quarta-feira, 12 de junho de 2013

Esconderijos do Tempo - Santa Rosa/Junho

                   Sempre que Esconderijos do Tempo é apresentado para um novo público, a reação é de surpresa, as pessoas não imaginam que um espetáculo de teatro possa chegar tão perto da real pequenez  humana, a total condição de fragilidade de nossa espécie, a decadente caminhada do homem ao seu fim, e a solidão que portanto o acompanha. Alguns até torcem o nariz,  pois Esconderijos as vezes parece brega, meio cliche, e acredito que todos os espetáculos que tenham essa característica de aproximar-se da realidade humana,sofram esse preconceito,  é como se os proprios artistas tivessem um certo que com algo que tem os pés tão no chão. 
                            Em cena nossos já conhecidos atores dividem a cena com A veterana Tatiana Quadros que retornou aos palcos. A atriz traz de volta a presença e a seriedade com quem sempre tratou a cena. Fernanda Peres não deu o show que dera em sua estreia como Glorinha, o ator precisa ser ético, belo, íntegro e verossímil sempre, quando falo em ouvir, isso vai muito além de escutar, tem a ver com sentir o outro... A desenvoltura de Alessandra Souza em cena tem melhorado, bem como sua presença, seu vigor. Mas é preciso ter cuidado para não perder o ritmo. Glorinha nova soluciona sempre os problemas de texto, no entanto há de se tomar cuidado com a forma como isso se dá. Luis Fernando Lara podia estar mais inteiro em seu Gouvarinho, embora sua figura componha muito bem, algumas coisas não chegam. Dulce Jorge e Cléber Lorenzoni fizeram o que melhor fazem em suas carreiras, Mario e Glorinha. O Anjo de Renato Casagrande pontuou e Ricardo Fenner poderia ter dado mais força a sonoplastia, a música de abertura por exemplo merecia maior potência.
                             Não deixei de perceber que o figurino houve problemas com o figurino de Gouvarinho. Uma pena, para o ator, para a camareira e para o público.
                                Esconderijos vai continuar muito tempo, mas e o elenco?

Alessandra Souza (**)
Reenato Casagrande (**)
Cléber Lorenzoni (**)
Dulce Jorge (**)
Ricardo Fenner (**)
Gabriela Oliveira (*)
Evaldo Goulart (**)
Fernanda Peres (**)
Luis Fernando (**)
Tatiana Quadros (**)


A Rainha


A Serpente em junho de 2013


segunda-feira, 10 de junho de 2013

Lili Inventa o Mundo tomo 95 - Santa Rosa, 07/06/2013

            As pessoas mandam os filhos ao teatro para se eximirem da necessidade de também se deixar tocar pela arte. Existe uma frase que diz que se você quer educar uma criança deve começar pelos avós dela... A arte também precisa entrar em nossas casas para que nossos filhos aprendam desde pequenos o prazer de curtir uma obra. A Literatura, a dança, a musica e o teatro devem, precisam ser inspirados, incentivados desde a tenra idade. O Centro Cívico e Cultural recebeu no dia 07 de junho de 2013, mais de 500 crianças para assistir Lili Inventa o Mundo, a mais famosa montagem infantil do Grupo Máschara
           O espetáculo foi uma sequência de sucessos no que tange o trabalho dos atores, no entanto mais uma vez a parte técnica foi uma sequência de fracassos. Aliás o Máschara está passando por uma complicada fase no que diz respeito ao trabalho por traz das cortinas. Cléber Lorenzoni e Tatiana Quadros engraçadíssimos, Renato Casagrande a cada dia mais técnico, intuitivo e profissional, Alessandra Souza técnica e extremamente atenta nas coxias, Evaldo Goullart aprendendo o oficio a cada apresentação. O único aquém fica para a atriz Fernanda Perez que tem tido pouco cuidado com seus textos, engolindo frases importantes, e as vezes prejudicando as réplicas dos colegas. 
               Os figurinos coloridos, o cenário clean, e as maquiagens, tudo colabora para envolver adultos e crianças, mas fica a dica, alguns atores precisam ficar atentos, é nos detalhes que o teatro impera, no entanto as vezes algumas pequenas coisas passam desapercebidas e colocam em riso visual, compreensão e brilhantismo.
                 A coluna dos atores trabalha com maestria, precisão, e várias técnicas são percebidas na cena. Lili Inventa o Mundo agrada crianças e adultos, as vezes peca pelas pequenas barrigas que aparecem aqui e ali, mas não chegam a prejudicar a curva do espetáculo.
                  Evaldo Goullart precisa ter calma, as vezes quer correr demais, precisa também trabalhar mais o ritmo e a sonoridade nas cenas musicais. As vezes os volumes de alguns atores tendem a baixar um pouco o que é compreensível já que o espaço era extremamente grandioso. 
             O Teatro do Máschara traz sempre alguma ideologia muito forte por traz das ações, e inter-relação deve ser reflexo do tempo que o espetáculo tem, do prazer em fazer, e da potencialidade humana. A cena de transformação de Mathias foi prejudicada, mas achei genial os atores tentarem solucionar no palco. Lili Inventa o Mundo assemelha-se muito a teatro de rua, pelas centenas de opções que a equipe tem para salvar, modificar, adaptar, tudo na própria cena.  
               A linda trilha do espetáculo foi totalmente prejudicada, mal executada. Nem mesmo quando o intérprete de Senhor Poeta pediu musica a trilha não entrou, o que prova que não só alguns atores não escutam, mas também os técnicos. Nem mesmo a atual iluminadora nem o ex iluminador recordaram quais musicas deveriam ter entrado em quais momentos, isso entristece e revela o quanto a parte técnica dos espetáculos tem sido pouco levada em conta no Máschara. No entanto o sonoplasta, o iluminador, o contra-regra, todos eles tem tanta importância em um espetáculo quanto os atores... Uma pena!


A Rainha

Alessandra Souza (**)
Renato Casagrande (***)
Fernanda Peres (*)
Evaldo Goulart (***)
Tatiana Quadros (***)
Cléber Lorenzoni (***)
Gabriela Oliveira (*)
Luis Fernando Lara (*)

Pinhão e Caroba


A Serpente


Em Santa Rosa


domingo, 9 de junho de 2013

Ed Mort em Santa Rosa - 12ª Apresentação

           Uma vez questionei um grande mestre do teatro quanto ao que seriam seus principais alicerces em sua forma de fazer teatro. O primeiro item foi, a busca da perfeição. Mas aí me pergunto, perfeição em relação a que e como alcançar a perfeição? O Teatro tem tanta subjetividade, o bom e o ruim, o certo e o errado, o profissional e o amador, as convenções, etc... 
             Hoje pela manhã o Máschara apresentou-se em um antigo cinema de Santa Rosa, transformado em teatro. O local era muito grande, o palco enorme, o que como todo ator sabe, acaba por deixar o espetáculo mais lento, não havia uma iluminação apropriada, tudo foi feito de forma muito artesanal, dentro das possibilidades de tempo e do espaço. Ali observando fiquei me questionando o tipo de profissionalismo do Grupo Máschara. O Espetáculo atrasou alguns minutos, o cenário não era o do espetáculo, era algo adaptado, as coxias abertas em exagero revelavam os bastidores, e alguns atores não estavam inteiros em cena. Tudo isso poderia ser considerado falta de profissionalismo. No entanto observei todo um outro lado que me impede de não respeitar essa Cia. 
               No local não havia equipamento de luz e muito menos estrutura para posicionar a iluminação, sendo assim os próprios atores ficaram por longo tempo subindo em uma escada com 20 degraus e mais de seis metros de altura.  As coxias eram fixadas no grade inferior do urdimento, o que impedia seu deslocamento e melhor distribuição pela rotunda. As equipes de som e luz dos teatros do interior é muito disposta mas precisa se aprofundar no conhecimento de iluminação e sonorização de espetáculos teatrais, pois as vezes os artistas parecem os chatos só por que buscam o melhor. A Direção e o elenco de Ed Mort, Cléber Lorenzoni, Ricardo Fenner, Luis Fernando Lara ficaram por longo tempo pensando em uma iluminação que favorecesse o palco e agradasse a platéia. 
                 O Máschara quando chega em um local não se contenta em apenas apresentar seu espetáculo, mas em promover o espaço há algo o mais parecido possível com um ambiente teatral. Eis aí seu profissionalismo.  
                   Outra coisa que sempre me preocupa é a escolha dos espetáculos pelos produtores dos eventos, em relação ao público que assistirá, ao mesmo tempo esse constante despreocupação quanto a linguagem a que crianças são expostas. Não interessa se a televisão oferece determinados tipos equivocados de programações para o público infantil. O teatro tem a obrigação de respeitar a criança e oferecer espetáculos que façam jus a sua idade e compreensão.
                       Penso que com tantas apresentações sem o fundo com jornais, já deu para perceber que o mesmo é uma barriga desnecessária do espetáculo.
                   Cléber Lorenzoni com seu perfeito domínio de cena, adaptou rapidamente algumas réplicas. Seu Ed Mort estava muito mais corporal do que na apresentação anterior, mas acho que a curva do espetáculo não aconteceu como devia. Alessandra Souza está alongando cada vez mais os tempos de sua personagem, o ator tem que sempre lembrar que não é ficando mais tempo em foco que o faz ser mais ou menos importante. Fernanda Perez é o terceiro papel do espetáculo mas nessa apresentação esteve arrastada, sua voz baixa, seus tempos confusos. Sua primeira cena e penúltima cena foram boas, no entanto no restante do espetáculo passou desapercebida. O ator precisa sempre rever sua arte, sua performance. Cuidar do seu corpo, mente, voz e saúde, pois seu material de trabalho é seu corpo. Ricardo Fenner destacou-se mais nessa apresentação, está apurando seu ouvido o observando melhor as falas dos colegas e nisso consiste o teatro, ouvir o outro, percebendo sua respiração. Se dança é equilíbrio, teatro é respiração.
Renato Casagrande esteve inteiro em cena, mas precisa tomar cuidado com a superficialidade na qual a versatilidade pode incorrer. A sonoplastia esteve agradável, sem erros e com acertos esperados. Quanto a iluminação, teve acendimentos e apagões confusos, que felizmente não interferiram suficientemente na narrativa, compreender a iluminação tem mais haver com noções de pôr luz no breu ou sombras na luz, e encontrar a adequação dessas forças em relação ao espetáculo.
                           Tatiana Quadros esteve bem em cena, mas não se destacou como no 59º Cena às 7. Evaldo Goulart precisa somar a sua preocupação com voz e corpo, a localizar-se no espaço e procurar a luz. Para encerrar Dulce Jorge jogou com precisão e ousou com outro penteado em Baby, gosto de todos, mas está mais que na hora da atriz decidir qual é o cabelo de Penélope.
                                 Ed Mort é uma comédia divertida, porém simplória demais. Uma boa escolha para começar a tournê em Santa Rosa. Esperamos que nos próximos espetáculos da mesma haja maior virtuosismo por parte dos atores.

Teatro já é um oficio tão desrespeitado, é preciso que o profissional de teatro se faça respeitar. 

Fernanda Peres, Gabriela Oliveira *
Cléber Lorenzoni, Renato Casagrande, Dulce Jorge, Tatiana Quadros, Evaldo Goulart,  Alessandra Souza, Luis Fernando **
Ricardo Fenner ***


A Rainha
                      
                   

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Breve Currículo

-O Santo e a Porca - 2012 Direção Cléber Lorenzoni Texto de Ariano Suassuna
-Os Saltimbancos - 2012 Direção Cléber Lorenzoni Texto de Chico Buarque
-Deu a Louca no Ator - 2011 Direção Cléber Lorenzoni Texto de Antonio Fagundes
-As Balzaquianas - 2011  Direção Cléber Lorenzoni e Angelica Hertel
-A Maldição do Vale Negro -2009 Direção Cléber Lorenzoni Texto Caio Fernando Abreu
-Ed Mort - 2008 Direção Cléber Lorenzoni Texto Luis Fernando Verissimo
-Um Inimigo do Povo 2007 Direção Cléber Lorenzoni Texto Ibsen
-Romeu e Julieta 2006 Direção Cleber Lorenzoni Texto Shakespeare
-Lili Inventa o Mundo Direção Cléber Lorenzoni Texto Adaptação da obra infantil de Mario Quintana
- Esconderijos do Tempo 2006 Direção Cléber Lorenzoni Texto Adaptação da Obra de Mário Quintana
-O Castelo Encantado 2005 Direção Cléber Lorenzoni Texto Adaptação das obras infantis de Erico Vertissimo
-O Incidente 2005 Direção Cléber Lorenzoni Texto Adaptação da obra Incidente em Antares
-Bodas de Sangue 2003 Direção Cléber Lorenzoni Texto Federico Garcia Lorca
-Feriadão 2002 Direção Cléber Lorenzoni Texto HErcules Grecco
-Macbeth 2002 Direção Cléber Lorenzoni Texto Shakespeare
-Tartufo 2001 Direção Cléber Lorenzoni Texto Molière
-Antígona 2000 Direção Cléber Lorenzoni Texto Sófocl
-O Conto da Carrocinha 1999 Direção Dulce Jorge Texto: Adaptação dos contos de Andersen
-Dorotéia 1998 Direção Helquer Paez Texto : NElson Rodrigues
-Bulunga O Rei Azul 1997 Direção: Dulce Jorge Texto Pedro
-Cordélia Brasil 1995 Direção Cezar Dors Texto Antonio Bivar
-Um dia a Casa Cai 1992 Direção Giane Ries Texto Ivo Bender