domingo, 23 de outubro de 2022

Os Saltimbancos (2012) - Rosário do Sul

 

                        Como nossa tradicional Crítica não pode estar conosco durante apresentações nas escolas de Rosário do Sul durante o Em ceninha, eu vou colocar aqui um compilado resumido de ideias sobre o que vi e o que espero ver crescer em Os Saltimbancos.

                         Para mim, sempre é o momento de melhorarmos nosso trabalho, melhorarmos nossas interpretações, melhorarmos a comunicação com o público. O espetáculo Os Saltimbancos foi montado, concebido, em 2012. É um dos trabalhos mais comercializados por nosso grupo e de uma forma fácil, logisticamente falando, leva o teatro a todos os tipos de palcos.

                           Quem ganha é o elenco: Alessandra Souza, Nicolas Miranda, Renato Casagrande e eu mesmo, já que a cada nova inserção do trabalho, aprendemos mais, descobrimos mais os públicos e desvendamos em nós mesmos, novas linguagens. Os espetáculos teatrais, em sua maioria, estreiam com pompa e circunstância, em teatro, palcos, com iluminação, enfim, com todo o aparato técnico necessário. No entanto, esses espetáculos acabam por se prostituir quando precisam tomar as ruas. Quando precisam sobreviver. Em pátios de escolas, em cima de caminhões, nas ruas... Sem iluminação, com substituições muitas vezes inferiores ao trabalho do interprete original.

                           Esse infelizmente na maioria das vezes é o caminho do teatro. Mas é importante reconhecer que ainda assim, ele é indispensável. Ainda que as gotas que cheguem aos palcos alternativos sejam desidratas quando comparadas às estreias.

                            Para meus colegas atores, faço um pedido: -Ainda que não haja camarim, ainda que o palco seja a terra, que tenhamos o sol queimando nossas cabeças, sigamos! Tenhamos amor e respeito por todos os públicos e usemos os dons que recebemos: comunicação  e ciência, e sigamos, levando a arte.

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

FESTEATRO

 Um festival com a cara de Cruz Alta, 

Não foi fácil percorrer todo o circuito que os organizadores do FESTEATRO propuseram ao publico de Cruz Alta durante tres dias, incluindo praças, escolas e ruas. Até por isso, perdi uma das apresentações, o que me deixou muito chateada. Eu aprecio teatro em todas as suas linguagens e nuances. Durante muitos anos tenho acompanhado o Máschara, e agora ver esses meninos conseguirem fazer de Cruz Alta, uma capital do teatro por tres dias, é de uma alegria indizivel.  Como diz nosso querido diretor: Teatro não é para se gostar ou não, teatro é para pensar, refletir, inspirar...

Gostei de ver outros teatros! Muito me inspirei, com tantos palhaços voltei a ser menina, não havia nenhum pum, para desgosto da querida Regina Duarte, mas havia vigor, havia sagacidade, havia a pequenez humana, tanto que atraiu os tais bufos das ruas. Teatro totalmente inclusivo, democrático... Palhaços e poetas. Alguns com maior domínio, outros com menor. Talvez no afã de fazer um grande festival, com linguagens variadas, tenha faltado um pulso firme que peneirasse alguns espetáculos que talvez estivessem muito aquém de outros. De qualquer forma, a nível de arte, tudo é bem vindo na colcha de retalhos do palco. 

A rua como palco, é velha conhecida do artista, no entanto ela sempre sofre certo preconceito quando comparada com o tablado de madeira, O ator de rua parece inferior, afinal ele se expoe na intemperie, muitas vezes é desqualificado por quem passa, interage com os caes da rua e com os moradores das valetas mais paupérrimas. 

Há no ator de rua, um desapego encessário e ainda uma solidão voluntária. Mas o palhaço é grande, a fala ecoa, e quem se sente mencioando foge para a imensidão. Malas, triciclos, pernas de pau, microfones, cornetas e até o poderoso acordeon. Tudo a serviço do interprete. 

Os debates foram conversas agradáveis, por vezes, superficiais, pois poderiam ter auxiliado de forma mais expecifica alguns grupos. E que dizer do cortejo do sábado? Vida! Vida! As ruas de Cruz Alta com cara de cidade grande. 

Para encerrar, Esconderijos do Tempo, vida e obra de Mario Quintana. Poesia e grandes interpretações por conta do grupo anfitrião. 

Parabéns FESTEATRO, enquanto público eu agradeço por mais e mais arte.


A estréia da atriz Laura Hoover como Lili em Esconderijos do Tempo


 

terça-feira, 18 de outubro de 2022

1066-Esconderijos do Tempo (tomo 92)

 Sempre um clássico...


                                                              Os clássicos são livros que, quanto mais pensamos conhecer por                                                                   ouvir dizer, quando são lidos de fato mais se revelam novos,                                                                           inesperados, inéditos. Naturalmente isso ocorre quando um clássico                                                           “funciona” como tal, isto é, estabelece uma relação pessoal com quem                                                            o lê. Se a centelha não se dá, nada feito: os clássicos não são lidos por                                                              dever ou por respeito mas só por amor. (Calvino, 2002: 13). 


O texto de Esconderijos do Tempo, não foi escrito por Mario Quintana, mas por Cléber Lorenzoni. Abusando é claro das capacidades poéticas de Quintana, o dramaturgo criou uma narrativa, uma sequencia lógica de sentido muito claro. O espetáculo quase poderia ser chamado de: as mulheres de quintana, tamanho é o brilhantismo das quatro atrizes que o cercam. A estreante Laura Hoover, encantadora como Lili, a jovem Clara Devi, descobrindo aos poucos sua Glorinha,e ainda  as formais, Dulce Jorge e Alessandra Souza.                                                                              

Quando observo a carreira de uma atriz, costumo dividí-la em quatro momentos: O ovo, que corre ambiciosa por ganhar papéis, qual traça devoradora. Nessa época ela pouco aprende do teatro ou dos grandes textos, ela quer quantidade. Não ouve muito os diretores, ou colegas, quer apenas olhar para dentro de si... Logo depois chegamos a larva, um momento interessante em que a atriz começa a perceber que há algo mais, a dar triangulação às suas personagens. Na fase crisálida, a atriz começa a se preocupar com qualidade, com o que está fazendo sobre o palco. O que ela diz passa a ser o mais importante. Finalmente Borboleta, quando ela sobrevoa, transcende e se tornou uma atriz. Generosa, honesta com sua profissão, ciente de suas capacidades... Qual sua fase?

Sobre o palco também dois atores conhecidos. Renato Casagrande e Fabio Novello. Bons volumes, boas gags. O som do teatro no entanto desiquilibrado... Nessas situações é preciso que o elenco pese prós e contras. Talvez Renato Casagrande ou Fabio Novello devessem ter se preocupado mais com a técnica e ficado de fora do espetáculo, afinal quase que tudo foi perdido. Um espetáculo tão lindo, deveria ter seu aparato técnico mais respeitado pelo todo.

Esconderijos do Tempo é uma aula de teatro, uma pintura, uma poesia, uma musica aos ouvidos. MAs é um espetáculo delicado, que com qualquer exagero ou preguiça, pode desabar. O mais curioso é que com tantos artistas palpiteiros, cheios de verdades, afinal é um grupo com trinta anos de historia, alguns não tenham dominio sobre suas cenas ao menos. 

A escolha de Dulce Jorge e Laura Hoover em fazer seus bifes em frente ao banco cobrindo Mario Quintana, não foi a escolha mais correta. Alessandra Souza esteve muito bem, mas aconselharia a atriz a voltar a trabalhar o corpo, é onde está deixando a desejar. Nós todos estamos envelhecendo, e a cada passo da caminhada, perdemos coisas, essas "coisas" farão falta em nossas cenas. 

A escolha da equipe foi por uma geral branca, que praticamente impediu mais equivocos, mas em um espetáculo tão delicado a iluminação pontual fez falta. Necessário ensaiar com a luz!

Para encerrar, toda a minha consideração com esse diretor que se esforça em fazer um grande trabalho, mas que parece lutar contra uma enchurrada de pequenos ques.


O melhor: A genialidade de um espetáculo imortal-Um clássico.

O pior: A triste resiliencia preguiçosa de alguns artistas que se contentam em fazer o que parece ser um grande esforço, mas que na verdade, pode ser a receita do frascasso.

Cléber Lorenzoni (**)

Renato Casagrande (**)

Fabio Novello (***)

Dulce Jorge (como atriz fundadora e professora de todos nós, suas avalição não será revelada)

Alessandra Souza (**)

Clara Devi (**)

Laura Hoover (**)

Antonia Serquevittio (*)

Vitoria Ramos (**)

Ellen Faccin (todo o nosso agradecimento pelo apoio)




segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Camilo de Lélis ao lado de grupo de Timbó/SC


 

Melhor Ator Infantil - Paulo Carneiro - Curitiba

 


Ao lado do ator Jairo Klein - Festeatro


 

Arte nas ruas


 

Carol Guma, atriz do Máschara ao lado de um de nossos artistas visitantes


 

Artistas e público


 

Palacinho do Máschara recebendo o teatro do sul do Brasil