terça-feira, 24 de novembro de 2015

Zah Zuuu - Ultima inserção na Matinê do Máschara

                      As coisas acontecem quando as pessoas remangam as mangas e fazem algo juntas. Zah Zuuu não lotou a sala de espetáculos adaptada, e nem mesmo parece ter agradado muito. Mas satisfez o elenco e isso em uma luta tão árdua pelo teatro, é luz dentro de uma casa. Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande desafiaram-se e criaram um libelo ao prazer em fazer teatro. O ator deve ter prazer naquilo que faz. Mas nunca deve parar ou estagnar. Faltou a Zah Zuuu a perfeição técnica, a entrega desmedida, o desafio de equipe.
                        Renato Casagrande precisa de mais ensaios, até para formalizar cada marca e cada improviso. Mas não precisa ficar tão nervoso, pois possui um talento nato para o contato com o público. Cléber consegue salvar várias piadas e isso é muito importante. O Ator não pode se deixar desmotivar se uma cena ou piada não funciona. Precisa pelo contrário, respirar fundo e estar pronto para com o apoio do elan, salvar uma cena, recomeçar no parâmetro da energia. 
                         Zah Zuuu passa voando, sinal de que não possui barrigas, é rápido, ágil e leve. A mensagem passada é principalmente a da diversão e ainda a da paciência, não leve a vida tão estressadamente. 
                            Os balões na cena final de Zah Zuuu surpreendem, causam definitivamente um agradável efeito. É engraçado que sempre tive um pé atrás com palhaços, Durante a encenação no entanto, vai ficando clara a tênue linha entre palhaço e clown. O clown possui uma existência muito própria, muito vivaz e sarcástica no bom sentido.  A gag da almofada é a da porta, funcionam muito bem. A cena da mamadeira precisa ser melhor resolvida. E o final não foi preciso como deveria. Mas a humildade e a delicadeza do tema tocam a adultos e crianças. 
                                Ser bons atores, essa é a busca, penso eu, de um grupo tão tradicional. As vezes tradicional demais. Mas nessa caminhada, humildade e generosidade devem ser constantes. Pendurar um holofote, ou instalar um aparelho de som não torna ninguém melhor que ninguém. É útil, necessário e valorizado, mas é apenas trabalho. As vezes alguns artistas se enchem de orgulho por aquilo que sabem fazer, mas esquecem que desde que o mundo é mundo, as pessoas são substituíveis. 
                                 O Grupo Máschara vem fazendo teatro bom há 23 anos, não foi o orgulho, a prepotência e a arrogância que o trouxeram até aqui.


A Rainha


Cléber Lorenzoni (**)
Renato Casagrande (*)
Alessandra Souza (**)
Evaldo Goulart (**)
Ricardo Fenner (**)
Douglas Maldaner (**)
Gabriel Araujo (*)

                          

O Incidente em Carlos Barbosa


Papai Noel e seus ajudantes do Máschara


terça-feira, 17 de novembro de 2015

Zah Zuuu (tomo 3) -725

             Constantemente me questiono quanto à importância da versatilidade de um ator. Surgem logicamente muitos atores que facilmente interpretam um bom papel, mas que nunca mais são vistos em nada. Não conseguem vestir outra roupagem. Possivelmente só tinham um pequeno punhado de coisas a serem ditas ao mundo, e essas coisas foram ditas nesse único papel. Constantemente artistas se afastam das companhias , deixando um vazio em seus ex-colegas e parecem ter exagerado em seu dito apego ao teatro. Para alguns o teatro é a solução para uma sede, um vazio imediato. Para outros o teatro é acompanhante para a vida inteira.
                   No Máschara dois grandes momentos me emocionaram muito, um deles foi a construção do espetáculo As Balzaquianas, o outro é a concepção de Zah Zuuu. Existem certamente várias formas de se conceber um espetáculo, mas prefiro os que surgem de verdades próprias,  os que em um primeiro momento parecem ideias descabidas. Esses não surgem com planos de agradar ninguém, eles refletem a vontade do artista comunicar-se, nascem do mais profundo do ser humano. Natural portanto terem surgido dos atores de status mais alto. Por que? Por que o teatro é uma caminhada. Uma caminhada de amadurecimento, de convívio, de compreensão ética e estética. 
                      Atualmente no Grupo Máschara, o elenco está se dividindo em dois grupos, o primeiro formado por um grupo que possui um conhecimento razoável, outro por um grupo que tem bastante dificuldade e parece esperar que o conhecimento caia do céu. O problema causado por isso é óbvio e prejudicialíssimo; os atores que detém o conhecimento não possuem muita paciência para passá-lo a diante, os que estão no segundo grupo, não sabem como adquiri-lo. Assim sendo, cada um continua em seu mundinho e o grande prazer do teatro, que é a troca, não acontece. 
                         Em Zah Zuuu, percebe-se a pouca evolução, e o pouco interesse em evoluir, por parte da equipe técnica. A trilha sonora depois de três domingos continua problemática. A contra-regragem deveria ser mais precisa, perfeita, pois um jovem ator que executa com perfeição uma contra-regragem será logicamente um ator melhor, adiante em sua carreira. Zah Zuuu não possui iluminador certo e aliás o Máschara possui pessoas demais "quebrando galhos". Isso gera incerteza, e desorganização. E a equipe não cresce. Meu conselho? Encerrar 2015 com todos os espetáculos e escolher para 2016 dois grandes trabalhos unicamente. Com equipes fechada. Se durante esse período alguém desistir, acabar com o projeto e recomeçar com novo projeto. 
                           Outro ponto a ser comentado é a importância da Matinê do Máschara, ela é como um curso, uma profissionalização que se faz durante um mês. Lili Inventa o Mundo por exemplo (apresentada no mês de julho), foi evoluindo de tal forma que na sua ultima apresentação alcançou uma deliciosa plenitude interpretativa. Na sequencia ocorreu o mesmo com os outros espetáculos. Zah Zuuu tem evoluído a cada domingo e que sucesso não alcançaria por exemplo Olhai os Lírios do Campo se tivesse quatro oportunidades de ser apresentado em um mesmo mês. Por isso a Matinê do Máschara não pode acabar. 
                        Zah Zuuu é uma das melhora ideias do Máschara, só não é um dos melhores espetáculos do Máschara, por que a equipe tem levado Zah Zuuu sem a seriedade merecida.


Cléber Lorenzoni (**)
Renato Casagrande (**)
Alessandra Souza (*)
Evaldo Goulart (*)
Douglas Maldaner (**)
Gabriel Giacomini (**)

                                      A Rainha
                           
                           

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Renato Casagrande, Dulce Jorge e Cléber Lorenzoni em dia de estréia


Público de Zah Zuuu ao lado do clown Babah


Com o público


Babah e Rahri


1ª e 2ª desenhos de Babah...


O desenho de Rahri na terceira Matinê de Zah ZuuuZah