quinta-feira, 15 de outubro de 2026

1392- 5º FESTEATRO

 Aluno que sobe no palco, governa o mundo.


              A frase até pode parecer exagerada, mas tem muito significado, pois crianças que fazem teatro, têm acesso a um verdadeiro protocolo de preparo para qualquer tipo de comunicação. A criança que tem acesso ao teatro, perde o medo do palco, aprende a se comunicar, a conviver em grupo, e o mais importante, começa muito cedo a ter percepção de mundo, de linguagens.  Nessa caminhada a importância do professor de teatro é fundamental, principalmente, de um professor bem preparado, que compreenda sua função. Ou seja, motivar, inspirar e estimular o aluno. O bom professor de teatro não pode deixar o aluno perceber se seu objetivo for a competição, pois ela afasta o aluno do cerne da intenção teatral. A capacidade criativa, e inspiradora, livre de preconceitos, também vai interferir nas possibilidades de desenvolvimento do aluno/artista. 

                 O 5º Festeatro teve texto inspirado em Shakespeare, teve Dom Quixote, teve Máquina do tempo e até pirâmides do Egito. Tudo para inspirar e motivar os jovens alunos/artistas. Na plateia, uma multidão ávida por criatividade e novidade, aplaudiu encantada a arte que teve acesso. Teatro é sempre cheio de surpresas, principalmente quando é infantil. Logo de cara, um lustre iluminava um sótão muito bem caracterizado, em O Tesouro do General. Inspirado em Maria Clara Machado, a peça nos mostrou que efeito surpresa conta e muito! Piratas e fantasmas são uma boa forma de prender a atenção do público infantil, já sabia disso o Tablado há cinquenta anos atrás. Doutora Gênia trouxe a delicada no papel principal, criativa e ousada. Talvez a trama tenha se perdido do meio para o fim. Palmas para Giovana Lopes e para um certo ensaio no "Palacinho". A seguir, "Aó que pegou", revelou um Kleberson misterioso, onde várias alunas ajudavam a criar o mistério do que afinal é "Aó". Uma pena o festival ter feito as meninas apresentarem duas vezes, o que me aprece um tanto injusto. Valentina Lemes roubou a cena! A Maria Fumaça de Carol Guma encalhou no palco, grande demais, exagerada demais, lembrando a todos que cenário precisa e deve ser usado. Palmas para o audiovisual, aproximando as linguagens plurais com o palco! Em Quero ser uma estrela, um programa de auditório foi a solução, para conduzir a trama, que destacou o potencial de alunos bastante pequenos. Destaque para a mestra de cerimônias Roberta Teixeira. Importante no entanto, lembrar que o som pelo microfone disputou e venceu a atenção da plateia. A Panelinha Mágica foi um incursão que teve a cara do mise en scène do Máschara. Faltou porém trabalho cênico nos alunos da escola. Pão e Circo, teve tom revolucionário e pareceu mais uma mostra do virtuosismo do professor. Talvez o tema tenha sido muito adulto, embora eu, que já passei por dezenas de revoluções politicas, ache que a maturidade politica deve ser incentivada também nos pequenos.  A Última Marchinha foi um bom exemplo do potencial de uma aula de teatro bem dirigida. Talvez com maior organização cênica, pudesse se tornar um grande espetáculo. Trabalhar Shakespeare, por si só, já seria motivo para se premiar o espetáculo. A adaptação foi formidável. Talvez, claro, o casal de protagonistas não tenha tido muita química. O que Antares Esconde? Não descobrimos, mas foi interessante ver a direção de Antonia Serquevitio. O roteiro ficou um tanto enrolado, e o "Sêneca", poderia estar mais presente. Vozes das Missões foi criativa, muito embora, percebe-se ali a importância de um professor de teatro, de técnica para se produzir um bom trabalho. A Roupa Nova do Faraó foi outro ponto alto, com apuro de detalhes e roteiro muito criativo. Os vai e vêns dos personagens para o passado e o presente, deram um tom monocórdio em algumas cenas. Mas usar o uniforme escolar como tema da peça, foi um achado brilhante. Meu amigo museu, pareceu uma brincadeira divertida, causando muito prazer na assistência. As crianças, ainda que muito pequenas, conseguiram dar conta da história. Detetives da memória revelou três talentos na escola Turíbio Verissimo. (Turíbio e não Toríbio). O argumento ficou meio poluído, mas o jogo das três crianças principais foi esplêndido. Dom Quixote foi teatro no mais profundo sentido. Um exemplo do crescimento e da criatividade inerente ao ator Kleberson Ben. Levar algo tão simbólico para dentro de uma escola municipal, nos dias de hoje. Palmas, e obrigado por isso!  

                     O Festeatro é um trabalho à várias mãos, que pertence a todo Gruo Máschara. A cada ano os professores crescem mais como encenadores, mas é importante lembrar que nem todos nasceram para ser diretores. Assim como nem todos nasceram para ser atores. Competições podem sim ser saudáveis, mas o Festeatro não é sobre isso. É sobre alma, alegria, vencer obstáculos e principalmente sobre despejar no altar dos Deuses, todas as possibilidades dos nossos artistas. É preciso claro, ler mais, estudar mais, ouvir mais, fugir do GPT, ouvir os alunos, contar sempre uma boa historia. 

                       Há no Festeatro, um frescor, uma vontade, uma garra, que costuma desaparecer dos artistas depois de um tempo de lutas e sacrifícios. Por isso é tão necessário incentivar esse tipo de projeto. A equipe técnica tentou tirar água de pedra no material despreparado para esse tipo de proposta, ainda assim muita coisa ficou razoável. Maquaigens pontuais e figurinos cheios de grandes achados. Nas atuações, destaque para Valentina Lemes, Izis Rosa, Ravi Dantas, Jorge Tassotti, João Augusto de Freitas, Ágatha Hespanhol, e Isabela dos Santos. Embora, dezenas de crianças tenham alcançado os aplausos efusivos da plateia. Mérito dos professores que conseguiram criar mundos, formar posturas e canalizar energias. Uma pena o teatro ainda não ser o prato principal de uma comunidade, alí forma-se público e prepara-se atores. Já diria um grande pensador que o teatro é o homem olhando para o homem. Nos últimos tempos estamos olhando cada vez menos, uns para os outros. 


Arte é Vida!

Não é sobre dinheiro!

É sobre comprometimento e voluntariado. 

Parabéns!!!!

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