domingo, 24 de março de 2024
Elenco da Paixão 2024
quarta-feira, 13 de março de 2024
sexta-feira, 8 de março de 2024
quarta-feira, 6 de março de 2024
1164- Lili Inventa o Mundo - tomo CXXVI - Humaitá.
O que falar de um espetáculo com mais de cem apresentações? Talvez não haja realmente mais nada a ser dito sobre o espetáculo Lili Inventa o Mundo. Porém o espetáculo tem muito a dizer para o público infantil, afinal de contas, fala sobre leitura, sobre poesia, sobre amizade, sobre coragem, fé, e outros múltiplos temas que são um verdadeiro presente às nossas crianças; O texto de Cléber Lorenzoni, inspirado na obra de Quintana, chega a 125ª apresentação, e é uma porta de entrada para o tipo de interpretação do Máschara. Praticamente todos os integrantes a partir de 2006, vestiram os costumes de Lili Inventa o Mundo.
A inesquecível Angélica Erthel, Gabriel Wink, Gelton Quadros, Tatiana Quadros, são alguns dos tantos talentos que a cada geração agregaram e aprenderam com a cena.
Mas por que Lili nos toca tanto? Porquê nos sentimos crianças?! Porquê o universo do espetáculo passeia pela nossa mente. Mario colocou no texto duas fadas, ao que parece uma boa e uma má. Uma paródia eu diria de O Mágico de Óz, onde há duas bruxas. A boa do oeste e a má do leste.
No tomo da vez, mais uma estreia, Carol Guma, divide o palco com veteranos e jovens atores e prometheus. São mais de quarenta minutos de uma delicada trama que envolve canções, musicadas por Dulce Jorge, brincadeiras, e claro um bufo e um clown. O bufão, apropria-se da cena e comanda visivelmente a festa. Aliás, o prólogo proposto pelo "senhor poeta" nos mostrou a importância do bom diálogo com as crianças, reforçou também o poder do lúdico.
Alguns atores aliás precisam buscar esse lugar, ele é importantíssimo aos bons atores, ele nasce lá na iniciação teatral, ou não. O clown de Serquevitio, pode e deve ser mais efetivo, mais presente, brincalhão. A psique da personagem deve ser mais rápida que sua ação. Malaquias é uma criatura que nos lembra aqueles mascotes de filmes de fábulas. Uma criatura encantada. Indico ao elenco aprender percussão e afinar o ouvido, junto aos expoentes mais antigos da trupe. A rainha das rainhas de Carol Guma é muito doce e tem um gestual encantador, precisa agora apropriar-se do espetáculo como um todo. Torço que a decima segunda rainha das rainhas da peça, permaneça.
Nicolas Miranda pode buscar mais emoção na transformação, mas o mais importante a todos do elenco: ouvir, ouvir, ouvir!!! A ausência de "ouvir", está visível e audível, no fato de que em quase todas as piadas do elenco atropelou-se o riso da plateia. Isso se chama triangulação! A piada é dada, bate na plateia e volta para que o outro ator encerre. Renato Casagrande carrega o mérito de uma personagem bem constituída que não cai no lugar fácil da interpretação infantil.
Lili Inventa o mundo tem uma leveza, um visual delicado, inspirado em cores, movimentos e desenhos vocálicos que nos fazem ver o teatro com outro olhar. Lili é uma menina curiosa, mas intimidada por não conseguir compreender a poesia, talvez por que os adultos a tenham elitizado e a tornado algo quase inalcançável. Porém a poesia está em toda a parte, ela é a natureza versos o homem, vivendo junto e se indagando sobre a beleza e a dor da existência. Tudo é poesia e por isso Lili vai inventando seu mundo.
E pensar que a estreia desse espetáculo foi na cidade de Sinimbu em abril de 2006, o mundo mudou muito de lá pra cá, mas não mudou a certeza de que o bom teatro não passa...
O Melhor: O diálogo entre o Senhor Poeta e o público, mostrando que no palco atores são reis e devem ser respeitados.
O Pior: O ato do elenco fazer perguntas ao público e depois não conseguir dominá-los.
Arte é Vida
A Rainha
LilI Invent ao Mundo (2006)
Direção: Cléber Lorenzoni
Elenco: Clara Devi (**)
Cléber Lorenzoni (***)
Renato Casagrande (***)
Nicolas Miranda (**)
Antonia Serquevitio (**)
Carol Guma (***)
Contra-regragem - Ellen Faccin
Ana Kraemer
segunda-feira, 4 de março de 2024
1163- A Hora da Estrela - (tomo VIII)
Um espetáculo que precisa ser visto e revisto.
Lorenzoni troca a atriz, mas mantém a vigorosa mensagem de A Hora da Estrela. Observando as dificuldades enfrentadas para o espetáculo subir ao palco, senti por um momento um certo condoimento pelos artistas de teatro. Devido as péssimas qualidades arquitetônicas dos espaços teatrais pelo interior, os espetáculos não conseguem exercer com toda a qualidade seus trabalhos, afinal de contas, tamanhos de palcos, ausência de pé direito (urdimento), pouco material de luz, tudo isso e muito mais, acabam por diminuir a qualidade da cena ofertada. A arte do artista sai prejudicada, e a mensagem não se conclui. Um exemplo disso foram as duas cadeiras, que nada tem a ver com a visão do encenador e que destoam o tempo todo.
Mas nos atenhamos ao que temos, sob a luz poderosa de Grotowski e seu teatro pobre, sobre os ensinamentos de que teatro é uma historia bem contada. Macabéa nos conta grandes coisas, auxiliada por um elenco forte e unido. Lorenzoni, Casagrande, Miranda, Waier, Novello, Serquevitio, Devi, Arigony e Guma, se esmeraram para preencher frestas, e assim conduzir a estreante na peça Ellen Faccin. Conduzir para o grande final que já conhecemos.
Ellen Faccin já surpreendera nos ensaios e agora surpreende como mulher desprovida de vaidade, sem poesia alguma e muito simples. Houve alguns pecados em relação à curva dramática, acarretados possivelmente pela falta de ensaios.
Há em A hora da Estrela um lado bom em cada personagem, o médico que aconselha, o chefe que acaba por não demitir, a dona da pensão que oferta estadia gratuita, até as colegas de quarto têm seu lado humano. Ou seja, há esperança em vários personagens. Serquevitio substitui bem, mas fica uma pergunta, a interprete está interpretando Marilyn ou Laura Hoover dirigida por Cléber Lorenzoni.
Clara Devi retorna ao palco com uma deliciosa veia cômica, mas precisa interagir mais com os colegas e Raquel Arigony precisa de mais ensaios. As cores todas são muito bem escolhidas, o visual de cada lugar compõe muito bem, e é interessante ver uma cidade que não tem o costume do teatro, assistindo um espetáculo que esbanja códigos típicos do mise en scene. Também por isso A hora da estrela é um grande espetáculo, por que carrega o lugar magistral do teatro, irredutível, irrepetível. Alí é o corpo energizado do ator que dá formas e não um corpo torneado por phtoshop, mas formado por interpretação e reflexão. As cenas mais amargas, dolorosas do espetáculo, são lindas. Claro que senti em mim a extirpação da personagem da tia, por outro lado as pontuais personagens em status um e dois do espetáculo preencheram vazios. Cléber Lorenzoni consegue ser muito rápido em caracterização e mal deu para perceber que Olimpio e Madame Carlota eram a mesma pessoa. Kleberson, o aprendiz, por outro lado assumiu a sonoplastia praticamente em cima da hora, mas foi bem guiado por mestres.
O Melhor: A conversa do diretor com a plateia
O Pior: A ausência da personagem da tia.
Arte é VIda A Rainha
A Hora da Estrela
Direção: Cléber Lorenzoni
Elenco: Ellen Faccin (***)
Renato Casagrande (**)
Cléber Lorenzoni (**)
Carol Guma (**)
Antonia Serquevitio (**)
Romeu Waier (**)
Clara Devi (**)
Nicolas Miranda (**)
Raquel Arigony (**)
Fabio Novello (**)
Contra-Regragem : Kleberson Ben Borges (**)
Ana Clara Kraemer (***)










