sexta-feira, 21 de maio de 2021
terça-feira, 18 de maio de 2021
segunda-feira, 17 de maio de 2021
Coluna III- Arte é Vida
Iconoclastia?
Quem anda pelas ruas de Cruz
Alta, depara-se com dezenas e dezenas de monumentos, estátuas e obeliscos. Todos eles
representando momentos e legados importantes de nossos antepassados. Do
estadista Getulio Vargas, à mestra inesquecível Margarida Pardelhas ou ainda ao
compositor Carlos Gomes. Tais estátuas e monumentos nos lembram nossas raízes,
nosso heroísmo ou mesmo patriotismo. Algumas, tão antigas, talvez por falta de
revitalização ou ressignificação, parecem perder seu status, e até por isso,
sejam constantemente desrespeitadas, descuidadas e pior, vandalizadas.
Mas quanto tempo de existência
tem uma estátua? Uma homenagem póstuma, ou um obelisco? Por quantas gerações
perdurará a eternização de um legado, por quanto tempo elas deverão ser
mantidas entre nós? Nosso “patrimônio público”, deve nos representar, mas nunca
podemos esquecer que é a comunidade que decide quem sãos seus ícones.
Nos últimos meses ocorreram
pelo mundo todo, movimentos que derrubaram estátuas e incendiaram monumentos, pois eles estariam em
desacordo com os ideais de um novo mundo que vem sendo construído, onde
racismo, opressão, sistemas ditatoriais truculentos, não tem mais espaço.
Alguns desses ídolos estão inclusive sendo retirados das vias públicas e alocados em museus espalhados pelo mundo. Museu da escravidão,
museu do holocausto, etc..., lugares onde o passeio muitas vezes é chocante e
reservado à visitantes dispostos a emoções intensas.
A iconoclastia, aliás, mostrou
sua pesada mão sobre a imagem do Gaúcho na entrada da cidade de Cruz Alta, na
década de 70, arrancado que foi a laço, outrossim, nova estátua tem sido
julgada e debates lançados sobre sua eficaz presença em nosso dia a dia. Ora, precisamos nos questionar
nesse momento, quanto a contribuição dessa estátua em relação à nossa cultura,
ao olhar dos nossos turistas e a credibilidade que ela passa junto à nossa
história. O que não podemos é nos ressentir pelo fato de que tais estátuas
ficarão e nós... Passaremos.
Nós reconhecemos os nomes das
estátuas e ruas de nossa cidade? Nós reconhecemos quem são os supostos ídolos
de nossas cidades. Quais os projetos civilizatórios que nossas estátuas representam? Devemos nos perguntar,
devemos nos apropriar e principalmente devemos não esquecer o valor de homens e
mulheres que dedicaram suas vidas, em batalhas por liberdade, em ações
filantrópicas ou em ideias que melhoraram a vida de tantos. Olhemos para nossos
monumentos e por um instante que seja, reverenciemos seus legados.
sábado, 8 de maio de 2021
Coluna II- Tradição
Tradição
Tradição,
que significa ‘‘entregar’’ ou “passar adiante”, é a transmissão de costumes,
comportamento, memórias, crenças, enfim elementos passados de uma geração para
outra. Nesse ano em que Cruz Alta comemora seus 200 anos, a palavra de lei para
mim é “tradição”, é celebrar nossas lendas, nossas histórias, nossos costumes.
O orgulho em ser cruz-altense advém exatamente do legado que nossos antepassados
nos deixaram.
Um dos legados culturais de grande expressão, estabeleceu-se há quarenta
anos atrás. Recordo-me de muito pequeno acompanhar a tia que deu meus primeiros
passos na senda cultural, Ana Maria Lorenzoni Nicolodi às noites frias do maior
festival de música nativista do estado, único ininterrupto. A mateada ao lado
de fora do ginásio municipal, Seu Adauto Mastela Basso pilchado, a comissão
social de lenço encarnado recepcionando os convidados, ou ainda o “nêgo
Benedito” brilhando com dignidade entre os artistas visitantes. Ali, sobre o
palco, um pedaço ostentoso de nossa cultura, sendo honrado em prosa e verso.
No entanto, algo que desde muito cedo não me parecia fazer sentido, era
a tal “fase local”, que tinha um significado confuso. Os participantes se
classificariam para uma outra fase? E outra, por que haviam cruzaltenses na
fase geral? O que os distinguia da outra fase? Lembro-me de questionar muitos
artistas nativistas e organizadores do certame, que simplesmente desconversavam
ou me diziam que seria difícil me explicar.
Para mim, a fase local parecia diminuir e
não, valorizar os artistas locais, e fico muito feliz em saber que não haverá
mais fase local. Um acerto dos agentes da cultura.
É
necessário manter as tradições e em alguns casos melhorá-las. O que não se pode
é tratar a arte e a cultura com o simples gosto ou não gosto. Para meus alunos
sempre digo, não se trata de se fazer gostar, mas de inspirar, de propagar... Torçamos
que nossas tradições continuem firmes, respeitadas e cultuadas, que não sejam
banalizadas por interesses políticos ou por interesses de uns em detrimento ao
todo.
segunda-feira, 3 de maio de 2021
Coluna do Diretor Cléber Lorenzoni sobre Arte e Cultura no jornal Diário Serrano- toda sexta feira
Arte é Vida n° I
Nunca se falou tanto em arte e
cultura como nesse momento pandêmico, em que fechado em casa, o cidadão recorre
ao lazer e o entretenimento para suportar o estado de sítio a que está
exposto. Series, novelas, shows,
livros, exposições remotas, são o prato principal na mesa de todos. Do rico ao
pobre, a arte nesse momento é a maior aliada.
Mas por que então continuamos colocando arte e cultura no fim da fila?
Em detrimento a todo resto, o artista só é lembrado no momento do show, o
ultimo aplauso decreta seu esquecimento, pois logo depois parece estar sozinho
e por conta própria.
As pessoas no entanto sempre
buscaram dialogar com o mundo ao seu redor através da arte, tendo ali um espaço
profícuo para produzir e disseminar novas ideias. Assim sendo, nós vemos com
facilidade a arte por todos os lados, em grafites, arquiteturas de monumentos
públicos, músicos nos bares, artistas de rua, entre outros tantos meios. Porém
não basta olhar, é preciso ver, apreciar a arte, se permitir compreender as
intenções do artista e ainda produzir leituras e interpretações significativas
da obra.
A cultura enquanto somatória de
valores e costumes, é um jeito próprio de ser, estar e sentir o mundo, ‘jeito’
este que leva o indivíduo a fazer, ou a expressar-se, de forma
característica. Mas ser é também pertencer
a algum lugar, a alguma fé ou a um grupo, seja amigos, família ou povo. Eis aí
a força poderosa que dita comportamentos, desperta potencialidades internas do
indivíduo e fomenta sua interação com a tribo e interfere mesmo na saúde, na
medida em que o indivíduo se realiza como pessoa e expande suas
potencialidades.
Na contramão de tudo isso, temos a
indústria cultural, que seduz milhares de pessoas e investe em apenas alguns
segmentos, norteada na maioria das vezes por estatais, governos ou lideranças
que dada sua ignorância, decretam o que é ou não considerado cultural, baseado
muitas vezes em seus pontos de vistas retrógrados ou estreitos. A cultura de um
povo reflete sua maneira de pensar e produzir e está em constante mutação. A
exemplo da arte a cultura vai se metamorfoseando, novas formas de cultura vão
surgindo conforme a busca pelo conhecimento, e renovação das gerações vai se
dando. ARTE E CULTURA não são a mesma coisa, mas em nossas conversas frívolas
sempre nos surpreendemos colocando as duas juntas em uma mesma gaveta. Ora
quando acoplamos arte ao que é dito cultura, podamos da primeira, sua
característica de ousadia e inovação. Quando fizemos o contrário somando
cultura ao que vemos como arte, resumimos cultura a eventos, shows ou feiras. É
preciso alargar nosso olhar, historia, religião, gastronomia e um sem número de
outros setores se estende pelas veredas do que compreende a dita cultura.
E importante também não esquecer
que os povos evoluem através de mudanças significativas em sua cultura e as
mudanças acontecem rapidamente quando o clima político é de liberdade; caso
contrário isso se dá de forma mais demorada, mas essa demora dura apenas mais
uma pouquinho, afinal o artista tem seu pensamento livre, e graças aos deuses,
capaz de romper os grilhões da intolerância.






