Sempre que eu vou ao teatro, eu
busco aprender, crescer, assim é também, quando leio um livro, quando escuto
uma musica nova ou mesmo quando converso com alguém. Dentre lágrimas e
reflexões, aprendi no último sábado, o valor de um espetáculo de vertente
espírita que pode assumir diferentes gêneros teatrais. O teatro religioso que
surgiu na idade média, era um instrumento de comunicação. Seu objetivo era
propagar uma filosofia, um ideal de uma instituição milenar. Foi mais ou menos
isso que vi no último evento do Máschara.
Frequentei muito o centro espirita na ocasião do nascimento dos meus filhos, ainda na década de sessenta. O centro espirita era ali ao ladinho do antigo Cine Rio. O momento mais esperado era a caridosa imposição das mãos, o que me concedia energia vital e espiritual. Laços Imortais, provou a força canalizadora energética do teatro. Foi como se todos os presentes recebessem um passe, tamanha foi a comoção pelo reencontro das almas que se perderam e se perdoaram na narrativa cheia por sinal, de frases da doutrina kardecista.
O diretor declarou há alguns dias em uma entrevista pública, que pretendia encontrar uma forma de catalogar o Teatro Espirita como Gênero Teatral, o que não concordo. Um Gênero teatral tem características muito próprias e específicas, o que não é o caso aqui. Laços Imortais na verdade, assim como quaisquer montagens de cunho espirita, alimenta-se de vários gêneros e linguagens. Por outro lado, concordo quando Lorenzoni diz que muitos artistas, diretores e produtores torcem o nariz por que consideram o teatro espirita, algo menor. Talvez por ser uma arte direcionada, assim como Paixão de Cristo, Auto de Natal, etc...
O tema da reencarnação foi muito bem desenvolvido, e sempre acaba interessando muito. Hinduísmo, Jainismo e Budismo, são algumas das tantas religiões que pregam esse olhar de vida cíclica. O espiritismo no entanto baseia-se no aspecto tríplice de filosofia, religião e ciência, andando juntas. Ali não há dogmas ou rituais. Por isso mesmo é uma doutrina na qual membros de qualquer religião podem aportar.
Senti falta de no roteiro, muito bem escrito, dos princípios caritativos do Espiritismo. Para o apostolo Paulo de Tarso, a ausência de caridade, é como um sino, que faz barulho, mas está vazio por dentro... Talvez a personagem de Carol Guma, pudesse falar disso na cena, ou mesmo Irmã Joana.
A escolha de elenco foi funcional. Destacando-se Ana Clara Kraemer como a doce irmã de Bentinho. Ravi Dantas, Kleberson Ben e Kléber Lorenzoni, interpretam Bentinho Moraes, um jovem cuja vida é cercada de tristeza e sofrimento, pela forma como seu pai lhe trata. Ravi Dantas, ainda que bastante jovem, tem uma desenvoltura precisa e consegue triangular com o elenco como um ator profissional. O Máschara tem o costume de trabalhar atores para uma postura profissional. Por isso, todos na cena, parecem fazer teatro já há um bom tempo. Renato Casagrande e Kléber Lorenzoni, (Thomáz e Bento) se perdem e voltam a se encontrar na ultima cena. Ou seja, o principio cênico do trágico muito bem colocado: Primeiramente o mundo vivendo em equilíbrio com regras bem organizadas e então acontece o Húbris (desiquilibrio), um personagem comete um ator de orgulho excessivo ou rebeldia. Ele ultrapassa os limites permitidos pelos Deuses ou pelas leis da natureza. O Nêmesis (consequência), acontece o universo precisa punir essa falha. E então acontece a Catarse (reequilíbrio), a ordem do mundo é restaurada.
O Máschara deu vida à soror Joanna de Ângelis, Mártir histórica da Independência do Brasil. Ela foi perfurada por uma baioneta enquanto tentava proteger noviças e perseguidos que estavam ali. Priscila Chiesa interpreta com leveza, e ao mesmo tempo com uma docilidade que merece aplausos. Emocionantes também os encontros entre Augusta e Beatriz e mais tarde entre Bentinho e seu pai, já livre dos obsessores.
Clara Devi e Junior Lemes precisam de uma revisão em suas caracterizações. Iluminação mais pontual e cuidado para não revelar que deve ficar obscurecido. Palmas para as cenas do Umbral, deram um toque muito especial.
Enquanto assistia ao espetáculo, tentava fazer um paralelo, entre a doutrina espirita e o teatro, já que no ultimo há também um mistério: tudo aquilo que acontece em cena desaparece no instante em que termina. A cortina se fecha, as luzes se apagam, o público vai embora e aquela história, exatamente daquela maneira, nunca mais existirá. Pode haver uma segunda apresentação, mas ela já será outra. Outros silêncios, outras respirações, outros erros, outros acertos, outras emoções. Mesmo que o texto seja o mesmo, o teatro jamais se repete. Porque aquilo que transforma um ator em personagem também é passageiro. Durante alguns minutos, alguém deixa de ser quem é para emprestar o corpo, a voz, o olhar e a alma a alguém que só existe naquele espaço. Depois, o personagem desaparece. Recolhe-se para algum lugar invisível, como fazem os sonhos quando acordamos. Talvez seja justamente por isso que me incomode tanto quando vejo uma cena tratada sem respeito. Um ator que não sabe para onde caminhar. Um figurino que denuncia ser apenas uma roupa. Uma música escolhida por acaso, como se qualquer trilha pudesse traduzir uma emoção. Um grito colocado no lugar da verdade. Uma luz medíocre. Pequenos descuidos que, juntos, roubam do teatro aquilo que ele tem de mais precioso: a capacidade de fazer acreditar. Porque o teatro é feito de coisas que não podem ser explicadas inteiramente.
Frequentei muito o centro espirita na ocasião do nascimento dos meus filhos, ainda na década de sessenta. O centro espirita era ali ao ladinho do antigo Cine Rio. O momento mais esperado era a caridosa imposição das mãos, o que me concedia energia vital e espiritual. Laços Imortais, provou a força canalizadora energética do teatro. Foi como se todos os presentes recebessem um passe, tamanha foi a comoção pelo reencontro das almas que se perderam e se perdoaram na narrativa cheia por sinal, de frases da doutrina kardecista.
O diretor declarou há alguns dias em uma entrevista pública, que pretendia encontrar uma forma de catalogar o Teatro Espirita como Gênero Teatral, o que não concordo. Um Gênero teatral tem características muito próprias e específicas, o que não é o caso aqui. Laços Imortais na verdade, assim como quaisquer montagens de cunho espirita, alimenta-se de vários gêneros e linguagens. Por outro lado, concordo quando Lorenzoni diz que muitos artistas, diretores e produtores torcem o nariz por que consideram o teatro espirita, algo menor. Talvez por ser uma arte direcionada, assim como Paixão de Cristo, Auto de Natal, etc...
O tema da reencarnação foi muito bem desenvolvido, e sempre acaba interessando muito. Hinduísmo, Jainismo e Budismo, são algumas das tantas religiões que pregam esse olhar de vida cíclica. O espiritismo no entanto baseia-se no aspecto tríplice de filosofia, religião e ciência, andando juntas. Ali não há dogmas ou rituais. Por isso mesmo é uma doutrina na qual membros de qualquer religião podem aportar.
Senti falta de no roteiro, muito bem escrito, dos princípios caritativos do Espiritismo. Para o apostolo Paulo de Tarso, a ausência de caridade, é como um sino, que faz barulho, mas está vazio por dentro... Talvez a personagem de Carol Guma, pudesse falar disso na cena, ou mesmo Irmã Joana.
A escolha de elenco foi funcional. Destacando-se Ana Clara Kraemer como a doce irmã de Bentinho. Ravi Dantas, Kleberson Ben e Kléber Lorenzoni, interpretam Bentinho Moraes, um jovem cuja vida é cercada de tristeza e sofrimento, pela forma como seu pai lhe trata. Ravi Dantas, ainda que bastante jovem, tem uma desenvoltura precisa e consegue triangular com o elenco como um ator profissional. O Máschara tem o costume de trabalhar atores para uma postura profissional. Por isso, todos na cena, parecem fazer teatro já há um bom tempo. Renato Casagrande e Kléber Lorenzoni, (Thomáz e Bento) se perdem e voltam a se encontrar na ultima cena. Ou seja, o principio cênico do trágico muito bem colocado: Primeiramente o mundo vivendo em equilíbrio com regras bem organizadas e então acontece o Húbris (desiquilibrio), um personagem comete um ator de orgulho excessivo ou rebeldia. Ele ultrapassa os limites permitidos pelos Deuses ou pelas leis da natureza. O Nêmesis (consequência), acontece o universo precisa punir essa falha. E então acontece a Catarse (reequilíbrio), a ordem do mundo é restaurada.
O Máschara deu vida à soror Joanna de Ângelis, Mártir histórica da Independência do Brasil. Ela foi perfurada por uma baioneta enquanto tentava proteger noviças e perseguidos que estavam ali. Priscila Chiesa interpreta com leveza, e ao mesmo tempo com uma docilidade que merece aplausos. Emocionantes também os encontros entre Augusta e Beatriz e mais tarde entre Bentinho e seu pai, já livre dos obsessores.
Clara Devi e Junior Lemes precisam de uma revisão em suas caracterizações. Iluminação mais pontual e cuidado para não revelar que deve ficar obscurecido. Palmas para as cenas do Umbral, deram um toque muito especial.
Enquanto assistia ao espetáculo, tentava fazer um paralelo, entre a doutrina espirita e o teatro, já que no ultimo há também um mistério: tudo aquilo que acontece em cena desaparece no instante em que termina. A cortina se fecha, as luzes se apagam, o público vai embora e aquela história, exatamente daquela maneira, nunca mais existirá. Pode haver uma segunda apresentação, mas ela já será outra. Outros silêncios, outras respirações, outros erros, outros acertos, outras emoções. Mesmo que o texto seja o mesmo, o teatro jamais se repete. Porque aquilo que transforma um ator em personagem também é passageiro. Durante alguns minutos, alguém deixa de ser quem é para emprestar o corpo, a voz, o olhar e a alma a alguém que só existe naquele espaço. Depois, o personagem desaparece. Recolhe-se para algum lugar invisível, como fazem os sonhos quando acordamos. Talvez seja justamente por isso que me incomode tanto quando vejo uma cena tratada sem respeito. Um ator que não sabe para onde caminhar. Um figurino que denuncia ser apenas uma roupa. Uma música escolhida por acaso, como se qualquer trilha pudesse traduzir uma emoção. Um grito colocado no lugar da verdade. Uma luz medíocre. Pequenos descuidos que, juntos, roubam do teatro aquilo que ele tem de mais precioso: a capacidade de fazer acreditar. Porque o teatro é feito de coisas que não podem ser explicadas inteiramente.
Essas coisas também foram sentidas, por toda a audiência, como uma onda. Vida longa e parabéns ao Máschara por terem escolhido e aceitado falar do espiritismo. O teatro é o lugar de qualquer boa historia.
O Melhor : O texto que conta de forma clara as vicissitudes na caminhada do personagem central, baseadas em situações típicas que falam de reencarnação.
O Pior: A iluminação que por várias vezes não se cumpriu como era eperado.
Arte é Vida
Laços Imortais
Direção Kléber Lorenzoni
Direção Kléber Lorenzoni
Elenco: Kléber Lorenzoni
Dulce Jorge
Renato Casagrande
Clara Devi (**)
Carol Guma (***)
Ravi Dantas (**)
Kleberson Ben (**)
Ântonia Serquevitio (**)
Ana Clara Kraemer (***)
Junior Lemes (**)
Roberta Teixeira (***)
Felipe Brandão (**)
Priscila Chiesa (**)
Giovana Lopes (**)
Valentina Chiesa (**)
Figurinos:
Renato Casagrande (***)
Clara Devi (**)
Ana Clara Kraemer (***)
Sonoplastia:
Kleberson Ben (***)
Douglas Maldaner (**)
Iluminação:
Junior Lemes (**)
Antonia Serquevitio (*)
Cenário e Caracterização:
O Grupo
Contrarregragem:
Rosiane Moraes (***)
Esmate Teen
Portaria:
Ricardo Fenner
Didi Flores
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