanto o público fica nas suas mãos sempre que está em cena. Finalmente, Kauane Silva, Macabéa! Kauane eu tenho uma admiração por você, sempre me transmiti a ideia de que está ali de corpo e alma, seja para fazer o som, a atuação, ou até mesmo ambos no mesmo espetáculo (assim como nas Lendas). Você viveu o que Macabéa passou, sentiu as dores no corpo e morreu com a alma do personagem. Meus parabéns pelo protagonismo, seu diretor fez uma boa escolha.
Com o passar dos anos da Esmate, me atrevo a dizer que este é o seu momento de ouro. Que cada vez mais pessoas queiram fazer arte, precisamos de arte, o mundo está tão caótico que nesses momentos o que a Esmate e o Máschara fazem são nossas boias de salvação.
Com amor, a Arqueduquesa
sábado, 7 de setembro de 2019
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