quinta-feira, 8 de outubro de 2015
O Incidente 79 - Carlos Barbosa
O diáfano prazer do bom teatro
Maravilhoso assistir um bom espetáculo, sair do teatro revoltada, chocada, triste e feliz ao mesmo tempo. Teatro bom é assim, você embarca, viaja para um outro mundo. na verdade é mais ou menos o que é pregado no espetáculo infantil. Você viaja por um mundo encantado. Aqueles sete mortos adentraram a feira com tanto vigor, com tanta fé cênica, que fui tomada por uma mal estar de quem olha para um cadáver.
Cléber Lorenzoni adapta o espetáculo para uma "declamação" bem feita. Os mortos se colocam na frente de micro-fones e ainda assim a magia acontece. Dos sete mortos, alguns atuam outros interpretam, mas todos convencem. Embora precise mencionar a interpretação incrível de Dulce Jorge (***) em Dona Quitéria Campolargo.
A composição visual também merece louros, sem excluir ninguém.
Mas o mais interessante é analisar um espetáculo como O Incidente sendo apresentado em uma cidade pequena e portanto ainda próxima em muitos sentidos, do microcosmo da Antares da década de 60. O homem evolui, se é que evolui, e se renova o preconceito, se renova a intolerância. "Para falar é preciso estar morto".
Em média à cada nove meses, O Incidente volta em duas ou três apresentações. Não sei se pela soma de Fabio Novello (**) ou Douglas Maldaner (**), mas essa foi uma das voltas mais positivas do espetáculo, que mantém o primeiro Pudim de Cachaça, muito bem interpretado por Cristiano Albuquerque (**).
Renato Casagrande (**) está mais maduro em seu Menandro Olinda embora ainda possa buscar dentro de si mais "dor" por seu personagem. Fabio Novello é bebê no espetáculo, deveria apresentar muitas vezes. O teatro começa a ficar bom, depois da décima!
Douglas e Bruna (**) se esforçam para alcançar, correm atrás. Convencem. Douglas até emociona alguns, mas falta-lhes as outra mil faces, as entrelinhas, as nuances. Isso logicamente se conquista com o tempo, com trabalho. com erro e acerto.
Não há muito mais o que falar, quando é bom, é bom e pronto. Envolvente, seguro, intenso, com curva. Lorenzoni (***) improvisa, meche nos microfones, curva a coluna. Vocês sabem que adoro atores que mechem a coluna. Alessandra Souza (**) não esteve muito emotiva em sua Erotildes, mas compensou com outras intenções e Dulce Jorge deu como réplica a Menandro Olinda um grito perfeito. Foi em fim, uma belíssima noite de teatro.
A trilha de Evaldo Goulart (**) foi bem aproveitada e aprecio o gelo seco, embora num palco de feira de livros, o efeito cênico seja meio afuncional.
A Rainha
O Castelo Encantado 99 - Feria de Livros de Carlos Barbosa
O Teatro é Matemático
Não existe certo ou errado na arte, existe o bom senso, e isso "todo mundo já sabe", mas isso não quer dizer que seja uma terra sem lei, longe disso. O Palco é como um templo, a cerimônia é um rito, e como todo ritual, possui seus dogmas, regras!
Vou aqui mencionar alguns pontos que deveriam sempre ser levados em conta para auxiliar um pouco determinadas situações.
1º Sempre vestir-se antes de se maquiar (quando em palcos adaptados e feiras de livros) assim se o tempo acabar, o ator já estará vestido, podendo abrir mão de algum traço, mas de figurino não se pode abrir mão!
2º Tente nunca apresentar-se em feiras de livros sem microfone. Sou extremamente contra o microfone no palco, mas nesse tipo de evento é a voz que precisa impor-se e comandar a encenação.
3º Tente compreender o público. Quando o ator está fora do teatro, no ambiente mas conhecido pelo público, deve ir pisando em ovos, até compreender o time daquele determinado grupo de pessoas.
O teatro é algo incrível, vai se transformando de acordo com as plateias. Quando você pensa que aprendeu, dominou um personagem, dominou o contato com o público, vêm uma nova inspiração, vêm um público diferente e você não se sai bem. O teatro é mutável, por isso mesmo tão grandioso. Muitos são bons comunicadores, ,as poucos são grandes atores. Uma dica para os mais antigos no palco. Quando sentir que está perdendo-se em algum papel, tire tudo! Limpe a interpretação em determinado personagem e recomece do zero, pelas noções mais pequenas daquela personagem. De um close na postura dele!
Em cena, cinco contadores de historia, e muita tensão, que para mim vazava, escorria pelo palco. Alessandra Souza e Renato Casagrande praticamente foram engolidos pela platéia. Cléber Lorenzoni manteve seu ritmo, tentou contar suas historias com a mesma elegância e perseverança de sempre. Mas a cena dos três porquinhos foi parar na mão do público de forma problemática.
Eu estava sentada ao lado de uma professora. Conversamos um pouco e ela me disse estar ansiosa, pois tentara fazer um "teatrinho" sobre Erico e não conseguíra. No entanto, passou o espetáculo todo dando furtivas olhadelas para seu aparelho de celular. Desconcentrou-me e irritou-me.
Os atores atrás daquela cortina de retalhos, precisam jogar juntos, precisam estar conectados para que todo o troca troca de figurinos não recaia sobre um dou dois. Alessandra Souza tem como mérito o fato de ir dominando a pequena Rosa Maria, e eu saio do teatro com a sensação de que devo sim ser curiosa, não ter medo de nada. Uma aventureira!
A preparação vocal de Evaldo Goulart, Bruna Malheiros e Douglas Maldaner precisa ser incentivada, trabalhada.
Fabio Novelo assumiu a operação do som praticamente na hora do espetáculo começar e se saiu razoavelmente bem, mas uma dica, musica no teatro? Antes sussurrada do que berrada.
Poderia ter me irritado com o atraso, Sou escorpiana, aprecio a pontualidade. Mas aprendi há muito tempo que em feira de livros, quem delimita os horários, são as aglomerações...
O Castelo Encantado encantou quem se concentrou, quem estava muito a fim, Encantou as crianças que estavam dentro do espetáculo, palpiteiras, vívidas. Mas deixou nos pretensiosos atores da Matinê do Máschara a sensação de que ainda há muito a aprender, muitos caminhos, para se seguir...
Alessandra Souza I
Bruna malheiros +
Evaldo Goulart +
Renato Casagrande I
Douglas Maldaner +
Fabio Novello +
ps: Sempre lembrar, os "atores" com tempo mais antigo, carreira, sempre serão os mais cobrados.
Arte é vida e é coisa seria
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
O Castelo Encantado na 16ª Matinê do Máschara - 98º Apresentação
Das obrigações do teatro...
Quando o público compra seu ingresso, seja antecipado ou no ato do espetáculo, não tem muita noção do todo do produto que está pagando. No interior há uma luta diária para se continuar a fazer teatro. Nas cidades grandes também há essa luta, mas ela é mais equilibrada. Nas grandes cidades, os atores sabem que essa é sua profissão, ponto. No interior você é ator até o momento em que já não é mais, tudo é muito incerto. O ingresso que a platéia está pagando, está pagando partes de coisas que foram feitas muito antes.
Nas grandes cidades você tem as estrelas, os grandes atores que já possuem um nome, uma carreira sólida. No interior você muitas vezes tem um grupo de pessoas se apoiando, atores começando, pessoas somando funções, parentes e amigos na platéia, ajudando a segurar as pontas.
Um exemplo disso foi a estréia na Matinê, do jovem aluno da ESMATE, Gabriel Giacomini. O teatro no interior com o Grupo Máschara, tem uma importante função de motivar, desenvolver novos talentos, Oferecer oportunidades.
Gabriel Giacomini começou com Ed Mort no Santíssima, e logo depois participou de O Castelo na escolinha Anjo da Guarda. Mas não se torna um ator de uma hora para a outra. O teatro, a interpretação é uma caminhada, longa! Aprender a portar-se no palco, desenvolver um estilo e só então brilhar. Três fazes bem distintas. Gabriel tem sagacidade, criatividade, e vontade, mas essa vontade precisa ser maior, o teatro exige de nós, naturalmente, para que mais de cem pessoas te aplaudam em pé, emocionadas, te admirando tanto, é necessário que em troca, dê um bom pouco de ti mesmo. Gabriel precisa soltar mais a voz e trabalhar a expressividade em cena. E o que traz tudo isso? Busca, treino, pratica, estudo, e senso crítico.
A apresentação na Matinê não foi como a do domingo anterior, havia um certo gessamento nas funções. Uma tensão, provavelmente devido a presença do principiante. No entanto a diversão foi garantida. Prova disso é o carinho com que o público fotografa ao final do tomo. Alessandra Souza tem se mostrado uma atriz muito capaz, falta-lhe no entanto o "estilo", a superação final de suas ações, o tornar-se inesquecível. O final de Rosa Maria no castelo Encantado chega a ser morno. Renato Casagrande foi se soltando mais para o fim do espetáculo e Evaldo Goulart esteve muito intenso em cena. Cléber Lorenzoni continua me parecendo um tanto apagado em seu Senhor Mágico, mas alcança o sucesso em seus personagens animais.
A troca de lâmpada com o público presente, nos realça o quanto faz falta um teatro, uma sala própria para espetáculos, com segurança e conforto.
Ao final da encenação, uma homenagem criativa ao ator Cléber Lorenzoni, não fui cumprimentá-lo, me desculpe, sou tímida. Mas achei digno por parte dos colegas e do público, renderem indulto a uma pessoa tão importante para nosso teatro.
Souza (**)
Malheiros (**)
Maldaner (***)
Novello (**)
Goulart (**)
Casagrande (***)
Giacomini (**)
Arte é Vida
A Rainha
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
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