quarta-feira, 20 de agosto de 2014
terça-feira, 19 de agosto de 2014
sábado, 16 de agosto de 2014
Lili Inventa o Mundo 101-Nova Bassano 669
Outra vez a peça de palhacinhos...
O que mais irrita é essa patifaria que pareça ser proposital para com os artistas de teatro. Essa eterna sensação de ter que estar sempre explicando nossa profissão, explicando como organizar um palco, explicando as necessidades lógicas e mínimas para se por um espetáculo sobre o palco. Por favor não coloque um espetáculo concebido para palco italiano, no chão, ele no mínimo perderá 30% do seu efeito. Não tente colocar mais de duzentas pessoas assistindo um espetáculo muito longo e com muitos atores em um palco com menos de 10 metros quadrados. Não organize um espetáculo para a noite sem pensar em uma iluminação. Não coloque um ator para se apresentar se ele tem que competir com barraquinhas de comida, bancas de livros ou musicas provindas de outros ambientes. Por favor organize uma sala com banheiros para que o ator não tenha que largar seus figurinos sagrados no chão. Por favor, um banheiro, o ator não pode atravessar pela platéia e queimar toda surpresa do espetáculo. Água por favor. Uma sala limpa por gentileza. Que os sonorizadores compreendam que a estrela não são eles e sim o artista, ou então o ator terá que adequar-se a pouca vontade de sonorizadores cheios de má vontade. Não coloque crianças para ver espetáculos pensados para os adultos. Não insulte os adultos oferecendo-lhes espetáculos para alunos do maternal. E por favor não nos peça para apresentar um espetáculo de mais de 30 minutos de graça.
Estou usando esse espaço para dar esse grito, para pedir socorro a todos aqueles que amam o teatro, isso nada tem a ver com Nova Bassano e ao mesmo tempo tem a ver com todos os não iniciados. O teatro é a arte mais linda do mundo, pois acontece ao vivo, e envolve a assistência. Mas tem necessidades básicas para que aconteça. O mérito dos atores do Máschara é baterem o pé até conseguirem deixar as coisas como devem ser para o teatro. Na ultima ocasião um sonorizador reclamava de ter que tirar uma caixa de som do lugar três horas antes da apresentação. Dizendo que o tempo seria muito curto e o cansaço extenuante. Ora quantas vezes os atores do Máschara com tempo curto, antes do espetáculo carregaram dezenas de cadeiras, colocaram tapumes em janelas para escurecer o ambiente, carregaram goleiras. O teatro, a arte em nosso país de terceiro mundo exige sacrifícios de todos. Do varredor do palco ao ator. Todos artesãos da arte cênica. O grande mérito do Máschara é realmente "fazer" seu teatro, prova disso é o Cena às 7.
Há poucos dias uma menina muito humildemente perguntou-me. "como é o teatro do Máschara". Fiquei em dúvida a que ela se referia. Enfim, filigranas.
Em Nova Bassano, Fabio Novello, Cléber Lorenzoni, Alessandra Souza e Ricardo Fenner quebraram cabeça para erguer o mundo de Lili Inventa o Mundo. Não sei Mario Quintana aprovaria essa visão máschara de sua personagem infantil mais querida, e nem me importo; me importa se a historia contada conseguiu estabelecer uma ponte entre a proposta de Mario Quintana e o que havia no palco.
Cléber Lorenzoni, Fernanda Peres, Renato Casagrande, Alessandra Souza e Evaldo Goullart adentram a cena com um visual muito atraente para as crianças. Meio poluído por certo ângulo, ao mesmo tempo muito coeso com o que propõe. Alessandra Souza fazia dois papéis bastante distintos, mas perece que lhe falta uma certa "cara de pau", um permitir-se ridicularizar-se em cena. O Cômico nasce daquilo que mais preservamos, daquilo que muitas vezes temos vergonha de revelarmos. Por exemplo, um sujeito que já é engraçado no dia a dia, que quase sempre está contando piadas, dificilmente será engraçado quando em um palco. Pois sua comicidade já é sua máscara, no palco as mascaras caem, e aí vai-se a graça desse criatura. Os atores quase sempre são tímidos, inseguros, e usam como máscara a elegância, a presença eloquente, etc. Quando vão fazer humor, ele só será brilhante se permitirem que suas mascaras caiam. Alessandra Souza tem muito receio de derrubar sua mascara. Renato Casagrande carrega nos ombros o peso positivo de ser o segundo ator do Máschara, espera-se dele muito e as vezes, como todo ator ele se atrapalha. Seu domínio da platéia beirou o fracasso, essa linha tênue entre quebrar a quarta parede e perder o jogo, depende muito de quem está conosco em cena. Fernanda Peres ainda não te domínio sobre a platéia, por isso é importante cautela. Cléber Lorenzoni e Evaldo Goullart jogam muito bem, embora o mérito da "compreensão do outro" esteja em Lorenzoni, Evaldo improvisa muito, mas quase sempre de forma empírica. E a pergunta é, e no dia em que o instinto falha? O ator deve ter a técnica na manga.
Fernanda peres anda muito ansiosa em cena, e as vezes precisa confiar mais no colegas em cena, ao mesmo tempo precisa permitir quando há necessidade de extirpar trechos de sua cena. O teatro depende do ambiente, do dia, do clima, da platéia, há dias em que uma cena torna-se barriga no ato. Quanto ao interprete de Malaquias é importante mencionar que sua técnica vocal é quase nula, há em seu falsete um risco para suas cordas vocais mal aquecidas. Aquele escape de som que afina o final das frases pode causar um calo nas cordas vocais ou fissuras. é preciso tomar cuidado.
Onde está o climax de Lili Inventa o Mundo? A Rainha das Rainhas? A catarse da Fada mascarada? Ou a transformação de Mathias? Ou ainda o "Pra sempre crianças"!
Os atores pareciam cansados, Lili passou sem ritmo, e isso aparecia em pequeninos detalhes. A trilha estava confusa, havia resvalos de sonoridades.
Apesar disso tudo as crianças levaram para casa uma linda mensagem, cabe ao ator querer ser melhor, querer crescer a cada apresentação, criar desafios.
Cléber Lorenzoni(**) Alessandra Souza (**) Fernanda Peres (*) Renato Casagrande (**) Evaldo Goullart (**) Fabio Novello (**)
A Rainha
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
A volta do detetive Ed Mort... Nova Bassano/668
O que mais gosto em Ed Mort, espetáculo do Grupo Máschara, é ver em cena representantes de todas as gerações de atores do Máschara. Atualmente são sete atores em cena, e aí temos Dulce Jorge a fundadora da Cia., temos Cléber Lorenzoni da geração de 96, Ricardo Fenner do inicio dos anos 2000, Alessandra Souza e Renato Casagrande da turma de 2008. Fernanda Peres de 2011 e ainda Evaldo Goullart de 2012. Isso é muito interessante de ver, pois nos mostra a versatilidade desse elenco e a forma como o teatro acontece entre eles. O jogo é visível. As cenas do espetáculo dão chance a todos os atores de mostrarem seu talento. Uma comédia simples, fácil, que se baseia em estereótipos, e que tem grande receptividade por parte do público.
O Máschara se destaca sempre pela capacidade de adaptar-se a espaços e ainda de conseguir adaptar os espaços ao teatro. O nosso detetive brasileiro é uma obra que partiu das mãos de Luis Fernando Verissimo, ganhou adaptação através de Maikel Teixeira e tomou o palco pelo Máschara em 2008.
A narrativa divide-se em vilões: Rubenci-Ricardo Fenner, Bibi-Fernanda Peres, o receptor de esmeraldas-Renato Casagrande, e a "carrasca" interpretada por Alessandra Souza. E Mocinhos, Éd Mort-Cléber Lorenzoni, Baby-Dulce Jorge, Mãe Soraya-Renato Casagrande, Delegado-Renato Casagrande e as crianças- Alessandra Souza e Evaldo Goullart. Antes de qualquer análise é importante questionar-se se a historia é bem contada. Ela é, embora as vezes a dicção de alguns personagens se confunda. Os textos também são dados algumas vezes por sobre o riso da platéia. Principalmente em Ricardo e Renato. Fernanda Peres e Dulce Jorge, tem ambas grande domínio da cena, no entanto a primeira pode mergulhar ainda com mais verdade pelo mundo da vilania. Havia nessa encenação um certo atrapalhamento, Cléber Lorenzoni saiu de cena em determinado momento e voltou sem aparente motivo, e Alessandra perde algumas piadas. É preciso sempre procurar, destrinchar as piadas obscuras do texto. Renato Casagrande precisa tomar mais cuidado com sua caracterização, o figurino caiu atrapalhando profundamente sua interpretação.
Não consegui ver de onde estava, o operador de som, mas atrasou todas as musicas, prejudicando os tempos. Enfim, o ritmo do espetáculo estava todo confuso, somente quando Cléber Lorenzoni adotou o disfarce de Edna, a peça pareceu tomar ritmo. Ricardo Fenner cortou alguns textos importantes e a energia não estava presente em todas as colunas. Não entendi também sua cena congelado na parede la no fundo e muito menos o que o fez descongelar. Para completar a falta de cenário empobrecia uma peça que já vi tão técnica em outras oportunidades. A trilha é elegante, mas as letras das musicas em inglês destoam em certas cenas. Os altos cômicos do espetáculo estavam fragilizados e os baixos cômicos pareciam perdidos.
O público gostou, divertiu-se e pode sim aproveitar o texto de Luis Fernando Verissimo, mas é importante sempre pensar que o público na maioria das vezes, aplaude com a mesma energia o que é bom e o que é ruim. Ed Mort precisa de ensaios, precisa de treino e repetições. O que o salva é a união do grupo que se percebe da platéia.
A Rainha
Dulce Jorge (***)
Alessandra Souza (*)
Renato Casagrande (**)
Evaldo Goullart (*)
Cléber Lorenzoni (**)
Ricardo Fenner (**)
Fernanda Peres (**)
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Esconderijos do Tempo 80- Nova Bassano /667
...E eu que atuei em uma caixinha de sapatos...
Quando me informaram que os espetáculos do Grupo Máschara em Nova Bassano, seriam apresentados no Ginásio da Escola 15 de Novembro, fiquei no mínimo curiosa, iriam encarar o desafio de apresentar Esconderijos do Tempo no chão? Em uma quadra, como nos idos de 2006? Ou será que Ed Mort, um espetáculo com sete atores em cena, iria ser apresentado em um palco com pouco mais de quatro por seis. Uma caixa de sapatos. Ironias quintanas à parte, caso Esconderijos fosse apresentado no chão, sem cenário ou sem iluminação, promoveria sim o "acontecimento teatral", envolveria provavelmente o público com trama tão eloquente. No entanto, o espetáculo concebido por Cléber Lorenzoni, não mais estaria ali. É preciso saber compreender o que é concepção, o que alguns chamam de perfumaria, mas que dentro do entendimento da semiótica teatral, forma com um todo o "Espetáculo". Ora, a platéia não irá ter a mesma compreensão da proposta sem levar em conta todas as esferas do trabalho. A luz, o conjunto de cores, escuro-claro. As músicas, o cenário, a limpeza, ou sujeira organizada. Enfim o visual do trabalho, a forma como ele é colocado para nós (público) traz uma mensagem silenciosa, que certamente no chão do ginásio, sem cenário, logicamente não traria o mesmo efeito.
Os atores adentraram o palco às 20 hs e 14 min, para uma assistência de mais de trezentas pessoas. O espetáculo ficou mais condensado, não havia muito espaço e por tanto a narrativa acelerou-se um pouco, sem perder ainda assim seu mote. Cléber Lorenzoni I. começou repleto de energia, com a empostação que o ator deve ter, coluna rija, músculos das costas tencionados, ao mesmo tempo com a silhueta alongada para a partitura do Mario jovem. Optaram por não usar os microfones auriculares, o que quase foi um risco. O rosto do intérprete ficou excessivamente pálido, o que destoa um pouco do cuidado plástico. La Peres falou um pouco baixo, carece de mais técnica, força na caixa. Ambos triangulam muito bem juntos, e a cena vai crescendo visivelmente, o que atrapalha um pouco é a ansiedade de Fernanda C que não respeita a fala da platéia. O texto precisa ir em direção a quarta parede e voltar como resposta, seja em forma de silêncio, ou em forma de riso, ou em forma de vaia. Mas o ator no palco precisa dar esse tempo. Por outro lado preciso dizer que me orgulho em perceber que nasceu a terceira Glorinha. Tivemos a Glorinha lirica de Daiane Albuquerque (St.III 2002/2006), e a Glorinha vigorosa de Angelica Ertel (St.II 2006/2012), Agora parece ter surgido uma Glorinha tresloucada que combina muito com a juventude que a cena pede, com a cena de brincadeira poética que o espetáculo propõe. Atrizes diferentes, Glorinhas diferentes, o que é ótimo.
Souza também está inteira em Lili, e embora corra atrás de uma "Musa" que se eternize, há ainda uma falta de apuro nos detalhes. Por exemplo quando Lorenzoni ergue a mão ao som de Jivago e acena para a morte em resposta ao aceno recebido, Alessandra + já desviou o olhar para o lampião e o jogo não acontece. E precisa acontecer, é quando o menino percebe que a morte o acompanhará pela vida inteira, é quando ele aceita a dor da existência em sua vida e destaca-se de todas as outras pessoas. Alessandra Souza precisa aprender a ter menos controle sobre as ações, é daí que nasce a "alma" em cena.
Quase no meio do espetáculo, desprende-se do céu uma intensa queda d'águas, o teto de zinco do ginásio rapidamente respondeu com poluição sonora tal que praticamente ceifou o som vindo do palco. "Benzadeus não tivemos queda de luz". Eis um velho ditado das tias que cruzavam os corredores fazendo ranger as tábuas das casas velhas que Mario tanto apreciava. Cléber Lorenzoni e Fabio Novello + simplesmente quebraram definitivamente a quarta parede e chegaram a trazer objetos de fora de cena para o palco, dois microfones de mão. O interessante foi a calma e a simplicidade que a ação foi feita, de uma forma tão cautelosa que não atrapalhou em nada o andamento. Logicamente não é o tipo de ação positiva para um espetáculo tão formal e não digo que tenha sido um gesto correto, enquanto público me incomodou ver as personagens se descolarem da pintura (cenário) e virem ao vale dos mortais buscar dois apetrechos que não combinavam em nada com a plástica. Mas foi no mínimo corajoso permitir-se solucionar algo.
Fabio Novello pega o público pela comicidade, mérito seu e da cena. As vezes precisa tomar mais cuidado com a formalidade da marca, ela triangula legal pelo palco e deve estar a serviço do ator. A marca propõe distancias, proximidades, aconchegos e separações que auxiliam na semiótica da informação. O soneto foi muito prejudicado pela chuva, e falta o ator encontrar o paradoxo do rápido/lento naquele momento. Existe uma linha de narrativa que vai se esticando até que na ultima frase do soneto a platéia não mais recorda a primeira. Aí precisa ser revisto. Casagrande + e Jorge optaram por torcer o nariz para o microfone. Ok, escolha corajosa, mas perigosa em meio a intempérie. Casagrande segue um pouco viciado na fórmula. Existe aí um paradoxo obscuro, o ator tem talento para muito, mas a personagem exige pouco. Ou não? na cena em que Malaquias traz a bengala, poderia nos deixar claro qual sua emoção para com o velho homem a sua frente. Dulce Jorge + é uma atriz para grandes papéis, para Tchekhov ou Ibsen, a cena final de Esconderijos do Tempo quase sempre é prejudicada ou pelo aceleramento que a direção propõe ou pela necessidade de vencer o tempo quase sempre curto em feiras de livros.
Não foi das melhores encenações do espetáculo e a sonoplastia de Evaldo Goullart +, embora muito bem operada, trabalhou contra o elenco já que não havia retorno. Um interessante tópico. Os sonorizadores em eventos no interior, sempre tão empafiósos com sua sabedoria de garagem, dizendo o que pode ou não ser feito aos meros mortais seres que os cercam, quase sempre estragam os eventos que estão inseridos. Promovem verdadeiras poluições sonoras, achando que decibéis altíssimos são exemplo de profissionalismo. A volta dos palcos uma infinidade de caixas sonoras, e no palco nem um único retorno para o artista. Nada sabem de som para teatro, nada sabem de luz para teatro. Se dizem sim profissionais... Ora, para mim e para muitos, ouso dizer, profissionalismo não é saber tudo sobre sua área, mas ser humilde para aprender as necessidades dos artistas que fazem uso de sua maquinaría.
Vida longa ao teatro...
Arte é vida, teatro é alma.
A Rainha
Os atores adentraram o palco às 20 hs e 14 min, para uma assistência de mais de trezentas pessoas. O espetáculo ficou mais condensado, não havia muito espaço e por tanto a narrativa acelerou-se um pouco, sem perder ainda assim seu mote. Cléber Lorenzoni I. começou repleto de energia, com a empostação que o ator deve ter, coluna rija, músculos das costas tencionados, ao mesmo tempo com a silhueta alongada para a partitura do Mario jovem. Optaram por não usar os microfones auriculares, o que quase foi um risco. O rosto do intérprete ficou excessivamente pálido, o que destoa um pouco do cuidado plástico. La Peres falou um pouco baixo, carece de mais técnica, força na caixa. Ambos triangulam muito bem juntos, e a cena vai crescendo visivelmente, o que atrapalha um pouco é a ansiedade de Fernanda C que não respeita a fala da platéia. O texto precisa ir em direção a quarta parede e voltar como resposta, seja em forma de silêncio, ou em forma de riso, ou em forma de vaia. Mas o ator no palco precisa dar esse tempo. Por outro lado preciso dizer que me orgulho em perceber que nasceu a terceira Glorinha. Tivemos a Glorinha lirica de Daiane Albuquerque (St.III 2002/2006), e a Glorinha vigorosa de Angelica Ertel (St.II 2006/2012), Agora parece ter surgido uma Glorinha tresloucada que combina muito com a juventude que a cena pede, com a cena de brincadeira poética que o espetáculo propõe. Atrizes diferentes, Glorinhas diferentes, o que é ótimo.
Souza também está inteira em Lili, e embora corra atrás de uma "Musa" que se eternize, há ainda uma falta de apuro nos detalhes. Por exemplo quando Lorenzoni ergue a mão ao som de Jivago e acena para a morte em resposta ao aceno recebido, Alessandra + já desviou o olhar para o lampião e o jogo não acontece. E precisa acontecer, é quando o menino percebe que a morte o acompanhará pela vida inteira, é quando ele aceita a dor da existência em sua vida e destaca-se de todas as outras pessoas. Alessandra Souza precisa aprender a ter menos controle sobre as ações, é daí que nasce a "alma" em cena.
Quase no meio do espetáculo, desprende-se do céu uma intensa queda d'águas, o teto de zinco do ginásio rapidamente respondeu com poluição sonora tal que praticamente ceifou o som vindo do palco. "Benzadeus não tivemos queda de luz". Eis um velho ditado das tias que cruzavam os corredores fazendo ranger as tábuas das casas velhas que Mario tanto apreciava. Cléber Lorenzoni e Fabio Novello + simplesmente quebraram definitivamente a quarta parede e chegaram a trazer objetos de fora de cena para o palco, dois microfones de mão. O interessante foi a calma e a simplicidade que a ação foi feita, de uma forma tão cautelosa que não atrapalhou em nada o andamento. Logicamente não é o tipo de ação positiva para um espetáculo tão formal e não digo que tenha sido um gesto correto, enquanto público me incomodou ver as personagens se descolarem da pintura (cenário) e virem ao vale dos mortais buscar dois apetrechos que não combinavam em nada com a plástica. Mas foi no mínimo corajoso permitir-se solucionar algo.
Fabio Novello pega o público pela comicidade, mérito seu e da cena. As vezes precisa tomar mais cuidado com a formalidade da marca, ela triangula legal pelo palco e deve estar a serviço do ator. A marca propõe distancias, proximidades, aconchegos e separações que auxiliam na semiótica da informação. O soneto foi muito prejudicado pela chuva, e falta o ator encontrar o paradoxo do rápido/lento naquele momento. Existe uma linha de narrativa que vai se esticando até que na ultima frase do soneto a platéia não mais recorda a primeira. Aí precisa ser revisto. Casagrande + e Jorge optaram por torcer o nariz para o microfone. Ok, escolha corajosa, mas perigosa em meio a intempérie. Casagrande segue um pouco viciado na fórmula. Existe aí um paradoxo obscuro, o ator tem talento para muito, mas a personagem exige pouco. Ou não? na cena em que Malaquias traz a bengala, poderia nos deixar claro qual sua emoção para com o velho homem a sua frente. Dulce Jorge + é uma atriz para grandes papéis, para Tchekhov ou Ibsen, a cena final de Esconderijos do Tempo quase sempre é prejudicada ou pelo aceleramento que a direção propõe ou pela necessidade de vencer o tempo quase sempre curto em feiras de livros.
Não foi das melhores encenações do espetáculo e a sonoplastia de Evaldo Goullart +, embora muito bem operada, trabalhou contra o elenco já que não havia retorno. Um interessante tópico. Os sonorizadores em eventos no interior, sempre tão empafiósos com sua sabedoria de garagem, dizendo o que pode ou não ser feito aos meros mortais seres que os cercam, quase sempre estragam os eventos que estão inseridos. Promovem verdadeiras poluições sonoras, achando que decibéis altíssimos são exemplo de profissionalismo. A volta dos palcos uma infinidade de caixas sonoras, e no palco nem um único retorno para o artista. Nada sabem de som para teatro, nada sabem de luz para teatro. Se dizem sim profissionais... Ora, para mim e para muitos, ouso dizer, profissionalismo não é saber tudo sobre sua área, mas ser humilde para aprender as necessidades dos artistas que fazem uso de sua maquinaría.
Vida longa ao teatro...
Arte é vida, teatro é alma.
A Rainha
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
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sexta-feira, 8 de agosto de 2014
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