quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Contos do vovô Erico - Episódio II - A vida do elefante Basílio

 Grandes idéias, poucos recursos...


                     ... Essa  talvez seja, a principal característica do terceiro teatro, o primeiro e o segundo se promovem através dos grandes patrocínios de estatais, empresas, governo, enfim... O Máschara sempre se destacou pela capacidade criativa, as soluções rápidas para fazer o que poucos conseguem fazer com o pouco que se tem. A franquia de contos do vovô Erico, carrega consigo essa necessidade de manter viva a arte em meio a pandemia, a necessidade do contato com o público. 

                       O trabalho de adaptação é algo muito delicado, como dissecar uma obra sem colocar em risco sua alma, e mais, como detectar a alma de um autor, dramaturgo, etc... O teatro sempre lida de alguma forma com as adaptações, afinal, o que vamos contar em uma montagem de um determinado texto não é o mesmo que outro diretor quis contar. Admiro por exemplo e muito o cuidado e trabalho que o Máschara teve com os grandes clássicos: Antígona, Tartufo e Macbeth respectivamente em 2000, 2001 e 2002. No entanto, em 2005, 2006, 2015 e 2019 a Cia. mergulhou em obras literárias, Verissimo, Quintana e Lispector. Eles ganharam vida através do olhar dos atores do Máschara, com suas impressões e reflexões. As vezes essas reflexões são tão ousadas que desagradam leitores ou fãs.

                      A obra infantil de Erico havia sido visitada em 2005, e o trabalho que levou o nome de O Castelo Encantado, parecia um pot porri que acaba por ter um sentido em si próprio, ou seja, não era a obra infantil de Verissimo, era uma nova historia à partir do escritor. Erico. O que conhecemos ali são diversos personagens em uma colagem, uma colagem que nos conta uma nova historia. 

                        Nos contos do Vovô Erico, Lorenzoni decide contar separadamente cada historia, embora, una todas as obras através dos contadores. Contadores esses que aliás se comunicam muito bem com o público. Renato Casagrande, Cléber Lorenzoni, Alessandra Souza e Clara Devi se comunicam de forma muito verdadeira e persuasiva, algo que eu chamaria de presença e que não é fácil de se adquirir. 

                          A primeira parte toma forma de contação de historia, o que aprecio muito, mas credito que ali,  Alessandra e Clara poderiam ter investido mais em suas criações. Renato Casagrande surge como o malvado dono do circo e Souza está impagável como o gnomo de cavanhaque magenta. Clara Devi nos apresenta a menina criada por Lorenzoni para ser a interlocutora do drama de Basílio. Seu nome, uma homenagem a filha de Verissimo, Clarissa, pena que a dicção da atriz tenha transformado em Clarita. Ora, corpo, voz e expressão precisam ser um só! 

                          Cléber Lorenzoni triangula muito bem como Basílio e as soluções encontrada pela edição, solucionam o espaço de filmagem que se tornou imenso na tela. Basílio quer ser uma "barbuleta" , Erico se torna extremamente contemporâneo, atual. "cada um pode ser aquilo que quiser". A solução não ficou muito bem resolvida, no palco ela funcionava, mas o lúdico ou cênico no tempo do cinema, é diferente do tempo do teatro. 

                           Penso que há alguns problemas de edição que não vi no primeiro vídeo, como a voz desencontrada da ação labial dos artistas, o fundo vermelho estourado, mas como já disse na crítica anterior, são detalhes que surgem na busca de um novo jeito de fazer arte. Quem erra tentando fazer seu melhor merece toda nossa compreensão. 

                           O lúdico fica a cargo do teatro na tv. Não se trata de cinema, se trata de teatro filmado. Isso é importante ser mensurado, principalmente pela grandeza do projeto. O público, acostumado com o cinema ou outros programas de tv, não tem mais contado direto com o teatro. No entanto a linguagem cênica do teatro, onde as coisas se transformam em nossa frente... Um ator sobre as costas de outro vira um elefante, uma atriz de joelhos é uma criança. Enfim, uma linguagem necessária para o mundo infantil.

                           Indico aos atores que cuidem a pronuncia, a dicção e a continuidade. No mais, orgulhosa com tanta entrega.


                           A vida do elefante Basílio

                                    

O melhor: A comunicação dos atores com a câmera

O pior: A falta de dicção em alguns momentos.


                                    Direção : Cléber Lorenzoni

                       Roteiro: Cléber Lorenzoni

Edição: Renato Casagrande

Iluminação: Alessandra Souza e Renato Casagrande

Figurinos: Clara Devi

Caracterização: Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande

Direção Geral: Cléber Lorenzoni

Elenco:

Cléber Lorenzoni

Renato Casagrande

Alessandra Souza

Clara Devi - (**)



Arte é vida


A rainha




Dia de homenagear o ator Stalin Ciotti

 

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Contos do vovô Erico - episódio 1

Teatro em TV

                       Aguardava ansiosa por mais uma das deliciosas loucuras do Máschara, tenho aliás, assistido calada várias ações que esses famigerados têm fabulado para que o teatro mantenha-se vivo. Não sei ao certo de quem partem essas ideias transloucadas e que acabam sempre funcionando, mas creio que Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande tomem a frente nesses intentos cênicos e criativos. Há de se reinventar sempre, essa é a principal premissa do artista. Do bom artista. Ainda em duas ou três semanas atrás (essa pandemia parece nos roubar a noção do tempo), assistíamos à fragmentos de Shakespeare, interpretações riquíssimas ainda que engatinhando nesse novo jeito de fazer teatro. Abrir mão do palco, do público, da contação de historias, deve ser muito doloroso para quem nasceu para isso, por isso mesmo vi olhinhos brilhando, e me senti, acreditem, em pleno teatro. Não vou aqui me aprofundar nas lives, mas preciso parabenizar os artistas que mergulharam em grandes papeis de Shakespeare. Alguns são alunos e precisam visivelmente de mais estudo, mais aprofundamento, mas sua garra, ah! não há como não se emocionar. 
                            Fiquei sabendo há alguns dias que o trabalho no palacinho corre de vento em popa, me preocupei com os atores e torço que tudo o que estiver sendo feito, esteja cercado de cuidado. Hoje acordei e enquanto degustava meu desjejum, fui surpreendida com a presença de Renato Casagrande pelo canal 16 de Cruz Alta, tv Câmara. Não aviei ninguém, confesso que sou ciumenta com meus achados, somente quando mais tarde percebi que tratava-se de reprise e que se repetiria no decorrer do dia, chamei os netos. A maior não se interessou muito, compreendo, a narrativa é bastante infantil, e deve ser, afinal trata-se de uma obra direcionada para um público bastante especifico, o menor em contra partida passou o dia inteiro imitando o trenzinho das "bonequinhas robôs". 
                               Ora, há em Contos do vovô erico, uma licença poética, uma adaptação, já que trata-se da filmagem de um espetáculo teatral, e não do livro O Castelo Encantado. O maior paradoxo aqui, é a presença do próprio Erico, interpretado por Renato Casagrande. Um trabalho delicado, o ator passeia de forma tranquila pelo universo dos personagens anciãos. Alessandra Souza volta a viver a pequena Rosa Maria, e o faz de forma muito eloquente. O cenário simples brinca com tamanhos, proporções. As vezes falta o teor técnico da continuidade cinematográfica. Porém reconheço que há um esforço no apuro do trabalho. 
                                   Todo o desfile de personagens que Erico elenca em seu livro, é reduzido, até pela necessidade de o vídeo cumprir um determinado tempo pré estabelecido. Acredito que cumpre, senão como entretenimento, como forma de conhecer um pouco a obra infantil Verissimiana. 
                             O figurino assinado por renato Casagrande e pela assistente Clara Devi, são a cereja do bolo. e ao lado da maquiagem, encanta enquanto obra exclusiva. Cléber Lorenzoni novamente se destaca como o grande e inventivo diretor que é, talvez enquanto ator pudesse ter sido mais contundente no Sr. Mágico, papel tão importante da obra do autor em questão. Porém deve ser difícil assinar tudo, figurino, cenário, direção, roteiro, adaptação e ainda ser o produtor do projeto, (produtor: aquele que tem a ideia, encontra os meios e faz). 
                                 No elenco de apoio: Vagner Nardes, que sempre se destaca, seu codinome pode muito bem ser: criação. Stalin Ciotti, Lú Maicá, Clara Devi, Martha Medeiro e Kauane Silva. As ultimas três como as lindas bonequinhas que deixaram um gostinho de quero mais. Os duendes cantores poderiam ter sido mais explorados, falta do diretor e de trabalho de atuação. A pegada das notas musicais por exemplo, é uma ideia genial, mas não é bem aproveitada. 
                                 A cena final encanta pela candura, do avô que aconselha a menina a usar a máscara, um depoimento desse tempo terrível o qual estamos passando e que ficará para sempre imortalizado através na obra. 
                                Orgulhosa aguardo os novos episódios de Contos do vovô Erico. Trabalho, homenagem e presente do Máschara a nossa cidade. 
                     
                        O melhor: O trabalho em equipe dos diretores Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande.
                       


                               Arte agora é ainda mais vida!


                              A rainha


                           Clara Devi (***)
                           Stalin Ciotti (**)
                           Vagner Nardes (***)
                           Kauane Silva (**)
                           Lú Maicá (**)
                           Martha Medeiro (**)
                    
                        

Contos do Vovô Erico - episódio 1 - O Castelo Encantado