sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Diário de Bordo XXXI - Feriadão - tomo 91- em Antonio Prado

Arte Educação

            Quando o teatro é usado para educar, ensinar, ou impor um ponto de vista, ele se afasta do intuíto inicial, que é o de instigar as pessoas a terem seus próprios pontos de vista, a decidirem por sí só o que consideram certo ou errado. A arte não pode ser impositora, ela é a expressão de milhares de inspirações do homem para com a existência, como ninguém sabe realmente o que é certo ou errado, então não há como querer decidir pelo público. 
             No que diz respeito ao teatro infantil, o teatro certamente chega mais perto do limite entre educação e arte. Mas ainda penso que é preciso tomar cuidado para não impor pontos de vista de uma determinada época, lugar ou situação. 
               Em Antonio Prado assisti mais uma vez Feriadão, aliás não assistia esse espetáculo há muito tempo. E me pergunto por que continua sendo apresentado se é tão pouco ensaiado, trabalhado. O Texto de Feriadão é simples e parte da premissa de duas familias que hajem uma dentro do princípios ditados certo no trânsito e a outro nos errados. Mas o espetáculo ultrapassa a questão do trânsito indo9 esbarrar nas questões de mobilidade das pessoas. no movimento, na ação interna e externa, nas intenções. No ato das pessoas que desencadeia outra seqüência de fatos. Será que o elenco ainda lembra desses fatores? Um espetáculo é reflexo de pesquisa, de compreensão, de postura. Em Feriadão parece que muito se perdeu desde sua estréia em 2002. Do elenco original apenas Cléber Lorenzoni. 
                Gabriel Wink é muito bom em modificar tipos rapidamente, em compor personas diferentes, mas falta ensaio, treino, prática naqueles pais. Alessandra Souza substituindo, que lástima, uma caminhada tão positiva nos últimos dias, e então essa substituição pouco preparada. O restante do elenco estava afiado, cantavam, não em uníssono, mas enfim. Me agrada se for apresentado assim, na rua, em lugares alternativos, mas para o palco, necessitaria de mais. De maior verdade, maior aparato e técnica. 
                  Um grupo de teatro como o Máschara que dura mais de 15 anos, acaba vendo várias gerações de atores, e em cada época, novos princípios são trabalhados, novas formas de se ver a arte, ética e estéticamente. Um grupo é feito de atores, espetáculos são feitos por diretores, mas equipes, encenações,  dependem dos artistas. E um grupo de artistas mal preparado pode acabar com uma Cia. Existem dois tipos de artista, aqueles que querem aprender, que são humildes por toda a vida... E aqueles que depois de lerem um livro ou dois, ou ainda de saírem da faculdade, pensam que sabem tudo, que são invencíveis, os melhores. Da para conviver com esses dois tipos distintos de houver respeito. Mas é preciso muito virtuosismo por parte da direção. 
                     Aconselho o Máschara a rever a montagem de Feriadão, o público precisa de mais espetáculos como Lili Inventa o Mundo. E os atores precisam de mais humildade para alcançar o brilhantismo...

                                                                                                 A Rainha

domingo, 17 de outubro de 2010

Malaquias


Gabriel Wink

O Senhor Poeta.
























O Ator Cléber Lorenzoni

Uma das bonequinhas do mundo da poesia...

























A Atriz Alessandra Souza

A Eterna Lili
























A Atriz Angélica Ertel

Diário de Bordo XXX- Lili Inventa o Mundo em Antonio Prado

Uma das últimas lilis

Existem duas formas de se fazer esse espetáculo, ou ele é extremamente divertido, a ponto de fazer as crianças e até os adultos terem verdadeiras convulsões de tanto rir, ou ele é singelo, poético como deve ser... Hoje foi a primeira opção. Teve claro uma parcela de poesia pois alguns atores carregam consigo a compreensão e poesia necessárias.
Gabriel Wink esteve extraordinário, uma de suas melhores interpretações de Malaquias. Renato Casagrande continua infantilóide, Angélica Ertel tentou arrumar o que saiu do prumo.
No entanto é preciso dizer, Lili Inventa o Mundo está com os dias contados. Esse espetáculo estreou em 2006, foram quatro anos de turnês, foram vários intérpretes, foram vários públicos e a peça muito colaborou para o crescimento do grupo. Foi alí que nasceu Renato Casagrande. Foi também uma escola para Angélica Ertel junto com Esconderijos do Tempo. Foi presente para o jogo de Cléber e Gabriel. Foi forma de homenagear O Conto da Carrocinha. Foi forma rápida e prátca de levar teatro a vários públicos. Foi façanha ousada no teatro infantil. Mas é hora de descançar. 2011 pede novo espetáculo e alguns atores de Lili Inventa o Mundo começam a despedir-se. Seu legado principal? Bem se um ser tenha ficado com vontade de alimentar a criança dentro de si e guardá-la para sempre, então, eis o sucesso.


                      A Rainha

sábado, 16 de outubro de 2010

Diário de Bordo XXIX- Lili Inventa o Mundo no 36º Cena às 7

                                                                        Encantamento

              O mais assustador do mundo, é o fato de várias pessoas terem os mesmos sonhos, no entanto devido a vários problemas de diálogo, elas acabam por não se compreender, por não somar seus sonhos vivendo assim cada uma em um mundo diferente. No teatro isso é extremamente prejudicial, quando os atores tem os mesmos sonhos mas não sabem diálogor, cada um caminha para um lugar. O teatro é sublime, mágico, mas as vezes é um dom mal tratado, pouco valorizado.
               Quando um ator não tem mais a arte de encantar, quando não consegue mais perceber a grandiosidade de sua importância, então deve parar de fazer teatro, para não incorrer no risco de afastar o público da arte.
                Ainda mais triste é assistir do palco o público lá embaixo e perceber que nas crianças pouco ou nada restou do encantamento da infância. Nesse domingo ví o público de crianças de 2 à 10 anos completamente absorto ao que acontecia no palco, bem como o público adulto de pais e mães incluindo adultos que não conduziam crianças. Mas o público jovem, esse não parecia envolvido pela trama das personagens de Mario Quintana. Aí me perguntei, será que Lili Inventa o Mundo tem alguma apelação que desaprova o público? Mas então por que em outras cidades todos gostam tanto de Lili e Matias? Foi então que percebi onde estava o problema... Estava na triste distancia dos jovens cruzaltenses para com a arte. Sim por que Lili é um libelo a beleza do sonhar e do imaginar, sentimentos que vamos perdendo enquanto nos tornamos mais velhos, afinal "vamos querendo aprender tudo tão depressa que não se aproveita é nada". Há de se alimentar o sonho sempre, e guardar a criança dentro de nós, ela está ligada a nossa alma e o dia que essa criança se despede nossa alma perde muito de sua luz.
                  Luis Fernando na sonoplastia pode ser mais delicado com os botões e Diego Pedroso deve aproveitar esse começo na iluminação para aprofundar o conhecimento e talvez tornar-se cada vez mais útil para o Máschara.
                 Nessa apresentação Cléber Lorenzoni guiou o elenco pelo caminho da emoção e da mensagem do espetáculo o que muito me agradou. Essa sequência de apresentações que provém da turnê pela serra acaba por afiar bons e dedicados atores e enfraquecer os que pouco se esforçam, afinal o cansaço e a preguiça podem acabar com o talento.
                 Palmas a Cléber, Gabriel e Alessandra que evoluiram a olhos vistos nessa turnê.

                                                                                                                           A Rainha

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Diário de Bordo XVIII - Lili Inventa o Mundo em Garibaldi

                                                     O efeito puxa-puxa...

                            Embora eu ame de paixão o espetáculo Lili Inventa o Mundo, embora eu o tenha elogiado profundamente na crítica anterior, ainda assim não posso deixar de perceber pequenos probleminhas na peça. As apresentações na serra foram divinas e não quero parecer uma chata criticando tão bons atores. No entanto se não deflagrar os pequenos problemas como esses intrépidos atores vão poder continuar exercendo seu ótimo trabalho?              
                                    Lili Inventa o Mundo já ultrapassou a marca de oitenta apresentações e espero ansiosamente pela centésima intervenção do espetáculo, sendo assim começo a perceber pequenos detalhes que com o tempo vão surgindo e prejudicando um espetáculo que não pode parar devido a seu importante serviço junto ao público infantil. Cléber Lorenzoni continua magnânimo em seu Sr. Poeta e percebe-se a condução que dá aos espetáculos qual maestro que conduz sua orquestra. Mesmo estando em cena ele é capaz de mudar o rumo do espetáculo, agilizar, arrastar, cortar, tudo isso de dentro da cena, o que torna a montagem pulsante, viva. No entanto, em determinadas apresentações, Gabriel Wink e Cléber Lorenzoni tendem a arrastar algumas cenas exageradamente, claro que tem em sua defesa o domínio perfeito, e se falo é por medo de ver maculada tão incríveis atuações. Cabe no entanto tomar cuidado com os rumos das cenas de Sr. Poeta e Malaquias.  Angélica Ertel, como Lili tem sido um acerto contundente, no entanto é necessário tomar cuidado com a infantilização extrema da personagem bem como do personagem Matias. Interpretar crianças é sempre muito difícil, achar o ponto certo da mímise, o tom de vóz, a ingenuidade, a leveza. E embora ambos já tenham caminhado pelo mundo das crianças com maestria, hoje vejo com um pouquinho de abitolação os personagens tema da trama.
                                     Alessandra Souza faz a mais perfeita rainha das rainhas da montagem, por outro lado precisa buscar o trabalho perfeito na rua. Isto é, quando o espetáculo é apresentado na rua precisa de perfeito jogo de cena, espaçamento entre os personagens, noção de que o palco passa a ser todo o ambiente da rua, o palco é tridimensional. Sua parte são todas as partes que sobram do colega, esse paradoxo é muito complexo, e cabe a atriz compreendê-lo rapidamente.
                                       No mais, Lili Inventa o Mundo continua sendo um perfeito exemplo do que o teatro é capaz de fazer com uma bela historia literária.

                                                                                                                          A Rainha