segunda-feira, 29 de março de 2010

Feriadão em Jari/RS

Luis Fernando Lara, Kelem Padilha, Angelica Ertel, Dulce Jorge, Gelton Quadros
Gabriel Wink, Marcele Franco, Cléber Lorenzoni e Tatiana Quadros

sexta-feira, 26 de março de 2010

Como Nasceu Esconderijos do Tempo

Em um determinado dia do mês de dezembro de 2005, o produtor do meu grupo procurou-me dizendo que seria interessante montarmos algo a respeito do centenário de Mario Quintana. Na hora me preocupei, pois não gostava muito de Mario e conhecia muito pouco, afinal no colégio recebemos apenas uma pincelada da obra do poeta. Pois bem, reuni meu grupo e colocamo-nos a ler as obras, encomendamos de porto alegre quase toda a coleção, pois minha cidade não tem grandes acervos. Lemos, Lemos, Lemos... Fomos para o palco, pensando em: tias, folhas secas, lampiõesinhos e a figura da morte, mas não sabiamos onde chegar. Como é típico em uma montagem fizemos muita improvisação. Mas nada acontecia. Em um fim de semana uma de minhas colegas foi a porto alegre buscar mais material para pesquisa. Estavamos já uma pilha de nervos. Então sentei-me no chão do palco e comentei com uma das atrizes, "não é nada disso" Mario deveria estar na praça como ele esteve por tanto tempo. Ela disse mas como Cléber...? Tudo na praça? E ai me deu um clique  Mário na praça de Porto Alegre, ou de qualquer lugar, interajindo com figuras de sua vida, ora a obra de Mario Quintana é toda a sua vida. Pensei ei! Por que não o Mario criança na praça e o Mario velho na praça.

Nós temos aqui uma lógica de trabalha assim... Todos os atores do grupo entram nas montagens, então sempre acabo por criar os personagens de acordo com o material humano que tenho. Então juntamos Mario, A glorinha e o amigo gouvarinho. A dulce comentou comigo, por que glorinha, e não lili? Ja que a personagem lili é tão importante? Eu comentei, ora,eu coloco uma Lili mas a glorinha fica como amiga do MArio, ai surgiu a Lili... com a cena do peixinho que estava no mesmo livro mda LIli inventa o mundo... Depois de Lili, faltava ainda alguma coisa e não sabia o que era. As crianças brincariam com o lampião e depois cresceriam envelheceriam e etc... Ai pensei Mario fala muito na morte, por que não termos a morte em cena? Mas quem, como não tinhamos muitas atrizes a propria Lili Faria a morte e para diferenciar bem, a morte não falaria durante o espetáculo. ok continuamos. e um dos meninos disse, cléber, eu fico de fora da peça? Eu que não queria magoar ninguém, disse , não tu faz o anjo. Ele disse qual, mas no texto ainda não tem anjo. Ai eu disse está tudo em minha cabeça. Fui para casa e passei a noite tentando encontrar solução, parecia-me uma cópia. Só me vinha acabeça um cupido, mas como por em um espetáculo adulto um cupido feito por um ator adulto? Ai a dulce disse, não põe cupido, acho que tem que ser algo mais consistente, original. Quebramos cabeça. O resto do espetáculo ja estava quase pronto e nada. Em um ensaio eu disse Gelton, inprovise. Ele pegou o livro e começou a recitar algums poesias e ficou muito ruim, ai mandei ele entrar com a bengala e me dar e algo aconteceu. Nos arrepiamos e percebemos que ficaria legal. Ai ele disse Cléber, posso também entrar na cena final. Ai a Dulce disse, faça algo como em o lava pés de cristo ai eu disse sim, mas o que??? Ai lembrei de "A morte é quando finalmente podemos estar deitados de sapatos "e pensei vamos usar isto.

Na primeira apresentação em Sinimbú, não tinhamos ainda a cena final... terminava quando ele morria. Ai eu disse, ei alguém lembra do final da musica se esta rua? e um dos rapazes disse Acho que é Se roubei, se roubei teu coração... Eu disse claro. Vamos colocar isso quando o mario levantar e comentei com o pessoal Sabem que o grande tema do cinema é a volta para casa? Em Et em E o vento Levou em Dr. Jivago... Ok vamos fazer o mario voltando, mas o que seria essa casa? A infancia e portanto a brincadeira com as crianças...

O encontro mítico das mulheres de Lorca

Dulce Jorge e Kelen Padilha

O Palco teatral de Tapera...

O Conto da CarrocinhaO

Melhor Ator em Erechin - Cléber Lorenzoni


 Recebendo o troféu das mãos de Stella Bento

Melhor Ator coadjuvante em Erechin - Gabriel Wink

quinta-feira, 25 de março de 2010

Atuações Equivocadas -

É lógico que em cada ano algum integrante não alcançou o que se esperava ou se dedicou pouco ou se equivocou na construção de sua personagem... aqui os framboesas..


2009-A maldição do vale negro - Ricardo Fenner por Conde mauricio de belmont


2008-Ed Morte - Alessandra Souza por Menina de azul


2007-Um Inimigo -Angelica Ertel por Petra


Lili Inventa o mundo - Alessandra Souza por A rainha das Rainhas

Romeu e Julieta- Gelton por Mercuccio


2006-Esconderijos Do Tempo - Gelton Quadros por Malaquias

O castelo Encantado - Rafael por dono do circo

2005-O Incidente - Kellem Padilha por Shirley Terezinha

2004-Bodas de Sangue- Luis Lara por Leonardo

2003-Feriadão - Guto por Vovô
2002-Macbeth- Leonardo Mttos por Macduff


2001- Tartufo- Fabio Novelo por Valério

2000-Antígona- Não houve atuação equivocada

1999- O Conto da Carrocinha Ursula Macke por Palhacinha mãe

1998- Dorotéia -Vera Porto por Carmelita


1997-Bulunga o rei azul- Zenaide Perez por Mimi

1996-Cordélia Brasil-Dudu Gonçalves-por Rico


Diário de Bordo II - Lili inventa o Mundo em Tapera/RS

                            Todos seremos para sempre, para sempre insensíveis..




                   Ser um bom ator, trata-se de falar alto e com dicção? Trata-se de ter presença? De ser capaz de emocionar? De ser capaz de arrancar gargalhadas? De construir um personagem verossímel, compléxo e cheio de nuances? Ou são outras mil idiosincrasías que os próprios artistas inventaram, ou ainda não é nada disso?
                  Na apresentação do Grupo Máschara em Tapera, fiquei me perguntando o que seria atuar. E de que isso serviria em um local pouco ou nada adequado ao teatro.
                 Salvos o teatro de rua, a stand up, o show musical, a opereta e outras dessas criações que tiram o teatro do palco italiano e o colocam da tela do youtube ao campo  de futebol, o teatro é pensado para um momento de envolvimento, conexão entre público e atores. A mise en scène não suporta buzinas, estrondos, chuvas e gritarías. O teatro é como o cinema, com a diferença que seus artesãos estão alí, em sua frente, e sua matéria prima é seu corpo, sua mente, sua "saúde".
                 As pessoas que contratam o teatro, pouco ou nada sabem do fazer teatral, por isso tudo é dificil, é dificil montar seu cenário pois há sempre algo que a organização consideram mais importante, não da para  fazer uma boa iluminação ou sonorização, pois os técnicos locais são experts em shows musicais.
                 A platéia que é trazida nessas ocasiões, mal sabe para que veio, e é largada de qualquer forma mesmo que o teatro já tenha começado e ninguém se importa se a pobre criatura no palco precise, apesar dos ruídos deseducados, manter a atenção dos outros tantos que chegaram primeiro.
                O camarim pode ser sobre a terra, as atrizes não precisam de privacidade, os seguranças são preconceituosos. O que lhe pagam são miseros trocados que o ator precisa somar a outros "bicos". Na maioria das vezes não há nem mesmo água. Ao redor as pessoas observam o ator erguer caixas, escalar escadas e interagir com fios elétricos, sem nem sequer se oferecerem para auxiliá-los. Ainda assim, poucos minutos depois ele deverá ser extremamente cômico, emocionar e se fazer ouvir impecavelmente.
                 Em Tapera, a platéia foi desfavorecida pelo volume do espetáculo e pouco se ouviu da narrativa. Resolvido o dilema, prontamente a Cia. dispos-se a repetir a encenação. São artistas dignos! Mas será que o público queria ouvir? Havia lanche, havia brinquedos emborrachados e elásticos que ofendiam o momento lúdico sobre o tablado. Havia ruído, a triste guerra de ruidos que estressa professores, cança as crianças e só é vencido pelo poder dos microfones.
                Mas atores como Angelica Ertel e Cléber Lorenzoni movimentaram-se muito bem com os microfones na mão. Os coadjuvantes foram prejudicados por sua falta de presença. O falsete de Gabriel Wink por vezes tornou-se incompreensivel.A fragilidade com que Renato Casagrande encarou o público, fê-lo perder o dominio sobre a cena. Ainda assim o espetáculo desenvolveu-se vivaz, eletrizante e se ao menos uma criança na 10ªToca do coelho de Tapera tiver assimilado a frase de Lili -"Nós seremos para sempre, para sempre crianças..." - o teatro terá cumprido sua função. E talvez as professoras de amanhã não sejam como algumas que não conseguiram repetir a poesia do Pinhão Quentinho, refletindo tristemente que alguns adultos não tem uma criança em seu coração.

                                                                           É uma pena.

                                                                                               A Rainha.