terça-feira, 13 de agosto de 2019

Debate sobre teatro


Nosso diretor Cléber Lorenzoni ministrando workshop de iniciação


Analise critica do espetáculo O Hipocondríaco por alunos da ESMATE

Esperando o espetáculo começar, vi no centro do palco um cubo cheio de símbolos, entradas e saídas... Logo comecei a pensar: o que será proposto? E indaguei-me pela luz, música e cenário, contudo, a coxia que se mexia como que estivesse sendo balançada me voltava sempre para a realidade crua do ambiente. A minha realidade... Quando se iniciou a farsa, estavam em minha frente: Laura Heger, Renato Casagrande e M. Antônia Silveira Neto, ambos os atores com quem já contracenei e admirei em trabalhos anteriores. Renato tem a presença de ator ancião, a qualidade da voz, corpo, e entrega são características inquestionáveis e já esperadas. Laura Heger pareceu-me mais madura e entregue, comparando-a com ela mesma quando fizera: “lendas da mui leal cidade” é perceptível sua maior dedicação ao tetro. Sua voz aguda ainda precisa ser mais bem ouvida, falta-lhe volume e clareza em alguns momentos. Não é um problema apenas dela. E eu que sentei-me na primeira fileira fiquei pensando nos mais afastados do palco... M. Antônia é uma atriz que admiro, mas achei-a fraca nesta peça, faltou corpo, voz, objetivo e certa transformação, acredito que deve ter tido dificuldades em encontrar a personagem, o que é totalmente normal, e penso que deve continuar trabalhando e dedicando-se ao teatro. Ellen Faccin, atriz preocupada. A doutora do SUS fala com nitidez e encena de forma bem natural, vi alguns vícios corpóreos que me remeteu a uma versão farsesca de Anita (lendas), mas, a atriz arrancou-me boas risadas junto de Evaldo G. que estava magnifico, sem duvidas um dos melhores em cena. Alessandra Souza e Clara Devi me fizeram dar gargalhadas com o seu jogo em cena. Ambas com o trabalho corporal muito bem construído. Mas nada se compara a Nicolas Miranda, o ator construiu um personagem que roubava a atenção e nunca perdia a graça, não perdeu o ritmo em nenhum momento. Deixou-me de boca aberta! Conseguira triangular, jogar e me arrisco a igualar sua qualidade à atores como Cleber e Renato, nesta peça. Em Stalin Ciotti e Laura Hoover é visível a dedicação de ambos, a voz falada com nitidez e clareza, a entrega, a fé cênica e o trabalho corporal... Tudo de boa qualidade. A composição de Laura fez-me acha-la estranhamente fofa e junto de Ciotti e Cleber L. a cena deu um gás maravilhoso a peça. Stalin apesar do nome de forte e histórico mostrou-se muito delicado e romântico. É inegável, ótimos atores. Tudo que está no palco está ali com algum proposito. As roupas, a escolha do cenário, as músicas, luz, maquiagem... Tudo está ali com a intenção de nos fazer pensar sobre alguma coisa. O teatro tem essa função transformadora, fazer pensar! A peça “o Hipocondríaco” tem tudo para ser uma grande peça, e com certeza, para primeira apresentação, arrancou boas risadas e divertiu o público. Penso que muitos personagens devem ser melhores aprofundados. Confesso que as primeiras cenas me cansaram, faltou ritmo e volume. Os batimentos cardíacos de um ser humano variam entre o acelerar e o alentecer, dependendo da situação em que esse ser se encontra. Dando assim transformações rítmicas à vida, ao corpo e, para quem acredita, à alma. Quando se encerram as batidas, esse ritmo constante, encerra-se a vida, o corpo e alma vai-se embora. Dessa mesma maneira as artes cênicas dependem do ritmo para sua sobrevivência, sem ele não há nada que aprisione os olhares do público para dentro do universo teatral ali proposto. Essa reflexão, talvez um pouco “viajada”, proponho aos atores do hipocondríaco. Concluo-me aqui, ansiosa para a próxima peça e agradecida aos Deuses do teatro por esse espetáculo incrível. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Com a turminha de teatro da escola Soares de Barros


A morte

Domingo foi dia de aplaudir a nova musa inspiradora do espetáculo Esconderijos do Tempo. Depois de outras grandes intérpretes terem vivido a morte de Quintana, essa é a vez de Kauane Silva. A atriz que entrou no grupo em 2019, já vai construindo uma linda caminhada. Para lembrar antes dela viveram essa personagem a talentosíssima Kelem Padilha, além de  Tatiana quadros, Roberta Corrêa e Alessandra Souza

Noite de poesia


853- Esconderijos do Tempo (tomo 90)

Sobre Deuses e Heróis


                     Sempre me atenho ao talento, a alma dos atores, do seu potencial divino quando escrevo uma crítica. Todavia, hoje, voltarei minha análise para o lado técnico, o profissionalismo dos heróis do Máschara. Heróis, pois é intento heroico suportar as auguras de se fazer arte no interior. Profissionalismo é principal característica de um bom funcionário em qualquer emprego, em qualquer instituição. Profissionalismo em ser pontual, ser um bom colega, agradável e disposto a ajudar. Profissional em cumprir o que se lhe é esperado, casando técnica e genialidade, estudo e sensibilidade. Winston Churchil, premier Britanico, costumava falar do Edificante e do Eficiente, o edificante é exemplo, digno e respeitável, o eficiente é o que trabalha, que conquista, soluciona. Entre os atores do Máschara percebemos membros que representam os dois fatores, membros que representam um dos fatores, e finalmente membros que infelizmente precisam rapidamente assumir quaisquer um desses fatores. 
                     Eu conheço esse grupo há muito tempo, e compreendo a luta para se manter irradiando luz. Mas é preciso pensar, as pessoas passam, as instituições ficam e nas paredes das instituições ficam marcadas, imortalizadas as pessoas que fizeram a diferença. 
                       Clara Devi por exemplo tem se mostrado um grande exemplo, trabalhando sem questionar, correndo de um lado para o outro silenciosamente, ajudando as coisas a acontecer. Claro que a jovem ainda é muito menina, falta amadurecimento, instinto, compreensão. Coisas que virão com o tempo se ela continuar se dedicando. Alessandra Souza, Kauane Silva, Dulce Jorge, Laura Hoover, todas se arrumaram praticamente sozinhas, dão exemplo do que se espera de uma atriz. Alessandra foi um pouco monocórdia do meio para o fim de sua cena, talvez tenha se desconcentrado com ruídos da platéia, de qualquer forma, Lili esteve lindíssima, composição excelente, afinação e triangulação dignas de uma grande atriz. Laura parecia um pouco tensa, embora sua Glorinha seja formidável. Dulce Jorge deu todo o tom da cena final, com ritmo e delicadeza. Finalmente Kauane Silva mostra-se madura e grandiosa como o espectro de musa que o espetáculo pede, Kauane Silva tems e mostrado também dedicada, disposta e não há problema nenhum em ter humildade e colaborar pelo bem do grupo, um dia quem hoje é status cinco, será status quatro e outros iniciantes estarão trabalhando e você, status 4, será o mestre, o que terá que ensinar.  Kauane Silva começou sua carreira com muita calma, não entrou no Máschara de cara no primeiro ano, recebeu pequenas pontas, substituições. E aos poucos vai galgando seu espacinho. Desconfio de quem sobe muito depressa. Os sutis detalhes em suas construções e as responsabilidades que assume com entrega e responsabilidade tem levantando bons comentários entre a turma mais antiga da Cia.
                             A noite foi das mulheres, cabelos e maquiagens lindíssimos, Laura Hoover talvez precise de ajuda na sobrancelha da próxima vez, anular a sobrancelha para uma platéia que senta-se tão próxima, não é tarefa fácil. A plateia também foi bastante feminina, parece que muito pouco há de atraente aos homens no teatro.
                                Os homens do Máschara são também fatores eficientes. Cléber Lorenzoni é um faz tudo. Não sei como consegue atuar bem, e ainda ter os olhos atentos à tudo. nunca saberei. Mario Quintana cumpriu sua função envelhecendo lentamente. Escolha honrosa e demasiado triste para um espaço tão pequeno. As dores multiplicam-se em espaço claustrofóbico. Espaço caloroso, charmoso e de bom gosto para com a arte cênica.
                                  A partitura de Renato Casagrande, ator muito grande e digno na pequena ponta que executa. Talvez seu maior mérito seja o trabalho por traz da cena. Outra medida correta do Máschara, saber mostrar aos jovens atores que a dignidade não está no tamanho do papel que recebem, mas no valor que lhe empregam.
                                  Fábio Novello esteve fraquinho na cena, seu Gouvarinho já está presente no grupo há tempos. Quero ver mais, quero me emocionar mais... Palmas à quem vem de longe atuar, sempre disposto e gentil. Um artista. Um herói.
                                   Ainda na contra-regragem, Evaldo Goulart, que precisa de mais ouvido para executar a sonoplastia. Fazer a sonoplastia não é apertar botões, fazer a sonoplastia é dar voz aos silêncios. Fazer a sonoplastia também é pintar quadros de cena. Um espetáculo tão magnífico precisa de uma grande execução em sua parte técnica.
                                       Enfim, uma noite de bons acertos e alguns erros. Uma noite de bom teatro. Fazer teatro no palacinho requer prática e conhecimento do espaço em suas mãos.


                                       Arte é Vida

                                             O melhor: O trabalho técnico dos atores, principalmente dos status um e dois. A linda estréia de KAuane Silva no espetáculo.
                                                O pior: A execução tão desajustada da parte técnica do espetáculo.



                                                                                     A Rainha
                     

Teatro no palacinho


quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Análise do espetáculo O Hipocondríaco sob a ótica de um aluno da ESMATE




                               Sendo um espetáculo que oferece em sua premissa o Gênero Farsa poderíamos dizer que se cumpriu com sucesso, muitos absurdos tratados com naturalidade foram capazes de tirar gargalhadas da plateia. O Ritmo em cena como um todo mostra também como alguns atores estavam dentro da ideia do Gênero. Não irei fazer uma critica fazendo comparativos entre as obras de Moliere ‘’o doente imaginario’’ e o Hipocondriaco a adaptação de Cleber Lorenzoni. Até porque seria totalmente medíocre a minha opnião, já que eu mesmo não estava la quando apresentaram a obra de Moliere. Mas posso dizer com convicção que estava presente nessa adaptação do Doente Imaginário de Cleber Lorenzoni. Cleber Lorenzoni diretor e ator responsável pela direção da peça que tem como inspiração a obra de Moliére de 1673, em conjunto com seus alunos e atores do grupo trazem uma obra que trata de um problema muito atual. Entrando mais intrinsecamente na obra podemos ver seu protagonista, Argan, como um homem ingênuo e narcisista. 
                               Criando a cada segundo motivos para tomar seus remédios não consegue ficar sem estar no centro das atenções, nem que para isso precise fazer cinco lavagens intestinais e casar sua filha com um médico. Dando um zoom ainda maior nessa história podemos ver que Argan não é o único responsável pela suas doenças imaginárias, mas sim todo o conjunto de pessoas que o cercam, alguns tem motivos para isso, como sua esposa que não o suporta e quer sua herança ( Belinha). Sua filha alimenta ainda mais sua ideia de estar doente (Angelica) através da dramática preocupação com uma doença que não existe. 
                                   Poderia dizer que as únicas personagens que tem um pouco de sobriedade nessa história é a criada ( Nieta) que constantemente tenta trazer razão para a cabeça do Chefe e das pessoas que o cercam, e também a Enfermeira ( Flipota ). Acredito que podemos ver essa ingenuidade em Argan tanto no seu exame que não é capaz de perceber a burrice de seu médico, quanto na hora que sua filha mais nova finge a própria morte. Muitos códigos foram passados para o público. O Hipocondríaco traz em sua essência o medo da solidão, o narcisismo alimentado pela sua família e a sua tentativa de salvar a atenção que tinha de sua filha, fazendo ela não se casar com Cleanto. É o reflexo de uma sociedade vitima de suas próprias carencias. As referencias da Commedia Dell’Arte tambem ficaram nítidas apesar de não muito obvias para o público Leigo. As roupas deveriam fazer o papel de mostrar sobre qual cada grupo os personagens pertencem, sendo Rosa do Argan, Azul de Cleanto e verde dos médicos e cores sozinhas para as personagens que estão’’ sozinhas’’ Porem acredito que algumas coisas não ficaram tão claras para a maioria, como por exemplo esse detalhe das roupas ou da Commedia Dell’arte. 
                                           Também através da minha interpretação que não é a verdade absoluta acabei percebendo algumas coisas que talvez poderiam ter sido melhoradas. Por começar que todos esses aspectos que a peça me comunicou não foi de forma tão profunda e não se fixou tanto na minha mente. Por tanto logo na saida do espetáculo ja não lembrava muito do que se tratava o assunto da peça e a mensagem ‘’ Filosófica’’ em si. Não sei dizer com convicção o'que no meu gosto e na mente foram os motivos dessa causa, mas poderia chutar que seja pelas diversas informações de tentativas de fazer a comédia acontecer. De fato sendo um espetáculo destinado a comédia deveria haver a técnica destinada a esse fim. Esses inúmeros códigos de comicidade foram o suficiente para afogar quase que completamente a mensagem da peça e tambem deixar levemente cansativo o olhar do público. Além de que juntando esse fator com o tempo da peça, deu a impressão que dobrou de tamanho fazendo ter uma sensação de monotonia algumas vezes, justamente porque o publico ja tinha se acostumado com o ritmo e o fator principal da comedia que é a surpresa, juntamente o contraste estava se perdendo. O fator da rapidez da Farsa existe, e deve ser respeitado, mas acredito que as cenas de contraste com esse ritmo poderiam ter sido mais intercaladas.