sexta-feira, 17 de julho de 2026

Breve gênese do Máschara

 

 

Breve História de um Grupo Teatral

 

 

 

Gênese (1992-1999)

01

1992 -Um dia a Casa Cai- Texto de Ivo Bender –(comédia)

02

03

1993 – A bruxinha que era boa –Maria Clara Machado –(comédia infantil)
1993-Doce Quente da dor de barriga na gente-Dulce Jorge (comédia infantil)

04

1994 – O dia em que Júpiter encontrou Saturno – (esquete)

05

1995 –Cordelia Brasil – Texto Antonio Bivar –(tragicomédia)

06

1996 –Bulunga o Rei Azul- Texto Dulce Jorge –(fábula infantil)

07

1997 –Um dia a Casa cai- Remontagem (comédia)

08

1998 – Dorotéia -Texto de Nelson Rodrigues – (farsa trágica)

09

1999 -O conto da carrocinha – roteiro de Cléber Lorenzoni – (clown)

 

Fase Clássica (2000-2004)

10

2000- Antígona -Texto de Sófocles – (tragédia grega)

11

2001-Tartufo- Texto de Molière (comédia clássica)

12

2002- Macbeth-Texto de Shakespeare (tragédia-elisabetana)

13

2002-Feriadão – Texto de Hércules Grecco (educativo-infantil)

14

15

2003- Bodas de Sangue- Texto de Lorca (tragédia rural)
2005-Romeu e Julieta-Shakespeare
Teatro com dança

 

Fase Literária (2005-2008)

16

2005-O Incidente- da obra de Erico Verissimo-(Realismo Fantástico)

17

2005-O castelo Encantado – da obra de Verissimo (comédia infantil)

18

2006-Esconderijos do Tempo-da obra de Mario Quintana(Drama)

19

2006-Lili Inventa o Mundo - da obra de Quintana ( infantil)

20

2007- Um Inimigo do Povo -da obra de Ibsen (Drama)

21

2008 -Ed Mort -da obra de Luís Fernando Verissimo (comédia)

 

Construção de uma personalidade (2009-2015)

22

2009-A Maldição do Vale Negro- Caio Fernando Abreu(melodrama-besteirol)

23

2011-As Balzaquianas-Inspirado em A rainha do rádio-(tragicomédia)

24

2011-Deu a Louca no Ator-Texto de Antonio Fagundes (Comédia)

25

2012  - Os Saltimbancos -Texto de Chico Buarque (musical infantil)

26

2012- O santo e a porca -texto de Ariano Suassuna(comédia)

27

2013-A Serpente -texto Nelson Rodrigues-(Tragédia carioca)

28

29

2015-Olhai os Lírios do Campo-Erico Verissimo (melodrama)
2015-Empresa do Futuro-Texto Ricardo Fenner (esquete empresarial)

30

2015-Zah Zuuu -Roteiro de Cléber Lorenzoni (clown infantil)

 

ESMATE  (2013-atual)

01B

2016-Confusões e Trapalhadas na Villa Pantalônica

02B

2017-Bruxamentos e Encantarias -Texto Lorenzoni-(comédia infantil)

03B
04B
05B
06B
07B

08B

09B

 2018-Lendas da Mui Leal Cidade-Texto Lorenzoni e Casagrande(Drama histórico)
2019-O Hipocondríaco -texto de Cléber Lorenzoni (comédia farsesca) 
2019-A Hora da Estrela (drama literário)
2019-A Noviça Rebelde (melodrama realista)
2023-O Cavalinho Azul (Drama Infantil)

2024- Os contos do Vovô Erico

2025-As mulheres de Erico Verissimo (performance)

 

Grandes Espetáculos a céu aberto (2017-atual)

31

2017-A maior História de todos os tempos -Texto de Lorenzoni (Paixão 1)

32

2017-A história da família de Nazaré-Texto de Lorenzoni e Casagrande(Auto 1)

33

2018-As Mulheres ao redor de Cristo-Texto de Lorenzoni (Paixão 2)

34

2018-Um milagre de natal (Auto 2)

35

2019-Cristo-Texto de Lorenzoni (Paixão 3)

36

2022-O Menino entre o bem e o mal (Paixão 4)

37

38

39

40

41

42

2022-La Sacra Alegria (auto 3)
2023-A Mãe do Redentor(Paixão 5)
2024-O Julgamento do Messias (Paixão 6)
2025-Entre eles estava Jesus (Paixão 7)

2025-A Fé se renova (Alegrete)

2026-Me dê sua mão (Paixão 8)

 

TEATRO NO ALEGRETE (COARTE)

43

44

 

45

 

2025-A Fé se Renova (paixão de Cristo)

2025-Para todos os povos, para todas as raças(auto)

2026-Me dÊ sua mão (Paixão de Cristo)

2026- Quintanares – O menino Pássaro

 

Maturidade (2016-atual)

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51

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53

2016-Complexo de Elecktra-Adaptação de Ivo Bender (Tragédia)

2017-A roupa Nova do Rei- Da obra de Andersem (Conto Infantil)

2019-Tem Chorume no Quintal (Comédia educativa)

 2018-Infância Roubada

2020-O Menino do Pastoreio

2021-O  Grande Circo Mágico

2022-A boneca gente  (performance)

2023-Dona Flica e seus dois maridos (autoral)

2025-Rei Lixo (Shakespeare)



 

Audio-Visual (2020)

01C

2020- Contos do Vovô Erico - cinco episódios

06C

2020- Lendas da Mui Leal Cidade- (episódio 1)

Em Agosto, mais um grande espetáculo do Máschara


 

Oficina com alunos da escola Margarida Pardelhas


 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

ARTIGO IV - Para artistas de teatro



Entre linguagens

                Saí de casa ontem para uma apresentação no Instituto Annes Dias como ator convidado. Confesso que, antes mesmo de entrar em cena, já carregava comigo uma inquietação. Não era nervosismo, era uma curiosidade.  Quando um artista desse ofício atravessa a porta de um teatro que não é o seu, leva consigo muito mais do que o figurino ou o texto decorado. Leva sua história. Leva seus vícios. Suas certezas e convicções. Sua forma de respirar o palco. Leva, sobretudo, a linguagem que aprendeu a construir ao longo dos anos. Para agravar, minha visão é de diretor, muito embora eu sempre tenha apreciado aprender, mantenho a curiosidade, qual criança que descobre sempre uma nova brincadeira.

                No entanto, sabia que pisaria em um terreno onde outra visão de teatro conduzia o trabalho. Outro diretor. Outra maneira de pensar a cena. Outra estética. Outra pulsação.

                Somos, claro, irmãos de ofício, mas eu pergunto: quantos caminhos cabem dentro dessa mesma irmandade?

                O teatro tem essa estranha capacidade de reunir artistas que perseguem o mesmo objetivo por estradas completamente diferentes. Alguns lapidam a cena como quem esculpe mármore. Outros a deixam nascer quase selvagem, confiando na arte do momento... alguns preferem a precisão matemática, outros o risco do improviso. Há quem organize tudo em gráficos, e essa é minha linha. Há quem provoque o caos para depois encontrar a ordem e claro que nenhuma dessas opções invalida a outra!

                 Ou seja, elas conversam, ou deveriam conversar....

                 O teatro do Grupo Máschara possui princípios que vêm sendo desenvolvidos há muitos anos. São fundamentos que, pouco a pouco, deixaram de ser apenas técnicas para se transformarem numa maneira de compreender o palco. Estão enraizados em nós. Moldam nossa escuta, nosso olhar, nossa relação com a personagem e com o público.     Talvez até por isso o encontro com outra linguagem seja tão necessário.

                 Quando esse teatro encontra um fazer cênico mais despojado, mais intuitivo, mas igualmente vivo e pulsante, acontece algo muito interessante: surgem rupturas. Percebemos que existem outras possibilidades, já que métodos não são prisões, ou ao menos não deveriam ser. Isso sem falar que quanto maior for nosso repertório de linguagens, maior será nossa liberdade como artistas.

                Não acredito que um ator deva abandonar sua identidade para experimentar outra estética. Pelo contrário. Ser artista é, justamente, possuir uma maneira singular de enxergar o mundo, e é isso que nos torna únicos. Também devemos entender que identidade não é sinônimo de rigidez.

                  Não devemos nos esquecer que quando acreditamos ter encontrado todas as respostas talvez tenhamos parado de fazer teatro e começado apenas a repetir teatro.   

                  Ontem voltei para casa diferente, não porque mudei minhas convicções, mas por que elas foram obrigadas a dialogar com outras. Isso é sim saudável! A arte não cresce no isolamento, quando treinamos uma cena em casa ou trazemos tudo pronto na cabeça ou quando “assistimos filmes” e saímos dali com verdades universais prontas, a arte cresce é no encontro. E principalmente se há atrito, ou se termos a coragem de reconhecer que o outro pode revelar perguntas que nós sequer sabíamos que existiam.

                  Talvez seja esse um dos maiores presentes que um diretor pode oferecer a outro diretor, e que um grupo pode oferecer a outro grupo: a oportunidade de enxergar o próprio trabalho (teatro) por um ângulo até então desconhecido.

                    Acreditem! Não existe artista verdadeiramente vivo que permaneça imune às transformações provocadas pelo encontro entre linguagens, pelo mundo ao redor. Se permanecermos os mesmos depois de cada experiência, talvez tenhamos apenas passado pelo palco. Mas, se voltarmos para casa carregando novas perguntas, então o teatro, mais uma vez, cumpriu sua missão. E você, tem perguntas?

Quintanares: O menino pássaro


 

Grupo Máschara reunido


 

Artistas do Máschara com o ator John Vaz

Junior Lemes, Renato Casagrande, John Vaz, Gabriel Ben, 
Felipe Brandão, Douglas Maldaner


 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Artigo III- Para atores e gente do ofício

ONDE ESTA A GANGRENA?

                     Ao conversar com alunos, enquanto promovo debates sobre teatro, me pego observando suas visões sobre o nosso ofício sagrado. Essa conversa é muito pulverizada as vezes, a partir do momento que endossamos a ideia equivoca de que no teatro tudo vale, ou ainda, de que o teatro não tem um objetivo especifico com a cena, ou seja, que você pode colocar o que quiser sobre o palco e o público que pense o que bem entender. Talvez, também, porque nos últimos tempos, as pessoas tenham passado a acreditar que palco é lugar para conforto. Para afago. Para finais felizes. Como se o único dever do artista fosse fazer o público sair sorrindo.

                     Eu discordo profundamente disso!

                     Nelson Rodrigues dizia que: As boas ações cabem a um jardim de infância. O teatro, é o lugar da GANGRENA.

                       Sempre achei essa imagem extraordinária.

                    Gangrena é aquilo que apodrece escondido sob a pele. É a ferida que ninguém quer mostrar. É o cheiro que denuncia que existe algo profundamente errado. E talvez seja exatamente essa a função do teatro: retirar as bandagens da sociedade e obrigá-la a olhar para aquilo que insiste em esconder. Não me entendam mal, eu não tenho definitivamente nada contra o teatro musical. Muito menos contra os filmes da Disney. Eles cumprem uma função importante: alimentar sonhos, encantar crianças, emocionar famílias. Há muita beleza nisso. Sem falar que essa beleza que encanta, desperta o fascínio pelo faz de conta e pela arte de interpretar.

                      Mas isso, sozinho, não basta ao teatro, porquê, quando o palco existe apenas para confirmar que o mundo é bonito, ele deixa de ser palco e passa a ser vitrine.

                       O verdadeiro teatro precisa incomodar. Fazer perguntas para as quais alguns não se sentem prontos para responder. Ele coloca o assassino diante da mãe da vítima. Coloca o corrupto diante do espelho. Coloca o santo ao lado do canalha e, às vezes, nos obriga a descobrir que ambos habitam a mesma pessoa.

                       O teatro não foi inventado para massagear consciências. Foi inventado para desarrumá-las. Não nasceu para preencher nossa necessidade de aplausos.

                      Existe, claro, espaço para espetáculos delicados, doces, poéticos, mas ainda assim, eles estão a serviço de: através da poesia, questionar algo! Eu mesmo acredito profundamente no teatro feito com crianças. Acredito no teatro realizado com idosos. Nos dois casos, muitas vezes, a delicadeza é necessária, sem falar que acolhimento também é arte. Descobrir a própria voz, e todos temos uma, já é por si só, revolucionário, vanguardista muitas vezes.

                       Mas, quando falamos da essência do teatro, precisamos ir além do bonito. Porque o bonito passa e a pergunta permanece.

                       Se o público sair do espetáculo, exatamente igual ao que entrou, talvez tenha assistido a um bom entretenimento, mas dificilmente viveu teatro.

                       O teatro é o lugar onde as certezas adoecem. Onde os preconceitos são interrogados. Onde a moral perde a maquiagem. Onde a sociedade é obrigada a contemplar suas próprias gangrenas.

                       E, meus senhores e senhoras, é exatamente por isso que o teatro nunca será unanimidade. E nesse caso, ainda bem! Se todos amassem o teatro, e tudo fosse flores e aplausos, talvez nossos objetivos fossem outros e nossos desafios nos desmotivassem.

                         Pensemos bem: enquanto houver alguém disposto a subir ao palco para dizer aquilo que ninguém deseja ouvir, haverá teatro. O resto pode sim ser belo, mas não esqueçamos que sozinha, a beleza jamais foi suficiente para transformar o mundo.