domingo, 20 de outubro de 2024
Sobre um dia de Festeatro - análise feita pelo diretor Cléber Lorenzoni
Assistir em um único dia, 14 trabalhos teatrais, com uma variedade de linguagens, expressões e possibilidades, é sem dúvidas uma satisfação inenarrável. Uma lástima, o público ser de número tão reduzido. lástima por perderem a possibilidade de se encantar, lástima por roubarem aos artistas pequenos a sensação eufórica de um auditório lotado.
No palco, a palhaçaria, um pouco de romance, o épico, drama, musical, jogral e muito mais, começando com técnicas circenses motivadas pelo encenador Fabio Novello. Os alunos do CRAS subiram ao palco apoiados por Roberta Teixeira, Kléberson Ben e Renato Casagrande, que auxiliaram nas variações que envolviam pequenas acrobacias e malabarismos. Após a abertura que contou com a presença de autoridades, foi dada a largada com a primeira concorrente do dia: Entre Pijamas e Contos, com criação de Carol Guma e Nicolas Miranda, que apelou para o lúdico e o descontraído; a seguir, Francisco Puppo despontou com argumento de Kléber Lorenzoni e roteiro maduro e muito bem resolvido por Clara Devi, onde o destaque vai para a pequena Maoela Codinote e para Antonia Serquevitio que apaixonou a plateia com sua "mulinha teimosa", a rotunda descerrada deu profundidade ao palco, auxiliando na proposta. Frederico Baiocchi ousou com um visual e uma ideia bastante vanguardista para o FesTeatro, destacando-se ali a aluna Izis Rosa, méritos dos professores Fabio Novello e Carol Guma que já havia sido a encenadora em 2023. O palco recebeu logo depois, Grãozinhos de Esperança, que acertou no visual embora um dos interpretes estivesse com unhas vermelhas, ali destacaram-se Ana Leticia Nicolas Miranda como filha e pai. Uma das atrizes caiu em cena mas soube improvisar e a esquete seguiu. A seguir No tempo encantado das estações, uma linda adaptação da obra de Leonir Batista, onde Eric da Silveira e Luiza Marcondes estiveram adoráveis, destaque também para Pedro Lima, que parecia até um ator mais maduro. A performance da escola Toríbio Verissimo foi bastante simples, mas as crianças merecem destaque pelo pouco tempo que trabalharam teatro com o encenador Renato Casagrande, o mesmo optou por uma performance com base na palhaçaria. O que surgiu foi algo sutil e delicado. Um certo Rodrigo de Ellen Faccin e Kleberson Ben, foi muito feliz na escolha da passagem de O Tempo e o Vento, foi simples e singelo. Entre o LAjeado e a Cruz nos cativou pelas escolhas musicais, pela tamanho das crianças (realmente muito pequenas), e ainda pela forma como a historia foi contada. Clara Devi mais uma vez belíssima, aqui destacou-se a forma ludica de corporificar as "mulas". Palmas para as pequenas Valentina Mello e Ana Victoria Cunha que preencheram magistralmente o palco. Brincadeiras de faz de Conta da escola Amado LAcroix foi prejudicada pela ausência de um dos alunos, mas o teatro mostrou seu melhor, quando uma das pequenas o substituiu. Fabio Novello e Carol Guma optaram por algo da realidade das crianças, sem muitos circunlóquios e o carisma dos pequenos cativou o público. O Cerco, da escola Getulio Vargas, foi ousado pela idade das crianças, que tiveram que segurar energias intensas dignas de atores adultos. Ainda assim a interprete de Maria Valeria, Isabela dos Santos Vargas, foi aplaudida em cena aberta. Chico de Fabio Novello e Kleberson Ben optaram por um tema natalino, que envolvia algo da esfera espiritual. Os atores foram razoáveis em suas interpretações e o cenário foi um grande destaque. O Rapto das Mudinhas foi uma adaptação da obra de Maria Clara Machado e pareceu um pouco confusa, embora a direção de Ellen Faccin e Nicolas Miranda tenham revelado alguns bons talentos. O Casarão dos Gatos fechou com chave de ouro o dia, com uma ideia incrível que reflete muito a arte atual em Kleberson Ben. A forma como valorizou as crianças e a ideia sensível, arrancou bons aplausos.
Os encenadores (diretores) do projeto Dia D, são artistas do Máschara, e é extremamente necessário lembrar que o teatro escolar e o teatro de grupo são dois teatros muito diferentes. Boal, grande pensador do teatro, dizia que o teatro de grupo é o terceiro teatro. O primeiro é o comercial, o segundo é o de universidade, ou de escolas de teatro. Seria o teatro estudantil, o quarto teatro? Talvez sim. O teatro estudantil existe para dar o pontapé inicial, revelar a crianças as bases do teatro, mas não pretende formar atores, e sim auxiliar na formação de cidadãos. É a arte prestando um serviço social. A pergunta que fica é: Como sei que estou apto a auxiliar nesse processo? É preciso deixar de lado um pouco do conhecimento técnico e partir para a intuição. É preciso preocupar-se menos com o que será contado e mais com quem está contando e ainda o que se está contando.
É preciso sempre mostrar aos alunos o frescor de um texto, para que o mesmo encontre a diversão, o prazer em interpretá-lo, para que não se torne penoso, ou desagradável ou mesmo um fardo participar dessa ou daquela peça teatral. As crianças de várias escolas estavam totalmente entregues e sua alegria parecia descer do palco e contagiar a todos. Outras poucas pareciam estar ali obrigadas. As possibilidades criativas, se levadas em conta, revelam também as capacidades de cada encenador, seus conhecimentos, suas buscas pessoais na área artística. Por isso da importância em um encenador ser curioso, disposto, falante, pensante. Pois são características que irão motivar os alunos. Os atores amis jovens em status quatro e cinco, além dos prometheus, devem estudar mais, mergulhar mais, ousar mais. Nosso objetivo é que muito se descubra nos quesitos de técnicas e gêneros nos próximos anos do FESTEATRO.
Muito importante que os encenadores trabalhem a técnica vocal, levando sempre em conta que o público precisa ouvir o texto. Isso é primordial. Ou então optar pelas peças musicadas sem falas. Aliás o trabalho Entre o lajeado e a cruz, poderia muito bem não ter textos, tamanha foi a criatividade do encenador, tudo seria compreendido.
Foi enfim, uma aula intensiva de teatro para todos. Muito se descobriu e muito se aprendeu. Vida longa ao Festeatro.
sábado, 19 de outubro de 2024
sexta-feira, 18 de outubro de 2024
Premiação 3º FESTEATRO
Melhor
Produção Gráfica
-Renato Casagrande por O Cerco – Escola Getúlio Vargas
Participação
Especial
-Antonia Serquevitio - por A
menina Tropeira -Francisco Puppo
-Nicolas Miranda – por Entre o
Lajeado e a Cruz – Numac
- Clara Devi – por Entre o Lajeado
e a Cruz – Numac
Aparato
Técnico
-O Circo de Nanquinot –Baiocchi
-Graozinhos de Esperança –
Antonio Serra
-Entre o lajeado e a Cruz –
Numac
-Chico-Gabriel Annes
Caracterização
-A Menina Tropeira –Francisco Puppo
-Circo de NAnquinot – Baiocchi
-No tempo encantado das
estações -Castelo Branco
-O rapto das mudinhas de trigo-
Hildo Meneghetthi
Texto
Original
-Clara Devi –A menina Tropeira – Francisco Puppo
-Clara Devi – Grãozinhos de
Esperança – Antonio Serra
-Carol Guma – Entre pijamas e
contos – 18 de Agosto
-Renato Casagrande –No tempo
encantado das estações – Castelo Branco
-Ellen Faccin – O rapto das
mudinhas de trigo – Ildo Menegethi
Conjunto de
Atores
-Antonio Serra- Grãozinhos de
Esperança
-Maria Gessi- Um Certo Rodrigo –
-Numac- Entre o lajeado e a Cruz-
-Amado Lacroix – Brincadeiras de
Faz de Conta
-Arthur Moreira – O Casarão dos
Gatos
Ator
Coadjuvante
-Ítalo paixão – 18 de
Agosto
-Isac Campos – Frederico Baiocchi
-Eric da Silveira – Castelo Branco
-Hector Davi –
Maria Gessi
Atriz
Coadjuvante
-Emanuelly Midon –
18 de Agosto
-Isis
da Silva – Baiocchi
Ana Leticia-
Antonio Serra
Luiza Marcondes-Castelo Branco
Diovana dos
Santos –Turibio Verissimo
Maria Luiza – Getulio Vargas
Mariana Mendez-Ildo Menegheti
Ana Victória da
Cunha – NUMAC
Ator
-Jorge Mantovani –Getulio
Vargas
-Juliano Henrique Campos – Gabriel Annes
-Pedro Lima –
Castelo Branco
Atriz-
-Manuela Santos Codinote –Francisco Puppo
Mikaele Silva – Antonio
Serra
Valentina Mello – NUMAC
Isabela dos Santos Vargas – O Cerco
Isadora Brignoni – Frederico Baiocchi
Encenador
Clara Devi por A Menina Tropeira
e Grãozinhos de Esperança
Fabio Novello por Circo
de Nanquinot e Chico
Renato Casagrande
por O Cerco
Juri Popular: O Júri do terceiro FESTEATRO resolveu
valorizar o trabalho social e premiar o Grupo de Performance Circense do CRAS –
Integrantes de Projetos Sociais
Melhor
Trabalho Artístico
-A Menina Tropeira – Francisco
Puppo
-Entre o Lajeado e a Cruz –
Numac
-O Cerco – Getulio Vargas
-Circo de Nanquinot –
Frederico Baiocchi
-Um certo Rodrigo – Maria Gessi
-



