domingo, 29 de agosto de 2010

Diário de Bordo- Lili Inventa o Mundo em Progresso, duas seções

Grandes Esperanças
              Se o Deus cristão escreve certo por linhas tortas, que diremos de Baco (ou Dionísio), entorpecido do melhor vinho do Olímpo? Deve fazer grandes rabíscos, sair da linha constantemente enquanto nós, pobres mortais tentanos compreender e nos adecuar aqui embaixo. 
               Em Progresso, a auxência de uma atriz, levou o Máschara a readaptar o espetáculo Lili Inventa o Mundo. E o que conquistaram? Um degrau a mais na carreira de Alessandra Souza, que soube interpretar a Fada Mascarada com louvor. Tudo tomou um anova leitura, ao invés de seis atores tinhamos cinco, mas o jogo era impecável. Na primeira tinhamos microfones prejudicando de certa forma o trabalho corporal da trupe. Contudo na segunda encenação, já sem microfones, a conexão atores-público foi radiante. Aliás é importante para Alessandra Souza e Renato Casagrande, aprenderem a melhor se portar quando da necessidade de microfones no espetáculo.
                 Uma professora fez a gentileza de quase dormir durante o espetáculo, claro que não teve culpa, devia estar cansada, e os atores em cena souberam demonstrar sua insatisfação com a situação. Ora, os professores devem estar alí em prol da arte, como fomentadores, incentivando as crianças e não tão pouco dispostos como alguns dos presentes. Mas a arte é assim, tem momentos, tem caminhos, as vezes envolve, as vezes distancía. A arte é por demais complexa.
                   Lili Inventa o Mundo é um espetáculo de 2006, mas ainda comove, não perde a essencia, suas poesias chegam vivas nas crianças em forma de encenação. Mesmo os adultos se deixam tocar por elas e captam a idéia de que devemos manter sempre uma crianças em nossos corações.
                   Cléber Lorenzoni estava vivo, como não o vía há tempos, provavelmente impolgado pelo desafio da troca de elenco. Angélica Ertel e Gabriel Wink também transmitiam virtuosidade cênica. Enfim, vigor de um espetáculo infantil apresentado em um espaço todo adaptado, mérito do Grupo Máschara, um dos melhores do estado sem dúvida.


                                                             A Rainha
               



sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Diário de Bordo- A Maldição do Vale Negro em Soledade

O Paradoxo da falta de estrutura.

Quando os governantes decidem fazer benfeitoriasnem seus governos construíndo espaços culturais, não se preocupam em pedir auxilio à artistas ou pessoas capacitadas que no mínimo compreendem as necessidades da arte-cênica. Conclusão: O que é oferecido são ótimos espaços para conferências e palestras, nunca teatros.
Aliás há um caso marcante sobre a inauguração do famoso TBC, Teatro Brasileiro de Comédias, fundado no Rio de Janeiro na década de 40. Na ocasião a imortal atriz Cacilda Becker, foi convidada para brindar o novo teatro com uma garrafa de champagne a ser quebrada no palco do novo espaço. No entanto a atriz foi surpreendida com uma coluna de alicerce no centro do palco. Intrigada, foi naquela coluna que Cacilda quebrou a garrafa e os atores do TBC passaram o resto dos anos fazendo espetáculos a se adaptar aquela coluna...
Enfim espaços sem urdimento, coxias, rotundas, cortinas, iluminação e pasmem, até sem sonorização, são oferecidos para que artistas que vem de longe façam seu trabalho. E os organizadores de tais eventos não tolerariam menos que o melhor. O que ocorre? Diretores extressados, atores nervosos e técnicos a beira de um ataque histérico. 
Claro que o público quer ver a interpretação, no entanto o teatro contemporâneo nos chega munido de grande recurso técnico, show de luzes, cabos de aço, alçapões... E como pedir a um diretor que extirpe membros de seu espetáculo convertendo-o em algo inferior ao que concebeu.
Domingo em Soledade, via-se o transtorno do diretor desesperado tentando ofertar seu melhor. No palco, luzes pares, canhões de Lead. Blecautes sem dimmer. Um inferno dantesco. Felizmente o elenco estava afiado e o público viu o melhor do Máschara. Um arrojo. Aliás os soledadenses já assistiram O Incidente, Esconderijos do Tempo, Ed Mort e agora o universo de Rosalinda, Maurício, e Agatha. 
Os ciganos roubaram novamente a cena com o jogo impecável de Ricardo Fenner e Gabriel Wink. À Angélica Ertel coube a sonoplastia e a iluminação, que fez com exatidão e sensibilidade.
O aplauso foi caloroso, e o Máschara sem dúvida lógo voltará àquelas paragens.


A Rainha

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Diário de Bordo XIII - Ed Mort no 34º Cena às 7

Quem vive de passado é museu!!!

          Quem disse essa frase com certeza não freqüenta museus e nem ao menos percebe o valor que eles tem na nossa vida. Relembrar, valorizar, deixar-se conduzir pela nostalgia, tudo isso me parece tão agradável. São as lembranças boas que dão força para continuar...
             Hoje o Cena às 7 teve gostinho de saudade, no palco Marcele Franco, atriz que eu nem esperava rever atuando, Tatiana Quadros que aos poucos se despede da compania, na assistência: Kauane Linasse, que rapidamente passou pelo Máschara, Kellem Padilha, a eterna Shirley Terezinha, e Luis Fernando Lara que foi quem deu nome ao personagem Luisinho de O Feriadão. Todos alí, agrupados àquele clima de recordação. Hoje me perguntei qual é o verdadeiro sentido do Cena às 7, aí tirei novas conclusões, ele também é uma forma de levar os artistas do teatro paras a Casa de Cultura de Cruz Alta. E gostaria de rever tantos outros... Tantos outros que estão por aí mas que não serão esquecidos. O esquecimento é o pior castigo que alguém pode receber. A vontade de ser eternizado, de não passar em branco, de não ser esquecido faz parte da gama de desejos de nossos artistas.
Apesar do frio e da chuva, o público se fez presente e o elenco não deixou a desejar. Dulce Jorge ainda mais sensual voltou agora remodelada, e convenceu ainda mais dentro da proposta. Ricardo Fenner cada dia com mais química, criando ótimas conexões com os outros atores. A dobradinha com Cléber Lorenzoni que tão bem se apresenta em A Maldição, continua tão viva quanto sempre.
                 O espetáculo Ed Mort tem um texto simples, de fácil compreensão. O público ri agradavelmente. E grande parte da comicidade está nas gags do personagem título. Cléber Lorenzoni de Edna é um personagem a mais, uma carta na manga que faz o público ir ao delírio, como se fossem dois espetáculos. Um antes da transformação e outro após.
                  As crianças estão mais vivas, Alessandra Souza um pouco afoita. É preciso compreender sempre o foco da cena. Saber atrair a atenção da platéia sem estragar piadas... Houve quedas, perdas em cena, resvalões, mas tudo muito bem resolvido, como o momento da "queda capilar".
                      Enfim, foi mais uma agradável noite de teatro, para os admiradores e creio que para o elenco. Foi noite de lembrança. Foi uma ótima ída ao museu, pois lá ficaram guardadas as melhores coisas, as que mereceram ser imortais...


                                                                                   A Rainha

terça-feira, 20 de julho de 2010

Encontro do Grupo Máschara no Cena às 7


Em Cima: Ricardo Fenner, Tatiana Quadros, Kelem Padilha, Luis Fernando Lara, Angélica Ertel, Dulce Jorge, Alessandra Souza, Renato Casagrande.
Em Baixo: Kauane linasse, Cléber Lorenzoni, Marcele Franco, Gabriel Wink e Roberta Correa