O teatro é ação, tudo acontecendo ao mesmo tempo, cada um fazendo sua parte, para que a arte chegue ao público. Enquanto uma atriz está se esmerando em cena para contar sua história, uma outra está se dirigindo até sua sede com seus adereços dentro de uma mala. Enquanto um menino se maquia ansioso no camarim, outro está tentando recordar se tem pancake suficiente. Há uma jovem nervosa na coxia, talvez ela nunca tenha pisado em um palco. Paralelo a isso, há uma atriz nervosa pensando em como será o palco do Festival onde está indo. Pensando é claro, se dará conta de suas cenas, se sua voz alcançará toda a assistência. A van dirigirá mais de cinco horas, pois no caminho precisa alcançar outros artistas. Estes farão sua parte para que o show aconteça em todo o seu esplendor. Os atores desejarão, é claro, agradar o diretor. Desejarão sim o aplauso, sonharão com a compreensão por parte da plateia. Pensarão estar fazendo a diferença. Enfim, o tecido chamado economia cultural, é uma longa engrenagem que só existe porque pessoas chamadas de artistas, fazem o possível e o impossível para que as possibilidades artísticas não feneçam.
Mais tarde naquele dia, um grupo de atores rompe a cena, cantando pelos corredores da Justino Martins. A platéia está quase vazia. Teatro a noite, poderia ser de dia, teatro em dia frio poderia ser em dia quente, lá fora há chuva, poderia haver sol... Tudo é um bom motivo... Por isso é preciso esmerar-se mais e mais...
O ritmo foi levemente arrastado; as vozes com bom volume, o palco bem iluminado. Não é necessário colorir um elenco que já traz consigo muita cor! O texto de Lorenzoni, oriundo de improvisações criadas no ensaio, já traz consigo a curva e o ritmo na entrelinha.
Quintanares é uma comédia, e uma fábula. Nas duas situações, merece um esforço maior, para que não se perca nada na questão técnica. Várias piadas estão passando despercebidas, ou seja, os atores não estão levando ao extremo as possibilidades que os personagens propõe.
A rivalidade entre Pontualdo e Poesino por exemplo, ou a graça entre Poesino e Virgulina. Todos são e devem ser material de pesquisa e trabalho. O ator ou atriz deve olhar para dentro de si. Deve procurar soluções, testar, ousar. Mudar tudo se for necessário. Mas sempre , sempre ver a vivacidade percorrer sua atuação. Sentiu-se estagnado, repetitivo, ou simplório, então busque algo novo. O élan.
A atuação de Rosiane Teixeira, embora intensa, pode ser ainda mais precisa. O tom agudo merece observação. A intérprete de Sonetina está bem, pode agora aprofundar-se nas possibilidades corpóreas. E o pequeno "menino pássaro, pode trazer para a sensorialidade, um pouco mais da mimese aviária.
Uma das surpresas da cena foi ver a atriz Antonia Serquevitio, que passou o dia trabalhando no festival, dando vida a uma das personagens centrais da trama. Criatividade tem corpo cênico e jogo teatral típicos do trabalho do Máschara. A atriz ainda pode usar mais as criações vocais para compor com mais funcionalidade cênica, Dona Mimi Coutinho.
O acompanhamento musical, manipulado aqui por Renato Casagrande, pode ser mais pontual, faltou assinatura. Quebre coisas, bagunce, grite se for necessário, mas de vida ao palco. O violão nas mãos da atriz também precisa surtir efeito, ou não terá sentido. No palco sempre que nos propomos a algo, precisa cumprir o objetivo.
Quintanares acrescentou e muito ao FESTEATRO, lastimável os professores e pais não aproveitarem o momento para oferecer teatro "do bom" aos seus filhos. Palmas também a curadoria do Festival por incluir Quintana em sua história.
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