quarta-feira, 4 de maio de 2022
quarta-feira, 27 de abril de 2022
terça-feira, 26 de abril de 2022
Performance Sitio do Picapau Amarelo
Tia Nastácia
Visconde de Sabugosa
Boneca Emília
Tia Nastácia: Bom dia Crianças, que bom que vocês chegaram,
com você aí eu já não fico tão sozinha.
eu já estava ia começar a preparar o desjejum dos moradores do sitio,
Dona Benta adora comer cuscuz, Pedrinho gosta de mesmo é de sanduiche de pão de
forma e a Narizinho se perde no bolo de aipim, aliás, daqui a pouco eles
aparecem por aqui.
Visconde de Sabugosa: Nastácia minha velha amiga, quais são
as novidades do seu fogão nesta manhã de segunda-feira?
Tia Nastácia; Senhor Visconde de Sabugosa sentiu o cheirinho
do meu tempero e veio logo me visitar.
Visconde de Sabugosa: Cheiro nenhum minha amiga, cheiro
nenhum. O que vi e ainda estou vendo são livros por toda a parte. Meu tempero
preferido são as virgulas, as exclamações e o delicioso abre aspas.
Tia Nastácia: (risada) Lá vem o Visconde falar
difícil.
Visconde de Sabugosa: Mas eu não falo, eu viajo pelas
entrelinhas, qual traça esfomeada que devora cada pedacinho das obras de uma
biblioteca.
Tia Nastácia: Que conversa é essa seu maroto, experimente devorar
os livros da Dona Benta e ela lhe arranca cada palha de milho que fizeram seu
corpinho.
Visconde de Sabugosa: Eufemismo minha cara, hipérboles e
metáforas. Mas hoje a estou achando tristonha.
Tia Nastácia: Não é nada, não é nada, apenas devaneios de
cozinheira.
Visconde de Sabugosa: Fale-me mais, divida cá com este
amigo.
Tia Nastácia: Às vezes me sinto um pouco sozinha, as
crianças vão ao Ateneu e eu passo o dia na cozinha.
Visconde de Sabugosa: Você precisa de uma companhia,
vejamos, quem sabe uma Auxiliar de cozinha.
Tia Nastácia: Cruz credo! Mexendo em minhas panelas? Nem
pensar, nessa cozinha mando eu.
Visconde de Sabugosa: Quem sabe um animalzinho?
Tia Nastácia: Não, não, não. Cruz credo, fazem sujeiras e
são barulhentos, e além do mais, de animalzinho basta o Rabicó.
Visconde de Sabugosa: Certo, certo. Ocorreu-me agora uma
linda história que deve estar perdida pelas estantes dessa biblioteca, escrita
pelo Florentino Carlo Collodi, sobre um menino de madeira que ganha vida.
Pinóquio!
Tia Nastácia: Vai querer que eu traga para a minha cozinha
um boneco de madeira? Cruz Credo, que ideia Visconde, que ideia.
Visconde de Sabugosa: Não minha cara, referia-me ao velho
baú de costura e seus talentos com retalhos e agulhas.
Tia Nastácia: O senhor quer dizer que do meu baú de costuras
vá surgir uma criatura para me fazer companhia?
Visconde de Sabugosa: Elementar minha velha amiga, mas não
uma criatura qualquer, que tal uma boneca muito especifica, de nome Emília.
Nastácia costura, Nastácia costura
Boneca de pano, boneca de pano,
Nastácia costura, Nastácia costura
Boneca de pano, boneca de pano.
Boneca Emília: Quem é
você, minha mãe?
Tia Nastácia: Não, sou sua tia Nastácia.
Boneca Emília: Se não tenho mãe, não tenho tia.
Visconde de Sabugosa: Uma boneca bem sabida.
Boneca Emília: E quem é este todo verde?
Tia Nastácia: É o Visconde de Sabugosa, um autêntico
Catedrático.
Boneca Emília: Para mim tem cara de aspargo.
Visconde d Sabugosa: Levemente petulante.
Boneca Emília: Petu... O que? Olha como fala comigo, ou
esparramo tuas espigas.
Visconde de Sabugosa: Vejo que está bem acompanhada tia
Nastácia.
Boneca Emília: Acompanhada coisa alguma, não fico aqui nem
mais um segundo, vou é correr pelo mundo.
Tia Nastácia: Mas que menina atrevida, mal lhe dei a vida e
já quer correr o mundo.
Visconde de Sabugosa: vejo que tem fome de vida, por isso
vou lhe dar uma dica, para conhecer o mundo não precisa avançar uma única
esquina, nem em um ônibus embarcar ou em um barco velejar. Olhe ao seu redor,
está no melhor lugar para sonhar, descobrir e conquistar.
Boneca Emília: Mas que lugar e este afinal?
Visconde de Sabugosa: Aqui vivem Reis, princesas e heróis.
Aqui apaixonam-se, lutam e conquistam, aqui chove, faz calor brotam as videiras
e gale-se a coluna, mas logo se aquece o coração com palavras de acalento e
gratidão.
Tia Nastácia: Puxa vida, o senhor falou bonito.
Boneca Emília: Vejo que o Sabugo é bem sabido.
Visconde de Sabugosa: Hoje é dia do Livro.
Tia Nastácia: e de Monteiro Lobato.
Visconde de Sabugosa: Em qualquer situação difícil o melhor
lugar para se estar é em uma...
segunda-feira, 25 de abril de 2022
sábado, 23 de abril de 2022
terça-feira, 19 de abril de 2022
1005 - -Paixão de Cristo (tomo 9) Crítica da Rainha
O encerramento de uma tournée como a Paixão de Cristo, abre novos olhares sobre o teatro, possibilita recomeços e incentiva novos artistas. Vamos então falar sobre a arte do ator, que é o teatro e como ela se divide em arte do dramaturgo, quando falamos do texto e arte do diretor, quando falamos de espetáculo. Até meados do século XX, somente André Antoine, aquele da quarta parede, havia realmente ocupado um espaço próximo ao que conhecemos como diretor. O encenador afastava-se da figura do ensaiador, já que aquele era apenas o agente criativo que, juntamente com o cenógrafo ou o músico, “planejava, organizava e executava o espetáculo teatral orientando os atores de acordo com uma tipologia de papéis. O encenador é que passou a pensar o espetáculo como algo que falaria ao público não só através do texto. O advento da cena naturalista, no final do século XIX, impulsionada pelo surgimento da fotografia, da luz elétrica, do desenvolvimento das ciências e o otimismo ideológico – para citar alguns fatores – favorece uma teoria mimética da representação. Esta teoria se funda na dialética da representação: há, de um lado, a aspiração à reprodução idêntica do real, e, de outro, as convenções sem as quais a reprodução não existiria (que devem ser transformadas, não ignoradas).
O diretor/encenador surge realmente com Artaud no século XX, e é uma figura importante no teatro moderno por interferir no modo como o espetáculo é concebido e na atuação dos demais integrantes do processo de criação. Ele pode assinar a concepção estética de um espetáculo e conduzir o processo ou pode intervir em questões pontuais como a direção dos atores ou, até mesmo, conversar com diferentes setores criativos, como a iluminadores, e cenógrafos. Contudo, um consenso encontrado e que determinará o uso da nomenclatura diretor/encenador ou somente diretor ou encenador, é que o encenador possui a função de conceber o espetáculo pensando na sua totalidade, unindo todos os participantes e suas criações, que podem ou não estarem subordinadas a ele, a fim de construir um todo que seja uma obra única. O encenador pode se deixar influenciar pelas criações dos demais integrantes do processo, quando possuírem uma autonomia para isso, modificando a sua concepção ou pode restringir os demais a alcançarem o seu ideal concebido.
Durante muito tempo viu-se o dramaturgo, como o maior merecedor da glória, O ‘textocentrismo’ fazia com que o dramaturgo fosse o principal componente do processo de criação, cabendo ao diretor e aos atores interpretarem da melhor maneira possível os elementos presentes na peça, transmitindo a intenção do dramaturgo.
Em a Paixão de Cristo, Cléber Lorenzoni é dramaturgo, diretor, ator, e capacitadamente envovle-se em todos os setores, e ainda prepara os atores que em sua quase totalidade são seus alunos. Somando-se a isso, o olhar de Lorenzoni sobre cada trecho do trabalho, eu diria que ele passeia por formas já buscadas por Meyerhold e Peter Brook. Ambos para suas experiências, precisaram de atores-criadores; ou como diria a atriz Angelica Ertel atores-pensante-atores. E é por isso que o "mestre" Lorenzoni desafia, testa, força, incentiva... Para que os atuais atores da Companhia emanem sua arte. Ora, o ensaiador e o encenador dos séculos anteriores, não importava-se nem um pouco com a arte dos atores. Queria apenas que cada um pronuncia-se com clareza o texto, e preenche-se visualmente os tipos necessários para os papéis, exemplo: Julieta jovenzinha, branca, delicada etc... Kaifaz, velho, levemente gordo, branco, etc... Lady Macbeth, branca, levemente jovem, sedutora, linda, etc...
O diretor contemporâneo busca talento, atração, força, mordida, garra, frieza (em alguns aspectos), respeito e amor pelo teatro, compreensão de hierarquia. Além disso, algo a dizer, é imprescindível que atores tenham algo a dizer. O problema é que alguns confundem o espaço de fala, acreditando que é somente através do texto que se fala. Não esqueçamos que muito é dito em um olhar, em uma composição corporal, em uma coreografia, em uma maquiagem...
Clara Devi vem também seguindo os paços de Cléber Lorenzoni e a metodologia do "palacinho", as vezes prejudica seu trabalho de atriz, colocando a parte técnica a frente. É preciso atuar e ambicionar aquilo que se busca, sem arriscar a vida no palco. A palheta de cores sobre o palco tem muito a ver com sua disponibilidade de dias e dias elencando tecidos e peças que estavam guardadas ou esquecidas. Na apresentação de ontem via-se seu amor e dedicação, em cada cena, quando tirava adereços, apoiava os colegas e brilhava (***).
Laura Heger sobe de status, mostrou que tem muito a dar ao teatro, um olhar doce para com todos, uma gigante em cena. As responsabilidades que assumiu poderiam colcoar em risco suas cenas, no entanto fluiu ainda mais (***).
Douglas Maldaner fez certamente um de seus maiores trabalhos em Paixões de Cristo. Cléber Lorenzoni exigiu-lhe muito e seu sacrifício teve sucesso, ao lado de Romeu, Eliani e Laura, fizeram a corte de Herodes mais poderosa das quatro edições(***). Ellen Faccin é o tipo de contrarregra que um grupo precisa. E embora alguém tenha me dito que ela está prestes a dar um tempo, eu aconselho-a a lutar. O Máschara passa por grandes transformações, é onde eu estaria se pudesse viver de teatro(***). A maneira como a profissional interage, fixando o olhar no diretor. De onde eu estava sentada nem via ela se mexer. Uma profissional.
Arte é Vida
A Rainha

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