domingo, 30 de outubro de 2022
quarta-feira, 26 de outubro de 2022
1073-A Hora da Estrela (tomo VI)
Abram as cortinas para um espetáculo excelente!
O diretor Cléber Lorenzoni conta atravéz de Alessandra Souza e Renato Casagrande, co-atores em A Hora da Estrela, a curta trajetoria de Macabéa, personagem escrita por Clarisse Lispector no século passado. A trilha sonora operada por Cléber Lorenzoni e com operação de Ellen Faccin nos empurra para um universo muito semelhante ao das décadas de 1uarenta e sessenta. A iluminação de Fábio Novello sofre em partes pela capacidade do espaço onde o espetáculo foi apresentado e não cumpre sua função. Alessandra Souza fica em vários momentos na sombra, quando se aproxima do proscenio.
Figurinos bem escolhidos, cores, nuances, e caracterizações muito detalhistas, são a marca do trabalho conjunto do casal Lorenzoni Casagrande. O elenco brilha em interpretações que beiram a perfeição. Destaque para Laura Hoover com Marilyn Monroe e Alessandra Souza no papel tema. De qualquer forma, o elenco de apoio da um Show a parte. A esteante Carol Guma, e o ator Romeu Waier, atraem e surpreendem o público. Eliani Alésio, Raquel Arigony, Clara Devi e Antonia Serquevitio com presença e dominio de palco. Talvez a cena do pipoqueiro pudesse se aprofundar um pouco mais. Quando me recordo da ultima apresentação que assisti em Cruz Alta, percebo o quanto o espetáculo cresceu em improviso e intuição.
A curva dramática se acentua em três cenas fortes muito bem orquestradas. Ópera, com a entrada dramática da tia interpretada por Dulce Jorge. Hospital com Romeu Waier grandioso e a cartomante com Cléber Lorenzoni rompendo padrões de comédia em meio ao drama.
As vozes são altas e compreensiveis. Mas o que me faz admirar cada dia mais essa cia. é sua capacidade de se reinventar e ter forças para nos dar mais e mais. Uma semana de Os Saltimbancos e ainda o infantil A roupa nova do rei, dividiram suas emergias. O trabalho fisico, a dança, o emprego da partitura, os ritmos físicos, falam mais alto do que dita interpretação e nos enlaçam o coração.
Douglas Maldaner como Olimpico, exagerou em alguns momentos mas também esteve muito bem, e muito interessante o quanto se parecia com Macabéa em cena. O final foi lindo, embora o casal poderia melhorar sua pseudo-valsa. Por fim, todas as questiúnculas que eu possa mencioanr aqui, são pequenas quando comapradas ao poder avassalador do todo e por isso é preciso lembrar que cada um em cena com suas duvidas, neuras, maquiagens e figurinos, são gotas dentro de um todo. Há uma historia sendo contada e ela que importa.
O melhor: A curva do espetáculo que funcionou e muito
O pior: A leitura da ficha técnica que entrega no festival qualquer surpresa que pdoeriamos ter.
Cléber Lorenzoni (***)
Ducle Jroge (***)
Renato Casagrande (***)
Alessandra Souza (**)
Fabio Novello (*)
Ricardo Fenner (**)
Raquel Arigony (**)
Clara Devi (**)
Douglas MAldaner (**)
Laura Hoover (**)
Romeu Waier (***)
Carol Guma (***)
Nicolas Miranda (***)
Eliani Alesio (**)
Ellen Faccin (**)
Antonia Serquevitio (**)
segunda-feira, 24 de outubro de 2022
1072-A Roupa Nova do Rei (tomo 5)
Força na Peruca
Nem todos estavam de perucas, mas todos tinham adereços de cabeça, e precisou de muita força para manter todo o público concentrado na cena... O virtuosismo do aspecto visual, com figurinos bem acabados, propostas de cores, cenário bastante alegórico e usual.
A historia se passa dentro de um castelo, e embora a linguagem e os termos nos remetam ao universo monarquico, faltou algo de castelar para tornar mais crível esse universo. Douglas Maldaner estreou com presença cênica forte, mas precisa de mais organicidade, fazer parte do elenco, mergulhar de verdade. Interpretar um ministro, em uma monarquia, é no mínimo um desafio ousado, que vai ajudar na preparação para quaisquer peças castelares.
Raquel Arigony e Alessandra Souza, interpretam grandes mulheres, uma que se sobrepõe à Mulec e outra ao reizinho, embora ambas as atrizes passom triangular ainda mais. O mérito de Arigony em Roupa Nova, está principalmente na capacidade de ainda que sem o uso da fala, consegue pegar a platéia.
Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande são senhores do palco. Ambos bebem de um rio de possibilidades, poderes, domínios, ritmos, e nuances. A viravolta final emociona, quando a grandiosidade do menino mimado, torna-se uma humilde reverencia ao "poder absoluto". Raquel Arigony merece aplausos, por interpretar um tipo, um personagem e um arquetipo/estereótipo.
O público de teatro não é preparado, ou seja, busca-se crianças e jogam-nas dentro do prédio e teatral e dizem: -Assistam isso sem fazer barulho! Interajam! -Ou seja, a criança não ao certo sabe o que está fazendo ali. Isso por que falta a criação de platéias, para tentar resolver um pouco isso, o máschara criou em Cruz Alta o projeto dia "D", para tentar debater junto ao público jovem, o que é teatro, claro de uma forma muito sutil, mas que prepara o público de amanhã.
O público infantil de Rosário pareceu ter sido empilhado dentro do Teatro, gritou, moveu-se, atrapalhou o colega sentado ao lado, enfim, não aproveitou a oportunidade única a sua frente.
Durante o espetáculo o elenco usou de todas as suas técnicas para tentar contê-los, Cléber Lorenzoni como reizinho, falou com o público. Renato Casagrande acellerou e cortou trechos. Alessandra Souza aumentou seu volume, no entanto nada foi capaz de contê-los, a não ser alguns trechos em que a própria semiótica cumpria a função de prender os expectadores.
A linguagem verborrágica e por vezes retórica do espetáculo parece torná-lo mais adulto, mais voltado para o público jovem e não infantil. Talvez a dirção deva se impor mais ao circular com esse trabalho. Na parte técnica tranquilidade, iluminação corretinha, sonoridade agradável, embora pareça ter faltado personalidade.
O melhor-Os sinais de Molière que Messie Flabeur interpretou equivalente a um prólogo.
O pior- Certamente a falta de ensaios que se mostrava presente com os problemas de alinhamento do trono e desalinho de figurinos,uma lástima que se constrastava com um trabalho tão bonito.
Cléber Lorenzoni (**)
Renato Casagrande (***)
Fábio Novello (**)
Alessandra Souza (**)
Raquel Arigony (***)
Clara Devi (**)
Douglas Maldaner (**)
Romeu Waier (**)
domingo, 23 de outubro de 2022
Os Saltimbancos (2012) - Rosário do Sul
Como nossa tradicional
Crítica não pode estar conosco durante apresentações nas escolas de Rosário do
Sul durante o Em ceninha, eu vou colocar aqui um compilado resumido de ideias
sobre o que vi e o que espero ver crescer em Os Saltimbancos.
Para mim, sempre é o
momento de melhorarmos nosso trabalho, melhorarmos nossas interpretações,
melhorarmos a comunicação com o público. O espetáculo Os Saltimbancos foi
montado, concebido, em 2012. É um dos trabalhos mais comercializados por nosso
grupo e de uma forma fácil, logisticamente falando, leva o teatro a todos os
tipos de palcos.
Quem ganha é o
elenco: Alessandra Souza, Nicolas Miranda, Renato Casagrande e eu mesmo, já que
a cada nova inserção do trabalho, aprendemos mais, descobrimos mais os públicos
e desvendamos em nós mesmos, novas linguagens. Os espetáculos teatrais, em sua
maioria, estreiam com pompa e circunstância, em teatro, palcos, com iluminação,
enfim, com todo o aparato técnico necessário. No entanto, esses espetáculos
acabam por se prostituir quando precisam tomar as ruas. Quando precisam
sobreviver. Em pátios de escolas, em cima de caminhões, nas ruas... Sem
iluminação, com substituições muitas vezes inferiores ao trabalho do interprete
original.
Esse infelizmente na
maioria das vezes é o caminho do teatro. Mas é importante reconhecer que ainda
assim, ele é indispensável. Ainda que as gotas que cheguem aos palcos
alternativos sejam desidratas quando comparadas às estreias.
Para meus colegas
atores, faço um pedido: -Ainda que não haja camarim, ainda que o palco seja a
terra, que tenhamos o sol queimando nossas cabeças, sigamos! Tenhamos amor e
respeito por todos os públicos e usemos os dons que recebemos: comunicação e ciência, e sigamos, levando a arte.
quinta-feira, 20 de outubro de 2022
quarta-feira, 19 de outubro de 2022
FESTEATRO
Um festival com a cara de Cruz Alta,
Não foi fácil percorrer todo o circuito que os organizadores do FESTEATRO propuseram ao publico de Cruz Alta durante tres dias, incluindo praças, escolas e ruas. Até por isso, perdi uma das apresentações, o que me deixou muito chateada. Eu aprecio teatro em todas as suas linguagens e nuances. Durante muitos anos tenho acompanhado o Máschara, e agora ver esses meninos conseguirem fazer de Cruz Alta, uma capital do teatro por tres dias, é de uma alegria indizivel. Como diz nosso querido diretor: Teatro não é para se gostar ou não, teatro é para pensar, refletir, inspirar...
Gostei de ver outros teatros! Muito me inspirei, com tantos palhaços voltei a ser menina, não havia nenhum pum, para desgosto da querida Regina Duarte, mas havia vigor, havia sagacidade, havia a pequenez humana, tanto que atraiu os tais bufos das ruas. Teatro totalmente inclusivo, democrático... Palhaços e poetas. Alguns com maior domínio, outros com menor. Talvez no afã de fazer um grande festival, com linguagens variadas, tenha faltado um pulso firme que peneirasse alguns espetáculos que talvez estivessem muito aquém de outros. De qualquer forma, a nível de arte, tudo é bem vindo na colcha de retalhos do palco.
A rua como palco, é velha conhecida do artista, no entanto ela sempre sofre certo preconceito quando comparada com o tablado de madeira, O ator de rua parece inferior, afinal ele se expoe na intemperie, muitas vezes é desqualificado por quem passa, interage com os caes da rua e com os moradores das valetas mais paupérrimas.
Há no ator de rua, um desapego encessário e ainda uma solidão voluntária. Mas o palhaço é grande, a fala ecoa, e quem se sente mencioando foge para a imensidão. Malas, triciclos, pernas de pau, microfones, cornetas e até o poderoso acordeon. Tudo a serviço do interprete.
Os debates foram conversas agradáveis, por vezes, superficiais, pois poderiam ter auxiliado de forma mais expecifica alguns grupos. E que dizer do cortejo do sábado? Vida! Vida! As ruas de Cruz Alta com cara de cidade grande.
Para encerrar, Esconderijos do Tempo, vida e obra de Mario Quintana. Poesia e grandes interpretações por conta do grupo anfitrião.
Parabéns FESTEATRO, enquanto público eu agradeço por mais e mais arte.
terça-feira, 18 de outubro de 2022
1066-Esconderijos do Tempo (tomo 92)
Sempre um clássico...
Os clássicos são livros que, quanto mais pensamos conhecer por ouvir dizer, quando são lidos de fato mais se revelam novos, inesperados, inéditos. Naturalmente isso ocorre quando um clássico “funciona” como tal, isto é, estabelece uma relação pessoal com quem o lê. Se a centelha não se dá, nada feito: os clássicos não são lidos por dever ou por respeito mas só por amor. (Calvino, 2002: 13).
O texto de Esconderijos do Tempo, não foi escrito por Mario Quintana, mas por Cléber Lorenzoni. Abusando é claro das capacidades poéticas de Quintana, o dramaturgo criou uma narrativa, uma sequencia lógica de sentido muito claro. O espetáculo quase poderia ser chamado de: as mulheres de quintana, tamanho é o brilhantismo das quatro atrizes que o cercam. A estreante Laura Hoover, encantadora como Lili, a jovem Clara Devi, descobrindo aos poucos sua Glorinha,e ainda as formais, Dulce Jorge e Alessandra Souza.
Quando observo a carreira de uma atriz, costumo dividí-la em quatro momentos: O ovo, que corre ambiciosa por ganhar papéis, qual traça devoradora. Nessa época ela pouco aprende do teatro ou dos grandes textos, ela quer quantidade. Não ouve muito os diretores, ou colegas, quer apenas olhar para dentro de si... Logo depois chegamos a larva, um momento interessante em que a atriz começa a perceber que há algo mais, a dar triangulação às suas personagens. Na fase crisálida, a atriz começa a se preocupar com qualidade, com o que está fazendo sobre o palco. O que ela diz passa a ser o mais importante. Finalmente Borboleta, quando ela sobrevoa, transcende e se tornou uma atriz. Generosa, honesta com sua profissão, ciente de suas capacidades... Qual sua fase?
Sobre o palco também dois atores conhecidos. Renato Casagrande e Fabio Novello. Bons volumes, boas gags. O som do teatro no entanto desiquilibrado... Nessas situações é preciso que o elenco pese prós e contras. Talvez Renato Casagrande ou Fabio Novello devessem ter se preocupado mais com a técnica e ficado de fora do espetáculo, afinal quase que tudo foi perdido. Um espetáculo tão lindo, deveria ter seu aparato técnico mais respeitado pelo todo.
Esconderijos do Tempo é uma aula de teatro, uma pintura, uma poesia, uma musica aos ouvidos. MAs é um espetáculo delicado, que com qualquer exagero ou preguiça, pode desabar. O mais curioso é que com tantos artistas palpiteiros, cheios de verdades, afinal é um grupo com trinta anos de historia, alguns não tenham dominio sobre suas cenas ao menos.
A escolha de Dulce Jorge e Laura Hoover em fazer seus bifes em frente ao banco cobrindo Mario Quintana, não foi a escolha mais correta. Alessandra Souza esteve muito bem, mas aconselharia a atriz a voltar a trabalhar o corpo, é onde está deixando a desejar. Nós todos estamos envelhecendo, e a cada passo da caminhada, perdemos coisas, essas "coisas" farão falta em nossas cenas.
A escolha da equipe foi por uma geral branca, que praticamente impediu mais equivocos, mas em um espetáculo tão delicado a iluminação pontual fez falta. Necessário ensaiar com a luz!
Para encerrar, toda a minha consideração com esse diretor que se esforça em fazer um grande trabalho, mas que parece lutar contra uma enchurrada de pequenos ques.
O melhor: A genialidade de um espetáculo imortal-Um clássico.
O pior: A triste resiliencia preguiçosa de alguns artistas que se contentam em fazer o que parece ser um grande esforço, mas que na verdade, pode ser a receita do frascasso.
Cléber Lorenzoni (**)
Renato Casagrande (**)
Fabio Novello (***)
Dulce Jorge (como atriz fundadora e professora de todos nós, suas avalição não será revelada)
Alessandra Souza (**)
Clara Devi (**)
Laura Hoover (**)
Antonia Serquevittio (*)
Vitoria Ramos (**)
Ellen Faccin (todo o nosso agradecimento pelo apoio)
segunda-feira, 17 de outubro de 2022
1065- O Grande Circo Mágico (tomo 12)
Quando o artista chega em uma cidade pequena, ou mesmo grande, em que o espaço para o espetáculo, para seu trabalho ser executado, ele pode, dependendo o seu tipo de comprometimento, sentir-se frustrado. E essa frustração é digna, e deve ser respeitada. Sobretudo por diretores e produtores.
Que tal o camarim não ter espelhos? Os banheiros estarem desprovidos de papel toalha, ou papel higiênico? Ou ainda, que tal não ter água em lugar algum? Opa, não há camarim! Ou cadeiras, ou mesas para maquiagens... O palco tem tres por quatro, as atrizes, os números terão que ser adaptados para o chão. O aparato de iluminação foi montado atrás do palco... Ou seja, deverá iluminar as costas dos artistas... Eu sei, parece uma piada...
O artista entregue, aquele que tem um mínimo de respeito por seu público, que quer e precisa fazer o seu melhor, ajoelha-se no palco sagrado e chora... Não por si apenas, mas por toda a familia teatral, por todo o desprezo com seu trabalho. Sente aquilo que possivelmente os médicos do sem fronteiras devem sentir quando chegam em algum país subdesenvolvido e la para exercerem seu trabalho, não encontram os minimos ensumos, necessários para salvar a vida humana.
No entanto, precisamos pensar no seguinte: nós sempre imaginamos que os outros tem a obrigação de conhecer nossa profissão, de concordar com nossos pontos de vistas, a obrigação de respeitar nossos agir e pensar. Ora, o teatro é assunto razoavelmente novo no estado, praticamente desconhecido às cidades pequenas. A maioria dos 497 municipios do estado, nunca receberam uma verdadeira companhia de teatro. Então como compreender suas necessidades? Se muitas vezes, nem ao menos, os proprios artistas compreendem as necessidades da arte da interpretação. O fato é que realmente como diz Jean Paul Sartre: O inferno são os outros.
Outra situação a ser pensada, é a postura de alguns artistas. Jerzy Grotowski, costumava falar em suas entrevistas, que durante muitos anos, tentou ser uma cópia de seu mentor Stanislavski, pelo fato de reconhecer nesse, peça fundamentel para o teatro. O "mestre"sabia tudo sobre o palco, e assim também queria o jovem Jerzy, conhecer tudo sobre a arte do teatro. Com o tempo percebeu que essa busca era ingloria, que estava fadado ao fracasso se trilhasse os caminhos de outro e não os seus próprios.
A ausencia de alguns colegas, que certamente não puderam, por algum bom motivo, estar presentes, obrigou outros colegas a se esforçar um pouco mais para que o mise en scene ocorresse. Mas já que eu conheço o espetáculo como ele foi concebido, e o público de Boa Vista das Missões teve acesso a outra versão, vamos observá-lo de outra forma.
A cena ápice dos palhaços por exemplo, ficou sendo a cena da barbearia, mas senti falta de haver uma entrada de apresentação, ao clown interpretado por Fabio Novello. Clara Devi, segue muito bem, mas parece desconcentrada. O Número das "passarinhas"parece mal feito, talvez com pouco ensaio. Atores que já brilharam no Corpo em Ação, poderiam se dedicar mais, alongar mais. Um número de vedetes, da elegancia para o circo.
A acrobacia de Antonia Serquevitio, precisa de mais ensaios, parecia atrapalhada, sem "elegancia". A gata apertada em um canto do palco, em uma luz que lhe cortava o corpo ao meio, diminuia o brilho da cena, enbora claro, o lindo vestido dourado, tenha ficado uma formosura na gatinha.
Romeu Waier, pela primeira vez, transpareceu certa preocupação e em algumas vezes acelerou demais as coisas, cortando aquilo que poderia render mais.
Eliani Aléssio, se continuar na barbada/barbuda, precisa enriquecer, apurar melhor seu número. Elen Faccin é ótima na trilha sonora dos espetáculos, talvez possa tentar sentir mais o clima de alguns momentos, menos práticidade e mais sensações...
De alguma forma, o Grande Circo Mágico, precisa de ensaios e comprometimento, um belo trabalho que deve ser respeitado, ensaiado e dignificado.
O melhor: A capacidade do Máschara em reerguer-se, reinventar-se e solucionar-se após as quedas.
O pior: A falta de compreensão e respeito para com a arte, por parte de tantas pessoas...
Renato Casagrande: (**)
Alessandra Souza (**)
Fabio Novello (**)
Eliani Aléssio (*)
Cléber Lorenzoni (**)
Nicolas Miranda (**)
Antonia Serquevittio (*)
Clara Devi (*)
Ellen Faccin (*)
Raquel Arigony (**)
Romeu Waier (*)
A Rainha
sexta-feira, 7 de outubro de 2022
1062- Lili Inventa o Mundo (tomo 116)
Plateia fria e velhas fórmulas...
Claro que o público infantil de Estrela Velha apreciou e muito a apresentação do espetáculo Lili Inventa o Mundo, um espetáculo com mais de cem apresentações e que tem várias formas de ser contado. Como assim? Ora Lili pode ser uma comédia sobre bruxas (fada mascarada), Lili pode ser um espetáculo sobre fé, e o poder que a mesma tem de mover montanhas, pode ser uma recreação divertida, com danças e canções, pode ser a historia triste de um menino que foi transformado em patinho... Poderia ser todas essas opções, se não fosse um espetáculo de poesias.
Cada ator do espetáculo, nessa nova temporada, está contando uma historia diferente. E esse ao meu ver é o grande problema do espetáculo. Os egos de atores e atrizes que querem brilhar em cena, que pisam no palco cheios de si, ou que simplesmente se preocupam muito com suas interpretações, quando o teatro é trabalho de equipe. Cada um fazendo sua parte, pedacinho por pedacinho para construir algo.
Falta maior cumplicidade, que não sei como funciona pois não convivo com os artistas, mas a ausência dela aparece no palco. Renato Casagrande está brilhante, explosivo, mas precisa ajudar sua partner. Clara Devi tem várias qualidades, várias potencialidades, mas precisa buscar o poético de Lili Inventa o Mundo. Um espetáculo que já arrancou até lágrimas do público em seus áureos tempos. Vitoria Ramos tem uma agilidade muito boa, mas pode desenvolver mais a personagem, o que sente Malaquias, quem ele é?
Cléber Lorenzoni me pareceu cansado, desmotivado até, xô, xô, xô coisa ruim, respira fundo e segue, tu és capaz! Eliani Aléssio estreou bem, mas precisa de mais ensaios, para compreender mais o universo do espetáculo. A interpretação da Rrrainha das rrrainhas ficou maravilhosa. O sotaque, a risadinha entre o texto. Uma atriz muito talentosa, sem duvidas. Alessandra Souza interpreta com muito gracejo a Fada Mascarada, parabéns.
A trilha foi operada com muita tranquilidade por Romeu Waier, e o cenário organizado pelo diretor funcionou, principalmente na escolha da semi arena, aproximando o público dos personagens.
Cada público é um público, um público não acostumado ao teatro, certamente não consegue aproveitar a fundo o que ele tem para oferecer... pensemos nisso!
O melhor: Sem dúvidas a escolha do cenário semi arena
O pior: A falta de poesia...
A Rainha
Renato Casagrande:(***)
Cléber Lorenzoni (**)
Eliani Aléssio (**)
Clara Devi (*)
Vitoria Ramos (**)
Alessandra Souza (**)
Romeu Waier (**)
Arte é Vida
quinta-feira, 6 de outubro de 2022
1061/ - Esconderijos do Tempo (tomo 91)
Que complexa escolha essa do dramaturgo Cléber Lorenzoni, escolher ao lado de Dulce Jorge, mais de cinquenta passagens entre sonetos, versos e rimas de Quintana. Tarefea dificil, já que um espetáculo de poesias pode ser o responsável por causar nas pessoas uma péssima impressão em relação ao mundo poético. Eu mesma assisti apenas uns dois ou três espetáculos sobre o assunto. Claro que meu preferido é Esconderijos do Tempo, tanto pela escolha do material literário, quanto da plástica eficiente. São cinquenta e quatro minutos muito bem usados. Com direito a lágrimas e sorrisos e muitas, muitas lágrimas. Não é um espetáculo que eu recomende ao público menor de 16 anos. Simplesmente ele não cumpre a função quando assistido pelos pequenos. E isso nós percebemos observando a platéia jovem. Esconderijos fala do peso da vida e as vezes de uma forma morbida, típica do poeta Quintana.
\ A depressão, a solidão e o vazio de uma alma triste que percorre sozinha os caminhos iluminados "pela luzinha que não é nem a do dia, e nem a da noite. Quintana não foje da dor, ele passeia por ela e tira sarro da morte e do fim... Assuntos tabus já que nem sequer nos permitimos levar nossos filhos a velorios. E isso certamente é o que torna a passagem mais dolorosa quendo eles crescem e perdem um ente querido.
O Quintana de Cléber Lorenzoni me pareceu mais leve e por isso até, mais triste, embora o ator tenha tornado, propositalmente, superficiais algumas passagens. Que a interpretação de Lorenzoni nessa personagem é perfeita, já falei em outras colunas, mas o que talvez os jovens atores possam levar de inspiração, seja mesmo, o dominio do palco. E eles precisam, pois assim não veriamos por exemplo o livrinho nas mãos de Lili de ponta cabeça, ou a jovem Glorinha lendo um bloquinho em branco. Detalhes simples, que valorizariam o trabalho dessas atrizes. "Nada a menos que o prefeccionismo deve ser aceito". Quando exigimos de nós mesmos a perfeição, chegamos mais perto de alcançá-la.
Clara Devi estreou em Esconderijos com a maestria de uma grande atriz. Claro que uma bolada no rosto de Quintana, ou a perda de algumas piadas, devem ser concertadas. Os volumes de Alessandra Souza e de Fabio Novello nas cenas mais duras de seus personagens, caiu muito, a ponto de a ultima fileira não ouvir.
Pode-se procurar a pronuncia de um texto mais sentido, de palavras mais valorizadas, de compreensão mais elouquente. Um espetáculo literário precisa preocupar-se com uma boa oratória, com protuguês correto. Principalmente, há de se importar com as palavras escritas por Quintana!
A parte técnica do espetáculo também merece aplausos, erguer um cenário como o desse trabalho, dentro de um CTG, sem o mínimo de estrutura, é merito louvavel, o banco substituto, a luz improvisada. O velho e bom Grupo Máschara. A trilha no entanto foi prejudicada e precisa de maior leveza em sua operação. Tchaikovsky deve entrar antes do anjinho aparecer na cena.
O anjo de bigodes, a nudes de Lili que escapa pela coxia, a falta de ritmo, e por fim, a luz que não apagou no adormecer de Mario. Tudo são detalhes, e eles começam uma semana antes, quando se organiza o material de viagem, quando se sobe na van... Na critica anterior, referi-me aos anciãos, e suas funçòes e comprometimentos. São importantissimos para os jovens atores, os exemplos que os anciãos dão. O presidente dos Estados Unidos John Kennedy costumava dizer: Não pergunte o que seu país pode fazer por você, pergunte o que você pode fazer por seu país! Essa frase reflete um juramento criado em 2005 pelo diretor Cléber Lorenzoni.
O Grupo Máschara é por natureza mambembe, quando vi o ônibus estacionado, as pessoas carregando coisas, os artistas na pequena cidade. A animação, os olhos acelerados, os cochichos, a curiosidade... Quem leva teatro na sua cidade, no interior, que principalmente o clima, a legria que ''artista'' leva na bagagem. Viajar é preciso, com arte! Sorrir, conversar agradavelmente com os contratantes, apresentar-se, ser gentil... Isso é parte do jogo!
O melhor: Colocar novamente um espetáculo tão lindo no palco.
O pior: Ofertar espetáculo adulto às crianças.
Espetáculo Esconderijos do Tempo
Texto: Cléber Lorenzoni e Dulce Jorge
Direção: Cléber Lorenzoni
Elenco:
Cléber Lorenzoni (***)
Renato Casagrande (**)
Alessandra Souza (*)
Fabio Novello (***)
Clara Devi (***)
Antonia Serquevitio (*)
Vitoria Ramos (**)
Dulce Jorge (***)
Raquel Arigony (**)
Eliani Alessio (***)
Romeu Waier (**)
Carol Guma (**)







































